01.08


“Para o Trono” (Wilderwood 2)
Hannah Whitten
Tradução: Natalie Gerhardt
Suma – 2023 – 416 páginas

Na aguardada sequência de Para o Lobo, Hannah Whitten conclui sua duologia com uma história sombria e brilhante sobre amor, mágica e os segredos escritos nas estrelas.

Cumprindo seu destino como a Segunda Filha do reino de Valleyda, Red se entregou à floresta de Wilderwood, onde descobriu a verdade por trás das lendas. Com a ajuda do Lobo, ela conteve a ameaça dos Cinco Reis, mas o custo foi alto demais, e sua irmã Neve ficou presa na Terra das Sombras.

Perdida em um território desconhecido, Neve encontra um aliado improvável: Solmir, alguém com quem a Primeira Filha preferiria nunca mais ter contato. Juntos, os dois partem numa jornada perigosa em busca da Árvore do Coração, para enfim reivindicar os poderes sombrios dos deuses.

Esta resenha é do segundo volume da duologia“Wilderwood” e, como vocês podem imaginar, conterá alguns spoilers do primeiro volume, “Para o Lobo”. Vocês podem ler minha resenha do primeiro volume SEM SPOILERS clicando AQUI. Vou tentar não dar nenhum spoiler grande da trama de nenhum dos livros, mas se torna impossível falar algumas coisas sem mencionar acontecimentos do primeiro volume.

Além do aviso acima, também deixo claro que esta resenha será rápida e direto ao ponto porque é o tipo de resenha que não gosto de escrever porque me decepcionei com a trama. E não porque a trama em si não seja boa, mas por redundâncias, falta de explicação em alguns pontos da mitologia e, principalmente, com o final.

Ouça bem o que vou dizer — murmurou ele bem no ouvido de Neve, e era como se o maldito estivesse tentando acalmá-la. — Eu sei que você me odeia, e tudo bem. Mas juro que vai odiar muito mais o que aquela coisa vai fazer com você.
Neve tentou falar contra a mão dele, em vão, e lhe passou pela mente mordê-lo e dizer que não havia nada naquele mundo ou no que deixara para trás que ela odiasse mais do que ele naquele momento. Mas, então, a coisa entre as árvores se virou o suficiente para que ela visse seu rosto.
Rosto talvez não fosse a palavra mais adequada para se referir ao que estava diante dela. Na verdade, era apenas uma boca. Uma bocarra com fileiras e mais fileiras de dentes afiados e tão grandes quanto ela.

Para quem já leu a minha resenha de “Para o Lobo” (link acima), sabe que eu gostei e me diverti bastante com a história de Red, a segunda filha do reino de Valleyda que estava destinada a ser sacrificada para a floresta de Wilderwood e manter sua irmã mais velha, Neve, como rainha – mas ela encontra um lobo que a ajuda a sobreviver entre a selvagem floresta e tem toda uma trama por trás de como se transformou naquela fera. A história de romance deles é levada a crer que se finalizaria no primeiro livro, tendo como foco no segundo, a irmã mais velha.

Claro que com os acontecimentos no final do primeiro livro, ainda esperava que Red e Eammon, agora seu marido, teriam parte na trama do livro final, afinal, os dois agora eram Wilderwood, com toda magia, mas não esperava que eles tivessem tanta parte assim na trama – com direito a mais cenas hot entre os dois. Confesso que gosto do casal e é um prazer vê-los interagindo como tal, mas me preocupava porque quanto mais páginas eram destinadas a eles, menos páginas para Neve e Solmir, que, obviamente, sairia do lugar de vilão para se tornar o interesse amoroso da jovem.

Um bosque terrível e invertido, sangue em galhos brancos, escuridão gotejando. As lembranças do que tinha acontecido antes de acordar ali pareciam dispersas, difíceis de entender, difíceis de encaixar umas nas outras para formar uma imagem geral. Mas ela sabia, nos ossos entrelaçados pela magia fria, que — antes de ser sugada para a Terra das Sombras — Kiri, Solmir e as outras sacerdotisas estavam construindo um portal entre os mundos. Usando Neve para isso. Ancorando-a na floresta que era o inverso da que ancorava Red, tornando-as um espelho sombrio uma da outra.
Red. Maldita fosse, não podia pensar na irmã agora.

Não sou nada fã de vilões que se transformam por amor, mas aceitaria a história de Solmir, que já havia perdido o primeiro amor de sua vida (a mãe de Eammon) e que agora queria matar os outros Reis e assim acabar com a magia de uma vez por todas. As cenas entre ele e Neve são bons, as personagens têm química e faz o leitor torcer por eles, mas não consegui comprar a forma como o amor entre ambos termina sendo épico mesmo com ele tramando tanto nas costas de Neve, que é uma personagem bem menos destemida do que a irmã.

Enquanto Neve está lidando com Solmir e toda trama para matar os Reis no mundo das sombras, Red está fazendo de tudo para conseguir resgatar sua irmã e trazê-la de volta. A “novidade” é que até Raffe, jovem por qual Neve era apaixonada, tem ponto de vista neste livro, coisa que também me incomodou. Se a autora queria dar um desfecho ao personagem, deveria ter feito um livro spinoff para ele, mas não inserir ele em uma trama que já acontecia coisa demais, tudo ao mesmo tempo, para não deixar a história do jovem sem desfecho. A quantidade de ponto de vistas foi a primeira coisa que realmente me decepcionou e me irritou no livro.

Ele não se mexeu, nem disse nada por um instante. Quando falou, foi em voz baixa:
E não é isso que marca a bondade? Querer ajudar as pessoas, mesmo que elas não mereçam? — Uma pausa. — A compaixão pelos monstros?
Neve gostaria de conseguir pensar naquilo em termos objetivos, preto no branco. Ser capaz de se considerar seria mais fácil do que estar naquela área cinzenta e confusa, sem saber se justiça era querer salvar um homem que não merecia ou buscar vingança por uma morte injusta. Heróis e vilões e os espaços entre as duas coisas, um prisma que mudava os reflexos dependendo do ângulo.

Mas estamos falando de uma fantasia focada no romance, então claro que havia tempo para romance e mais romance, o que, definitivamente, cortou tempo da construção da intricada magia que a autora criou. Entendo que o foco era o romance, mas não precisávamos do ponto de vista de Raffe e – vocês já entenderam – do romance que foi criado para ele. Em certa altura do livro, uma personagem reclama que nada do que foi feito no primeiro livro pareceu importar porque tiveram de remediar bastante coisas, e foi assim que me senti. E só piorou com o fim, que terminou de forma satisfatória para a parte do romance e nada completa com as consequências, que vieram, de tudo que as irmãs causaram nestes dois livros.

A sensação que termino foi que realmente a autora errou em trazer a construção de dois romances neste livro, tirando o foco de Neve e do que precisava na magia. O final, mesmo que não sendo insatisfatório para os fãs dos casais, é completamente frouxo em relação ao que acontece com a consequência dada as irmãs – e nem posso falar sobre outra personagem que, hã, volta e fica solta no final. Parece que a autora não seguiu o planejado e me sinto bem frustrada de me sentir assim. Até fui pesquisar o que os gringos acharam e a maior parte gostou de como terminou, o que me leva a acreditar que sim, o problema é esta que vos escreve, que não aceita mais um livro que entrega coisas porque sim, nem que seja para salvar um trono.

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