27.02

Cassie abriu a caixa de perguntas no Tumblr para receber perguntas sobre “Corrente de Espinhos” agora que o livro já foi lançado lá nos Estados Unidos a quase um mês – e sobre outros livros.

A data de lançamento do livro aqui está prevista para 27 de fevereiro, mas o e-book está sendo enviado quando for comprado. Vocês podem comprar o e-book clicando AQUI. E o livro físico com brindes na pré-venda, clicando AQUI.

Agora podem ler as perguntas e respostas sem medo, que nós assinalamos aqui as perguntas que tem spoiler das que não tem. Confira a tradução feita pela nossa equipe:

[PERGUNTAS SEM SPOILER]

pagesofmoonlight: Dru terá um ponto de vista em “The Wicked Powers”?

Sim.

vierss-herondale: Oi, Cassie! Você disse recentemente em uma ask que você talvez escreva sobre as crianças filhas dos personagens de “As Ultimas Horas”, então você não quer dar muitos detalhes sobre as vidas deles depois de TLH. Você se sente do mesmo jeito sobre crianças de “Os Instrumentos Mortais”? Que você talvez escreva sobre eles algum dia? Eu sei que você falou que “The Wicked Powers” seria sua última série, mas esperança é a última que morre.

Bom, nunca se sabe! De verdade! É por isso que eu não vou mais fazer nenhuma arvore genealógica – para o presente ou o passado – a menos que eu tenha certeza de que nunca mais vou escrever nenhum conteudo Shadowhunter.

[PERGUNTAS COM SPOILER]

Sem luto, sem funerais (SPOILERS)


poesflowercrown: Porque não vemos o funeral de Christopher Lightwood?

Okay, eu recebi muitas perguntas que envolvem “porque não vimos o funeral de Christopher?”
E a resposta é que Christopher teve um funeral – mas me parece muito obvio porque ele não teve um que se passasse durante o tempo em que Londres estava sob o ataque de Belial. Também, eles tiveram um funeral em Idris durante esse tempo (onde o corpo dele estava, e onde eles tem funerais), nós só não tivemos personagens com o ponto de vista para ver isso.

Depois disso nós pulamos seis meses, e obviamente o funeral dele não vai ser depois que tanto tempo se passou – ao invés disso nós vemos o luto naquele estágio em que ele está depois de meio ano: a maior parte do luto se foi, e os Shadowhunters estão colocando Christopher e o luto por ele em suas vidas de uma forma que eles seguem em frente. James sonha com a morte de Christopher quase todas as noites, e ainda assim ele está seguindo em frente com sua vida: eles são Shadowhunters, é assim que eles vivem, sabendo que a vida pode ser sempre interrompida pela destruição, batalha ou guerra, e sabendo (de uma forma que mundanos não sabem) que todos os dias carregam a possibilidade de morte e perda imediatas.

Agora, eu poderia mudar a estrutura e tempo do livro para colocar um funeral entre o coda e o epilogo finalizando? Eu acho que seria muito mais duro e estranho do que a maior parte das pessoas imagina, mas eu também acho que não ofereceria nada. Eu recebo muitas perguntas que parecem pensar que o funeral de Christopher ofereceria algum tipo de “encerramento” – seja para os personagens ou para os leitores – e o fato de que eu não acho que isso teria oferecido nada do tipo ou qualquer coisa proveitosa ou significativa, é em parte o porquê eu não inclui isso.

Os funerais Shadowhunters não são como os mundanos (humanos): eles não são para encerramento, mas para honrar a morte em guerra, porque os Shadowhunters vivem em um estado constante de guerra. O que aconteceria no funeral de Christopher é que ele teria sido cremado em uma pira junto com Elias e aqueles que morreram libertando Londres; pessoas viriam dar condolências educadas para Gabriel e Cecily, o Consul teria dado um discurso genérico e é isso. O que nós vimos no funeral de Livvy – como era completamente nada ligado a Livvy. Nós vimos o quanto de encerramento o funeral deu aos familiares dela (nenhum, basicamente). Eu acho que o que as pessoas estão pensando sobre o “funeral de Christopher” (todo mundo chorando, fazendo discursos, tendo sentimentos) não é como um funeral Shadowhunter funciona.

