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A autora Cassandra Clare concedeu uma entrevista ao site Bookish, onde fala sobre o filme “Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos”, os atores do filme, seus livros, e sua nova série co-escrita com a autora Holly Black, Magisterium, que tem previsão e lançamento para o ano que vem.

Confiram abaixo a entrevista na íntegra e traduzida.

Dez anos atrás, Cassandra Clare era uma escritora de fan fiction sobre Harry Potter e Senhor dos Anéis. Agora, ela é a autora de bestsellers da série “Os Instrumentos Mortais”, com uma adaptação cinematográfica do primeiro volume, “Cidade dos Ossos, que estará nos cinemas no dia 23 de Agosto. Clare falou com o Bookish sobre as partes de “Cidade dos Ossos” que ela estava envolvida em manter no filme, o uso da palavra “mundano” em seus livros e na cultura pop, sua próxima série “Magisterium” escrita com Holly Black, e sua aparição “pisque e você perderá” no filme.

Bookish: “Os Instrumentos Mortais” têm muitas piadas mais maduras e temas mais sombrios – algo que o distingue de muitos livros para jovens adultos, o que mantém as coisas bastante “limpas”. Como essa sensibilidade mais madura é traduzida no filme?

Cassandra Clare: É interessante, porque você nunca sabe como algo vai ser filmado até que o diretor o coloca no filme. O filme tem uma sensibilidade bastante sombria – uma fantasia urbana cheia de ação, o que eu gosto bastante.

Bookish: Há alguma cena em particular que você sente que é expressado esse sentimento?

Cassandra Clare: Sim! Eu acho que eles fizeram um ótimo trabalho com a festa do Magnus Bane. E também a cena do clube que abre o livro, onde Clary e Simon vão para o Pandemonium, a primeira vez que ela vê os Caçadores de Sombras. Para mim, fantasia urbana sempre foi o casamente de modernidade e fantasia, e eu acho que isso é capturado muito bem visualmente no filme.

Bookish: Como você se sentiu com a Lily Collins sendo escolhida para o elenco? Ela é uma ótima atriz mas não se parece tanto com a Clary que você descreveu nos livros – cabelos vermelhos, sardas. Foi algo difícil de se ajustar?

Cassandra Clare: A Lily é a única que eu não estive envolvida no processo de escalação; ela participava do projeto quando a Sony o escolhey. Então eu assisti “The Blind Side” e realmente a amei ali. E ela na verdade tem sardas! Como eu sou uma pessoa com sardas também, é uma das coisas que você… Se você é uma estrela de Hollywood eles cobrem as sardas com base todas as vezes que você faz sessões de fotos e outras coisas. E eu estava feliz, porque ela manteve as sardas, e eu acho que elas são muito fofas. Vocês podem ver um pouquinho delas.
Nós temos muitas sorte de termos a Lily no filme. Ela não está apenas em cada projeto acontecendo no momento – ela é uma das atrizes jovens mais bonitas em Hollywood – mas ela realmente era uma grande fã dos livros antes de eles começarem o projeto, então ela trouxe muito para a Clary dessa forma. Eu acho que a razão de que eles não tingiram seu cabelo de um vermelho muito claro foi porque ela teve o cabelo tingido para quatro papéis em filmes antes desse. Eles ficavam nessa de “Nós podemos fazer ela usar uma peruca, ou então podemos tingir de um vermelho menos vivo, mas nós não podemos descolorir e então pintar, senão vai cair tudo!”. Então eu percebi que, voc~e sabe, enquanto ela pudesse capturar a bravura e a vulnerabilidade da Clary, isso era mais importante para mim do que ter exatamente o mesmo tom de vermelho.

Bookish: Certo, escolha suas batalhas.

Cassandra Clare: Exatamente [risadas] Eu me sentiria muito mal se o cabelo dela tivesse caído e isso tivesse sido minha culpa!

Bookish: Quando o Jamie Campbell Bower foi anunciado como o Jace, muitos fãs ficaram emburrados. Se você olhar o Tumblr agora, eles parecem terem aceitado, mas como foi no começo?

Cassandra Clare: Provavelmente foi mais difícil com o Jamie. Ele fala sobre isso em entrevista, mas ele realmente assumiu tudo com o coração. Isso me fez pensar sobre como deve ser um ator. Porque se você é um escritor e você escreve uma história que é rejeitada… Bem, eles rejeitaram sua história. Mas como um ator, se você está sendo rejeitado de alguma forma, eles estão te rejeitando por completo. Deve ser muito difícil.
Quando eu vi toda a reação, eu pensei “Bem, eu estava de uma certa forma preparada para isso”. Jace supostamente tem que ser a personificação de sua fantasia, em qual namorado de todas os meus personagens favoritos da literatura ele seria baseado. Ele tem que ser incrivelmente talentoso e incrivelmente engraçado e bonito. Então cada um tinha sua ideia diferente sobre como ele se pareceria. Então você apenas tem que se lembrar que isso aconteceu quando escolheram Robert Pattins em “Crepúsculo”, e quando eles escolheram o Josh Hutcherson e o Liam Hemsworth em Jogos Vorazes.

