17.04

Sinopse: Nas planícies de Yorkshire, vive uma linhagem secreta de pessoas para quem livros são alimento e que retêm todo o conteúdo de um livro depois de comê-lo. Para elas, romances de espionagem são lanches apimentados; romances são doces e deliciosos. Comer um mapa pode ajudá-las a se lembrar de lugares, e as crianças, quando se comportam mal, são forçadas a comer páginas secas e mofadas de dicionários.

Devon é parte da Família, um clã antigo e recluso de devoradores de livros. Seus irmãos cresceram se alimentando de histórias sobre valores e aventuras, e Devon ― como todas as outras mulheres devoradoras de livros ― foi criada com uma dieta cuidadosamente selecionada de contos de fadas e histórias de advertências.

Mas a vida real nem sempre vem com finais felizes, como Devon descobre quando seu filho nasce com um tipo raro e sombrio de apetite ― não por livros, mas por mentes humanas.

A primeira vez que eu fiquei sabendo sobre “Os Devoradores de Livros” foi quando montei uma das listas de lançamento e, logo de cara, eu tive vontade de lê-lo. A sinopse dele me encantou desde o primeiro momento e eu gostaria aqui de agradecer a agencia LC e a editora Alta Novel por disponibilizarem o livro pra gente.

Como diz na sinopse, a nossa personagem principal do livro se chama Devon e ela é uma mulher que faz parte de uma das famílias de monstros que existem na Inglaterra. Familias essas que estão cada vez mais escassas: com a crescente de homens nascendo, eles precisam de mais mulheres para procriar e por isso, como tudo que os monstros comem, eles absorvem, as famílias alimentam as mulheres apenas com contos de fadas para não fazer elas questionarem a realidade do que acontece.


“Nos contos de fadas, as princesas têm tudo: amor verdadeiro, final feliz, seus filhos para cuidar e os monstros, bruxas ou ogros derrotados. A vida não funcionava dessa maneira.”

Cada mulher dá a luz, no máximo, a três filhos, um para cada família, com casamentos arranjados, onde elas vão, se casam, engravidam e então quando a criança deixa de mamar, elas vão embora e seus filhos ficam para trás.

Porem, isso vira um problema para Devon. O livro todo é conduzido mostrando o presente, onde Devon está com Cai, seu filho – e já falo mais dele – e o passado, o que levou Devon a chegar onde está e tomar todas as decisões que ela toma no que dizem respeito ao filho.


“— Se não fosse por ele, você poderia estar a meio mundo daqui. Que preço você dá ao amor, Devon Fairweather?

Ela sabia a resposta de cor.

Preço nenhum. Não existe um preço. O amor não tem custo. É só uma escolha que você faz.

Depois de sua primeira gravidez, Devon começa a questionar esse metodo, começa a questionar se é correto abandonar os filhos: ela mesma nunca conheceu sua mãe e, seu pai, não a chama de filha, mas a trata como sobrinha. Apesar dela ser criada a vida inteira para ser uma princesa perfeita e fazer absolutamente o esperado dela, as coisas ficam cada vez mais complicadas.

No presente, quando conhecemos Devon, ela está com seu filho Cai que, ao contrario de sua mãe, não é um devorador de livros, mas de mente. E isso é meio que uma “doença” porque como eles absorvem tudo que eles se alimentam, aos poucos as outras vidas vão tomando conta da cabeça de Cai – e ele é tipo uma CRIANÇA ainda.


“Era sempre a mesma história, ela pensou, exausta. Apenas homens pequenos e raivosos agarrando-se aos resquícios de um poder cada vez menor. Eles temiam viver sem privilégios porque os utilizavam para abusar de outras pessoas e agora estavam aterrorizados com a ideia de sofrerem a mesma crueldade que aplicavam corriqueiramente.”

Só, que no meio de toda essa complicação, Devon sabe que uma das famílias que, até então, foi desmantelada depois de um golpe dado por um dos filhos, eles fabricam o remedio que pode manter a sede de seu filho sob controle para que ele consiga se alimentar apenas de livros. A vontade de se alimentar de humanos ainda estará lá, mas será controlada. E é algo que ela precisa com todas as forças.

O que foi uma coisa que eu amei do inicio ao fim do livro: absolutamente toda decisão que Devon toma, por mais questionavel que seja, é por conta de Cai. Ela quer que ele possa ter uma vida normal, num mundo normal e não preso pelas regras que existem entre as famílias de monstro – nas regras, nenhuma família mantem consigo um filho que se alimente de mentes, eles os entregam para uma especie de “policia” dos monstros para que lá ele seja cuidado e controlado para não matar ninguém e para ser meio que segurança deles.


“Mil vezes por dia, de mil maneiras diferentes, ela escolhia Cai, até que escolhê-lo se tornou o padrão, assim como respirar. Mãe, custe o que custar.”

Devon é absolutamente uma das personagens mais fortes e fodas que eu já vi. Ela tem a mente bem centrada apesar de toda desgraça acontecendo e faz tudo que for possível, mesmo que a machuque, para manter Cai em segurança. Como ela mesma cita em uma parte do livro “ o amor não é inerentemente bom”, ou seja, ela sabe que Cai é uma ameça não apenas para outros humanos, mas também pra ela mesma. Porém o que ela pode fazer além de cuidar dele? Deixa ele a própria sorte ou que morra de fome ou seja maltratado desde neném? Ela simplesmente não consegue porque o amor por ele é a força que move ela pelo livro.

E Cai é muito bom. Mesmo sendo uma criança, ele já tem plena consciência das coisas pelo fato de ter absorvido muitas mentes adultas: ele já se comporta e fala como um adulto e também entende a gravidade de todas as coisas que ele e a mãe estão se metendo, mesmo que ela passe uma boa parte do livro tentando esconder isso dele para tentar manter pelo menos um pouco da inocencia da infancia.


“Pois aqui estava o que nenhum conto de fadas jamais admitiria, mas que ela entendeu naquele momento: o amor não é inerentemente bom.”

O amor que um tem pelo outro é algo que, como eu falei acima, é carregado por todo o livro. Eles sabem que tudo que eles tem é um ao outro e isso entra em outro ponto que eu gostei bastante aqui: tem um certo romance no livro, mas esse não é nem de longe o foco principal, tudo aqui é focado em Devon e Cai e no que eles são capazes de fazer um pelo outro.

Toda a mitologia criada em torno dos monstros devoradores de livros é muito bem pensada e muito bem articulada, nunca deixando aquela sensação de “nossa era uma boa ideia, mas foi muito má executada”, muito pelo contrario. Quanto mais você se aprofunda na leitura e na vida de Devon e Cai, mais você torce por eles, mesmo com suas atitudes impensadas e mais você quer que dê tudo certo.

Até onde eu sei esse livro é único, mas não vou negar que eu gostaria bastante de uma continuação para saciar uma única ponta solta deixada no livro – e que eu não posso falar porque é um grande spoiler.

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