02.08


“A Primavera Rebelde” (A Queda dos Reinos #2)
Morgan Rhodes
Seguinte – 2013 – 472 páginas

Depois que o rei Gaius de Limeros conquistou as terras de Auranos e subjugou o povo sofrido de Paelsia, passou a dominar toda a Mítica com seu punho de ferro. A rica população de Auranos parece não se importar com o novo governante, desde que seus privilégios sejam mantidos; os paelsianos, como sempre, aceitam seu destino de exploração. Mas a tranquilidade é só aparente: grupos rebeldes começam a surgir nos reinos dominados, questionando as mentiras e os métodos sangrentos do novo rei. Enquanto isso, Gaius obedece à sua mais nova conselheira e dá início à construção de uma estrada passando pelas temidas Montanhas Proibidas. Mas essa via não servirá apenas para interligar os três reinos: ela faz parte de uma busca pela magia elementar, perdida há mil anos, que conferirá ao tirano um poder supremo. O que ninguém esperava era que essa obra desencadearia uma série de eventos catastróficos, que mudarão aquelas terras para sempre e forçarão Cleo, Magnus, Lucia e Jonas a tomar decisões até então inimagináveis.

Leia a nossa resenha do 1º volume da série, “A Queda dos Reinos”, clicando AQUI. Avisamos que essa resenha conterá pequenos spoilers, nada que afete sua leitura do livro, mas como estamos resenhando a série, se torna impossível não falar do desenvolvimento da trama e dos personagens.

Depois do choque (bom) que foi a leitura de “A Queda dos Reinos”, cheguei com as expectativas bem altas no segundo volume da série, o qual é bastante elogiado por ser bem mais interligado, e não me decepcionei: “A Primeira Rebelde” é um exercício de leitura, um jogo complexo e interligando personagens por ambientes diferentes e uma grande narrativa que te engana tanto quanto as intenções dos personagens quanto ao caminho que a autora está tentando levar, sempre cruzando a vida e o destino dos personagens de uma forma que faz você ter certeza de que a autora tem o total controle da estória e sabe aonde exatamente tudo vai terminar. Ainda estou surpresa como essa série é complexa. Mas vamos parar com minha empolgação e vamos ao que interessa: a estória!

Aqui começamos com um pequeno povoado na frágil e pobre terra de Paelsia sendo devastado por ordem do Rei Gaius, mais conhecido como Rei Sanguinário, dominando tudo depois de ter enganado o chefe Basilius, antigo líder da terra agora subjugada à Gaius – mas ele também conseguiu dominar Auranos, se tornando o Rei de toda Mítica, unindo os 3 territórios em um dominio de terror, fazendo o povo entender que nada eram mais do que escravos: sob o ponto de vista de Lysandra, uma nova personagem, vemos sua vila ser dizimada, sua família morta e sua vida mudar. A jovem, de 17 anos, nunca quis se limitar ao papel de boa garota e aprendeu com maestria o arco e flecha, habilidade que lhe salva. A cena dela e de seu irmão Gregor me arrepiou porque ele jura que lançaria uma flecha na própria irmã caso ela não fuja, porque ele não queria o destino que obviamente esperaria para todos que não estavam sendo mortos: a escravidão na construção de uma estrada, por ordem do novo Rei, que cruzaria toda Mitica, começando em Auranos, passando por Limeiros e terminando em Paelsia. Lysandra foge e você já começa a ter certeza de que verá bem mais dela durante o livro.

Ela precisou implorar para que o irmão compartilhasse seus conhecimentos de arco e flecha, mas ele finalmente cedera. Não era comum uma garota aprender a usar armas. A maioria das pessoas acreditava que garotas deveriam apenas limpar, cozinhar e cuidar dos homens.
O que era ridículo. Principalmente porque Lysandra era uma arqueira nata.

A estrada que Gaius deseja construir (apenas chamada de “Estrada da Morte” porque há gente demais sendo morta em torno dela, seja porque vilas se recusaram a ajudar em sua construção e então muitos são mortos, seja os que morrem de exaustão em sua construção) não é somente uma estrada, mas ele quer passar essa ideia para todos, em um discurso em Auranos também no início do livro. A inteligencia do personagem me prende, apesar dele ser claramente um vilão que você deve odiar com todo seu coração, mas a forma como ele manipula tudo e todos ao seu redor é fenomenal, além de, claro, usar sua força física e autoridade em sua esposa e em seu filho, Magnus. Durante esse discurso, Gaius mais uma vez surpreende e anuncia o casamento de Magnus com Cleo, a princesa de Auranos que está sendo mantida como prisioneira depois da queda de sua família no final do livro 1. Confesso que torci um pouco o nariz quando li porque imaginei aonde iria dar (o romance) e não gostar tanto da Cleo e adorar o Magnus, mas a narrativa em cima deles cresceu e falarei sobre isso mais adiante. Por hora, isso tudo acontece nas primeiras páginas do livro, então você pode imaginar a jornada que vem pela frente.

