21.05


“Destruidor de mundos” (Destruidor de mundos #1)
Victoria Aveyard
Tradutores: Guilherme Miranda e Lígia Azevedo
Seguinte – 2021 – 560 páginas

Ano após ano, Corayne assiste sua mãe, uma célebre pirata, partir para o alto-mar e desbravar todos os reinos de Todala, sem jamais poder acompanhá-la. Quando um misterioso imortal e uma assassina de aluguel aparecem dizendo que ela é a última descendente viva de uma poderosa linhagem ― e a única pessoa capaz de salvar o mundo de um perigo iminente ―, ela aproveita a chance para ir em busca de sua própria aventura.

O problema é que o perigo é muito maior do que ela imaginava: um homem sedento por poder, determinado a reabrir os portais que, no passado, levavam para outros mundos, povoados por criaturas sinistras. Com a ajuda de um grupo de bandidos e maltrapilhos, Corayne terá de provar que o heroísmo pode surgir até nos lugares mais inesperados.

Ufa. Ufa no melhor sentido do mundo: quando comecei “Destruidor de Mundos”, eu me senti perdida por várias páginas e não foi porque a escrita estava ruim, o ritmo lento ou os personagens desinteressantes, mas porque era muita informação, e livros, quando já começam com tantos dados assim, tem a tendência de te sobrecarregar e afastar da leitura. Mas, ufa, “Destruidor de Mundos” engata de um jeito, mas de um jeito, que quando a leitura termina (depois de 560 páginas!), você já decorou os nomes dos personagens, as suas regiões natais e para onde querem ir, os nomes próprios e tudo mais, porque sim, Victoria Aveyard escreveu um livro repleto de magia, ação, destinos inesperados e personagens cativantes que te prendem de uma forma que você não quer largar o livro, tudo envolto em uma ambientação medieval. Então vou terminar de enrolar e vou direto ao ponto: a trama do livro é boa. MUITO boa, então sim, você deve se empolgar para ler – e ler o quanto antes.

Então, em poucas linhas, vou te dizer do que o livro se trata, sem qualquer spoiler: sabe quando o grupo destinado a salvar o mundo, formado por grandes heróis, sai em uma missão e entra naquela luta contra o vilão malvado e seu exército, sendo que o grupo destinado à salvar o mundo está em menor número, mas, ainda assim, com muito suor e esforço, eles vencem e conseguem vencer? Porque é assim que acontece em diversos livros e filmes, certo? Mas, e se… eles perdessem? E se fosse uma emboscada muito bem pensada? E se eles morressem? E se o grupo destinado a salvar o mundo perdesse a batalha “final” e condenasse o mundo à escuridão? Existe um grupo B disposto a tentar lutar a mesma batalha? Existe um plano B? Quem se arriscaria em tal empreitada? É nesse lugar, como os heróis “sobressalentes”, que temos nossos protagonistas de “Destruidor de Mundos”.

Nenhum mortal vivo tinha visto um Fuso.
Ainda existiam ecos, em lugares lembrados ou esquecidos, em pessoas tocadas pela magia, criaturas descendentes de outras esferas. Mas fazia uma era que nenhum Fuso era queimado. O último fora mil anos antes. As passagens se fecharam, os portais se trancaram. A era da travessia chegara ao fim.
Todala era uma esfera solitária.
E assim deve ser, Andry Trelland pensou. Pelo bem de todos.

Destruidor de Mundos” é o 1º livro do que promete ser uma trilogia e chega muito, muito forte, com trama intensa, personagens que marcam e reviravoltas (algumas esperadas, outras não). Ainda assinalo a diversidade dos personagens: temos diversos personagens com diversas cores e ainda diversas sexualidades. Tudo importa e torna o livro mais interessante ainda de se ler porque vamos ser sinceros: ninguém quer ler um livro sem representatividade nos tempos atuais.

