03.05

“A Queda dos Reinos” (A Queda dos Reinos #1)
Morgan Rhodes
Seguinte – 2013 – 400 páginas

Nos três reinos de Mítica, a magia estava esquecida desde tempos imemoriais. Depois de séculos de uma paz mantida a muito custo, certa agitação começa a emergir. Enquanto os governantes lutam cegamente pelo poder, seus súditos têm suas vidas brutalmente transformadas com a eclosão repentina da guerra. É assim que o destino de quatro jovens – três herdeiros e um rebelde – acabam interligados para sempre. Cleo, Jonas, Lucia e Magnus vão ter de lutar, cada um à sua maneira, em um mundo revirado pela guerra, onde imperam traições inesperadas, assassinatos brutais, alianças secretas e paixões arrebatadoras.

A Fantasia é meu gênero literário favorito, mas é um gênero bastante cheio de perigos: não são poucas as estórias que tentam prender o leitor com mundos escondidos, outras épocas, magia, seres mitológicos e muito mais, porque se o universo não for bem construído e os personagens cativantes, todo aquele cenário irá se tornar inóspito, sem atrativo e sem conseguir prender o leitor a cada página lida. O problema da fantasia é que parece que muitas histórias já foram contadas, restando pouco a ser acrescentado aqueles que vêem um livro do tipo e já correm para ler. Então, um dia, você descobre ou alguém lhe indica uma série que parece ser igual a todas outras que você já leu, mas (ainda bem!) só parece.

Descobri a série “A Queda dos Reinos” pesquisando pra coluna de lançamentos literários que faço aqui pro site, e com as informações poucas que tive do lançamento do 6º e último livro publicado aqui no Brasil pela Editora Seguinte, guardei a ideia de ler toda a série, já encerrada. Os meses passaram e somente agora comecei a ler essa série que me deu vontade de bater a cabeça na parede porque já deveria ter lido há muito mais tempo. Poucos livros, nos últimos tempos, conseguiram o que “A Queda dos Reinos”, o 1º livro da série, fez comigo: me fez não ter vontade de dar uma pausa na leitura, me fez torcer por personagens, me fez ter raiva de outros, e, principalmente, me fez criar teorias. E eu só li ainda o 1º livro! Mas chega de falar da minha empolgação e vamos ao enredo dessa maravilha de livro.

Às vezes é necessário acreditar em algo maior do que si mesmo, Magnus. Algo que não se pode ver ou tocar. Permitir que seu coração tenha fé, custe o que custar. É o que lhe dará força nos momentos difíceis.

A estória começa em no passado, alguns anos atrás, com duas irmãs, um furto de uma criança e o assassinato da mãe da bebê. Parece um começo interessante, mas até nesse começo se tem uma reviravolta no enredo que me fez questionar se o livro seria realmente algo que eu poderia prever – quem me conhece sabe que eu adoro ler livros e acertar o enredo pra depois falar “Ahá! Sabia!”. A medida que fui lendo e conhecendo os personagens e a mudança de pontos de vistas, eu vi que passaria longe de adivinhar o que iria acontecer.

O livro contem diversos pontos de vistas e capítulos divididos por reinos. Os 3 reinos não possuem mais magia e vivem codependentes entre si, apesar de suas diferenças culturais. Confesso que assim que comecei a ler o livro e li um pequeno sumário com os nomes dos personagens e seus reinos, pensei que seria absurdamente confuso e difícil de me apegar, mas como eu estava errada! Os pontos de vistas realmente são diversos, mas o foco sempre são os 4 personagens principais citados na sinopse: Cleiona, a princesa do reino de Auranos; Jonas, um camponês rebelde do reino pobre e devastado de Paelsia e os irmãos herdeiros do reino de Limeros, os jovens Magnus e Lucia. Divididos geograficamente entre os reinos do mundo de Mítica e pelo enredo, o destino deles vão se cruzando diversas vezes, fazendo você desejar pelo encontro dos personagens. Claro que precisa de um fator catalisador no começo de tudo, e é justamente de uma viagem de Cleo (como Cleiona é chamada) com seus amigos ao reino de Paelsia que faz com que a tensão entre os reinos comece a escalar de uma forma que parece que será impossível controlar a explosão, já como o reino de Auranos é o único que continua próspero depois do desaparecimento da Tétrade e da magia dos 4 elementos (fogo, terra, ar e água). Mas, além disso, existe a profecia de uma nova feiticeira nascerá e se tornará a mais poderosa feiticeira de todos tempos. Claro que esse é um dos motivos pelo qual os reinos de Limeros, controlado por um rei sanguinário se juntará com o reino de Paelsia para derrubar Auranos, mesmo que os personagens mais jovens não saibam disso, o que remete ao começo do livro, com as duas irmãs e o roubo de uma bebê.

