22.11

Cassie abriu sua askbox no tumblr para responder perguntas sobre dicas de escritas, sobre publicação e também acabou respondendo uma ou outra pergunta sobre “Segredos da Mansão Blackthorn” e vocês podem ver tudo traduzido pela nossa equipe aqui:

ti-bae-rius: Recebi minha primeira rejeição em um manuscrito inteiro hoje e isso dói muito. Você tem alguma dica?

Outch. Okay, primeiro, está tudo bem aceitar que a rejeição de um manuscrito — uma história, um romance, um poema — realmente dói.

Dê a você mesma um tempo para sentar e entender o fato de que isso dói e de ficar triste, mas não deixe isso te destruir. Rejeição é comum; acontece com todos escritores. Vá até a Amazon. Encontre seu livro clássico favorito. Vá e olhe as resenhas de uma estrela. Por exemplo, essa é minha resenha favorita de uma estrela de Orgulho e Preconceito:

“Se você já recebeu um papel de escrita criativa escrito com ‘olhe, não fale’, escrito no topo, você vai se perguntar como esse livro já entrou na lista de favoritos de QUALQUER PESSOA. Devia ser chamado de Orgulho & Exposição. Parece uma história Vitoriana romântica e entediante, escrita por uma solteirona que nunca esteve em um relacionamento romântico em sua vida.”

Hehe. Nenhuma escrita vai agradar a todos: editores são apenas pessoas e não é porque um rejeitou seu livro que ele é ruim. Mantenha isso em mente, leve seu tempo para ser bondosa consigo mesma — faça carinho em um animalzinho! compre meias brilhantes! — e então olhe novamente seu trabalho. Veja se tem coisas que precisam ser arrumadas, melhoradas. Talvez chame alguns amigos para uma sessão de críticas e faça eles lerem. Quando você estiver confiante que é seu melhor trabalho, mande de novo. Muitas coisas são rejeitadas muitas vezes antes de encontrarem uma casa.

Você vai encontrar a casa certa. É só questão de tempo.

darkxlya: Hey, Cassie, espero que esteja tendo um bom dia.

Você pode falar um pouco sobre publicações internacionais? Eu acho que é muito interessante, mas soa burocraticamente assustador.

Queria saber como é tentar publicar um livro em outro lugar, mesmo sem ter um publicado em seu país (assumindo que o material está na linguagem do país alvo, então sem precisar de tradução, apenas revisão normal e edição)

Beijos, obrigada.

Geralmente, quando você tem um agente (e eu recomendo muito ter um agente), eles vão trabalhar com 1) os direitos de uma agência estrangeira ou 2) com o que são conhecidos como “sub-agentes”, que são agentes nesses países estrangeiros que trabalham os dois como representantes dos autores nesses países, e também autores estrangeiros que o trabalho será publicado com tradução lá.

Por exemplo, eu tenho uma agência de direitos estrangeiros que trabalha com minha agente. Quando eu vendo um livro, eles pegam o manuscrito e levam para as editoras ao redor do mundo e para feiras internacionais e vendem para editoras na França, Brasil, Japão, Tailândia, etc — todo lugar onde livros são publicados. Você não tem que fazer nada realmente, o que é bem legal. Eu recomendo que mantenha em vista quem está publicando seus livros nos lugares e tenha relacionamento com suas editoras estrangeiras, mas você não tem que aprender trinta e seis linguagens ou nada parecido. 🙂

Eu não recomendo escrever um livro em inglês, ou qualquer que seja sua linguagem nativa e então traduzir para outra língua para vender: editoras gostam de usar seus próprios tradutores. Se, como Nabakov, você é mestre em mais de uma língua, você pode tentar fazer algo, mas só depois que eles comprarem o livro, não antes.

Se você quer lidar com tudo sozinha, eu não posso te impedir, mas tiraria meu chapéu, porque isso soa assustador. 🙂

deep-fried-brain-cells: Para o fantasma: Como está aí, amigo?

👻👻👻👻👻

xxawalkinwonderlandxx: Qual seria seu conselho para alguém que quer tentar ser publicado? Devem tentar e mandar (o que acreditam ser) o seu manuscrito mais bem feito para editoras ou começar com algo pequeno e se auto publicar? Eu acho que ninguém nem olha para um escritor que não publicou nada antes.

Na verdade esse não é o caso! Editoras são desesperadas para novos escritores e grandes “estreias”. Eles querem pessoas que nunca publicaram antes. A pior situação que você pode entrar é ter publicado algo e vender poucas cópias: então a editora tem que lidar com as vendas ruins de um livro antigo e convencer as livrarias que esse novo livro, ao invés do livro anterior, irá vender. Eles preferem ter algo novo e fresco que podem convencer todos que será o “novo grande autor”!

Eu iria com mandar seu manuscrito, mas não diretamente para editoras. Você pode mandar seu manuscrito para agentes, não editoras. A maior parte das editoras não aceita manuscritos não solicitados, significando que eles literalmente vão apenas olhar para livros que tiverem agentes representando eles. Agentes fazem muitas outras coisas boas pra você também.

myangelbach: Oi, Cassie. Minha pergunta aqui é sobre como você consegue escrever arcos de redenção tão bons? Quando eu tento escrever o arco de redenção de um personagem, eu sinto que não importa o que eu diga, sempre as pessoas não vão entender as razões dele ou vão odiar o personagem, então é difícil para mim aceitar isso.

