19.04


“A Rainha Sol” (Artefatos de Ouranos 1)
Nisha J. Tuli
Tradução: Guilherme Miranda
Seguinte – 2024 – 368 páginas

Nesta fantasia cheia de romance e ação, dez mulheres participam de uma competição mortal. O prêmio? Governar ao lado do Rei Sol.

Lor e seus irmãos estão há onze anos em Nostraza, a prisão do Reino de Aurora, e o último lugar em que qualquer um gostaria de estar. Até que, depois de uma libertação inesperada, Lor descobre que foi convocada para participar das Provas da Rainha Sol, uma competição de vida ou morte entre dez mulheres cuja vencedora se tornará a nova esposa do rei.

A jovem não está nem um pouco interessada em casamento ou amor ― mas sim na liberdade (e na possibilidade de vingança) que a vitória significa. Porém, Lor definitivamente não pertence àquele lugar, e precisará confiar nas pessoas certas e dar tudo de si para sobreviver às Provas ― e qualquer passo em falso pode pôr tudo a perder.

Nunca, em toda minha vida bookstan, vi uma sinopse enganar tanto quanto a de “A Rainha Sol“. Claro, Lor, a personagem principal, está presa com os irmãos e é realmente levada para participar das Provas da Rainha Sol, mas você, que me lê, acredite quando lhe afirmo que este livro não tem foco algum nessas provas e isto irei explicar nesta resenha que será bem sem informações porque sinto que quase tudo neste livro é um grande spoiler, já como a trama está bastante – bastante mesmo! – longe de “A Seleção“, como quer fazer acreditar esta sinopse. Sim, ainda estou indignada com ela, que não me preparou pra nada desta trama que começa de uma forma muito, mas muito sombria mesmo.

Antes, me permitam situar este livro: “A Rainha Sol” é o primeiro da série “Artefatos de Ouranos“, que é composta por 4 livros, como a autora menciona sua intenção na Nota antes da trama começar. O segundo livro, “O Rei Aurora” já teve sua capa divulgada (veja clicando AQUI) e a pré-venda também foi anunciada para Junho aqui no Brasil, já como o primeiro livro foi publicado em inglês em 2022 e o segundo volume em 2023. O terceiro livro, chamado “Fate of the Sun King” (e, se seguir a tradução dos anteriores, se chamará somente “O Rei Sol” aqui) será publicado em 6 de junho próximo e o quarto e último livro, “Tale of the Heart Queen” será publicado em inglês no ano que vem. Os livros não são considerados YA e são romantasias pura, o mais novo subgênero da fantasia, com o romance guiando a trama. Só que na Nota da Autora, que já mencionei, Nisha J. Tuli deixa claro que o romance será lento e ficará mais no centro nos próximos volumes. E isso também não é lá muito verdade, como absolutamente tudo que envolve este livro, porque há sim, envolvimento romântico e cenas hot aqui. Mas há algo na Nota que a autora falou e quero deixar claro aqui: como dito acima, este livro começa em um tom MUITO sombrio e há menções de agressões sexuais no passado, sem nenhuma acontecer na narrativa, porém se você é sensível ao tema, pense se a leitura é adequado para você.

Seu cabelo preto bate logo abaixo das orelhas, rebelde e sem vida. Não cresceu mais do que isso desde o último surto de piolhos, quando rasparam nossa cabeça. Por semanas, ficamos parecendo um exército de batatas em sacos disformes. Ao passar a mão no meu, faço uma careta. Assim como o de meus irmãos, é preto como a noite e cresceu um pouco mais do que o de Willow, agora está quase no queixo.
O mais longo que já deixei alcançava o meio das costas. Mas isso faz anos, e, mesmo naquela época, era tão seco e frágil que eu acordava com o travesseiro cheio de fios, como um ninho de vermes ressecados. Sinto que está um pouco mais saudável agora, mas Nostraza só fica cada vez mais cheia e com mais doenças; outro surto vai chegar mais cedo ou mais tarde. É um milagre que ainda não tenha acontecido.