— E o que aconteceu? — Nic perguntou. — Sei que dizem que a Tétrade foi perdida há mil anos.
— “Perdida” não é bem a palavra — explicou Eirene. — Foi roubada. Embora o Santuário parecesse harmonioso e os vigilantes, dedicados a guardar a Tétrade — que os presenteava com juventude eterna, beleza e magia —, alguns deles queriam mais.
— Mais do que juventude eterna, beleza e magia? — duvidou Cleo. — O que falta?
— Poder. Ele sempre foi um forte motivador para alguns. A busca pelo poder, pelo poder supremo, é a razão por trás da maioria dos males que o mundo testemunhou.

Em cada reino, lidando com suas tramas, o destino de Cleo se torna intrinsecamente ligado ao de Jonas, que basicamente está obcecado pela princesa por todos motivos certos e errados ao mesmo tempo. Você entende aonde o ódio do personagem está levando-o, mas também tem certeza de que ele está passando dos limites para conseguir sua vingança. Cleo, em contrapartida, a personagem que é mais difícil de se apegar porque você questiona muito as decisões tomadas pela personagem, até que entendi que ela é uma personagem cabeça dura, persistente, escrita exatamente para lhe fazer questionar as atitudes dela e muitas vezes acreditar que ela só está sendo mimada enquanto, na verdade, tudo que ela está tentando fazer é lutar por sua família, mesmo que de uma forma que você tenha vontade de bater nela.

Então temos Magnus e Lucia e preciso de um momento para falar sobre os dois porque, definitivamente, foi aqui que o livro terminou de me ganhar, principalmente em Magnus: fazia bastante tempo que eu não lia sobre um personagem masculino dúbio e forte o suficiente para me fazer amar e ter medo dele, vendo que suas escolhas podem levar ao caminho da glória como também ao caminho da vilania (preciso apontar que a última personagem que eu li assim foi a Adelina Amouteru, da série “Jovens de Elite”, da autora Marie Lu, que eu amo e indico para quem gosta de personagens moralmente questionáveis). Magnus me fez sentir aquele amor incontrolável por um personagem que te faz querer proteger e fazer com que ele faça as escolhas certas, por mais que ele mesmo não saiba o que escolher. Ao lado dele, temos Lucia, personagem que ainda está se descobrindo e fazendo o leitor questionar também até aonde ela irá ao descobrir os jogos de poder e mentiras que acontecem ao seu redor. Os dois vem de um lar sem amor, temem o pai, o rei Gaius, e possuem um relacionamento gélido com a mãe. Confesso aqui que tomei um choque ao descobrir que Magnus é um dos favoritos da fandom (no 1º livro, se lembrem, não sei adiante!) porque tive muito medo de acharem o personagem… complicado, digamos assim. Mas a forma como a autora escreve o personagem e trata seus sentimentos fazem com que o leitor entenda como sua mente funciona e se apegue a ele. Definitivamente tenho mais um Magnus para amar.

Eu nunca disse que ela era má. Nem que era boa. Até mesmo na pessoa mais sombria e cruel ainda há uma ponta de bondade. E dentro do virtuoso mais perfeito também existem trevas. A questão é: a pessoa cederá às trevas ou à luz? É algo que decidimos com cada escolha que fazemos, todos os dias de nossa existência. O que pode não ser maldade para você, pode ser para outro. Saber disso nos torna poderosos mesmo sem magia.

