Resenha: Garra (#1) – Jordan Stephanie Gray

“Garra”(#1)
Jordan Stephanie Gray
Tradução: Sofia Soter
Arte de Capa: Ale Kalko
Seguinte – 2026 – 432 páginas
Enquanto iam embora de uma festa, Vanessa e Celeste se deparam com o impensável: um ataque de criaturas enormes, ferozes, que não parecem reais. Lobisomens.
Ferida e aprisionada sem explicação, Vanessa começa a se transformar; sozinha, ela vê seu corpo se tornar o mesmo tipo de monstro que matou sua melhor amiga. Sem alternativa, é forçada a se juntar à corte dos lobos, onde irá estudar e desenvolver seus poderes sob o olhar vigilante da nobreza.
Decidida a encontrar os responsáveis pelo ataque e se vingar, a jovem traça um plano às sombras, mas logo se vê hipnotizada pelo perfeito príncipe Sinclair, que ameaça roubar seu coração, e por seu primo Calix, cujo olhar ardente esconde segredos ainda mais sinistros…
Imersa numa sociedade poderosa e cruel, Vanessa logo descobre que a corte está em guerra, e que talvez ela seja apenas mais uma marionete nesse jogo letal.
Sei nem o que escrever aqui. E falo sério.
O que eu acabei de ler? Foi como voltar no tempo e no melhor sentido de todos. Quando comecei a ler “Garra”, senti algo de “Crepúsculo” no ar, algo que eu não conseguia entender. Depois pensei que era porque o pai da protagonista é um policial – mas não era. Pensei que me lembrava “Fallen” porque era a história de uma garota jogada em uma bela de uma fantasia urbana, mas não exatamente – mas não era. Por um momento pensei que tinha algo de “Os Instrumentos Mortais” com toda treta familiar – mas também não era. Mas tudo fica bem claro quando lemos os agradecimentos e vemos que Jordan Stephanie Gray é uma autora fã de todas essas sagas que os mais velhos (como esta que vos escreve) amam de todo coração, então, você que me lê, se você está com saudade de uma boa fantasia que realmente te entrega o inesperado, algo novo, algo que você não esperava de jeito nenhum, senta e leia essa resenha porque vou listar todos motivos do mundo para você ler “Garra” o mais rápido possível.
— O que… o que está acontecendo comigo?
Minha voz sai fraca. Falha.
— Suas emoções não são mais suas. Você não é mais sua.
Garras de obsidiana saem dos dedos dele e cortam minha pele. Ele me puxa para a frente, e eu finalmente caio no chão, aos seus pés. O homem se debruça sobre mim com um olhar cortante.
— Temos bases em todos os países desta terra — continua. — Nossa nobreza infiltrou monarquias e democracias humanas. Não há uma cidade ou um vilarejo para onde você possa fugir onde não a encontraríamos, caçaríamos e eliminaríamos. Sua vida agora pertence à corte da Loba Rainha, Vanessa Hart, e se você se recusar a cumprir todas as nossas ordens, não é a única que vai estar condenada. Você tem pai. Tem amigos, supostamente mais do que aquela que perdeu. Apagaremos a vida de todos como velas. Entendeu? Independentemente do que seu instinto te disser, não tente nos ferir de novo.
A dor volta, dez vezes mais intensa, mas nada é pior do que o buraco em meu peito.
Vou começar por algo que nem deveria: não pense que tudo da trama está na sinopse porque não está. E ah, é uma duologia, com o segundo livro, “Devoured”, sendo publicado em inglês em outubro desse ano, ou seja, você pode ler e vir conversar comigo porque vamos esperar chegar no Brasil ainda. Voltando a sinopse, não pense que aqui haverá realmente um triangulo porque não há – há um romance, o qual, obviamente, não falarei com quem, mas há um ganhador do coração de Vanessa. Você não vai passar raiva com isso, pode ler tranquilo. Outra coisa que acredito que seja de bom tom avisar a todos vocês: quando terminei a leitura e fui no Goodreads para saber informações sobre o próximo livro (sim, o final deixa claro que haverá um próximo livro) vi algumas pessoas reclamando do gore que há aqui. Confesso que isso me pegou de surpresa porque é um livro sobre lobisomens, então se você não esperava algumas cenas de lutas, mortes violentas e sangue, não sei bem o que falar, mas fica aqui o aviso pra quem é sensível a cenas do tipo.