Nessa luta que os vilões ganham, que acontece no prólogo, conhecemos Taristan, o grande vilão desta trama, e seu aliados Ronin, o feiticeiro Vermelho. Claramente uma dupla trabalhando junta, eles estão no domínio de toda batalha na qual também conhecemos Andry Trelland, um jovem escudeiro que faz parte do grupo “principal” de heróis, formados por humanos comuns (como ele) e os chamados anciões ou vederes (como se chamam), que são seres basicamente imortais que estão exilados vindos de outro reino (que, na verdade, é outro mundo) e que estão exilados há tanto tempo que há gerações que não conhecem Glorian, seu Reino de origem. Esse grupo está representando variados reinos, tudo para defender Todala, o mundo no qual vivem. O que Taristan deseja é abrir o fuso, que é basicamente um grande portal (entenda, eu estou simplificando bastante as coisas para melhor entendimento desta resenha) para esses outros mundos – que aqui são Reinos. Entendeu o nome do livro agora? Destruidor de mundos é porque Taristan está claramente querendo abrir estes portais, fazendo seres mortais e perigosos de outros reinos invadirem Todala, causando a sua destruição. E é o que aconteceu nessa batalha inicial: seres horrendos derrotam o grupo de apenas 13 notáveis heróis.

Começamos com o ponto de vista de Andry, que é o escudeiro de Sir Grandal, o qual morre em batalha. Em um momento heróico nesta batalha, Domacridhan, sobrinho da monarca de Iona, indica que Andry deve pegar uma poderosa espada de fuso que caiu das mãos de Cortaeal, o herdeiro de Cór, e fugir dali. O escudeiro, apesar de envergonhado, faz isso, e acredita ser o único sobrevivente daquele massacre. Em seguida, no porto lemartano, somos apresentados a Corayne an-Amarat, a filha da temida pirata Meliz an-Amarat. Uma jovem destemida, que controla os negócios de sua mãe em terra firme enquanto a mulher se aventura pelo Mar Longo, Corayne tem uma inquietação e um desejo grande por aventuras dentro de si, querendo se juntar a tripulação de sua mãe em seu barco, que nega veemente. A típica garota que você, acostumado a ler livros de fantasia, acredita que está destinada a grandeza e que ainda não sabe.

É bom reconhecer seu próprio valor. Especialmente num mundo onde a aparência das mulheres valia tanto quanto suas habilidades. Corayne nunca convenceria um guarda de frota com uma jogada de cabelo. Mas a moeda certa nas mãos certas, mexer os palitinhos certos na hora certa… isso Corayne sabia fazer, e fazia bem.

Entretanto, desde o começo, sabemos que Domacridhan não morreu na batalha, sendo o outro único sobrevivente. Sofrendo com a dor da humilhação e de ter visto seu grande amigo Cortael morrer sem ter conseguido ajudá-lo e ainda chocado com a aparição de Taristan (calma que já falo mais sobre o vilão), Dom consegue chegar ao Reino de Iona, quando conta tudo que aconteceu para sua tia, a Rainha Isibel – e ela, para sua grande surpresa e decepção, manda um belo de um: “Não temos nada a ver com isto, vamos voltar para nosso Reino Glorian, já como estão abrindo o fuso!”. Sua prima e filha da Rainha, Ridha, no entanto, aceita sair avisando a todos os reinos de Todala, tentando juntar um exército aliados para lutar contra o exército de Taristan.

Já Andry está em Galland e também contou o que aconteceu a sua rainha, Erida, que tem 19 anos e já está mais do que ciente dos jogos reais aos quais foi sujeitada em seus 4 anos de reinado. Erida também está prestes a escolher seu noivo, enquanto escuta tudo que Andry sofreu com a crueldade do exército dos vilões. Enquanto isso, Dom decide ir contratar um mercenário para conseguir encontrar uma garota que é a herdeira de Cortael e que somente ela pode empunhar a espada que Andry conseguiu resgatar da batalha perdida e não contou a ninguém, nem mesmo a sua rainha. Dom tem um encontro explosivo com Sorasa Sarn, que é a mulher que irá contratar para realizar o trabalho desejado. Aposto que você já começou a entender que os destinos de Corayne, Andry, Dom e Sarn. vão se cruzar. E você não está errado em assumir nada disso, mas sabe aonde “Destruidor de Mundos” é absurdamente honesto com você? Não temos capítulos de enrolação sobre quem seria o pai de Corayne, não a temos lutando para aceitar seu “destino” e também não temos perda de tempo em juntar quem precisa se encontrar – mas também não espere uma trama corrida porque tudo aqui é muito bem construído e o grupo, formado por estes 4 personagens que se juntarão à outros 3, não funciona de cara e nem facilmente: cada um tem uma personalidade completamente diferente do outro, expectativas com aquela empreitada e, principalmente, motivação. E acho que é isto que precisa saber sobre a trama.

