03.09


“Serafina e o Cajado Maligno”(Serafina #2)
Robert Beatty
Tradutora: Marta Carmelita Dias
Valentina – 2021 – 320 páginas

Mesmo depois de derrotar o Homem da Capa Preta, Serafina não tem descanso. Afinal, uma nova e misteriosa força maligna tomou conta da floresta e se voltou contra a Mansão Biltmore e seus habitantes. Nossa jovem heroína, cuja estranha aparência encantou milhões de leitores ao redor do mundo, segue sua nova vida, agora podendo frequentar os andares superiores, junto ao pai. Isto até surgirem três estranhos: Lady Rowena, uma esnobe adolescente britânica, o Detetive Grathan e um assustador feiticeiro. Nas montanhas, os animais estão fugindo de uma força misteriosa. Já na mansão, os animais estão se comportando com uma agressividade sobrenatural. Serafina deve desvendar o mistério antes que seja tarde demais. Em “Serafina e o Cajado Maligno”, segundo livro da série, Robert Beatty continua a construir um mundo mágico e fascinante, com uma história cheia de ação, suspense e reviravoltas de tirar o fôlego.

E temos a segunda aventura de Serafina, a garotinha que tem muita vontade de aventuras e alguns poderes! Mas calma, não vou dar spoilers gratuitamente, mas essa é a resenha do 2º livro da série, então obvio que haverão alguns pontos que mencionarei do 1º livro, “Serafina e a Capa Preta” – e você pode ler minha resenha sem spoilers clicando AQUI.

Serafina e o Cajado Maligno” começa apenas três semana depois dos eventos de “Serafina e a Capa Preta”, o 1º livro da série no qual Serafina, uma garotinha que vivia no porão da mansão Biltmore com seu pai, funcionário que cuidava das máquinas na casa. Serafina era a C.O.R da grande casa: a Caçadora Oficial de Ratos. Possuidora de grandes reflexos, a garotinha de 12 anos vivia aprontando pela casa, escondida de todos que não sabiam da sua existência, até que é jogada em uma aventura de vida ou morte contra o misterioso homem da Capa Preta, descobrindo que ela na verdade tem uma herança parte felina e que por isso consegue caçar os pequenos roedores tão bem, enquanto ela faz amizade com Braeden, o sobrinho dos Vanderbilt, donos de Biltmore. E com tudo isso já estabelecido, iniciamos uma nova aventura no mundo de Serafina.

Naquele momento, parada em cima da rocha alta e pontuda, um pavor sombrio se infiltrou em seus ossos. Ergueu o olhar para onde os pássaros tinham voado, e depois na direção de onde tinham vindo. Fixou o olhar além do topo da floresta ensombrecida. O cérebro de Serafina tentava resolver aquele mistério. Foi então que ela percebeu o que se passava.
As aves não estavam migrando.
Estavam fugindo.

Serafina continua a personagem deliciosa que conduz a narrativa mais uma vez. Voltando a sua vida simples de antes, a pequena já começa a narrativa fazendo seu “serviço” e caçando um rato, fazendo uma analogia que nem sabia que iria recair sobre ela naquela aventura: de como quem está sendo caçado termina ficando paralisado de medo em alguns momentos de sua vida. Como já falei, a própria Serafina vai se ver nesse lugar muito antes do que o leitor pode esperar, sendo caçada e invertendo seu lugar de caçadora, tendo de fugir de cães raivosos e em uma cena muito, muito sinistra – mais uma vez. A trama começa rápido e você não demora a ser jogado em mais aventura intensa.

Apesar de tudo que passaram durante a aventura do 1º livro, Braeden está bastante afastado de Sera, que sente muita falta do amigo. Logo descobrimos que há uma nova convidada na mansão chamada Lady Rowena Fox-Pemberton, uma garota inglesa que claramente se acha superior a Serafina por ser uma lady e acreditar que a garotinha traz muitos problemas, além de não saber realmente se comportar entre os outros. Confesso que essa parte do enredo foi, de longe, a coisa que menos gostei porque a principio parecia muito uma disputa pela atenção de Breaden, mas acho que todo mundo já esperava mais do enredo – e ganhamos isso.