Quando digo que a sinopse deste livro engana, não é brincadeira: ao lê-la, pensei que seria uma romantasia leve, com um casal liderando a trama sobre uma garota presa injustamente com seus irmãos na horrenda prisão de Nostraza sem ao menos ter um motivo, mas não foi isso que tive: tive uma personagem principal repleta de raiva tentando sobreviver por toda a trama – e enganando quem precisava, quando precisava. Mais nova do que Willow e Tristan, Lor é rebelde em um nível sombrio pelo tanto que já passou naquela prisão, já como está lá há doze anos e metade de sua vida. Claro que já lemos nossas mocinhas sendo presas, mas tenha em mente que aqui Lor é literalmente uma presa comum, encarcerada em um presídio real, com guardas abusadores, violentos e nojentos. Sim, tudo da pior forma possível. Quando a trama começa, Lor está revoltada porque outra presa roubou seu sabonete que fora conquistado horrendamente e logo tudo termina em violência. Não estou dando spoilers demais ou tentando estragar a leitura de ninguém, estou alertando para o começo realmente sombrio deste livro e você pode julgar lendo até o começo do quarto capítulo no site da Amazon (clique AQUI e depois em “Ler amostra”).

Minhas expectativas foram lançadas ao Sol (desculpa o trocadilho, não resisti) com este começo tão forte e sinistro, mas então, como a sinopse entrega, Lor é tirada da prisão e levada para competir as tais Provas da Rainha Sol. O que parceria ser um sonho para a própria Lor a princípio, logo se mostra um real pesadelo porque aqui não se perde somente uma prova e sim a vida. Também atormentada por ter deixado Willow e Tristan na prisão, Lor começa a tentar entender o que são essas provas porque ela não está mais em Aurora e sim em Afélio, um reino ao Sul, logo também tomando ciência de que caso se torne a Rainha Sol, terá poder suficiente para tirar os irmãos da prisão, que é o que mais deseja.

Faço que sim, soltando o braço de Willow e voltando a guardar minhas coisas no armário. Bato a porta com tanta força que as prateleiras tremem. Não tem fechadura — esse é o problema. Nada é de ninguém aqui. Tudo é emprestado temporariamente, incluindo nossos corpos e, com certeza, nossas almas. A única coisa que ainda não dominaram é minha mente, embora isso pareça mudar a cada ano que passa.

As coisas não fazem sentido pro leitor também porque no começo da trama, entendemos que Lor e seus irmãos foram presos todos com menos de 16 anos, e todos por motivos que parecem simples demais para serem jogados em uma prisão com adultos. Também começamos a entender que o Rei de Aurora, onde Lor estava presa, está mentindo e escondendo informações, mas não sabemos o quanto. Entendemos também que o Rei Atlas, com quem a ganhadora das provas se casará, é um personagem dúbio, sempre deixando o leitor na dúvida sobre o que realmente deseja. E Lor parece ter pensamentos erráticos em muitos momentos, tornando a confusão maior ainda.

Até aí, vamos embarcando porque talvez a trama seja mesmo para deixar o leitor no escuro até certo ponto, mas nada faz sentido para Lor também: como ela foi parar ali? Quem é aquela moça que está lhe ajudando? Quem é Gabriel, o capitão destinado a sua segurança? E pior: por que Altas, o Rei Sol, iria perder seu tempo e levar uma prisioneira do Reino de Aurora para lá? Por que ela está no meio da alta sociedade feérica, sendo somente uma humana comum? Veja só – você não sabia que este livro tem feéricos, e nem eu também porque a sinopse esconde uns 90% da trama. Sim, o Rei Sol, Atlas, é um feérico, o Rei de Aurora é um feérico, Gabriel, o capitão, é um feérico – e Nadir, o personagem que começa a ter ponto de vista a partir do capítulo 4 também é um. E se você pensa que eu estou entregando toda trama… não, isso tudo não demora a acontecer e não estamos ainda nem aos 25% da narrativa.