Enquanto Cleo e Magnus lidam com seu noivado inesperado, Lucia, a irmã adotiva de Magnus, está em uma espécie de coma mágico depois de usar sua magia para ajudar a cruzada de seu pai contra Auranos e causar a morte de pessoas inocentes. Em seu sonho, ela começa a sonhar e é aqui que a parte fantástica da estória caminha, já como ela começa a “sonhar” com Ioannes, um jovem vigilante que o caminho está bastante ligado ao da princesa, destinado a ter um papel de peso na vida de Lucia. Depois de uma descoberta bastante inesperada, a princesa acorda para tentar retornar sua vida e foi aqui o pior ponto do livro para mim: o romance que começa a nascer entre os dois porque eu simplesmente não consigo embarcar no tipo de romance que eles vão desenvolvendo. Curiosamente, Lucia é uma personagem que está amadurecendo e se tornando cada mais dúbia, o que me fez gostar bastante dela – e Ioannes também é muito dúbio. Nenhum dos dois são completamente verdadeiros um com o outro e nem contam tudo que sabem, o que claramente está caminhando para o desastre. Aposto francamente nisso.

Com pancadas de tremer os ossos, o machado do carrasco desceu sobre o pescoço de três rebeldes acusados, separando a cabeça dos corpos. O sangue escorreu pelas toras de madeira e se espalhou pelo chão de pedra lisa diante de uma multidão que já somava mais de mil pessoas. E tudo o que Jonas podia fazer era observar horrorizado as cabeças serem enfiadas em estacas altas na praça do palácio, para todos verem.

Já Jonas, o 4º personagem principal, por assim falar, está viajando escondido e recrutando pessoas para seu grupo de rebelde, seu desejo de vingança se tornando mais controlado a medida que o livro vai acontecendo. Isso foi bastante agradável de ver o desenvolvimento: Jonas começou a mudar de jovem que estava cego por sua vingança para entender que está em um jogo muito maior do que esperava, com um papel de peso e que precisa abrir os olhos para entender o cenário como um todo. Por mais que vingar seu irmão seja algo que ele anseie por todo livro, no final, ele começa a pensar sobre suas ações e aonde deveria se focar. O personagem consegue entender que é um líder e, por isso, suas ações têm o peso da vida ou morte sobre seus seguidores.

Então temos Magnus, preso em um noivado que não queria, vendo a mãe tentar se reaproximar, seu amor por Lucia se tornando mais e mais evidente e seu pai, que sempre exigia dele atitudes mais ditatoriais do que seu coração permite. A dualidade do personagem permanece por grande parte de sua jornada nesse livro: por mais que ele não queira ser igual ao seu pai, é exatamente o que ele luta para ser. O ódio e a mágoa que ele nutre pelo pai é tão grande quanto o medo e a admiração com as atitudes que o homem toma, e isso continua até quase o final, aonde enfim conseguir ver que Magnus vai seguir por um caminho que o leva ao confronto com seu pai nos próximos livros, e isso é algo que não dá pra não ansiar ver: a forma como Gaius confia no filho e ainda assim o manipula e o reduz a nada é inacreditável, fazendo Magnus entender que absolutamente nunca iria conseguir seguir o pai que se torna mais desprezível durante esse livro, se é que isso é possível. Por fim, sobre o romance que está começando a florecer para Magnus… eu não consegui comprar, apesar de no final já estar mais claro que algo nesse sentido vai mesmo acontecer (até porque ele e Cleo realmente são os personagens principais), e eu comecei a aceitar porque a Cleo começou a amadurecer também – na verdade, ela provavelmente foi a que mais amadureceu nesse livro.

A rainha Althea observou o rosto de Magnus.
— É isso que passou a desejar, meu filho? Poder?
— É o que sempre desejei.
Ela apertou os lábios.
— Mentiroso.

Cleo, em contrapartida, começa a entender o jogo politico que faz parte e seu papel nele. Não acredita em nada que Gaius diz, mas também demora um tanto pra conseguir se libertar da ingenuidade que poderia lhe matar. No final das contas, Cleo está se tornando uma personagem que saiu de princesa protegida para uma mulher que está arcando com a consequência de seus atos e escolhendo o lado que deseja estar, mesmo que isso signifique perder a sua própria vida ajudando uma rebelião. Temos ainda Lucia, que enfim acorda do seu coma mágico para entender diversas coisas ao seu redor e encontrar um Magnus arrasado com uma perda. Entretanto, seus poderes começaram a afetar sua personalidade, a deixando a beira da loucura: em um momento é a garota delicada e gentil que sempre foi para, no momento seguinte, se tornar quase sanguinária. O enredo dela poderia ser melhor se ela não tivesse pitadas de mesquinharia e ciumes infundados em alguns momentos (mas entendo, é o poder dela que está desequilibrando a garota e a deixando a beira da louca), juntamente com o romance, que é o pior do livro pra mim. Acredito que ela vá mostrar bastante a que veio nos próximos livros, até mesmo porque seu destino está “selado” – ou não.

