30.12


“Reinado Imortal” (A Queda dos Reinos #6)
Morgan Rhodes
Seguinte – 2018 – 424 páginas

No último volume da série épica A Queda dos Reinos, grandes inimigos precisam se tornar aliados para salvar Mítica da ira dos deuses elementares. Os cristais da Tétrade foram reunidos e os deuses elementares que estavam aprisionados neles foram libertados, mas seu poder e magia não podem ser contidos por ninguém. Saindo do controle de humanos e imortais, os deuses se uniram e planejam destruir todos os reinos, começando por Mítica. Enquanto Jonas continua ignorando o destino que o liga a Lucia, a feiticeira está preocupada em encontrar maneiras de proteger sua filha ― mesmo que isso signifique enfrentar sozinha Kyan, o deus do fogo. Amara também está disposta a encarar os deuses elementares. Apesar de ter voltado para o Império Kraeshiano, não desistiu de se tornar a mais poderosa dos reinos. Ao lado da avó, pretende conquistar Mítica só para si. Magnus e Cleo terão seus sentimentos testados mais uma vez. Com os inimigos se aproximando e uma magia maligna tomando conta dos territórios de Mítica, eles precisam descobrir se o amor que sentem é o suficiente para vencer as forças que querem destruí-los ― e a toda a nação.

Leia a nossa resenha do 1º volume da série, “A Queda dos Reinos”, clicando AQUI; a nossa resenha do 2º volume da série, “A Primavera Rebelde”, clicando AQUI e ainda a resenha do 3º volume da série, “A Ascensão das Trevas”, clicando AQUI – já para ler a resenha do 4º volume da série, “Maré Congelada”, clique AQUI e para ler o 5º volume, “Tempestade de Cristal”, clique AQUI. Avisamos que essa resenha conterá pequenos spoilers, nada que afete sua leitura do livro, mas como estamos resenhando a série se torna impossível não falar do desenvolvimento da trama e dos personagens.

“Você não pode fugir do seu destino.”
Jonas levantou tão rápido do chão de madeira que se sentiu tonto. Desorientado, mas com a adaga em punho, ele analisou o pequeno cômodo para localizar exatamente o que o havia acordado de seu sono profundo.
Mas não havia nada além de uma linda princesa com longo cabelo preto dormindo no pequeno chalé. Uma bebezinha estava ao lado dela, enrolada em um pedaço de tecido rasgado do manto de Jonas na noite anterior.
Os olhos da recém-nascida estavam bem abertos e fixos em Jonas. Olhos violeta. Brilhantes… como joias resplandecentes.
Ele recuperou o fôlego. O quê…?
Lucia gemeu baixo enquanto dormia, fazendo-o desviar a atenção da bebê por um instante. Quando Jonas voltou a observá-la, os olhos dela estavam azul-celeste como os da mãe, e não mais violeta.

Depois do melhor volume da série (“Tempestade de Cristal”, o 5º volume) em minha opinião, minhas expectativas para o volume final estavam altas, afinal, até aqui, Morgan Rhodes me mostrou que perdas eram necessárias e que ela não tinha medo de puxar cartas da manga para fazer criativas saídas para os problemas dos personagens, tudo isso em uma construção bastante intensa de personalidade dos 4 principais. Eu estou bastante ciente de quase todos finais de séries sempre me decepcionaram por um motivo ou por outro, mas eu realmente confiei na autora e deixei a ansiedade falar mais alto, tanto que emendei a leitura na sequência. Talvez isso tenha sido um erro porque obviamente fui ler muito avida, e apesar de “Reinado Imortal” não ser um bom livro, ele também não é uma conclusão perfeita para uma série que poderia ter se encerrado espetacularmente depois de tanto desenvolvimento.

Não odiei o livro, de forma nenhuma. Ele começa exatamente como todos da série: aonde o volume anterior terminou, e com Magnus enterrado e vivo, vamos descobrindo como ele vai conseguir sair dali enquanto Lucia sente que o irmão está morto – porque é isso que acontece com Magnus, ele morre e volta, já como está com ao anel com a pedra sanguinea que seu pai colocou em sua roupa e assim salvou sua vida. Como Magnus mesmo pensa dentro de seu caixão, ele tem bastante tempo para pensar em sua vingança contra Kurtis, e eu confesso que esperei bastante por esse momento (e não me decepcionou, deixo claro).

— Mas foi só quando sua magia veio à tona que eles conseguiram despertar.
— Sim, despertar. — Lucia assentiu. — Porque foi exatamente o que aconteceu. Eles estavam dormentes, ou seja, inconscientes. Não tinham consciência como têm agora. Estão vinculados: a Tétrade e os cristais. Destruir o cristal significa apenas destruir sua forma física. A magia ainda existiria no ar. Na terra sob nossos pés. Na água do mar. E no fogo das lareiras. Tudo como deveria ser. Como deveria ter sido desde o início.