Okay, vou entrar nessa com a perspectiva de “aqui está como eu escrevo arcos de redenção” mais do que “EU ESCREVO ÓTIMOS ARCOS DE REDENÇÃO” porque, eu juro, ninguém pensa sobre sua própria escrita desse jeito. Os escritores são bolas de uma dúvida neurótica, minha amiga, e nós todos achamos que somos horríveis. Nós apenas achamos. 🙂

Então aqui estão meus pensamentos gerais sobre arcos de redenção:

1) Saiba do início que você planeja redimir o personagem. As pessoas geralmente escrevem personagens que não devem ter redenção e então querem redimir eles, mas é muito tarde. Não tem como voltar do que eles fizeram.

2) O personagem deve ter uma razão genuína para as coisas ruins que fez. Essa razão não é para desculpar o que o personagem fez, mas para explicar. Você não está tentando convencer o leitor que o que esse personagem fez é certo. Você está tentando revelar o processo de pensamento que levou a esse comportamento ruim. Não é seu trabalho dizer para o leitor que ações ruins são ok, seu trabalho é iluminar a verdade universal que, às vezes, pessoas fazem coisas ruins, e não fazem pensando “eu estou fazendo isso porque é ruim! Eu adoro ser ruim!”, mas porque eles se convenceram a acreditar que é justificável ou certo.

3) O personagem tem que genuinamente querer mudar e reparar seus erros. Eles tem que fazer isso porque eles se arrependem do que fizeram e eles se arrependem do mal que causaram, esse arrependimento tem que ser verdadeiro. Eles não podem fazer isso para ganhar algo em troca. Se alguém quer ser melhor para ganhar o amor de outra pessoa, bem, isso não é redenção, mesmo que seja simpatizante. O personagem tem que querer se redimir para reparar os erros, para amenizar a dor que causaram. Eles tem que saber que não estão fazendo isso esperando perdão ou serem amados ou ganharem qualquer coisa para eles mesmos.

4) O processo tem que ser gradual. Redenção não acontece da noite para o dia.

5) Por último, não se preocupe muito se as pessoas vão amar ou odiar seus personagens. Se preocupe se eles vão achar os personagens interessantes e atraentes. Amor e ódio tendem a ser muito pessoais, e as pessoas sempre vão te surpreender odiando os personagens que você achava que iam gostar e gostando de personagens que você achava que iam odiar. O que você quer é que as pessoas pensem: “esse personagem é muito interessante” e queiram seguir a jornada dele.

folkleverty: Sobre publicações… Eu queria saber como você faz a decisão sobre as capas de seus livros? Quer dizer, é baseado no personagem principal ou algo sobre a história… Eu não sei, seria interessante saber sua opinião. Também queria saber se você dá umas dicas nas capas?

Bom, essa é uma novidade triste (e a última questão que vou responder hoje porque, como meus amigos escritores estão pontuando, eu estou procrastinando), mas geralmente escritores têm pouca ou nenhuma contribuição em suas capas. Claro que nos primeiros livros que eu escrevi, eu não podia falar nada sobre o que ia nas capas, e a primeira vez que me lembro de ter sido consultada foi em “Anjo Mecânico” (e mesmo assim, a decisão final foi feita pela editora sobre quem iria em cada capa: foi Will, porque Tessa tinha que ir na terceira capa, já como eles não queriam “Princesa Mecânica” com a foto de um garoto).

As decisões geralmente são feitas baseadas no tema e no que o livro passa. O “personagem principal” não significa muito para ninguém, salvo estar em uma série e os fãs estejam interessados em quem aparece na capa, que nesse caso a editora vai levar em consideração. Mas o que eles estão interessados acima de tudo é em mostrar sobre o que o livro é. Livros de fantasia tem que transmitir fantasia. Se a fantasia é sombria, a capa deve transmitir isso. Um livro de mistério tem que passar mistério, uma comédia romântica feliz tem que transmitir felicidade.

Se você está lançando uma série, também tem o problema que a capa tem que parecer com o que saiu antes. “Chain of Thorns” não pode, vamos dizer, uma capa abstrata em preto e branco porque não pareceria para os compradores como outro livro de “As Últimas Horas” e o que tem que transmitir é: esse é o terceiro livro desta saga e você pode dizer isso porque parece com os outros livros.

O que eu posso dizer é que eu pude falar mais conforme eu publiquei mais livros (eu pedi para uma capa submersa para “Dama da Meia-Noite” e “o cabelo de Cordelia se transformando em folhas” para “Corrente de Ouro”) e isso geralmente acontece com a maior parte das pessoas. Com “Sword Catcher”, eu criei um arquivo que eu compartilhei com meu editor que contém imagens que eu amei e queria que evocasse aquilo ali e eles trabalharam com isso.

magnus-the-maqnificent: Eu só queria saber – qual é a opinião do fantasma nos Herondales ou nos Lightwoods? Se um Herondale ou um Lightwood entrasse na Mansão Blackthorn e anunciasse sua chegada, o quanto eles seriam chutados no traseiro pelo fantasma?

Nós vamos descobrir. 🙂

Corrente de Ferro”, o segundo livro da trilogia “As Últimas Horas” é o último livro dos Caçadores de Sombras lançado aqui no Brasil e vocês podem garantir o seu na Amazon com brindes. Ou então vir aqui no nosso post completo sobre a pré-venda para garantir sua cópia em outra loja.

Toda segunda-feira é lançado um post de uma pequena série chamada de “Os Segredos da Mansão Blackthorn” que você pode ler gratuitamente vindo aqui. Essa página é atualizada conforme os posts são lançados.

Para saber tudo sobre “The Wicked Powers”, basta clicar aqui.

Fonte: [01]; [02]; [03]; [04]; [05]; [06]; [07]

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