22.05


O site GoodReads recentemente fez uma entrevista com Cassie, usando perguntas dos leitores. Confira abaixo toda a entrevista traduzida:

Cassandra, de onde surgiu a ideia dos Caçadores de Sombras e toda a complexidade do mundo de Os Instrumentos Mortais? Suzanne Collins, por exemplo, disse que estava passando pelos canais na TV e juntou dois programas. O que aconteceu com você?

Foi um monte de ideias menores, que se fundiram. Um dos meus amigos mais próximos foi trabalhar em um estúdio de tatuagem na época, e ir lá me deu a ideia para o sistema de Marcas. Eu queria escrever algo que combinasse elementos de grande fantasia — uma batalha épica tradicional entre o bem e o mal, monstros terríveis, bravos heróis, espadas encantadas — e remodelá-la através de uma visão moderna, urbana. Então você tem os Caçadores de Sombras, que são esses guerreiros muito clássicos seguindo suas tradições milenares, mas nesses ambientes urbanos e modernos: arranha-céus, armazéns, hotéis abandonados, concertos de rock. Nos contos de fadas, eram florestas escuras e misteriosas fora das cidades que proporcionavam magia e perigo. Eu queria criar um mundo em que a cidade se tornasse a floresta — onde esses espaços urbanos tivessem seus próprios encantos, perigos, mistérios e sua beleza estranha.

Como é algo com que estou lidando atualmente, gostaria de saber como você conseguiu fazer a transição entre escrever fan fictions e publicar seu próprio trabalho e se há algum conselho que você gostaria de passar para aqueles que enfrentam essa mesma batalha.

Suponho que você está perguntando porque você já viu as discussões no Goodreads, e em outros lugares, sobre as pessoas que escreveram fan fiction alguma vez ainda terem chance de escrever ficções originais. Isso parece desanimador, de verdade. Em primeiro lugar: sim, é claro que você pode escrever ficções originais — não é como se as pessoas que escrevem romances na internet não possam escrever ficção original e, de fato, posso citar um vencedor do National Book Award, que começou sua carreira escrevendo livros de Star Wars para as crianças.

Então encontre uma comunidade de escritores que compartilhem algum aspecto de sua visão. Eles não tem que escrever como você. Contanto que eles tenham perspectivas e ideias interessantes, vocês todos podem se comunicar bem. Esse conselho é para qualquer escritor, na realidade. Você também tem que decidir se você quer cortar seus laços com a fan fiction que você escreveu ou não. O fato é que se você escreveu fan fiction, sempre haverá pessoas que descartam seu trabalho por causa disso ou que acreditam que você não pode escrever um trabalho original, porque você escreveu um dia trabalhos derivados, que se preocupam em tentar descobrir como seu personagem, uma freira medieval, é na verdade o Soldado Invernal porque você escreveu uma vez uma fan fiction de Capitão América. Ignore-os, é o melhor conselho que posso dar. Tenha fé em seu trabalho, e confie em seus amigos.

Como você teve a ideia de todos os comentários sarcásticos que fazem são característicos dos garotos Herondale?

Eu sou sarcástica, e alguns dos meus amigos são sarcásticos, por isso estou bem equipada com uma câmara de incubação de sarcasmo. Mas, então, os próprios personagens também são responsáveis​​. Cada um tem seus próprio jeito de humor, e eles veem com coisas que me surpreendem o tempo todo!

As pessoas AMAM o Magnus! Tivemos algumas perguntas diferentes sobre ele!

O que te inspirou a criar Magnus Bane? Ele é um personagem incrível com sua própria atitude e uma personalidade excêntrica que está sempre com ele, não importa quando ou onde ele está.