Enquanto isso, em Auranos, Gaius parece de alguma forma estar tentando ser melhor ou aprontando alguma coisa – sempre fica a dúvida com o personagem, absolutamente sempre – e Lucia está com Lyssa, sua filha que muda a cor dos olhos e está roubando a magia da mãe. Tem sido bastante interessante porque eu comecei a imaginar uma série derivada com a garotinha, já como é obvio que ela tem um poder maior do que a mãe. Jonas está a cada segundo mais e mais envolvido com Lucia e Lyssa, e isso me incomoda bastante porque ele próprio se ferrou e se desenvolveu bastante toda jornada do livro para, no final ser basicamente reduzido a um capataz da princesa. Lucia foi a personagem que mais andou em circulos, em minha opinião: começou crédula e ingênua, descobriu que era uma bruxa poderosa e tinha uma profecia para lidar, se descobriu também apaixonada, foi traída, enganada por um Deus sedento por sangue e teve uma filha, tudo em uma longa jornada para voltar ao lugar de princesa que queria acreditar em um futuro melhor. Talvez eu tenha esperado demais da personagem também, mas ela entrou em meu rol de decepções em relação à série, justamente por gostar mais dela como uma feiticeira do que como uma princesa.

E, por falar em princesa, no começo da trama Cleo continua lutando contra a Deus da Água que está em seu corpo, agora tentando assumir o controle. Em luto por acreditar que Magnus está morto, ainda mais depois de Lucia afirmar, a personagem pare que enfim tinha acalmado um pouco – claro que isso muda completamente ao descobrir que seu marido e amado não está morto nada, e, juntos, eles tem muitos negócios ainda a se resolverem. Magnus vai crescendo a medida que o livro vai se desenrolando, ele também duvidando o tempo inteiro das intenções de seu pai, ainda mais depois de saber que o homem matou sua avó Selia no final do livro passado, deixando o ritual que Kyan tanto planejou para libertar seus outros 3 irmãos pela metade, fazendo com que somente Olivia fosse possuída completamente – e Cleo e Taran parcialmente possuídos e lutando contra as “vozes” dentro de suas cabeças.

— Case comigo, Magnus.
Ele arregalou os olhos.
— Já somos casados.
— Eu sei.
— Não é possível que tenha esquecido aquele dia no templo. O terremoto? Os gritos, o sangue e a morte? Os votos forçados, sob ameaça de tortura e dor?
Cleo pareceu assustada, e ele se arrependeu de tê-la feito lembrar daquele dia horrível.
— Aquele não foi um casamento adequado — ela disse, balançando a cabeça.

Então começou algumas coisas que posso acrescentar em minha listagem de decepções, e a principal envolve Gaius. Não quero dar um spoiler concreto, mas a conclusão do personagem me deixou bastante decepcionada por tudo que ele trilhou e pavimentou até aqui. Parece que a autora quis dar um choque no leitor ao encerrar a jornada de Gaius da forma como foi, mas, para mim, foi somente… decepcionante. Eu queria ver mais, queria saber mais, queria… mais.

E esse foi um sentimento que foi crescendo no livro a medida que eu lia as páginas, porque chegou uma hora que eu olhei a numeração e pensei: “Nem ferrando esse livro vai responder tudo faltando 200 páginas!” e isso é algo ruim porque dá a sensação de que o livro vai se encerrar correndo – e eu senti isso mesmo, apesar da conclusão para tudo envolvendo os Deuses e a tétrade foi sim, satisfatória. Mas faltou… algo. Faltou o que tinha nos últimos livros: aquela tensão, aquele medo, aquela sensação de que tudo iria explodir sim e o leitor iria ter que lidar com personagens que ele amava morrendo. Faltou um pouco mais de emoção.

— Como eu disse, não sigo ordens de mulheres. — O homem teve a audácia de sorrir para ela. — Tenho muitos amigos entre seus guardas. Acha que vão seguir suas ordens de tortura sem hesitar? Talvez se recusem. Alguns hematomas e cortes são apenas para manter as aparências, para fazer você pensar que está no controle. Talvez eles façam o contrário e me soltem para eu torturá-la. — Ele riu. — Você não passa de uma garotinha que se iludiu com a ideia de que tem poder.
Amara apenas balançou a cabeça.
— Homens. Tão cheios de si, independentemente da posição em que se encontram. Tão cheios pela ideia da própria importância. Não se preocupe. Eu ficaria feliz em deixá-lo aqui acorrentado, sem comida, sem água. Posso facilmente transformar isto aqui em uma sala do esquecimento, como temos na minha terra.
— O que é uma sala do esquecimento? — Cleo perguntou.
— Uma sala onde alguém é deixado no escuro, sozinho e em silêncio — Amara respondeu —, apenas com um pouco de alimento insosso para sustentar a vida.
Sim, Cleo tinha ouvido falar daquela punição. Prisioneiros eram deixados sozinhos até ficarem loucos ou morrerem.