Não perguntarei como morreram. Posso ver que isso é um peso para você, sobrinho — disse Isibel, monarca de Iona.
A voz de Dom embargou.
Eu fracassei, milady.
Você viveu— Ridha disse, entre dentes, tristeza estampada no rosto.
Vivi enquanto os outros morreram, por motivos que não consigo conceber. Os Companheiros da Esfera passaram diante de seus olhos, alguns já desaparecendo de sua memória. Mas não os vederes, muito menos Cortael, que ele conhecia desde a infância mortal.

Eu estou tendo problemas em editar essa resenha porque tem muito, muito mesmo que eu quero comentar, mas não vou evitar de falar sobre os personagens, que são, definitivamente, um show a parte. O mundo criado é empolgante, desbravador, complexo, mas nada disso iria adiantar sem bons personagens para o habitarem, e Victoria entrega uma leva grande de personagens que são gostáveis no sentido real e amplo do significado da palavra: você vai gostar deles em algum ponto, mesmo que você acredite, ao conhecer alguns, que você não vai. Cada um tem sua motivação, como já falei acima, mas não se engane com nenhum deles porque estamos falando de uma autora que fez uma fandom inteira ser enganada por um vilão e o amar mesmo assim em sua série de sucesso (“A Rainha Vermelha”, a qual já resenhei e você pode ler clicando AQUI). Haverá traições, haverá honra, haverá amizades forjadas na convivência, haverá decepções e haverá muito, muito desenvolvimento de relacionamentos, sem foco qualquer em romance: se lembre, os personagens estão tentando ganhar uma luta que grandes heróis já perderam.

E ai preciso falar especificadamente de Taristan e falar que estou esperando vocês o amarem. Aqui não tem reviravolta no enredo, então não precisam ficar com raiva de mim: ele é o vilão declarado desde o começo, mas ele tem uma motivação que fará muitas, muitas pessoas gostarem dele e de seu jeito… difícil de ser. Eu sei que eu gostei dele bastante e, sinceramente, quero conhecer melhor sua cabeça e entender algumas escolhas que ele faz. Enfim, o que eu quero dizer é: se preparem para amar o vilão e até mesmo shippar ele com alguém (não estou brincando sobre!) que é importante para a trama de um jeito que te surpreende e também temos ainda outro vilão com o qual nos preocupar: Porvir. Não se espante se nos próximos livros explorarmos a mitologia dele.

O Porvir, o Rei Destruído de Asunder, o Demônio do Abismo, o Deus Entre as Estrelas, a Escuridão Vermelha. — Ela inspirou, trêmula. Cada um desses nomes fez um calafrio percorrer a sala do trono. — Ele é um demônio que ama apenas a destruição, sem nenhum caráter além do abismo.

O livro é grande, fisicamente grande mesmo, com um acabamento brilhoso na espada que faz um efeito de luz maravilhoso (como tem na foto lá no começo da resenha!). Ainda recebi um marcador transparente que confesso que virou meu favorito entre todos e vou usar o tempo inteiro, além do mapa que me ajudou bastante a me situar no começo da trama (e que mostro a foto para vocês abaixo). Acho que vai ser bastante útil para todo mundo, hein!

