15.06

Sinopse: Do mesmo autor de O homem de areia, Stalker e O caçador, agora o detetive Joona Linna enfrenta seu passado, num dos livros mais aterrorizantes da série.

Quando o detetive Joona Linna sai da prisão e volta à ativa, um misterioso homem começa a assassinar criminosos por toda a Europa. A polícia reluta em iniciar uma investigação, mas Joona começa a desconfiar de que essas mortes servem a um propósito muito mais sombrio e complexo. Ao descobrir que duas vítimas têm conexões com ele, fica claro que alguém está tentando lhe enviar algum tipo de mensagem.

Joona recorre então à policial Saga Bauer: se o palpite dele estiver correto, ela é uma das poucas pessoas que conseguirão entrar na mente do assassino. Mas Saga está lutando contra seus próprios demônios — e o assassino sabe exatamente como usá-los a seu favor. Ele continua a atacar impunemente, e ninguém, ao que parece, está a salvo. Quando começa a mirar nas pessoas mais próximas de Saga e Joona, fica claro que eles terão de confrontar um fantasma do passado — o mais aterrorizante deles.

Em Lázaro, a ação nunca para, da primeira à última página. Lars Kepler nos conduz em uma trama com constantes reviravoltas, surpresas e horror.

Confesso que estou faz um bom tempo aqui na frente do documento aberto pensando em como diabos eu vou começar essa resenha e como vou fazer para falar desse livro. Acho que o mais importante é começar do básico “Joona Linna” é uma série de livros que segue o detetive Joona (dã!), apesar de muitas vezes nos apresentar a mais vasta gama de personagens recorrentes. É escrita pelo casal sueco Alexander e Alexandra Ahndoril, com o pseudônimo de Lars Kepler, e eles já lançaram ao todo 8 livros desse detetive, sendo que o 7º livro “Lázaro” acabou de ser lançado aqui no Brasil e, meus amigos, que livro!

Logo na capa a primeira informação que a gente recebe é: “O passado nem sempre permanece enterrado”, mas ok, isso poderia significar várias coisas, certo? Então, apesar de ler a sinopse direitinha, apesar desse aviso, ainda assim nada no mundo me prepararia para o que ia acontecer nas páginas daquele livro. Fazia tempo em que eu não sentia esse frenesi alucinante que não me deixava colocar o livro de lado nem ao menos pra respirar e que me deixava absurdamente sem fôlego a cada nova reviravolta.


“Tanto faz se a pessoa acredita na mentira ou percebe as suas segundas intenções: de uma forma ou de outra, todos sempre caem na armadilha.”

Sem entrar em muitos detalhes sobre a trama principal – porque acredite, isso acabaria com toda a graça do livro -, Joona começa a receber recados não muito sutis de que alguém do passado dele está de volta. Então, quando Joona enfim entende a gravidade de tudo, o que ele faz é lutar para proteger a sua filha, a única família que ainda lhe resta, porque é a única coisa que pode o machucar verdadeiramente.

Enquanto isso ele avisa Saga, que não acredita muito no que o nosso querido detetive acredita, por isso ela resolve ficar para trás e tentar descobrir quem está por trás dessas mensagens e porque essa pessoa está firme em deixar Joona apavorado pensando que um inimigo do passado voltou. Porém, quando Saga enfim se dá conta do que está acontecendo, pode ser um pouco tarde demais.


“Ele não está apaixonado por Saga, mas ela percebe que ele vê algo especial nela.
Foi isso que Joona quis dizer, que ele tem interesse no que se passa dentro dela, em suas catacumbas interiores.
Ela precisa tirar vantagem disso.”

No início do livro, eu confesso que, assim como Saga, eu estava bem cética (apesar de ter minhas dúvidas porque o princípio básico da leitura de livros policiais é que se não tem corpo, não existe morte verdadeiramente), mas parte de mim queria acreditar apenas que Joona enfim tinha chegado naquele precipício e enlouquecido de vez: absolutamente todo policial, seja em filme, seja em livros (veja só, até o Sherlock Holmes tem) tem o seu arqui-inimigo, aquele nemesis que, muitas vezes, nem existe mais, mas fica lá rondando como uma sombra antiga do passado.

Mas, às vezes, esse passado volta para um último susto.


“- Nunca foi bom para você? – ele pergunta.
Apenas uma vez, quando atirei em você – ela responde, olhando-o diretamente nos olhos.
Gostei disso – ele diz.”