Ainda quero falar de Lysandra, que abriu o livro tão bem, em uma cena de partir o coração. Ela é somente uma coadjuvante (mas que sobrevive, ufa!!!) que tem um potencial gigantesco para ser uma personagem que rouba a cena em diversos momentos que com certeza ainda virão. Endurecida pela vida, determinada e, ao mesmo tempo, cuidadora, a personagem que luta com os rebeldes teve seu destino em suspenso no final do livro e eu não aceito que ela morra – alias, o medo da morte dos personagens aqui é REAL: Morgan não tem medo de subverter tudo e matar personagens que poderiam sim, serem pivotais (e provavelmente seriam) em momentos mais para a frente (Tobias, alguém lembra?) para aprender novos personagens, dando mortes que vibramos para alguns personagens vilões e fazendo nosso coração doer um pouquinho com a morte de personagens que somente queriam uma vida melhor (aconteceu os dois exemplos nesse livro). Ainda assinalo a trama da Rainha Althea, que ganhou até mesmo um ponto de vista nesse livro, tentando explicar o que a levou tomar as atitudes que estava tomando nesse livro, em uma das cenas mais chocantes do livro. Quem não gosta de personagens complexos e atormentados, não é mesmo?

— Você acha que não conheço a dor? Talvez seja diferente dos horrores que você presenciou, mas posso garantir que conheço muito bem. Perdi minha irmã adorada para uma doença que nenhum curandeiro conseguiu identificar. Eu mesma encontrei o corpo, inerte na cama, apenas algumas horas antes de o rei Gaius invadir minha casa. Meu pai foi assassinado tentando defender seu reino do inimigo. Ele lutou lado a lado com seus homens em vez de se esconder onde pudesse ficar em segurança. Minha mãe morreu no parto e eu nunca a conheci, mas soube que minha irmã me odiou durante anos por causa disso. Perdi um guarda de confiança, um… um garoto a quem entreguei meu coração, quando ele me defendeu do mesmo príncipe de quem estou noiva contra a vontade. Perdi quase todo mundo que amava neste mundo em tão pouco tempo que mal consigo ficar em pé e conter minha dor. — Ela se esforçou para respirar fundo. — Pense o que quiser de mim. Mas eu juro pela deusa que retomarei meu trono, e o rei Gaius pagará por seus crimes.

Gaius é um grande vilão e sua sede por poder e megalomania estão sendo alimentadas por uma nova conselheira (que deixarei a surpresa para quem está lendo o livro), enquanto o foco aqui vai sendo justamente a rebelião (novamente o título do livro diz bastante sobre o enredo em si). Ainda estou com raiva de mim mesma por não ter lido essa série antes e não consigo deixar de pensar nela como uma saga realmente grandiosa. Se os personagens fossem mais velhos, nem ao menos acredito que poderia ser tida como infanto juvenil porque as tramas e as situações são realmente pesadas e complexas: há de tudo aqui, remetendo bastante (com as devidas proporções, por favor!) a “Game of Thones”, com personagens femininas que querem lutar, profecias, com tramas em cortes e traições, magia e até mesmo personagens que são salvos da morte por magia. Esse livro, entretanto, não conseguiu 5 estrelas de mim porque acredito que ele se prendeu em alguns momentos que poderiam passar mais rápido: a trama é grande e precisava de mais agilidade porque vamos para lugares e depois somos levados a outro, tudo enquanto a estrada está tentando avançar pelo território de Mítica e os personagens vão tentando chegar aos seus objetivos.

Um dos recursos que mais facilita a leitura é que, no início de cada capítulo, está assinalado o personagem que detêm o ponto de vista e o lugar de Mítica aonde estamos, mas isso se torna muito simples em um universo tão denso e mesmo que não existisse, não me pararia a leitura, porque o que falar de um livro com uma trama tão grande que lhe prende? Não tem como não adorar a série e muito menos não se empolgar com a mudança dos personagens, além de sentir medo por suas “vidas”. Continuo lendo, continuo apostando algo e continuo querendo que vocês nos acompanhem nessa jornada que ainda passar por outros 4 livros, os quais espero muitas outras cenas, cenas de mortes e (com esperança!) um romance que me faça realmente torcer pelos personagens.

Ainda lembrando sobre a série: são 6 livros, na ordem: “Queda dos Reinos”, “A primavera rebelde”, “A ascensão das trevas”, “Maré congelada”, “Tempestade de cristal” e “Reinado imortal”, e todos já foram todos publicados aqui no Brasil. Até em breve com a resenha de “A ascensão das trevas”!

Para comprar “A Primavera Rebelde”, basta clicar no nome da livraria:
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Submarino, por R$ 34,99.
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Martins Fontes, por R$ 44,90.

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