Magnus veio de várias fontes. Parte disso era meu desejo de escrever com a ideia de magos e feiticeiros. Nós temos a tendência de pensar neles como tipos de Dumbledore, muito sábios e velhos, com longas barbas brancas. (Na verdade, às vezes, as pessoas ainda me dizem que retratam Magnus como tendo uma baeba longa e áspera porque ele é um bruxo!) Então, eu estava tentando fazer o oposto disso. Eu queria criar uma figura de um mentor bruxo ancião, que também um cara que dá festas, que usa purpurina e calças de couro, que esconde sua sabedoria sob uma fachada de homem-festeiro. Eu nunca esperava que ele fosse se tornar tão importante, que ele teria seu próprio livro, mas fico muito feliz por isso ter acontecido.

Quando Magnus teve que sacrificar uma de suas memórias mais felizes quando convocou o demônio, o que era? Parece que a escrita insinuou que era sobre Will e Tessa, possivelmente Jem.

Nós nunca saberemos o que eram essas lembranças. Elas foram um sacrifício verdadeiro, uma perda real, e acho que se o leitor soubesse deles, elas sempre seriam preservadas em algum lugar. Saber o que elas eram seria como trazer Max de volta; desfaria essa perda e roubaria seu significado. Acho que existem dicas passadas na cena, sobre o que elas eram, mas é isso. Você deve se sentir livre para imaginá-las como qualquer coisa que você quiser!

Por que Magnus Bane de repente se tornou um vilão em Cidade das Almas Perdidas? Por que ele jogou fora seus amigos, seus aliados, seus compromissos e sua bússola moral apenas porque ele estava com raiva do Alec? Por que de repente ele colocou todas essas pessoas que se preocupam com ele num grande buraco “Eu-Odeio-Você”, inclusive Alec, simplesmente porque Alec, independente de todos os outros, fez alguma coisa para ferir Magnus? Por que, em uma batalha pelo MUNDO TODO, Magnus se recusa a ajudar os mocinhos porque ele terminou com seu namorado?

Isso é super interessante, porque esta é realmente a questão que Clary faz a Catarina Loss em Cidade dos Anjos Caídos. (E é o tipo de pergunta que, se você me perguntasse no meu blog, eu provavelmente escreveria uma resposta de cinco páginas! Vou tentar deixá-la curta…) Ela diz: “Onde você estava e por que você não ajudou?” sobre a batalha de Cidade de Vidro para Catarina e fica justamente envergonhada quando Catarina diz que estava salvando vidas. Catarina, como Magnus, sabe que há muitas maneiras de ajudar e fazer o bem, e eles não precisam estar intimamente ligados a Caçadores de Sombras, mas muitas vezes envolvem-se numa união com sua própria espécie e outros integrantes do Submundo, em vez disso.

Magnus não diz “Que o mundo se exploda!”; ele simplesmente diz que não quer ver Alec ou seus amigos. Ele nunca diz que não vai ajudar os Nephilim (ou seus aliados do Submundo) se eles forem até ele pedindo ajuda. Ele não está correndo para unir forças com os demônios. Ele só quer se separar do círculo social imediato de Alec. Magnus é perfeitamente capaz de encontrar uma dúzia de outras maneiras para combater o mal, se ele assim desejar, que ainda lhe permitiriam evitar o pequeno grupo de pessoas muito próximas de seu ex: Ele poderia, por exemplo, organizar a unificação de todos os feiticeiros do mundo contra Sebastian, o que seria extremamente útil e não iria requerer nenhum contato com Alec.

Magnus foi maltratado durante anos pelos Caçadores de Sombras. Ele fala sobre os Caçadores de Sombras jogarem FORA os pratos que ele comeu porque um feiticeiro os tocou? Seus amigos foram assassinados por Caçadores de Sombras. Os pais de Alec e Isabelle, Jace e Clary fizeram todos parte de uma organização fanática decidida a erradicar a espécie de Magnus. Acho que enquadrar Magnus como estar de mau humor porque seu namorado fez algo para feri-lo ignora as implicações mais amplas da situação dele: Alec não fez apenas algo para ferir Magnus; ele fez algo fundamentalmente indigno de confiança, e ele não fez isso em um vácuo. Ele fez isso em um mundo em que Magnus tem uma boa razão para não confiar em Caçadores de Sombras, um grupo que marginalizou amplamente os feiticeiros, e por quem Magnus já foi traído antes. Questionar sua confiança em outros Caçadores de Sombras depois disso parece natural, especialmente considerando que Magnus está em uma posição em que ele precisa tomar decisões e não apenas para si, mas também para outros integrantes do Submundo, a respeito do que é mais seguro para eles.

