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Resenha: Prazos de validade – Rebecca Serle


“Prazos de validade”
Rebecca Serle
Tradução: Lígia Azevedo
Paralela – 2024 – 264 páginas

Daphne Bell acredita que o universo tem um plano para ela. Toda vez que conhece um homem, ela recebe um pedaço de papel com o nome dele e um número ― a duração exata do relacionamento que eles terão. Os bilhetes lhe disseram que ela passaria três dias com Martin em Paris; cinco semanas com Noah em San Francisco; e três meses com Hugo, que se tornou seu melhor amigo depois do término.

Já faz vinte anos que Daphne recebe esses misteriosos avisos, e ela se pergunta se algum dia haverá um sem limite de tempo. Finalmente, na noite de um encontro às cegas no seu restaurante favorito em Los Angeles, chega apenas um nome: Jake.

Mas, conforme a história de Daphne e Jake se desenrola, ela já não tem mais tanta certeza da previsão do papel e começa a se perguntar se é possível confiar no universo, ao mesmo tempo em que tenta ser verdadeira consigo mesma. Porque Daphne sabe de coisas que Jake desconhece, informações que, se ele descobrir, têm uma enorme chance de partir seu coração.

Os livros de Rebecca Serle são mágicos. Tá, não estou falando que eles são capazes de fazer magia na vida real (se bem que todos os livros são capazes disso e sei que vocês concordam comigo) e sim que há uma pitadinha de magia em cada um deles. Para pessoas como eu, que não gostam de livros de romance simplesmente tendo o romance no centro da trama, as tramas da autora são, sinceramente, uma salvação porque nos proporcionam ler um bom e velho romance com esse toque sensível e extraordinário que ela sabe colocar em todas as suas tramas.

Permita-me explicar melhor: Se você pensa que os livros da autora são somente romance, preciso te informar que não são porque sempre apresentam uma verdadeira pergunta com o “E se…?” no centro. Com 4 livros adultos publicados no Brasil (você pode ler as resenhas dos outros 3, todas sem spoilers, clicando AQUI) pela Editora Paralela e já ter tido uma série de TV adaptando sua série de livros para jovens adultoos “Famous in love”, acredito que a autora encontrou seu lugar na escrita em tramas curtas, feitas para o leitor ler e se questionar sobre sua própria vida, todas as escolhas feitas e como poderia ter feito algo diferente, tudo guiado por uma trama bastante envolvente. E é exatamente isso que ela faz em “Prazos de validade”.

Aqui e agora.
Trinta e três anos, seis relacionamentos significativos, quarenta e dois primeiros encontros e um fim de semana prolongado em Paris.
E, bom, olha só aonde eu cheguei. À primeira e última folha em branco.

Conhecemos Daphne, nossa protagonista de 33 anos, que desde que começou a namorar, recebe papéis, cartas, cartões postais e derivados, tudo com o nome do seu parceiro e o tempo que passará com ele – esse é o elemento fantástico dessa trama. A grande pergunta que essa trama nos traz é justamente como agiríamos se soubéssemos o tempo que teríamos com a pessoa que acabamos de conhecer (ou ainda estamos para conhecer) e o impacto que isso teria em nossas percepções e decisões. E se, talvez, o destino estivesse errado sobre o tempo que passaríamos com aquelas pessoas?

Daphne vai contando suas histórias aos poucos, mostrando quando recebeu o primeiro papel com o tempo escrito. Ainda no começo da adolescência, também descobrimos que ela só entendeu o que aqueles papéis eram já mais velha, no final da adolescência. No começo, acreditou que era uma espécie de “trapaça” com o destino, mas Daph foi aprendendo que aqueles papeis realmente previam o começo e final de seus relacionamentos antes mesmo deles começarem, então por que se envolver em algo que estava destinado a morrer 5 dias – ou três meses? Que peso, hein?

Penso a respeito. Só percebi que havia um padrão nos bilhetes quando já estava no ensino médio. Após o terceiro, tudo ficou claro — o que significavam, o que estavam me informando. Considerei os bilhetes anteriores e pensei “hum”, e depois “ah”. Mas eu ainda queria esse lance de amor eterno. Ainda queria meu par perfeito, meu marido sorridente. Imaginava o vestido de tule branco com véu de renda e um homem legal e bonito, que meus pais amavam… por que não?
Mas, conforme o tempo passava, a fantasia foi ficando meio datada. Tentei atualizá-la, mantê-la interessante. Às vezes fugíamos para nos casar em Capri. Às vezes íamos para Las Vegas, e eu estava usando um vestido branco curto. E o homem passou de algo amorfo para uma coisa mais específica, detalhada. Mariah Carey e Frank Sinatra ocuparam o lugar das músicas da Disney, e por sua vez cederam espaço a Van Morrison. Que foi? Eu queria uma história de amor com música.

Mas estou falando da trama no geral sem explicar sobre como funciona a estrutura do livro: acompanhamos Daph no tempo tal, recebendo o papel com o nome “Jake” e nada mais, o que significa que ele seria o cara certo e do qual ela não iria se separar, mas também temos flashbacks com seus relacionamentos passados em capitulos assinalados com os nomes destes ex-namorado. Daph ainda manteve o ótimo relacionamento com Hugo, seu melhor amigo e ex-namorado que descobriu sobre os bilhetes com os prazos de validade, sabendo assim que o relacionamento deles estava condenado à 3 meses de existência. Hugo claramente ainda está apaixonado por Daph e apesar dela não explicitar o fato, se nós conseguimos ver isso pelos olhos dela, ela também conseguiria.

Voltando ao começo da trama, Daph já estava pra conhecer Jake em um encontro às cegas que sua amiga Kendra marcou para ela. O que diferencia é que agora ela sabe que é seu último primeiro encontro da vida. A princípio parece que o casal não vingará, mas Jake é um cara absurdamente legal com um passado de partir o coração, fazendo a própria Daphne abaixar a guarda e começar a se apaixonar por Jake… ou será que ela quer se apaixonar porque imagina que ele é o cara certo?

Sinto falta daquilo que não tenho. É estranho sentir isso, querer algo que nem se conhece. Mas o amor é assim, não é? A crença em algo que não podemos ver, tocar ou explicar. Assim como o nosso próprio coração, que a gente só sabe que existe.

Mas Daph também mantêm mais segredos do leitor sobre si mesma que obviamente não falarei aqui porque são sim, spoilers. Também há mais elementos sobre o fator “bilhete”, culminando em um plot twist que me incomodou um tanto, mas também ficará fora desta resenha pelo mesmo motivo anterior. A medida que você vai se aproximando do fim do livro, o leitor se questiona o que faria no lugar de Daph, com tantas possibilidades sobre pra onde a trama poderia correr. Fiquei com a sensação de que a autora iria por um caminho e depois desistiu, e devo confessar que preferi assim no lugar do que poderia acontecer – e olhe que estava pronta pra tragédia já.

Tirando o que me incomodou bastante e mencionei acima, achei o final do livro condizente com a proposta que sempre se propôs: e se Daphne não tivesse aquelas informações, ela teria decidido a mesma coisa? Acho a resposta é óbvia. E você, que me lê, se questiona esse pequeno e barulhento “E se…?” com frequência? Acho que a maior parte das pessoas sim. Se você gosta de livros com um romance que é capaz de te dar um quentinho no coração mas também de te deixar prestes a chorar em vários momentos, você deveria ler “Prazos de validade” e decidir por você mesma se vale a pena ou não. Eu digo que não há dúvidas: vale.

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