O rosto do homem estava encoberto pela aba caída do chapéu. Porém, quando ele inclinou a cabeça em direção à lua, Serafina prendeu a respiração. Os olhos prateados, despontando do rosto endurecido e marcado, reluziam de poder. A boca se abriu vagarosamente como se ele tentasse aspirar a luz da lua. Justo quando ela pensou que ele fosse emitir alguma palavra, o homem soltou o grito sibilante mais apavorante que ela já tinha escutado. Foi um berro longo e áspero. E naquele exato momento uma coruja branca como um fantasma apareceu voando por cima das árvores, a batida de suas asas completamente silenciosa. A ave respondeu ao chamado do homem com um guincho horripilante. O som provocou uma tenebrosa explosão de calafrios descendo pela coluna de Serafina. E, quando a coruja voou bem perto de Serafina, seu rosto achatado e sinistro girou na direção da garota, como se estivesse procurando, caçando. Serafina se deitou na terra como um camundongo amedrontado.

Enquanto está justamente tentando fugir das coisas ruins que estão acontecendo com ela e como até mesmo seus amigos estão começando a desconfiar dela, Serafina encontra Waysa, um garoto que vai lhe ajudar em um momento de necessidade e vai descobrir mais ainda sobre seu passado. Já fomos apresentados a mãe de Serafina no final do livro antecessor, mas e o pai biológico dela? Aqui vamos descobrir quem ele e de onde vem algumas novas características que a garotinha está desenvolvendo tudo enquanto ela está lutando para ficar em segurança, manter quem se importa também em segurança e ainda fugir do Detetive Grathan, que chegou a Biltmore para investigar o sumiço do homem da capa preta, ainda desdobramentos da aventura passada.

Loga a coisa está tão fora de controle que Gideão, o famoso cachorro de Braeden que adora Serafina, a ataca de uma forma bastante violenta. As cenas de luta que Serafina se envolvem nesse livro são mais intensas e mais fortes do que no primeiro, e isso também me trouxe certo incomodo porque somos constantemente lembrados que Serafina é uma pré-adolescente. Mas, assim como no 1º livro, temos uma narrativa repleta de lúdico e fantasia, fazendo a personagem fazer paralelos fortes com o famoso “encontrar seu lugar” no mundo, o que é delicioso de se ler. Ver o desenvolvimento da personagem foi algo que foi ótimo de ler, mas a narrativa também teve falhas, como Braeden, que mesmo com alguns “motivos”, pareceu regredir em alguns pontos da narrativa, não estando perto de Sera quando ela mais precisava, mas entendo que ainda tem mais livros na narrativa para desenvolver os personagens e seus relacionamentos mais ainda.

Do que ocê tá falando?!?– perguntou o pai, encarando a filha, que exibia uma expressão grave nos olhos. Houvera um tempo em que ele não dava ouvido às histórias dela, mas esse tempo ficou no passado.
Apesar disso, na hora em que ele expôs a pergunta, Serafina percebeu como seria difícil explicar tudo o que ela havia descoberto.
Descobri uma coisa horrível na floresta, e ela está vindo para cá – respondeu Serafina. – Só tenha cuidado, Pa. E me conta se vir qualquer coisa estranha, está bem?

A narrativa ainda continua com o ponto de vista de Serafina apesar de não ser narrado por ela, e vamos descobrindo todo o mistério junto com a personagem, com capitulo curtos e que fazem com a leitura seja muito, muito rápida. Apesar de ser um livro com muito mais ação do que o primeiro, o autor continuou com o mesmo tom mágico que tanto me encantou no livro de abertura. Para quem ainda não conhece os livros da série, eles contem imagens e a diagramação é, sem sombras de dúvidas, uma das melhor que já vi.

A magia está aqui, presente mais uma vez em uma história que seria para crianças, mas atinge todo leitor que ame boas histórias com personagens cativantes, repleta de aventuras e boas explicações. Serafina está se tornando mais madura e é ótimo ver a amizade crescente entre a personagem e Essie, a funcionária mais nova que já houve em Biltmore, e foi a última passagem das personagens juntas que fez meu coração ficar quentinho. Então fica aqui minha recomendação para uma fantasia que é capaz de falar a criança que há em você e que gostaria de conhecer outros mundos, e, quem sabe, até mesmo salvá-lo.

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