31.10

Sinopse: Artemisia não gosta muito de lidar com os vivos… Na companhia dos mortos, ela não precisa se preocupar com as fofocas sobre o seu passado e suas cicatrizes. É por isso que a jovem está treinando para se juntar às Irmãs Cinzentas, uma ordem de freiras encarregadas de purificar os corpos daqueles que morreram para que suas almas não retornem como espíritos famintos.

Quando seu convento é atacado por soldados possuídos, Artemisia é obrigada a usar a relíquia de uma santa para enfrentar o perigo. Dentro dessa relíquia reside o avejão, um espírito antigo, maligno e muito poderoso que ameaça possuir a jovem na primeira oportunidade. Controlar todo esse poder é quase impossível, mas a morte se alastra em Loraille e somente uma vespertina — uma sacerdotisa treinada para manejar uma alta relíquia — poderá impedir o pior. Só que a maior parte do conhecimento sobre as vespertinas se perdeu no tempo, e agora Artemisia não tem nenhuma opção além de buscar a ajuda do único ser que ainda se lembra delas: o próprio avejão.

À medida que os mistérios sobre os santos e suas relíquias são desvendados, a conexão de Artemisia com o avejão cresce. Quando um inimigo inesperado aparece, a jovem percebe que enfrentar esse mal pode muito bem obrigá-la a trair tudo o que acredita… Se o avejão não a trair primeiro.

Eu terminei de ler nesse exato minuto “Vespertina” e preciso falar com toda a certeza da minha vida que esse livro tá no top 3 de melhores livros que eu li esse ano e quanto mais livros da Margaret eu leio, mais me apaixono pela escrita dela.

Vespertina conta a história de Artemisia, uma Irmã Cinzenta, que vive em um convento em Loraille, um lugar onde eles ensinam sobre como purificar os mortos para que os espíritos deles não possuam outras pessoas que têm o dom da visão – e essas pessoas geralmente se dividem entre o clero e o exército. Apenas determinadas pessoas têm, depois da Desolação – um ritual que o antigo rei fez em que acabou da pior forma possível, com a liberação de vários espíritos no mundo e a morte de muita gente, até que uma santa ajudou que colocassem tudo no lugar novamente.


“Pessoalmente, eu nem me incomodava. Preferia a companhia dos mortos à dos vivos. Pelo menos eles não falavam de mim.”

Essas freiras são ensinadas desde a como purificar os corpos dos mortos, como também a lutar e se proteger deles para não serem possuídas também, além de carregarem algumas relíquias que contém fragmentos de espíritos e que as protege e também as ajudam nas suas funções – seja com lutas, ou com arrancar confissões, coisas desse tipo.

Quando o convento que Artemisia mora é atacado, seguindo indicações de Madre Katherine – que é bem uma figura materna para a personagem principal, ela vai até o lugar onde fica guardada a relíquia da Santa Eugenia, uma garota de 14 anos que se sacrificou para prender o corpo do avejão (avejão são os espíritos de quinta ordem, aqueles que são os mais poderosos) e, ao chegar lá, se dando conta da destruição, ela tira a relíquia de lá e permite que o avejão entre no corpo dela para tentar não só controlar ele, como ajudar as que precisam.


“- Depois da Desolação ninguém ia mexer com Magia Antiga. Ninguém seria tão…
Imbecil? Se há algo em que sempre podemos confiar, é na recorrencia reconfortante da idiotice humana. Dê a sua especie um século, mais ou menos, e ela rapidamente repetirá os exatos mesmos erros que quase a destruiu por completo poucas gerações antes.

Porém, depois que a grande luta termina, quando notam que Artemisia está “possuída”, ela começa a ser carregada para um lugar onde podem fazer um exorcismo dela para tirar o avejão de dentro da garota, mas é claro que tudo é um pouco mais complicado que isso e é quando ela firma um pacto com ele: que não o deixará ser preso novamente na relíquia, desde que ele a ajude na missão que ela acredita ter, dada pela Santa.

Esse livro me surpreendeu de inúmeras formas. Claro que, sendo um livro da Margaret, eu já esperava que fosse ser um livro bom, mas não esperava que ele fosse ser TÃO BOM ASSIM. De longe é, pra mim, o melhor livro que ela escreveu e os melhores personagens também. Eu já me apaixonei por Artemisia logo de cara. E achei interessante porque, eu sempre gosto dos personagens masculinos torturados por suas escolhas e seu passado, mas nunca pensei que isso funcionaria tão bem em uma freira badass – ainda que as ações dela não fossem culpa dela, mas isso é spoiler e eu não pretendo entregar nada aqui.


“- Aquelas pessoas estavam viajando para o norte por minha causa – ouvi-me dizer. – Elas ficaram sabendo o que aconteceu em Naimes e acham que posso ajudá-las. Acham que sou uma santa.
E talvez estejam certas. Você é desagradável e irritante o suficiente. Até onde sei, esse parece ser o critério.

Porém, como eu mencionei ali em cima, ela é bem torturada pelo passado que a levou a se juntar as Irmãs Cinzentas. Não é um simples caso de “não saber interagir” com outros humanos e eu achei interessantíssimo. Assim como o próprio avejão também. Ele é sim, um espirito maligno, mas nem tudo tem um lado só, então tem todo esse lado por trás da personalidade encantadora dele, que nós vamos vendo no decorrer do livro.

E, assim como acho que esses foram os melhores personagens já escritos pela Margaret, eu também acho que eles são o melhor par (não digo nem casal por vários motivos que vocês vão entender lendo), mas eles são uma dupla maravilhosa e é delicioso demais ver a transformação de como eles se entendem e como passam a conviver.


“Senti o prazer dele nas sensações da nossa fuga: no sol queimando em meu cabelo, na grama enlameada sendo arrancada sob meus pés, até nos arranhões ásperos do matagal agarrado ao meu hábito. Todo o resto se desfez. Estávamos vivos, e livres.”

A construção de todo esse mundo feito pela autora é impecável. Tem magia, tem traição, tem amizade, tem mocinha badass e torturada, tem mocinho com aura de vilão e torturadíssimo também, tem personagens secundários que são simplesmente encantadores e um corvo maravilhoso que eu fiquei com vontade de adotar pra mim – além do cavalo, é claro.

Durante a leitura do livro, eu fui até a última página onde descobri que tinha um pequeno glossário explicando sobre a ordem dos espíritos, quais estavam em categorias diferentes, isso antes de no meio do livro mesmo ser dito o nome do avejão, e quando eu li a lista de espíritos de quinta ordem, eu já sabia exatamente quem ele era, só pelo que foi dito dele dentro do livro.


“Às vezes, para salvar outras pessoas, é preciso não se esquecer de se salvar primeiro.”

O livro termina com um final completo, que ao mesmo tempo é aberto: se Margaret quiser, ela certamente pode dar continuidade a história de Artemisia – e eu sinceramente espero que ela dê, apesar de ter concluído a história do que acontece no primeiro livro, eu sinto que ainda tem muito mais desse mundo a ser explorado e muito mais a ser mostrado também.

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