Gostaria muito de destacar a rapidez que a Editora Seguinte, selo jovem da Companhia das Letras, trouxe o livro para o Brasil. Com 10 dias de diferença, “Destruidor de Mundos” chegou em uma edição que me surpreendeu (e não deveria, conhecendo a Editora como conheço). Me surpreendeu porque esperei encontrar alguns erros, mas não, temos uma edição muito, muito bem traduzida, e faço questão de falar que Guilherme Miranda e Lígia Azevedo fizeram um trabalho incrível: nem ao menos pensamos que foram duas pessoas que traduziram o texto, com termos unificados, o que mostra que o trabalho foi feito em equipe e que deveria ser adotado por outras editoras com muito mais frequência. Eu não canso de falar que a Companhia é uma Editora de qualidade maravilhosa e incrível no atendimento e trato com os leitores e fãs, e este livro (que já está na lista de mais vendidos lá fora) mostra isso: é possível fazer lançamentos simultâneos (ou quase simultâneos) com qualidade, para a alegria dos fãs que não querem tomar spoilers.

Os Fusos são travessias, mas também grandes muralhas entre as esferas. Encontrando e abrindo o número certo, tudo desmorona junto. Foi assim que ele conquistou as Terracinzas. Destruiu suas fronteiras, extirpou as fundações da esfera propriamente.

Preciso tirar aqui um momento para falar o prazer que foi ler “Destruidor de Mundos” porque há muito deixei de ser uma adolescente – já falei isso uma pá de vezes! – e, muitas vezes, quando um livro YA (que aqui cai no gênero infantojuvenil porque não temos “jovem adulto” como gênero no Brasil) era anunciado, havia muito, muito preconceito. Havia muita gente que torcia o nariz e dizia que esse tipo de leitura não poderia nem ao menos ser considerada literatura (!) porque eram livros “mais fáceis de lerem”, “com menos páginas” e “sempre com mocinhas chorosas em busca do amor como personagens principais” – certeza que você já deve ter lido isso por ai até nos tempos atuais, mas, ainda bem, em menor proporção do que há 10 anos – porque este livro desmistifica esta narrativa com maestria. É um prazer ler esse livro porque ele mostra que tudo isso é de uma estupidez sem fim: o livro é um YA sim, mas é também uma alta fantasia. É um mundo medieval, repleto de seres únicos criados, seres diferentes, magia e muita, muita ação, sem romance à primeira vista e uma narrativa bastante complexa. Sim, o livro é COMPLEXO e eu acho até que algumas pessoas terão dificuldade de acompanhar a leitura porque são muitos nomes novos de todos tipos, e mesmos o que não é “novo” tem outra nomenclatura aqui. Você vai precisar de paciência e calma para se habituar e ainda esperar personagens que estão no grupo principal lá pela página 120 – sim.

E falo tudo isso como o maior elogio do mundo. Victoria Aveyard mostrou que confia em seus fãs, que quer se aventurar e criar seus mundos da forma como ela poderia participar de uma grande aventura dessas, e ainda afirmo, com toda certeza do mundo, que a sua grande inspiração foi sim, “O Senhor dos Anéis” – e você pode achar ambicioso demais, afinal, a obra de JRR Tolkien é considera um clássico por todos leitores do mundo, mas aqui não temos a pretensão de nascimento de um clássico, e sim a aproximação de leitores à outros grandes mundos. Aveyard está lhe convidando para participar desta aventura, e você, querido leitor, deveria participar: destrua mundos, ajude a evitar a destruição deles ou ainda ajude a construi-los. Só embarque! E, para isso, basta você pegar um livro e abri-lo.

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2 comentários em “Resenha: Destruidor de mundos – Victoria Aveyard”



  1. Larissa Oliveira disse:

    Estou lendo ele agora e estou na página 150, e a única coisa que eu queria saber é: quem é que tem romance com vilão?! KKKKKKKK

  2. Laura Maria Barbeito Mattos disse:

    Acabei de ler nesse momento. O livro nos envolve e prende. Fiquei tensa em vários momentos. Difícil me apaixonar por Taristan. Vou ficar devendo. E que chegue logo o próximo.



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