Tem outra coisa que eu gostaria de dizer: a morte, como retratada na arte e na ficção, não é obrigada a oferecer encerramento. As vezes o ponto é sentar com a falta de encerramento, e sentir a falta daquela pessoa, aquele personagem, porque viver com a morte de alguém próximo de você é geralmente viver sem total encerramento: as vezes, por muito tempo. Às vezes, para sempre. E é sobre isso. Não é obrigatório que os livros tenham todas as emoções colocadas de lado no final deles, como se fossem toalhas de visitas. Às vezes, isso apenas fica para se sentir depois.

[Eu também recebi mensagens dizendo que os amigos de Christopher não ficaram de luto por ele – o que é tão bizarro que eu nem sei se devia abordar ou apenas deixar como uma das coisas que nós concordamos em discordar, como as muitas perguntas que eu recebo que falam sobre “nunca acharem que Tessa amou Jem” ou “Isabelle não liga que Max morreu”, etc. As vezes nós apenas discordamos sobre as coisas, mas eu não entendo como Thomas, se sentido tão atingido pela morte de Christopher, tem sua aparência mudada para sempre, ou Anna *congelando* com o luto, ou Matthew sem conseguir pronunciar nem o nome dele sem se torcer com dor, é *não passar pelo luto*, mas nós todos temos ideias diferentes sobre como as coisas devem ser descritas. Eu acredito na filosofia de que mostrar menos é mostrar mais sobre emoções intensas, mas não somos todos assim”]

Enfim, encerramento. O luto intenso sobre Christopher no Santuário é curto não porque os Shadowhunters ficaram entediados de ficarem enlutados, mas por causa de Belial. Porque eles estão em guerra, e ali e para sempre o luto deles por Christopher deve se inserir nas pequenas fendas deles precisando salvar o mundo. Na busca sobre o luto Shadowhunter, eu olhei a forma como as pessoas lidavam com isso sendo civis em uma guerra ou soldados nas linhas de frente, porque todos os Shadowhunters são ao menos uma dessas coisas. É necessária uma compartimentalização intensa, porque a preservação da vida seguindo em frente deve ser a prioridade. Os Shadowhunters sabem disso: eles são criados sabendo disso. Eles sabem que não apenas podem ter que sacrificar a propria vida, mas que é provável que você vai perder outras pessoas, e se você perder eles em batalha, você também tem que sacrificar a habilidade de parar o mundo e ficar apenas de luto. Você sacrifica, as vezes, até a habilidade de enterrar seus mortos ou saber onde eles morreram. Como Lucie observa:
“E agora estavam de volta ao pátio do Instituto, vazio e silencioso como sempre. Não havia marcas ali, nenhum sinal das coisas horripilantes que tinham acontecido em tão pouco tempo. Lucie imaginou uma placa: aqui foi onde tudo desmoronou. O sequestro de Matthew e James, a morte de Christopher… Os dois acontecimentos pareciam ter sido muito recentes, um trauma que ainda se desenrolava, e, ao mesmo tempo, muito distantes.

Por outro lado, pensou ela, aquele pátio também havia sido destruído por Leviatã poucas semanas antes, e tampouco havia quaisquer sinais daquilo. Ser um Caçador de Sombras talvez significasse apenas continuar desenhando runas por cima das cicatrizes, sem parar.”

Eles choram, eles sofrem, eles têm que seguir em frente – “desenhar runas em suas cicatrizes” – porque a outra opção é se afundar em tristeza e não fazer nada para impedir Belial de ganhar. Lucie está sentindo essas coisas “a distância” porque eles têm que ser enterrados para que os Shadowhunters continuem fazendo o que eles precisam fazer. Eles não podem deitar no chão e gritar NÃÃÃÃO por dias; eles honram Christopher por seguir em frente, por levar o projeto dele até o final e usar para salvar incontáveis vidas. Que é o que Christopher ia querer – não um funeral frio e monótono em Idris.


