21.12


“Missing Clarissa”
Ripley Jones
ARC recebido em formato digital gentilmente cedido pela St. Martin Press
Editora: Wednesday Books
Data de lançamento internacional: 07 de março de 2023

Em agosto de 1999, a popular líder de torcida Clarissa Campbell desaparece de uma festa na floresta nos arredores da cidade rural de Oreville, Washington, e nunca mais é vista. A polícia questiona seus amigos, professores e adultos que a conheciam – todos eles têm algo a esconder. E graças à beleza de Clarissa, o mistério chama a atenção da nação. Mas sem pistas e sem corpo, o caso logo esfria. Apesar dos esforços dos detetives da internet e dos aficionados por crimes reais, Clarissa nunca é encontrada – viva ou morta.

Mais de vinte anos depois, as estudantes do ensino médio de Oreville e melhores amigas Blair e Cameron iniciam um verdadeiro podcast sobre crimes, determinadas a desvendar a história do que – ou quem – aconteceu com essa lenda urbana. No processo, eles descobrem um ninho de segredos sujos de uma pequena cidade, a verdade sórdida do relacionamento de Clarissa com seu namorado carismático e um professor de arte do ensino médio que se tornou uma figura de destaque em uma pequena cidade que tinha um bom motivo para querer Clarissa morta. Uma razão tão boa, na verdade, que elas podem ter que fazer dele o destaque do próximo episódio…

Mas uma história feia com uma garota desaparecida o torna culpado de assassinato? Ou duas adolescentes estão prestes a destruir a vida de um homem inocente – e ajudar o verdadeiro assassino a se libertar?

Essa resenha foi feita pela parceria com a St. Martin Press, que gentilmente nos cedeu esse eARC (Advance reading copy: algo como “uma cópia de leitura avançada”, ou seja, o livro ainda pode sofrer alterações antes de ser publicado). Também lembrando que essa resenha terá um formato diferente: por ser um ARC, não haverão quotes, já como os livros podem sofrer mudanças em seu texto antes de serem comercializados. Gostaríamos de agradecer profundamente a Editora pela oportunidade da leitura.

Sabe aquele tipo de livro que vai direto ao ponto, sem enrolação, com personagens realmente boas, com trama simples e que não vai tentar te fazer de idiota e que termina de um jeito que você deseja entrar e abraçar todas personagens? Para quem curte um bom suspense YA, acredite em mim quando digo que: LEIA “Missing Clarissa”. Eu terminei o livro ontem à noite e ainda estou vibrando com toda trama e o desfecho que tudo teve. São poucos livros que conseguem uma trama são redondinha, com personagens tão sólidos e que entrega um final com essa sensação de “bem feito” como temos aqui.

Claro, a trama é para quem gosta de um suspense com pessoas jovens no centro. Se você acompanha o site, você sabe que eu sou fã desse tipo de leitura e sempre termino dando risada da falta de figuras paternais que estes livros trazem porque os adolescentes ficam correndo soltos pela trama, confrontando até mesmo assassinos a seu bel prazer, mas, aqui, temos algo verídico: adolescentes mentem e escondem coisas dos pais, e quando se colocam em risco, os pais são chamados a responderem. Mas estou, novamente, adiantando minhas impressões sobre o livro, então vamos voltar pro começo.

Cameron “Cam” Muñoz é o tipo de garta que sabe o que quer e o que ela quer é fazer jornalismo na escola. No penúltimo ano do ensino médio norte americano, morando na pequena cidade de Oreville, no estado de Washington, ela decide que fará um podcast em cima do famoso crime não resolvido de sua cidade: há mais de 20 anos atrás, Clarissa Campbell sumiu depois de uma festa repleta de adolescentes, feita na floresta que faz fronteira com a cidade. Cam acredita que assim pode chamar atenção do seu professor favorito, justamente o de jornalismo, o Sr. Park, e ainda de quebra seria algo divertido, já como o caso se tornou basicamente uma lenda urbana da cidade, sem contar que faria o projeto com seu melhor amiga, Blair.

Blair Johnson enfim aceitou fazer a cadeira de jornalismo com sua melhor amiga só para passar tempo com ela, a contragosto do seu namorado, James, que realmente não gosta de Cam – e é reciproco, apesar dos dois nunca terem realmente brigado. Blair é a terceira filha de quatro, só tendo irmãos homens e pais que parecem não acreditar que ela tenha algo importante para dizer ou sequer há um futuro profissional para a filha, por mais que a família tenha condição de pagar até mesmo uma faculdade para ela. Aceitando muito pouco de seu namorado, o único lugar onde Blair se sente realmente bem e a vontade é na casa de Cam, onde tem a mãe de sua amiga, Irene, como uma segunda mãe. A autoestima da garota é tão pouca que ela sequer tem coragem de admitir para sua melhor amiga que gosta muito de escrever e sonha em se tornar uma escritora.