No fim das contas, essa é uma pergunta que só Cidade do Fogo Celestial pode responder: Na verdade, o trabalho de um livro como Cidade das Almas Perdidas é levantar questões para que elas possam ser respondidas no volume final. Magnus está certo ou errado ao dar um passo para trás e se separar? Será que ele sábio o suficiente para entender que essas crianças precisam se virar por conta própria, eventualmente, sem contar com a ajuda dele? Isso é parte da razão pela qual ele rompeu com Alec, talvez? Mesmo se você acha que Magnus seria um vilão se ele “se recusasse a ajudar os mocinhos”, ele na verdade não fez isso ainda. As pessoas dizem todos os tipos de coisas durante rompimentos, mas como Magnus ainda não abandonou ninguém, acho que é bom lembrar que os personagens mostram quem eles são no que eles fazem, não no que eles dizem, e esperar para ver o que ele realmente faz.

Taryn Lister: Na sua série As Peças Infernais, livros são uma grande parte da história. Eles moldam e afetam os personagens em formas dramáticas. Como uma leitora ávida, minha pergunta é: Por que escolheu livros para afetar tanto a história e os personagens?

Porque eu amo livros! Quando comecei Anjo Mecânico, eu sabia que queria escrever uma heroína leitora, porque Clary é mais voltada para a pintura, uma pessoal visual, não ligada a palavras de maneira alguma. Tessa é muito mais uma pessoa que fica em casa para ler, e ela classifica as pessoas como heróis e heroínas de livros que ela leu. As Peças Infernais é parcialmente inspirada em Um Conto de Duas Cidades, e tendo dois personagens (Will e Tessa) que amam livros fez tudo muito divertido. Também pude mencionar vários outros livros antigos que amo.

Eu sabia que Tessa iria ler como eu lia quando tinha a sua idade – uma leitora apaixonada, sem um grande controle de qualidade. J Eu amava J.R.R. Tolkien, Jane Austen e V.C. Andrews, citando apenas alguns. Eu ainda costumo ler em todo lugar. Agora estou lendo Sonhos de Deuseus e Monstros, e também o livro de Steven Ambrose sobre o Dia D.

TheBookAddictedGirl: Ok, eu estou temendo Cidade do Fogo Celestial tanto quanto estou loucamente desesperada por ele… então: Você pode nos dar uma estimativa do quão arrasados/destruídos/mortos por dentro nós estaremos quando os livros acabarem? Sabe, em termos de: Quanto tempo eu vou ficar deitada em posição fetal na minha cama, sem ação e sem consolação; quanto sorvete eu vou precisar tomar; quandos episódios de séries de comédia vou ter que assistir para me animar; por quanto tempo ficarei sem até mesmo considerar pegar outro livro, sabendo como CdFC me deixou assustada e de coração partido?

Eu falei sobre isso no meu tumblr recentemente. Tinha dito que seis pessoas que conhecemos pelos nomes irão morrer no livro. (E tinha um grande pôster que dizia QUEM IRÁ SOBREVIVER? na prévia da capa mas, em minha defesa, não inventei ele!) Sei como aquilo poderia dar um nervosismo. Parece que há muita morte de personagens por aí em variadas mídias ultimamente, e vi muita agonia por isso. O que eu entendo totalmente, porque a morte de um personagem muitas vezes me faz ir para a cama com um gato e um saco de gelo.