Conforme a trama foi se desenrolando, ficava cada vez mais óbvio pra mim que não teria como sair um final feliz daquilo ali. Era uma coisa acontecendo atrás da outra, ação atrás de ação. E um vilão sem o menor escrúpulo sobre quem iria machucar ou o que teria que fazer para conseguir a sua vingança contra aqueles a quem ele culpava: Joona e também a própria Saga.

Não é segredo pra ninguém que desde que eu li “Homem de Areia” (que você pode ler minha resenha AQUI) Saga se tornou uma das minhas personagens favoritas. Ela é badass, é inteligente e tudo mais. Mas também, é fácil entender como a gente se perde quando a vida de quem amamos está na linha (já dizia Dr. House: nosso cérebro para de funcionar quando achamos que vamos perder quem amamos), então pra mim foi fácil entender vários pontos em que eu sabia que ela estava errando, apesar de ser difícil de ler isso acontecendo. Era como se estivesse vendo um trem descarrilhando sem conseguir fazer absolutamente nada para impedir.


“- Você está querendo me dizer que sou louca?
Os olhos dele permanecem cravados nela.
Você tem uma escuridão dentro de você que é quase páreo com a minha.
Como é a sua escuridão?
É escura – ele diz, com um traço de sorriso no rosto.
Mas você é são ou louco?
Depende de quem pergunta.

E também Joona, que já vi muita gente reclamando sobre a mudança que ele teve quanto ao que fazer entre ficar e lutar e fugir e sobreviver, mas era o esperado também. Joona não queria só sobreviver. Ele queria garantir que sua filha, de quem ele abriu mão tantos anos atrás, ficaria viva para ver um novo dia. Não era realmente uma escolha fácil a ser feita, mas ele fez. Se eu acho que muito do que aconteceu foi devido ao fato de ele não estar ali? Acho sim, nem vou mentir. Mas também, como eu falei, eu consigo entender porque ele fez as escolhas que ele fez.

Nós vemos nesse livro também alguns outros personagens conhecidos: Nate e Nills, que trabalham junto com eles. E é claro, nosso vilão. Nós já o conhecemos, já o vimos antes e, meu Deus, ele está absurdamente ASSUSTADOR nesse livro. Não vou nem mentir.


“Às vezes Saga se sente como uma borboleta que ele está tentando pegar, mas às vezes é como se ele já a mantivesse dentro de um pote de vidro.”

Vale dizer que, apesar de ser uma série, não é obrigatório ler os livros anteriores. Eu, por exemplo, comecei a ler essa saga pelo livro “Homem de Areia” e depois pulei um e o seguinte que eu li foi “O Caçador” (que também fiz resenha AQUI). Várias coisas sobre o passado são explicadas conforme as páginas vão passando e é possível entender exatamente porque estão acontecendo as coisas que estão acontecendo ali, é tudo bem detalhado.

Agora, acreditem em mim quando eu digo que “Lázaro” é um livro BRUTAL. Ele simplesmente não te dá tempo para respirar do início ao fim. Quando você pensa que vai ter um descanso, acontece outra coisa que te deixa absurdamente chocada e você mal tem tempo de registrar isso quando outra coisa ainda pior acontece. Dito isto, eu recomendo esse livro? É CLARO QUE SIM. Esse é o tipo de livro que vai te deixar de cabelo em pé e desejando por mais.


“A princípio Joona se pergunta se o comportamento incomum do outro se explicaria por ele estar fascinado pela beleza e pela escuridão de Saga.
Talvez tenha doído mais do que o normal quando ela começou a enganá-lo? Por isso ele decidiu levar a cabo uma vingança tão brutal?
Não – Joona sussurra.
Vai muito além disso. Ele desencadeou toda essa catástrofe para fazer Saga perder a sanidade.”

Lars Kepler sabe muito bem como criar um vilão e um suspense em torno desse vilão. E sabe mais ainda como concluir uma história de uma forma que te deixa tensa e esperando por mais terror ainda, mesmo quando as páginas do livro acabaram.

Mal posso esperar pela continuação, que eu espero que venha diretamente de onde parou, porque do jeito que terminou… Foi pra arrancar o coração de todo mundo que ama tanto esses personagens. Não foi um final feliz, mas eu espero que não seja um final definitivo para uma determinada pessoa.

Apenas uma pequena observação: esse livro tem cenas bem gráficas de violência e até de tentativa de suicidio, então se isso é algum tipo de gatilho pra você, fica o alerta 🙂

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