Quando o projeto se inicia, vemos uma relutante Blair se juntar a uma empolgada Cameron, começando a gravar o primeiro episódio de forma bastante amadora. Mas Cam sabe como divulgar o podcast e cria uma conta fake para fazê-lo em um fórum online.

A investigação começa pelo lugar mais obvio: os pais da pobre Clarissa, que nunca realmente entenderam o que aconteceu e nem sequer como aconteceu. Enquanto o pai parece pelo menos disposto a levar a vida, a mãe da garota desaparecida sequer mexeu no quarto dela, mantendo o lugar arrumando “como a filha gostava” e indica um grande amigo da garota desaparecida para que as jovens falassem com ele: Allen Dawson. Na cidade para ajudar sua mãe, Allen foi o amigo que fez faixas e falou pela família de Clarissa logo depois do desaparecimento e tem fortes opiniões sobre o que pode ter acontecido com sua amiga, o que leva as garotas a procurarem Brad Bennett, o suposto namorado violento de Clarissa. Brad era popular, jogador de futebol e formava com Clarissa a realeza do colégio: o casal perfeito em beleza e em posição social entre seus pares. Mas, na fatídica noite, corria o boato que eles haviam brigado e Brad havia traído a namorada. Cam e Blair procuram o homem e o encontram em um estado que quase as deixam sentindo piedade: sem nunca ter sido realmente acusado porque nunca encontraram o corpo de Clarissa, Brad vive com o carimbo de “assassino” na testa, sendo um pária na cidade. Relutante a principio, o homem indica as garotas a conversarem com Jenny Alexander, a melhor amiga de sua sumida ex-namorada, e esta aponta para uma conversa com um professor que se tornou um figurão: Dan Friley era um popular professor de artes na época do sumiço de sua aluna. E ah, não posso deixar de falar que claro que as garotas também falam com a xerife Aaron Liechty – acho que você já entendeu que as garotas realmente entram em uma investigação real aqui, mas isto é um resumo da parte investigativa do livro.

Mas há muito mais acontecendo e é justamente neste “mais” que temos o forte da narração. Cam e Blair estão lidando com quem são e com quem querem vir a ser. Cam está aprendendo mais sobre sua sexualidade porque nunca teve nenhum relacionamento – mas ela sente que está pronta para ter, tudo na forma de Sophie, a colega de classe da dupla principal. Já Blair está aprendendo que talvez seu relacionamento de dois anos não seja suficiente porque ela também quer falar: na verdade, ela tem o que falar. Some ao fato de que Cam é imprudente e começa a divulgar o podcast sem a anuência de Blair que logo você entenderá que as coisas sairão de controle a ponto dos pais se envolverem, mas tudo de uma forma bastante real e crível, e acho que foi por isso que eu gostei tanto de “Missing Clarissa”: porque todos aqui são reais demais, até mesmo o relacionamento de Irene com a filha Cam. Não temos nenhuma heroína capaz de tudo e não sofrer com as consequências e sim, essas chegam também para as protagonistas, que crescem e aprendem muito com o que estão enfrentando: como a própria Cam fala em certa altura da narrativa, o que começou como uma brincadeira de investigação foi transformando Clarissa em uma pessoa real, em um crime real com pessoas que sofrem até aquela data.

Fico realmente feliz que este ramo do gênero YA só cresce e fico mais feliz ainda de ler um livro como esse, que é rápido e capaz de fazer o leitor se envolver com facilidade, com uma trama que pode não ser mais original do mundo, mas traz muitas, muitas pautas e conversas necessárias, com Sophie em determinada altura do livro levantando a questão de sobre quem é preso porque homens privilegiados nem sempre sofrem as punições que merecem, chegando até mesmo a questionar a efetividade do sistema prisional, além de levantar a falta de segurança que qualquer mulher tem contra quem cria expectativas como ela – o que acontece com Clarissa é um claro exemplo disso. Sinceramente, é um livro pequeno, simples, gostoso de ler e que foi capaz de falar muito, levantando questões necessárias e reais, apesar de não ser o centro da narrativa. Quando enfim descobrimos o que aconteceu com Clarissa, fica uma sensação agridoce e acho que quem ler, vai sentir o mesmo que eu.

Como já falei, não é a trama mais original do mundo e provavelmente não vai mudar o mundo de ninguém, mas se você gosta de um bom livro de suspense com reviravoltas, personagens complexos que estão se desenvolvendo e com uma trama capaz de te prender, “Missing Clarissa” é o livro pra você, sem dúvida alguma.

Ainda não temos nenhuma informação do livro chegando no Brasill, mas sigam nossas redes sociais que assim que eu souber de algo, panfletarei este livro com toda certeza do mundo.

Thanks for the free book, St. Martin Press.

Para comprar “Missing Clarissa” basta clicar no nome da livraria:

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