Cada um daqueles Nobres-Feéricos governava um dos oito distritos da Aurora, todos batizados a partir das cores primárias da boreal: Esmeralda, Carmesim, Prata, Violeta, Índigo, Verde-Água, Âmbar e Fúcsia. Suas vidas eram um ciclo interminável de disputas por migalhas de poder e riqueza, todos confiantes de que as contribuições de seu distrito eram as mais valiosas e, portanto, mereciam as maiores recompensas. Era patético.

Lá pelo meio da trama, já estava ciente de que não dava para realmente confiar em ninguém, mas já estava bem investida em tentar entender Nadir – e nem vou explicar porque ou quem ele é ou qualquer coisa a mais. Esse personagem me intrigou porque ele parece ecoar algumas questões que eu, leitora, estava tendo. E, bem, quem resiste a um personagem atormentado, não é mesmo? Já sobre personagens coadjuvantes, o único que me chamou atenção foi Gabriel, com todos outros pareceram absurdamente simples e sem uma construção real, que podem mudar nos próximos volumes.

Lor é uma boa protagonista. Uma mulher que sobreviveu, realmente forjada na sobrevivência e amor pelos irmãos, que faz o leitor torcer por ela e entende que o que a guia é realmente a raiva e a vontade de se vingar contra o Rei Aurora, que matou seus pais e a prendeu. O leitor acredita que Lor não entende tanto o que aconteceu porque era uma criança no meio de tanta dor e destruição, mas ao mesmo tempo, vamos nos perguntando se ela realmente não se lembra de nada. Será? Só gostaria de deixar também registrado que gostaria muito de ter mais informações sobre Willow e Tristan. 

As dez Tributos vão competir em quatro desafios no decorrer de oito semanas. Cada desafio é elaborado para testar uma variedade de atributos e habilidades. Se não conseguirem completar a tarefa de uma forma que consideramos satisfatória, serão desclassificadas. Esses desafios não são para as fracas, muitas Tributos acabaram morrendo ao longo dos séculos. Entre os desafios, vocês vão receber aulas e treinamento para ajudá-las a sobreviver.
A multidão ouve aquilo com um burburinho crescente de animação.
Sobreviver? Meu estômago, já enjoado, aperta ainda mais.
As Tributos que passarem em todos os quatro desafios vão ficar perante o Espelho Sol, o árbitro e juiz de quem é digna de ascender a Feérica Imperial e governar como Rainha Sol. Somente o Espelho vê a verdade e o destino de quem deve ser a rainha. — O homem faz uma pausa dramática, seu olhar nos perpassando como se estivesse olhando para algumas de nós pela última vez. — Boa sorte a todas, e que Zerra as abençoe e as proteja.

Mas o grande problema de “A Rainha Sol” é o romance. Lembram quando falei que a autora avisa que o romance será lento e só começará nos próximos? Então, aqui tem um relacionamento que qualquer coisa que seja mencionada será um grande spoiler, só preciso registrar que já vimos algo assim e justamente por ser algo já visto que se torna o elo fraco – até porque há dicas demais. E não, não é porque não gosto de “romance” porque claro que tinha total ciência de que estamos em uma romantasia, mas porque o romance é… bobo e óbvio, transformando uma trama que começou tão sombria em algo tão juvenil. Sim, nessa altura da trama o tom da narrativa é mais juvenil do que se pensa com os capítulos iniciais, então se você leu os primeiros capítulos como falei e achou ok, pode ler que o resto da trama se suaviza exponencialmente.

Na construção do mundo, há muito que gostaria de entender, principalmente porque Aurora é basicamente uma noite constante. É magia feérica? O que aconteceu naquele reino? Preciso de respostas e sei que elas só virão nos próximos livros, mas também digo que este livro pregou uma bela peça no leitor, tanto em sua sinopse quanto em uma das reviravoltas finais, que me fez dar uma risada inesperada, apesar da obviedade do suposto romance deste livro. Mas deixo claro que espero que esta reviravolta inesperada não fique sem consequências e vejamos mais da Rainha Sol nos próximos livros. Se você leu, você entenderá.

Para comprar “A Rainha Sol”, basta clicar no nome da livraria:

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Magalu.

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