13.08

Sinopse: Xerxes tem um grave problema: seu cérebro não retém fatos recentes. Cinéfilo patológico, relaciona tudo o que vive a filmes e novelas de que se lembra. Por orientação médica, exercita a memória escrevendo sobre sua antiga paixão pelo futebol, detendo-se na trajetória da Ponte Preta em 1977. Enquanto isso, ele se envolve na busca de um boticário desaparecido num obscuro vilarejo perdido no tempo.

Alternando pontos de vista narrativos, o ritmo e a linguagem pop amarram o leitor ao atormentado protagonista em sua alucinante viagem ao tempo, reescrevendo a mítica decisão de 1977 e revivendo filmes e novelas clássicas dos anos 70.

Xerxes é o protagonista de “Um Lugar Chamado Pambenil” e eu posso dizer com toda a certeza do mundo que nunca, em toda minha vida, eu li um livro com um protagonista tão não-confiável como ele. Dito isso, eu também queria deixar claro que ele se tornou um protagonista que eu adorei do início ao fim, agora deixem que eu explique o porque:

“Um Lugar Chamado Pambenil” conta a história de Xerxes, esse personagem que tem um sério problema de reter memórias recentes (e sinceramente eu me identifico tanto com essa perda de memória dele que até me assustou um pouquinho) e então, pra ele, é muito mais fácil usar filmes que ele viu a vida inteira como formas de ilustrar coisas que estão acontecendo, pegando pequenos pedaços desses filmes e transformando tudo na memória que ele teria guardado ali sobre aquele momento.


“Não consigo esconder o que estou pensando, não sei fingir. Por isso que sou desajustado. Só se convive bem se as pessoas sabem disfarçar o que sentem. Saber fingir é a qualidade mais importante que alguém pode ter.”

Porém, por ter esse modo de pensar, é justamente o que faz Xerxes ser a pessoa menos confiável do mundo sobre os fatos que vão acontecendo durante o livro: chega um ponto em que nós não sabemos o que realmente aconteceu e o que a mente dele criou sobre aquela situação – e graças a Deus ao ponto de vista de sua psicóloga que temos no livro para nos ajudar a desvendar o mistério do que é realmente real para o que não é.

Só que, ao mesmo passo em que você sabe que você não pode confiar nesse narrador, você QUER confiar nele, porque a forma como ele vê tudo se desenrolar faz um sentido tão absurdo que não pode ser de outra forma e se fosse, seria bem desanimador.


“Amor, traz uma cervejinha pra gente”. Quem é que usa ‘amor’ e ‘cervejinha’ na mesma frase? Cara leitora inserida neste caso, saiba que gostar de futebol não implica, necessariamente, ser troglodita. Elimine seu marido, metaforicamente ou não, e, uma vez livre para realizar-se como pessoa normal e equilibrada, você certamente passará a gostar de futebol.”

Xerxes vai até a casa de seu amigo Humberto e não o encontra lá, mas encontra uma caixa que o amigo deixou para ele com várias cartas em uma espécie de busca de tesouro para que ele encontre a cidade de Pambenil, uma cidade muito tempo esquecida e praticamente apagada do mapa, onde as pessoas simplesmente não assistem televisão e principalmente: é a única parte do Brasil em que não se fala sobre futebol, porque todos os habitantes da cidade não ligam para nada – e nem gostam de nada referente a futebol. Também nessa cidade muitos anos antes, o boticário de lá aparentemente pirou ao ser chamado para estar nas cadeiras de uma academia de escritores muito esquisita e depois de um discurso inflamado de ódio, ele desapareceu da cidade e ninguém nunca mais ouviu falar sobre ele.

Sabendo que Xerxes quer escrever um livro, Humberto deixou para ele essas “pistas” para ele encontrar a tal cidade e quem sabe escrever sobre o boticário e sobre a cidade, criando assim um grande novo livro. E lá se vai Xerxes, não acreditando nem por um minuto que tal cidade existe, atrás desse “tesouro” de história que pode ou não ter acontecido.


“A memória é cheia de corredores com portas que não sabemos onde vão dar.”

E o que acontece a partir daí, vocês me perguntam? Isso é algo que você com toda a certeza precisa ler pra saber, porque cada desdobramento dessa história, te deixa mais curioso ainda para saber o que virá.

O livro é dividido em alguns pontos de vista: nós temos o ponto de vista de Xerxes, obviamente, temos o da psicóloga dele como já mencionei, mas também temos o ponto de vista do “pontepretano”, o garoto Juninho que fica narrando sobre os anos do futebol e da Ponte Preta. E, como eu mencionei acima, Xerxes é muito, muito, muito não confiável. Mas ele é tão engraçado e é tão charmoso que você mesmo acaba caindo nas histórias que se passam na cabeça dele.


“Quem não guarda mágoa ou é mentiroso ou nunca foi apresentado a si mesmo.”

Eu fui aceita para ler esse livro como parte da Leitura Coletiva pela Agência LC e num dos debates sobre o livro muitas teorias foram criadas porque todo mundo estava curioso demais para saber o que acontecia por ali. Eu queria dizer que eu acertei pelo menos uma das minhas teorias: não foi 100% como eu imaginei, mas em partes foi sim. E essa leitura foi uma das leituras mais gostosas do ano pra mim, porque tudo que eu queria é saber o que era real ou não.

Eu realmente acho que todas as pessoas deviam dar uma chance para essa história e para o seu final que é tão maravilhoso e encaixa tão direitinho com tudo que vemos acontecendo, que eu tenho certeza que ninguém vai se arrepender.

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