Bookish: É definitivamente um dos momentos que você sabe que acertou, quando as pessoas ficam bravas dessa forma.

Cassandra Clare: Sim! Uma das coisas que então você pensa “Bem, acho que é algo bom, afinal”.

Bookish: Você começou como uma autora de fan fic, escrevendo a série “The Very Secret Diaries” para “O Senhor dos Anéis”. Qual foi a maior mudança desde que você desenvolveu seus próprios fãs ativos, tendo uma vez sendo uma grande fã do trabalho de outras pessoas?

Cassandra Clare: Quando eu era uma grande fã de “O Senhor dos Anéis” e outras obras, você meio que pensa que essas criações foram criadas por uma pessoa que realmente existe; elas são reais para você. Estar do outro lado dessa história, você pensa, meu Deus, essas histórias foram criadas por apenas uma pessoa – no caso, eu – e isso é estranho. Você pensa “Oh, isso não foi criado por um conglomerado sem rosto. Isso realmente é o trabalho de uma pessoa individual”. E também, tendo sido uma fã, eu olho para tudo isso pela perspectiva de um fã: “Se eu fosse um fã desse material, do que eu gostaria? Eu gostaria de ver cenas que foram cortadas do material? Eu gostaria de trechos inéditos do próximo livro, ou desenhos dos personagens?

Bookish: Isso é uma das minhas coisas favoritas sobre a Stephenie Meyer. É ela coloca cenas deletadas dos livros de “Crepúsculo” em seu site. É uma ótima maneira de envolver a fandom moderna.

Cassandra Clare: Eu acho que é. Agora que nós temos a internet, há muito mais habilidade de se conectar diretamente com os criadores das coisas que você gosta. Quando eu estava crescendo, os autores ficavam longe, eram figuras distantes. Eu nunca pensaria que eu pudesse falar com ele, e agora nós podemos. Isso era o que eu sempre gostei na Stephenie: ela tinha as cenas deltadas; ela tinha “Midnight Sun”, sobre o ponto de vista do Edward; ela tem um grande senso de “O que você gostaria se você fosse um fã disso?”

Bookish: Afinal você já pensou em escrever “Os Instrumentos Mortais” do ponto de vista do Jace?

Cassandra Clare: Isso definitivamente é algo que sempre me pedem. Eu pensei sobre isso. Uma das coisas que eu fiz foi colocar em meu website diferentes cenas sob sua perspectiva. Eu acho que isso seria algo legal de se fazer, e eu queria fazer isso, mas eu acho que eu gostara de terminar a série, e me manter um pouco distante dela antes de começar um projeto como esse. Os livros já são em terceira pessoa, mas conforme vamos prosseguindo coma série, nós vemos o que acontece sob a perspectiva de outras pessoas – do Alec, da Isabelle, do Simon, e alguns do Jace. EU teria que pensar sobre isso… O que eu poderia trazer para um livro que é sob a perspectiva do Jace que nós não vimos ainda?

Bookish: Os Caçadores de Sombras distinguem bem a diferenças entre eles e os “mundanos”, ou humanos. Você mencionou que você pegou esse termo de “A Caverna do Dragão”; meu ex jogava RPG, então eu encontrei essa frase também algumas vezes. Os personagens de “Harry Potter” são similarmente obcecados com essa coisa de Trouxas versus Bruxos. Agora, alguns geeks (fãs) se apropriaram do termo para separarem eles mesmos dos “não-fãs”. Você teve um dedo aí?

Cassandra Clare: É uma pergunta interessante, porque quando eu peguei o termo dos meus amigos foi porque eles estavam jogando RPG. Eu perguntei se eles fariam uma campanha pelo mundo para “Os Instrumentos Mortas” porque eu pensei que seria uma forma de testar o sistema mágico e ver se tinham coisas que não funcionariam. Então eles me perguntaram se eu gostaria de participar, e eu disse que não, porque eu nunca joguei isso e eu não queria atrapalhar o que eles estavam fazendo. Eles, na brincadeira, me chamaram de “mundana”, e eu fiquei um pouco chateada porque eu estava meio “O que vocês querem dizer com eu ser uma mundana? Eu estou escrevendo um livro de fantasia, então obviamente que eu sou uma geek!”
Então eu acabei introduzindo a palavra no livro porque quando os Caçadores de Sombras chamam os humanos de mundanos, isso é meio que depreciativo. Conforme os livros vão avançando, uma das coisas que eu quis explorar era forçar os Caçadores de Sombras a confrontarem suas atitudes sobre a humanidade, e seus aspectos problemáticos de pensar em si mesmo como melhor que a pessoa que você deveria proteger.

