28.06


“O Rei Aurora” (Artefatos de Ouranos 2)
Nisha J. Tuli
Tradução: Guilherme Miranda
Seguinte – 2024 – 456 páginas

Lor se libertou do Rei Sol, mas agora está nas mãos de Nadir, o Príncipe Aurora. Convencido de que ela está escondendo alguma coisa, Nadir não vai medir esforços até ouvir cada um dos segredos de Lor, mas ela não pretende confessá-los tão facilmente. Afinal, Nadir é filho do homem que a manteve aprisionada por anos sem motivo.

Até que os dois precisam unir forças para encontrar um dos artefatos sagrados de Ouranos. Mesmo sabendo que não pode confiar no príncipe, Lor aceita trabalhar ao lado de Nadir, já que o objeto é uma peça importante para conquistar a vingança que ela tanto deseja.

Com o Rei Sol determinado a reconquistá-la, Lor se vê em uma corrida contra o tempo, e ela sabe que nenhum lugar é seguro. Pelo menos não até que ela destrua o Rei Aurora ― mas ela logo se dá conta de que há muito mais em jogo do que imagina.

Okay, vou começar esta resenha tirando o elefante branco da sala, pelo menos pra mim: este livro tem as cenas mais explícitas de sexo que já li em uma romantasia. Isso significa o que, exatamente? Significa que se você não tem idade para ler ou se sente desconfortável lendo cenas assim, talvez essa série não seja pra você. E não estou sendo puritana: já li livros Hot, já li livros dark também, sei o que as cenas de sexo podem oferecer na literatura e não estou dizendo que as cenas aqui chegam ao máximo possível, mas sim que dentro da romantasia, que é este subgênero da fantasia que o romance guia a trama, foram sim, as cenas mais fortes que já li. Se você procura por muito romance com pegação, bastante momentos físicos, preliminares e afins, você encontrou a série que procura.

Dito isso, lembro que “O Rei Aurora” é o segundo livro da série “Os Artefatos de Ouranos“, por isso está resenha mencionará eventos do primeiro livro, “A Rainha Sol“, mas sem deixar claro spoilers da primeira trama, só que claro que terei de mencionar algumas coisas sobre – e você pode ler minha resenha sem spoilers do primeiro livro clicando AQUI. Dito isso, em resumo, o que quero que você tenha em mente é que: a escrita de Nisha J. Tuli vicia. De verdade. Ela escreve tão bem que mesmo em um livro que tem problemas, você não tem a menor vontade de colocar o livro de lado. Não me espantaria nem mesmo remotamente se em alguns anos (ou meses) a vermos em todas as listas de livros mais vendidos.

Quando acordei em Afélio, estava confusa e desorientada, maravilhada por uma existência completamente diferente daquela que eu vivia antes. Quando Atlas me disse que o Rei Aurora tinha me escolhido para as provas, nunca passou por minha cabeça que era o próprio Rei Sol que me queria ali desde o começo. Que razão eu tinha para duvidar daquelas palavras?

Com Lor sendo resgatada por Nadir e enfim tendo os dois juntos na narrativa, coisa que não aconteceu durante 95% de “A Rainha Sol“, temos aqui a boa e velha dinâmica de enemies-to-lovers que sempre funciona: Nadir quer destruir o pai, o Rei Aurora do título do livro, e Lor também quer o mesmo, mas cada um por seus motivos e sem confiar um no outro. São dois personagens complexos que neste segundo volume temos mais chances de entender como as mentes funcionam e todos motivos que levaram Nadir a odiar seu pai e aguardar desdobramentos. Aqui temos um ponto que me pareceu descabido: a autora deu mais motivos para Lor odiar o Rei Aurora porque bem, ela pode. Lor não contou tudo para o leitor desde começo, então não se torna fora da personalidade da personagem mais algumas surpresas e traumas surgirem só que fica parecendo somente um motivo a mais para mostrar o quanto Rion é um Rei malvadão. 

Superando a fase de descobrir os segredos que Lor manteve do leitor por todo primeiro volume (ela é uma bela de uma narradora não-confiável e foi muito o que deu um toque à trama) e agora basicamente tentando convencer a jovem a se juntar a ele em sua empreitada, Nadir toma uma atitude radical para conseguir e confiança da morena, o levando a ser um pouco insistente demais no começo da trama, e é aí que a coisa complica um pouco porque a trama anda em círculos, mas acho que estou sendo bondosa nessa parte.

Quero acabar com o rei — Nadir diz. Sinto que essas palavras custam algo a ele. — E acho que você pode ser a chave para fazer isso acontecer.
Essa admissão me deixa sem fôlego. Além de recuperar Tristan e Willow, destruir o Rei Aurora e tudo que lhe é caro era a única coisa que eu queria, mas eu seria ingênua se acreditasse que poderia fazer isso sozinha. Ainda mais em meu atual estado, aprisionada.

