04.08

Sinopse:Das autoras de Mulheres na luta, este quadrinho indispensável para leitores de todas as idades explica o que é o patriarcado ― e como combatê-lo.

Desde a Antiguidade, nossa sociedade se organiza de forma patriarcal ― ou seja, o homem tem mais poder, ganha mais dinheiro e desfruta de mais privilégios. Aristóteles, Rousseau, Darwin, Freud… foram tantas as figuras célebres que reforçaram a desigualdade de gênero que fica até difícil eleger o maior machista de todos os tempos. Mas qual a origem desse sistema? Como ele se manteve? Quais estratégias já foram usadas para combatê-lo? E o que aconteceu com as mulheres que tentaram destruí-lo?
Com linguagem acessível e ilustrações bem-humoradas, as autoras revelam as formas que o machismo tomou ao longo dos séculos, o significado de conceitos como “olhar masculino” e “slut-shaming”, e a importância das feministas ― de ontem e de hoje ― para derrubar, de uma vez por todas, o patriarcado.

Primeiro de tudo, eu acho que devia deixar bem claro que eu passei MUITA raiva enquanto lia “A queda do patriarcado”. Não pela forma como a história foi escrita ou por culpa das autoras e nem nada parecido, mas raiva da forma como viam (e muitas pessoas ainda veem) as mulheres.

É tanta coisa que mudou ao longo dos anos e ainda assim as coisas estão longe de serem as ideias, só que é bom saber e dá um certo conforto nisso, de que, pelo menos, mais pessoas estão tentando levar tudo para um lugar melhor.

As autoras Marta Breen e Jenny Jordahl foram bem didáticas nessa Graphic Novel. Elas explicam absolutamente tudo sobre o passado de luta das mulheres, mas de uma forma leve e divertida, que faz a gente querer aprender ainda mais e se aprofundar ainda mais na história do feminismo.

Quem me conhece e já leu alguma resenha minha sobre o assunto sabe que eu já falei que quando eu era mais nova, eu morria de medo e de vergonha dessa palavra: feminista. Porque muitas pessoas (homens, em sua grande parte, e mulheres guiadas pelo machismo estrutural) tachavam todas as feministas como malucas ou como baderneiras, como se a luta de uma mulher não fosse o bastante.

Porém nesse livro nós podemos ver muito mais do que em outros livros o quanto essa luta foi e ainda é tão importante. O tanto de coisas (mesmo que pequenas) conseguimos alcançar graças a mulheres que não tinham medo de lutar pelo que todas nós merecemos – e isso vem desde coisas que hoje em dia parecem absurdas (como considerar que antigamente mulheres não podiam nem votar ou que precisavam da permissão do marido para fazer qualquer coisa que elas quisessem fazer) até para coisas muito mais sérias como o fato de acharem que mulheres “não eram boas o suficiente” nem ao menos para MERECER estudar porque elas eram menos inteligentes que os homens. É.

Isso sem contar a grande gama de “intelectos” e “gênios” e “artistas” que consideravam as mulheres estupidamente inferiores a eles, isso quando não tachavam ela de coisas mais baixas: como se as mulheres servissem apenas com o propósito de servir aos homens, terem seus filhos e que não eram nem sequer confiáveis. (Afinal, foi graças a Eva que iludiu o pobre Adão em pecar e comer do fruto proibido. Né? Rs.)

Se, quando eu era mais nova, tivesse colocado as mãos em um livro assim, talvez eu não tivesse medo de me definir como uma feminista: hoje em dia eu digo isso com tranquilidade, mas também é mais fácil não se guiar pelo que os outros pensam conforme vamos ficando mais velhas.

O caminho ainda é longo demais, provavelmente vai continuar dolorido demais como são todos os dias de nossa existência enquanto tentamos lutar para ser ao menos tratadas com mais dignidade do que muitas vezes acham que merecemos, mas, pelo menos, agora nós mesmas (a grande maioria de nós, pra ser honesta) já tem mais coragem de defender seus próprios ideais e assim vem aí uma geração nova de mulheres que sabem que podem (E DEVEM) ser empoderadas e respeitadas, que não devem aceitar menos do que merecem.

A graphic novel em si não é muito grande, mas ela ensina muitas coisas sobre os passados e sobre aquelas que lutaram antes de nós pra podermos estar onde estamos hoje e tem uma leitura bem fácil e bem divertida, tentando trazer leveza para um assunto que muitas pessoas preferem ignorar e fingir que não existe.

Mas já vão preparadas para ler e sentir pelo menos um terço da raiva que eu senti, além de uma pontada de decepção de saber que alguns “gênios” mundialmente cultuados e adorados por muitos não passavam de grandessíssimos misogenos que andavam por aí como se fossem verdadeiros deuses e as mulheres não merecessem um segundo de sua atenção (tô olhando pra vocês @ Darwin e @ Freud), mas também para terem seus corações preenchidos de amor quando chegarem na parte em que falam sobre as mulheres que perdemos nessa luta e verem que não esqueceram de alguém bem importante aqui no Brasil. (E também pra rir da lista de grandes machistas de todos os tempos no final do livro – que tem uma menção brasileira também)

Eu indico demais essa graphic novel para todos aqueles que tem interesse em saber mais sobre a luta das mulheres e também para presentear aqueles amigos (as) que precisam aprender para ver que a batalha foi (e ainda é) longa e árdua.

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