Bookish: Como vai a escrita de sua série com a Holly Black, “Magisterium”? O que sabemos até agora é que é infanto-juvenil, e o personagem principal é um garoto de 12 anos, Callum Hunt. É meio que uma mudança na história mática típica, porque Cal está treinando para se tornar um mago das trevas. Eu na verdade escrevi um artigo para o Bookish recentemente que era “7 celebridades que deveriam escrever livros para Jovens Adultos”, e eu chutei algo assim. Eu deveria saber que alguém já estava trabalhando em algo do gênero!

Cassandra Clare: [Risadas] Isso sempre acontece quando você percebe que alguém já está fazendo aquilo. E esse parecia um conceito muito divertido. Muitos livros que eu amava enquanto criança… há um livro que chama “Which Witch”, escrito pela Eva Ibbotson. É um ótimo livro sobre um mago das trevas que está tentando encontrar uma esposa, então ele está fazendo testes com todas essas bruxas; ele é mau de uma forma diferente. Eu apenas me lembro da diversão que ela teve escrevendo sobre magia das trevas para crianças, então eu acho que Magisterium tem um pouco dessa sensibilidade.

Bookish: Você e a Holly vivem a alguns quilômetros de distância agora. Vocês acham que é mais fácil vocês escreverem no mesmo lugar, ou vocês enviam páginas uma para a outra através da Internet?

Cassandra Clare: Nós escrevemos juntas o quanto podemos. Eu escrevo e então eu passo o computador para ela, e ela então aproveita o que eu escrevi e adiciona suas próprias coisas, e então ela passa de volta para mim… Isso cria um estilo “sem prendimentos”, de uma forma que você não consegue perceber o que eu escrevi e o que ela escreveu.

Bookish: A Constantin Film, que está adaptando “Cidade dos Ossos”, já adquiriu os diretos para filmagem da Série “Magisterium”. E você e a Holly estão adaptando o roteiro. Da sua experiência d estar no set de “Cidade dos Ossos”, o que você trará para a adaptação do primeiro livro, “The Iron Trial”?

Cassandra Clare: No set de Cidade dos Ossos eu aprendi muito sobre a escrita do roteiro, que eu esperançosamente eu colocarei em uso quando escrever “Magisterium”… sobre coisas que funcionam em livros que não conseguem ser traduzidas muito bem em um filme, mas também como você pode usar o filme como um meio visual para indiciar as coisas. Há maneiras de você mostrar os personagens em um livros, mas em um filme há ótimas maneiras de mostrar um personagem visualmente… como o que alguém está vestindo. Ou se você está em um set que é, por exemplo, um escritório, a câmera pode capturar imagens dos objetos que eles possuem, e isso pode dizer muito sobre eles de uma forma que você faria diferentemente em um livro.

Bookish: Há momentos em que você para pra pensar enquanto está escrevendo com a Holly que é algo como “Bem, isso não pode entrar no livro, mas nós guardaremos isso para o filme”?

Cassandra Clare: Sim, isso definitivamente acontece, onde nós conversamos como aquilo pode ser passado para o filme. Entçao, claro, há a questão dos efeitos especiais. Para mim o legal, quando você está escrevendo um livro, é que você tem um orçamento ilimitado de imaginação; você pode escrever sobre qualquer coisa, e isso não custa nada. Mas em um filme, se você dizer “Agora tem uma cena de cada vulcão na Terra explodindo ao mesmo tempo!”, eles vão te parar e querer limitar coisas assim. Então você tem que pensar de uma forma inteligente, “como vamos fazer isso acontecer sem ter que explodir cada vulcão da Terra para filmar essa cena?”.

Bookish: Sobre o que você está mais ansioso no filme?

Cassandra Clare: Eu sou uma figurante em uma das cenas. Eu realmente quero ir para o cinema com minha família e mostrar para eles minha aparição no filme. Eu sou um demônio gato, e eu estou usando orelhas pontudas de gato e tenho toda essa maquiagem maluca. Eu estou muito ansioso para me ver como um monstro nesse filme.

Bookish: Isso foi sua ideia ou dos cineastas?

Cassandra Clare: Não! Foi totalmente uma ideia do diretor Harald Zwart! Eu estava parada por aí e então ele falou “Você tem que estar na cena da festa do Magnus, com todos esses demônios e banshees e pixies e fadas! Você estará nessa cena e será um demônio!”. Eu simplesmente fui para o trailer de maquiagem, e eles me preparam e colaram essas orelhas na minha cabeça, e colocaram em mim essa maquiagem doida de gato, e coisas do gênero. Foi realmente divertido, então estou ansiosa para isso.

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