Então pra encurtar: Eu não achei que um funeral para Christopher teria provido nada importante para a história, mas tornaria isso pior. No final, é essa resposta geralmente válida para todas as decisões. 🙂

Versão original/Matthew
pagesofmoonlight:
Matthew morreria/viraria vampiro no seu rascunho original de “As Últimas Horas”?

poesflowercrown: Baseado no que você disse sobre um epilogo original, Matthew morreria em Edom?

Não.
Eu acho que precisamos acabar com essa ideia de que tinha alguma “ideia original” para “As Últimas Horas”, de início ao fim e que essa versão é diferente. Não tinha e nunca teve. Quando eu falo sobre ideias antigas, eu estou falando sobre conceitos que eu percorri em minha cabeça antes de descartar eles e chegar em um conceito final; seria raro se eu tivesse chegado até a escrever alguma anotação sobre. Pensar “talvez todos que James conheceu morreram” em algum momento não é detalhado o bastante para que eu pense que todos estão indo para Edom, ou como eles morreram, ou qualquer coisa que aconteceu.

Essa é a forma que tudo é criado. Todo livro envolve o escritor tendo um pensamento no passado que é “talvez fosse interessante isso acontecer” e então jogar a ideia fora: não significa que tinha uma influencia no produto final. Enquanto eu acho que pensamentos antigos que os autores tem enquanto escrevem um livro são interessantes, eu acho que eles são irrelevantes para o livro. Eu vejo as pessoas se retorcendo como um pretzel tentando descobrir se alguma “versão” antiga de TLH determinou como o que acontece foi criado ou pensando em como alguma pessoa devia ter morrido por causa da arvore genealógica*

Nada dessas coisas são verdade. Não tem um “As Últimas Horas original”, só uma série de pensamentos que eventualmente se transformaram na história que é a versão que consideramos e que também é a que acontece. Eu tenho certeza de que eu pensei na morte de cada um dos personagens em algum ponto. Eu provavelmente considerei explodir Londres e transformar Oscar num primeiro-ministro. É assim que ideias funcionam; não significa que nada dessas coisas são importantes – ou mais significativas – que tinha uma “versão original” do que outras milhares, nenhuma delas chegando no que foi no final do livro.

E eu diria que nunca pensei em Matthew virando vampiro, nem ao menos uma vez! Mas é uma boa teoria.


*Eu não fiz nenhuma decisão de nada baseada na arvore genealógica. Eu decidi que ela seria errada para poder me liberar de tomar qualquer decisão que eu não queria – se essas decisões transformariam a arvore mais ou menos certa, não era relevante porque era assim que tinha que ser. No fim do dia, a arvore genealógica é apenas um conteudo extra, e 90% dos meus leitores nunca viu ou ouviu falar.

Coda


kaelyn-m: Nós vamos saber o que o capítulo com Jem e com o demônio significa?

O coda? Com Belial? O maior significado é explicar como nossos heróis fizeram para matar Belial, e ainda assim Belial está por aí no presente. E porque o Belial atual não tem interesse nos Herondales atualmente ou qualquer um que descende deles.


Se você é um leitor dedicado, você vai reconhecer que isso responde uma pergunta de “Fantasmas do Mercado das Sombras”, onde tem um capítulo em que Jem encontra Belial e Belial faz um favor para ele e então diz algo do tipo “agora estamos quites”.

Você pode comprar os primeiros volumes: “Corrente de Ouro” (clicando AQUI) e “Corrente de Ferro” (clique AQUI).

Para saber tudo sobre a trilogia “As Últimas Horas”, clique AQUI.
Fonte: [1]; [2]; [3]; [4]; [5]

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