O que posso dizer sobre Cidade do Fogo Celestial é: Acredito que todas as mortes foram necessárias. Nenhuma delas acontece só pela surpresa, sem alguma razão ou apenas para passar a mensagem que a morte é algo aleatório e terrível. Minha meta não é destruir vidas ou afogar alguém em um balde de sentimentos, mas contar uma história legal e criar um final que, esperançosamente, os leitores vão achar que fez justiça à história que veio antes. Não quero ninguém se sentindo jogado por aí. Quero que as coisas pareçam racionais. Não sou fã do niilismo (coisas ruins acontecem por nenhuma razão, sem um pingo de esperança)- o que não é exatamente uma visão geral do niilismo, apenas uma das preferências. O final não é desesperador. Eu acredito na esperança! De verdade.

Radhika: Você chorou em algum capítulo? Se sim, como era o nome?

Chorei um pouco no epílogo, mas isso foi porque eu tive que dizer adeus para todos como uma escritora. Não sei se você vai chorar!

Cindy: Vai ter alguma menção aos personagens de As Peças Infernais em Cidade do Fogo Celestial? A conclusão terá as duas sagas se juntando num grande finale? E Naya B_lorde pergunta: Jem Carstairs e Tessa Gray vão interpretar um papel de grande importância nos momentos finais?

Não posso entrar em detalhes sobre isso sem revelar um monte de spoilers, mas como eu disse anteriormente, personagens das Peças Infernais não vão de repente virar o centro de tudo e fazer toda a ação. Ambas séries devem se manter por si mesmas, então jogar do nada um personagem novo para Os Instrumentos Mortais no sexto livro seria uma atitude estranha. Pessoas que não leram a saga das Peças (e elas existem!) ficariam confusas e possivelmente irritadas. Então você os verá, e eles farão coisas úteis e momentos importantes, mas esse é o final de Os Instrumentos Mortais, e o foco principal será em Clary, Jace, Simon, Alec, Isabelle, Maia, Jordan etc.

Maria: Qual foi sua opinião sobre o jeito que Cidade dos Ossos foi produzido? Houve muita controvérsia entre os fãs por causa da maneira que se afastou da história original em alguns lugares. Você ficou totalmente satisfeita com ele? Acha que terá melhorias no próximo filme?

Concordo que foi muito diferente do livro. Eu não estava envolvida nas decisões finais no que iria para o filme e o que seria cortado, e não estou na posição de fazer decisões sobre filmes futuros. Porém, eu me importo muito com a opinião dos leitores, então eu fiz uma lista com comentários de fãs e dei aos produtores, na esperança de que suas decisões futuras serão baseadas nas opiniãos.

Marielle Clément: Minhas perguntas para nossa deusa Cassandra Clare seriam: Quem serão os personagens principais na série As Últimas Horas? Nosso protagonista é uma garota com um interesse amoroso deliciosamente sarcástico (sem mencionar que ele será muito, muito, muito bonito)? Quantos livros a série vai ter?

Isso foi uma referência à Zoolander? Espero que sim! As Últimas Horas vai ser uma trilogia. Já que é um trabalho em andamento, não leve tudo que eu disser a sério, as coisas ainda podem mudar. Acho que essa história é menos focada em um só personagem, diferente das outras. Personagens com pontos de vista incluem Cordelia Carstairs, que é prima do Jem, corajosa e divertida, e sua parabatai, Lucie Herondale, a filha de Will e Tessa. Tem também James Herondale, irmão mais velho de Lucie, e o seu parabatai, Matthew Fairchild – James está em O Herdeiro da Meia-Noite de As Crônicas de Bane, e nós descobrimos que ele é um pouco sarcástico, porém eu diria que mais tímido que seu pai, e Matthew é muito amoroso, engraçado, um tanto quanto festeiro. Acho que posso dizer que, se as pessoas acharam que a série Mecânica trouxe algumas lágrimas, TLH (As Últimas Horas) irá trazer ainda mais! Já chorei, e estou apenas esboçando.

Marce: De todas as teorias de fãs sobre Cidade do Fogo Celestial que você ouviu, qual é a mais maluca? Fale-nos sobre ela.

Agh! É difícil escolher. A minha favorita é aquela onde Coroinha é, na verdade, Tessa transformada em um gato, e no final, ela volta ao normal e salva o mundo!

Fontes: [1] [2]

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