21.08

Sinopse: Em Sandman, um mago tenta capturar a Morte (Kirby Howell-Baptiste) para barganhar pela vida eterna, no entanto, acaba prendendo seu irmão mais novo Morpheus (Tom Sturridge), o Rei dos Sonhos. Temendo por sua segurança, o mago o mantém preso em uma garrafa de vidro por décadas. Após sua fuga, Morpheus, também conhecido apenas como Sonho ou Sandman, parte em busca de seus poderosos objetos perdidos. Ele está determinado a trazer de volta a ordem para seu Reino e fará o que for preciso para restaurar seu mundo, agora deteriorado depois de sua ausência. Morpheus faz parte de uma família conhecida como Os Perpétuos, um grupo de criaturas imortais que controlam vários aspectos do universo. Além de Morpheus, estão entre os membros A Morte, O Destino, A Destruição, O Desejo, O Desespero e O Delírio. Mesmo rivalizando com alguns de seus irmãos, Sonho precisará da ajuda deles para recuperar seu Reino e reconquistar totalmente seus poderes.

Sandman, originalmente, é uma série que revistas em quadrinhos para adultos. Ela foi escrita por Neil Gaiman (um autor que vocês já devem conhecer pelas resenhas aqui do site, e caso não conheçam, saibam que precisam conhecer!).

Ela foi publicada inicialmente em 1988, e conta com 75 capítulos, divididos em 13 arcos.
A história, que já é considerada um dos marcos das histórias em quadrinhos e uma das poucas histórias imutáveis dessa mídia; além de a primeira HQ a entrar para a lista de bestsellers literários do New York Times conta a história de Sonho, a entidade que governa o mundo dos sonhos.

A série da Netflix – que será o foco da resenha aqui – aborda os dois primeiros Arcos da História:

Sandman: Prelúdios e noturnos & Sandman: A casa de bonecas

Em PRELÚDIOS E NOTURNOS, somos apresentados ao Sandman, que é conhecido por diversos nomes: Sonho, Morpheus, Oneiros, entre outros. (Cheguei a ver gente apontar que na nossa cultura Brasileira, Sonho seria conhecido como JOÃO PESTANA)

Sonho, que é a representação antropomórfica do sonho. Não um deus, e sim o próprio sonho em figura humana. Ele é figura folclórica/mitológica presente em todas as culturas, responsável pelos sonhos. Ele é um entre os 7 eternos, seus irmãos e irmãs, que também são a representação de outros aspectos dos seres vivos. A família (Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio) é responsável por manter a realidade dos seres vivos intacta, cada um, ao governar seu aspecto de influência. E logo de início vemos sua captura por uma seita de humanos praticantes de magia que tinham o intuito de capturar, em seu lugar, a Morte.

A série, que é uma adaptação da HQ aguardada a quase 30 anos, se mostra incrivelmente fiel. E com uma atuação estupenda do elenco. E é, em resumo, fantástica.

Após a captura de Sonho, ele é mantido aprisionado por praticamente um século. Em sua ausência, e impossibilidade de continuar realizando sua função como governante do mundo dos sonhos, vemos que diversas situações e catástrofes acontecerem no mundo desperto (o mundo real). Pessoas que não conseguem adormecer, pessoas presas em sonos profundos e um descontrole entre sonhos e pesadelos que sem seu governante chegam a fugir do Sonhar.

Após se libertar de tantos anos aprisionado, acompanhamos nessa primeira parte da história, Sonho, em sua missão para recuperar suas ferramentas de poder – Itens mágicos que carregam consigo frações do poder do Eterno. Estes itens que lhe foram tirados estão agora espalhados. O que o faz ir literalmente até o inferno para reavê-los.

Essa primeira parte da história é fantástica. Ela transmite exatamente o que as HQs exploram tanto – a magnitude da importância dos sonhos para os seres vivos. Pois é nos sonhos que encontramos nosso combustível para viver a vida em todas as suas adversidades e contentamentos. E um Sonhar sem governante, deixado ao acaso, coloca em risco a própria realidade.

Nesta parte da série somos apresentados a outros personagens importantíssimos da história, e do universo de Sandman. Temos Johanna Constantine (que toma o lugar de John Constantine na adaptação), Lúcifer Morningstar, Lucienne e no episódio que finaliza este arco, encontramos a Morte.

Aqui vai uma salva de palmas para a direção do episódio em que somos apresentados a Morte, a irmã mais velha do Sonho. Este episódio tem por si só uma atmosfera pesada dada ao tema, porém maravilhosamente executado ao ponto de ser alegre. É arrepiante.

Em seguida, temos A CASA DE BONECAS, somos apresentados a outro grupo de personagens. Neste arco o Sonho precisa lidar com algumas das consequências causadas pela sua ausência de quase um século em seus afazeres como Rei dos Sonhos. Aqui, a série toma outra tonalidade. Ela perde um pouco a grandiosidade e suntuosidade que foi dada aos primeiros episódios – mas há de se dizer que não perde qualidade, apenas faz com que percamos um pouco a admiração. E isso pode ser por causa da história – que da sequência e abre espaço para tramas menores entre os outros personagens. Nos levando para a próxima temporada – que já está sendo escrita.

Sandman tem uma construção tão elaborada que chega a se assemelhar a uma poesia.

Diversos elementos são, na verdade, mensagens para o leitor ou neste caso telespectador – pois a série consegue transmitir TUDO o que se propõe de uma forma IN CRÍ VEL.

Aqui quero fazer um apontamento para a Biblioteca dos Livros não escritos, dentro do Palácio do Reino dos Sonhos.

Pois, uma vez que o mundo dos sonhos é feito de tudo aquilo que há de ser criado e imaginado pelos seres vivos – nada mais perfeito que uma biblioteca composta inteiramente por todas as obras que ainda não foram criadas. Como se elas já estivessem prontas, lá, apenas aguardando que os seres vivos as sonhem e as concretizem.

Seja assistindo de uma vez só (como eu fiz) ou de pouco em pouco, é muito difícil não mergulhar no universo criado pelos personagens. E por mais que uma ou outra atuação não seja exatamente como esperava-se que fosse (aqui uma menção a Lúcifer) não existe crítica a ser feita.

A série traz uma representatividade nos personagens que nos dias atuais pode ser vista como forçada pelos mais críticos e quadrados, mas que pelos mesmos motivos a faz essencial. Sandman, quando foi originalmente escrito, incluiu em suas histórias diversos personagens que não eram sequer considerados pela sociedade da época. Desta forma, a série receberá críticas pelos mais conservadores e justamente por isso merece nosso aplauso – Inclusão de personagens negros, casais e personagens LGBTQIAP+ e também personagens QUEER existem, pois, pessoas assim existem. E devem ser adereçados como tal, sem que sejam alívios cômicos ou rasas.

A Série conta com:

• Tom Sturridge como Sonho;
• Gwendoline Christie como Lucifer;
• Vivienne Acheampong como Lucienne;
• Boyd Holbrook como Coríntio;
• Charles Dance como Roderick Burgess;
• Kirby Howell-Baptiste como Morte;
• Mason Alexander Park como Desejo;
• Jenna Coleman como Johanna Constantine;
• Kyo Ra como Rose Walker;
• Patton Oswalt como Matthew (voz)

No momento (09/08) já foi confirmado o início do desenvolvimento da Segunda temporada.

Vocês podem ver o trailer da primeira temporada aqui:

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