Sendo mortalmente sincera, a trama de “O Rei Aurora” é basicamente um grande círculo de 360° porque eles basicamente voltam ao ponto do final de “A Rainha Sol“, claro que deixando de lado os sentimentos de Lor e Nadir, que se desenvolvem – e nesse aspecto, não posso reclamar de nada porque Nisha J. Tuli entrega dois personagens quebrados, sofridos, teimosos, determinados e morrendo de vontade de se pegarem por todas 450 páginas desta trama. Precisava disso tudo de pagina? Não, mas você vai ler feliz da vida porque o casal funciona. É simples assim.

Porém não posso desprezar a trama dos Artefatos de Ouranos, o nome da série, que são sim, importantes. O Espelho Sol apareceu no primeiro livro, aqui temos o artefato de Aurora e também temos a Coroa Coração, que obviamente reagem a Lor porque… spoiler. Enquanto no primeiro livro temos só o ponto de vista de Nadir e Lor, aqui temos a volta dos pontos de vistas deles em primeira pessoa e ainda uma narração em terceira pessoa, contando acontecimentos 286 anos no passado sobre Serce, a outrora herdeira Rainha Coração. Serce é uma personagem que transita entre o romance e a vilania o tempo inteiro, sua rebeldia ao se apaixonar se misturando com uma ambição desmedida que pode terminar em tragédia – e adivinha? Termina.

Quando estou perto dela, não consigo respirar. Não consigo pensar. Fico sem palavras e mal consigo falar quando ela me encara com aquele olhar acusador que mistura vulnerabilidade à flor da pele e petulância destemida.
Por que ela é a coisa mais deslumbrante que já vi na vida?
E não é apenas uma atração física. Embora, sim, quero tanto tocar nela que minhas mãos doem, mas nunca conheci alguém tão segura de si.

Ser um Primário neste universo de feericos – entendo que alguns não sabiam nem isso sobre os personagens de tão bem que as sinopses escondem a trama – concede a Nadir poderes acima dos já esperados. Com essa única informação, fica fácil entender o que o Espelho quis dizer no final do primeiro livro porque bem, Lor não vai lá ser nada na trama, já como ela é a nossa mocinha chutadora de bundas, que mesmo morrendo de paixão por Nair, se recusa a admitir o relacionamento.

Como falei na outra resenha, temos outros personagens incríveis neste enredo e agora vemos um pouco mais de Willow e Tristan. Amya, a irmã de Nadir, sempre rouba a cena quando aparece, e quando enfim a vemos com sua mãe, nosso coração se parte um pouco pela vida e peso que ela teve de carregar durante toda sua vida. Ainda temos Mael, o fiel amigo de Nadir, que agora também traz Hylene para ajudar nos planos mirabolantes do grupo. No quesito relacionamentos, um romance inesperado me pegou de surpresa positivamente. Espero que as duas (sim, é um casal sáfico) tenham mais destaque nos próximos livros.

Os Primários normalmente não costumam estar dispostos a dividir seu poder com alguém de força comparável. O laço sempre favoreceu um lado e nunca foi destinado a ser uma união entre iguais. Além disso, o processo é difícil pelo que compreendi. O mais próximo que consigo apurar é que, quando dois Primários se unem, sua magia pode se tornar errática, a menos que ambos sejam poderosos o bastante para controlá-la. Vamos precisar instalar algumas proteções. Somado a isso, um laço de Primários só pode ser atingido usando um receptáculo disposto da magia da deusa, o que é obviamente raro de se encontrar.
Serce pensou sobre aquilo. Ela sabia que era poderosa — talvez a Primária mais poderosa que já existiu. Se havia alguém capaz de controlar, seria ela. E ela não tinha reservas em compartilhar seu poder com Wolf. Serce observou, astuta, a sacerdotisa, com uma sensação incômoda de que Cloris não estava sendo inteiramente franca em relação ao que falava. Magia da Deusa, sei.

A medida que a trama vai se encaminhando para terminar, muito já foi respondido e muito acrescentado também, deixando ao leitor o questionamento de que trama pode vir para mais dois livros, já como 4 é a previsão total de livros para esta série. O terceiro livro, “Fate of the Sun King“, foi publicado agora dia 4 de junho, e seguindo a regra da tradução dos títulos dos livros aqui no Brasil, deve se chamar “O Rei Sol“, nos trazendo de volta Altas – coisa que ninguém pediu, mas enfim. A curiosidade fica para “Tale of the Heart Queen“, o quarto é último livro, que será publicado em inglês dia 26 de novembro próximo. Sim, a autora publicará os 2 livros neste ano. Mas não, não há ainda data de publicação dos dois no Brasil – e também seguindo a regra, o último livro provavelmente se chamará “A Rainha Coração.

Sei que falei sobre a trama parecer que não saiu do lugar, mas quero deixar claro que isso não foi ruim. Em uma época na qual precisam anunciar junto com o título dos livros que este é um livro “slow burn” (no qual o romance acontece lentamente) e é o que acontece com essa série, é bom ver uma trama sendo construída lentamente, mesmo que se enrole em algum ponto. Fica claro que a autora sabe a história que quer contar e isso dá uma sensação de calma ao ler, sem a necessidade de correr com a trama e também dando ao leitor a confiança necessária. Se você ainda não conhece o mundo de Ouranos, fica o convite para se apaixonar por féericos com asas, mentirosos, dissimulados e, principalmente, apaixonados.

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