Eu sei que falando assim parece que eu não gostei do livro, mas não foi o caso: como mencionei acima, o final de toda trama envolvendo os elementias foi bastante satisfatório e eu tive a sensação de que foi algo planejado e não simplesmente inventado para terminar daquela forma, além de ter adorado uma certa bruxa Valia que entrou na trama para um final que foi sensacional. Uma coisa que toda série me prendeu bastante foram as amizades que foram justamente construídas durante a trama: Jonas e Félix e Nerissa e Amara – sim, eu tenho gostos peculiares hahaha.

Toda trama de Amara com sua avó Neela é, de longe, a melhor para mim nesse livro. Às vezes amamos tanto uma pessoa que não vemos quando estamos sendo usados por esta pessoa, e a forma como a trama de Amara se encerrou me deixou completamente feliz com a personagem e como ela aprendeu (da pior forma) que a ambição não é uma qualidade. Ashur e Nic também foi uma grata surpresa para mim, devo dizer, e acho que shippo eles mais do que qualquer outro casal em “A Queda dos Reinos”. No final das contas, também preciso ressaltar que Cleo, apesar de tomar outra decisão que me fez revirar os olhos, se tornou uma grande protagonista, capaz de se tornar uma grande mulher e uma grande Rainha. Gosto quando personagens crescem e amadurecem, e por mais que ela não seja minha favorita na trama, devo bater palmas em como a personagem se tornou digna de respeito, tanto dentro quanto fora das páginas da trama. Acho que esse foi o ponto principal para ela e Magnus se tornarem “perfeitos” um para o outro, sendo exatamente o que o outro precisava e encontrava no seu par. Sim, admito que eles são um casal perfeito dentro de suas falhas e imperfeições.

— Caso ainda esteja confusa com tudo isso, estou resgatando você.
Amara balançou a cabeça.
— Não mereço ser regatada.
Mereço fugir, ela pensou. E sobreviver. Mas certamente não ser resgatada por outra pessoa.
Nerissa apoiou o ombro na lateral da carroça enquanto Amara esfregava os punhos doloridos e tentava se levantar. Sua perna já estava quase curada, mas ela ainda mancava. Talvez mancasse para sempre.
— Todos merecemos ser resgatados — Nerissa disse apenas. — Alguns demoram mais para perceber do que outros.

Algumas explicações a mais sobre tudo no universo de “A Queda dos Reinos”: além dos 6 livros da série principal, existe um conto dividido em duas partes chamado “Crimson Dagger”, mostrando a infância de Magnus e como foi todo o desenrolar do momento no qual ele ganha a sua já característica cicatriz. E também havia (noticia chocante mesmo) uma trilogia derivada chamada “Spirits and Thieves”, que se passava entre Toronto, no tempo atual, e o reino de Mítica (anos antes da série original) que foi cancelada depois de dois livros publicados. É triste saber disso, já como os leitores não tiveram a conclusão da trilogia que nem ao menos chegou a ser (compreensivamente) publicada aqui no Brasil também. Havia ainda um conto chamado “Obsidian Blade” que juntava Magnus e Maddox, o personagem da trilogia não-concluída. Doloroso, mas como a própria autora falou em seu post no tumblr (você pode ler em inglês clicando AQUI), no final das contas, Editoras são um negócio, e se os livros não vendem… são cancelados.

Eu gostei bastante da série e falo isso com tranquilidade. Não é a minha série de fantasia favorita, mas é uma série capaz de prender o leitor e de te fazer amar alguns personagens. Eu senti medo por eles em outros volumes e gostei bastante de toda trama pelo trono dos primeiros livros (adoro essa coisa de um traindo o outro pelas costas o tempo inteiro), e gostei da reviravolta em diversos pontos da trama, mas quando a questão de toda profecia de Lucia e como tudo com os Deuses foram se encaminhando (principalmente a possessão humana) foi alto que mais me pendeu para a decepção do que para o amor. Amo fantasia e amo a forma como Rhodes escreveu todos os livros, então apesar de ter me decepcionado nesses pontos, eu indico sim, toda série para quem quiser uma trama repleta de traições, amor, magia e, por que não, quedas.

Obrigada a todos que nos acompanharam durante todo ano lendo nossas resenhas e comentando. Fiquei surpresa e feliz com a quantidade de comentários que tivemos nas redes sociais sobre os livros e principalmente de ler uma trama assim com vocês. Quem sabe não teremos a oportunidade de algo assim novamente? Espero que sim.

Você ainda pode ler bastante sobre o mundo de Mitica no site oficial da série, tudo escrito pela autora: http://www.fallingkingdoms.com .

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