A trama abre com um prólogo contando a história das irmãs Serevi: Cora e Sybil e repetindo as 4 regras dos lobos – Não exponha seu lobo para humanos; não mencione segredos da corte a ouvidos de fora; não morda humanos sem permissão direta do regente e não mate outro lobo, sob nenhuma circunstância – e mostrando que Cora quebrou todas em uma única noite ao ter seu relacionamento com um humano revelado. Sua irmã, sem piedade, a condena a ser banida da corte dos lobos e, neste mundo, os lobos basicamente só sobrevivem em mantilhas, se tornando basicamente loucos na solidão. O universo aqui é realmente construído em cima de leis da Realeza: o Regente manda em todos no continente; Duques e Duquesas mandam em países; Condes e Condessas mandam em estados; Barões e Baroneses nas cidades e há mantilhas menores, que respondem aos Barões. Exilada pela irmã, porque quem é o Regente tem poderes mágicos sobre todos os outros lobos e sua ordem é forçada a ser cumprida por esse laço magico de obediência, Cora clama por clemencia por seu filho que está em seu ventre. Sybil, que acabou de ter o seu próprio filho, aceita criar o filho da irmã se ela o tiver e o colocar nos portões do castelo. E é assim que somos introduzidos à história de dois lobos que vão destruir a vida de uma garota humana.
— Vanessa Hart, primeira de seu nome, Mordida e não Nascida, é abençoada sob um sol de Virgem e uma lua de Escorpião, sob as estrelas de Órion, como…
Lyra hesita por um momento e olha para mim, franzindo a testa. Meu coração vibra entre as costelas, e prendo a respiração, esperando uma condenação, mas…
— Uma clarividente — conclui ela. — Vanessa Hart é uma clarividente. — Então abaixa a voz até um tom que não é deste mundo e declara: — O ir e vir do coração se embrenhará em uma teia tão profunda que talvez não se possa emergir, mas, ao ser desemaranhado, legados surgirão. Reinos se unirão. A grandeza clama.
Eu levanto enquanto o resto da corte se transforma em lobo. Todos, exceto a rainha Sybil. Ela me observa com um sorriso cruel e um brilho frio nos olhos. Estremeço sob seu olhar. Os uivos de mais de trinta lobos escapam pelo buraco no teto, carregados diretamente até as estrelas. O som é recebido por mais uivos distantes, fora do castelo. Tão altos que ameaçam estourar meus ouvidos.
Vanessa Serafina Hart é a tipica garota de 16, quase 17 anos: jogadora de vôlei do colégio, tem um crush em um garoto e está prestes a ir a uma festa com sua melhor amiga, Celeste, para comemorar seu aniversário, que será dali alguns dias. Celeste quer que Vanessa fique com esse crush, e mesmo com vergonha, nossa protagonista está disposta a ficar com ele. Mas (lá vem o “mas”) a cidade delas é dividida entre a parte do continente, St. Augustine, e da Ilha Anastasia, ligadas por uma ponte, com os ricos morando na Ilha. A coisa aqui é realmente, realmente dividida, com a cidade sendo uma das mais antigas e supostamente assombradas dos Estados Unidos. O que acontece nessa festa na praia da parte do continente é que os ricos da Ilha vão e termina em uma grande briga generalizada. Celeste, agindo estranhamente, termina brigando com uma moça muito bonita, e Vanessa, a tirando de lá, a convence a ir embora. Quando tudo está parecendo acalmar com as duas melhores amigas indo para o carro de Celeste, elas são atacadas – e leia por realmente atacadas – pelo que parece dois lobisomens. Vanessa tenta salvar Celeste, mas vê a amiga diante de seus olhos e é mordida, ficando em uma poça de sangue, e calma que ainda não estamos nem em 10% da trama.
Vanessa consegue chamar o pai, que chega com pessoas estranhas e desconhecidas, levando uma Vanessa em choque com elas. Sem entender porque o pai a entregou assim para estranhos, ela se vê jogada em uma cela onde está se transformando em um monstro, e aqui preciso dar todos os pontos sobre a minha experiência de leitura: até este ponto, eu não sabendo pra que direção ia a trama e estava acreditando que seria uma romantasia que iria entregar mais do mesmo, com Vanessa agora se descobrindo mega poderosa e com dois lobos gostosos no pé dela, pedindo por atenção dela. A primeira surpresa da trama veio quando, enfim aceitando em se tornar uma lobisomem, Vanessa tem os olhos roxos – pausa para explicar que aqui os lobos são diferenciados pela cor dos olhos e é bem simples: pretos são os regentes, vermelhos os alfas, dourados os betas e castanhos os deltas – porque, como eu falei, esperava ela ser mega especial, o que parece ser quando ela se revela sendo a primeira de toda corte com os olhos desta cor, mas, amigos, o que Vanessa apanha e é torturada psicologicamente não era esperado. Sério mesmo: ela apanha de todos porque ela não foi criada como uma loba, não sabe lutar, não entende que a prata realmente fere os lobos, não sabe da magia que os circundam. Enfim, no começo Vanessa é assombrada de todos os jeitos possíveis e imagináveis que vocês podem esperar e ah, os olhos roxos dela revelam que ela pode saber quando alguém está mentindo para ela ou não, só que alguém que não tem a menor ideia de como uma corte se comporta e as mentiras que correm entre aquelas pessoas saberá fazer as perguntas certas?