Uma das coisas que mais me surpreendeu em todo enredo foi a falta de apego aos personagens, mesmo aqueles que poderiam render potenciais tramas futuras bastante interessantes. A morte e as tramas nas cortes continuam por todas as páginas da leitura, e por mais que o começo se foque bastante nessas intrigas e na falta de maturidade da Cleo, você começa a entender que tudo está funcionando como um bom jogo de tabuleiro e todas as peças estão sendo movimentadas em direção ao centro para se encontrarem da forma mais conflituosa possível. Encontrei diversas reclamações do começo do livro e do ritmo dele, mas, ao contrário de todos outros, eu realmente gostei de como tudo começou porque não há como começar com um “bang” uma história que se passa por um (fictício) continente e três reinos: os personagens estão fisicamente distantes e precisam de tempo para transitarem enquanto todas as alianças estão começando a se formarem. Entendo que nos tempos atuais todos queiram tudo pra ontem, mas algumas tramas precisam de tempo para serem fomentadas e eu dou total credito à autora em não ceder e criar toda trama em seu tempo próprio, apresentando um novo universo repleto de detalhes e nomes novos que você precisa aprender e se habituar – tanto que quanto você chega ao final do 1º livro, você se sente confortável naquele universo e sabendo os nomes dos personagens principais com bastante facilidade. Ponto positivo pra narrativa que proporciona isso.

Alias, preciso tirar um momento para falar de Morgan Rhodes. Nunca tinha lido nada da autora e eu estou naquele momento de ler os outros 5 livros da série (vou falar sobre isso daqui a pouquinho, calma!), e se os 5 me pegarem como esse 1º… vou ler tudo que ela já escreveu, exatamente como aconteceu com Cassandra Clare e V.E. Schwab. Estou apostando alto nela porque a forma como ela construiu esse universo, como as cenas do livro são descritas, como ela fez cada personagem ter sua motivação e não ser algo fútil, como ela fez basicamente todos personagens (menos Lucia) serem como pessoas comuns, com erros e acertos, com a capacidade de amar e odiar… isso me faz amar um livro: não é porque estamos em um universo fantástico que os personagens precisam serem caricatos a ponto do mocinho ser um príncipe perfeito e o vilão ter saído de um desenho animado. Quanto mais injetamos do universo real e de pessoas reais nos personagens e na trama, mais crívil tudo se torna, e isso “Queda dos Reinos” tem de sobra: a ganância dos governantes está lá, junto com sua falta de preocupação com seus súditos, além de todas essas falhas de caráter que permeiam os personagens. Morgan Rhodes foi uma grata surpresa e eu espero que continue assim.

A verdade só é perigosa se puder ferir.

Ainda quero explicar sobre a série: são 6 livros, como já falei acima (na ordem: “Queda dos Reinos”, “A primavera rebelde”, “A ascensão das trevas”, “Maré congelada”, “Tempestade de cristal” e “Reinado imortal”) e já foram todos publicados aqui no Brasil mesmo. A série começou a ser publicada pela Editora Seguinte em 2013 e terminou ano passado, sendo que o último volume foi também publicado em inglês ano passado (a autora começou a publicar a série em 2012, um livro por ano, salvo entre os volumes 5 e 6, que o intervalo foi de 2 anos), com isso a leitura da série se torna bastante facilitada, afinal, já sabemos que temos os livros na edição nacional. Por fim, quero assinalar que temos mais uma edição maravilhosa da Editora Seguinte: não encontrei nenhum erro, nem de diagramação, nem de digitação, em toda edição e ainda tem um mapa que mostra toda Mítica. Edições cada vez melhores <3


Comece a ler essa série sem saber de nada e sem pesquisar por outras sinopses. Eu comecei a ler no escuro e o impacto em mim foi grande. Pra encerrar, deixo aqui meu convite pra você, que leu essa resenha e se interessou pela estória: vem ler ela com a gente! Pelos próximos meses eu vou resenhar todos os volumes, me perdendo no reino de Mítica, com sua magia e suas tramas, querendo ver aonde essa aventura nos leva. Vem com a gente porque estou apostando que vai valer a pena!

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