— O defeito de olhar para Lúcifer e ver o diabo é que perdemos a nuance de sua vida de anjo. Monstros não nascem, Vanessa. Eles são criados. E você… você ainda não é um demônio. Ainda tem tempo. Não precisa virar um deles.
Ele abre a porta, apertando a maçaneta com dedos pálidos e um vislumbre de garras.
Um deles. Não um de nós.
Uma verdade.
Ao mesmo tempo que vai tendo as aulas para aprender sobre tudo da corte dos lobos (o que causa estranheza porque parece ilogico lobisomens e cortes – sério, a quantidade de roupa rasgada não é pouca) e o passado destes seres, entendemos que o castelo da corte fica na ilha, mas não exatamente em nosso universo porque é uma “outra dimensão”, por assim dizer, lugar aonde ainda há magia, que sim, tem um peso bastante grande na trama. Entre os estudantes, claro que está Sinclair, o filho da Rainha Sybil, um príncipe alfa e loiro, e seu primo Cálix, seu primo, um beta de cabelos pretos. Cálix está sobre um juramento e sua vida está ligada ao de Sinclair, a quem deve servir. Os dois parecem orbitar ao torno de Vanessa, e, como falei antes, parece que será somente um triangulo romântico como já vimos tantas e tantas vezes, mas não se engane porque não é o caso, já como há mentiras demais, o tempo inteiro, por toda trama.
Ainda conhecemos Evelyn Lee, a garota muito bonita com quem Celeste brigou na festa da praia, mas a surpresa é que ela é uma Princesa, filha dos Regentes da Corte Asiática, e noiva de Sinclair. Seu irmão, Eric, é tão insuportável quanto ela, e Nettie, a melhor amiga de Evie, anda com o grupo de ricos e famosos o tempo inteiro, humilhando e fazendo Vanessa ser humilhada. Tudo muito parecendo estar dentro do esquema e esperado, mas, mais uma vez, não acredite em quase nada do que se apresenta porque de todos enredos desta trama, só aceitei um mísero único (e quem convive comigo me acha insuportável porque eu normalmente descubro tramas de livros e filmes antes da grande revelação) plot twist.
Não sei se ele responde porque quer que eu cale a boca ou porque finalmente está pronto para explicar. De qualquer modo, se encosta na porta e diz:
— Sou Calix Severi, filho de Cora Severi, irmã de Sybil e traidora de sangue da corte.
Traidora de sangue. Traidora de sangue.
— O que…
— Lembra as leis da nossa corte? — pergunta ele, e me espera listá-las. Quando listo tudo, Calix assente e continua. — Minha mãe infringiu todas. Ela se apaixonou por um humano e expôs nossa corte para ele. Então o mordeu para transformá-lo sem permissão. E, quando foi pega… — Ele olha para baixo. A dor o faz fechar os olhos. — Ela matou todo mundo que alcançou. Amigos. Lobisomens. Cora Severi foi a pior traidora. E… era minha mãe. Seu amante humano era meu pai.
Ah.
Eu… não sei o que dizer, e de repente me sinto de volta à escola, como se estivesse na frente da turma de inglês, tentando declamar um monólogo. Não consigo me lembrar de palavra nenhuma. Não consigo pensar.
Outro ponto que preciso ressaltar é Vanessa: além de não conseguir se sobressair muito em nada (além da habilidade de saber se estão mentindo pra ela ou não), a jovem quer se vingar da morte de Celeste. Se sentindo rejeitada por seu pai, ela demora pra engatar na trama porque remói demais o ressentimento contra o pai, a forma como foi arrancada do seu mudo e teve Celeste arrancada dela. Depois de reclamar da personagem mentalmente porque ela não avançava na trama, me questionei se não reclamaria se ela simplesmente acordasse a lobisomem mais fodástica do mundo de um dia pro outro, além de deixar todo luto e terror que sentiu, e foi ai que entendi, justamente quando a personagem passa por uma grande virada de chave. E dai, amigos, é só tiro, porrada e bomba, levando à uma trama que realmente foi inesperada.
Já lemos tantas histórias sobre vampiros, lobos, fadas, seres especiais e afins que parece que não há mais nada capaz de nos surpreender, mas acreditem quando digo que há sim, e “Garra” foi um exemplo claro disto. Apresentado algo que parece que vai ser mais do que mesmo, foi construída uma trama tão deliciosa e bem amarrada que, quando termina, deixa o leitor simplesmente paralisado por alguns segundos, se questionando como não viu algo assim acontecer? Se posso reclamar de algo, é realmente do começo e da jornada de Vanessa, mas ela se faz necessária para preparar caminho para o próximo livro, que já encerra essa trama – mas confesso que nem li e já quero mais da autora, a quem vou acompanhar de perto porque se esse foi o primeiro livro dela, há uma grande promessa de bons livros sob o nome dela. Só leia este livro, eu imploro.
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Magalu.

