30.04

Sinopse: TUDO PARECIA CALMO E COMUM NA SUPERFÍCIE… MAS NO FUNDO ERA O INICIO DE UMA REVOLUÇÃO!

Esqueça as histórias sobre sereias que você conhece. Esta é uma história diferente — e necessária. E tudo começa no fundo do mar. Com uma garota chamada Gaia, que sonha em ser livre de seu pai controlador, fugir de um casamento arranjado e descobrir o que realmente aconteceu à sua mãe desaparecida.

Em seu aniversário de quinze anos, quando finalmente sobe à superfície para conhecer o mundo de cima, Gaia avista um rapaz em um naufrágio e se convence de que precisa conhecê-lo. Mas do que ela precisa abrir mão para transformar seu sonho em realidade? E será que vale a pena?

A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões chega para trazer um pouco mais de contos de fadas para a linha DarkLove, da DarkSide® Books. Mas não do jeito que você espera; aqui, a história original de Hans Christian Andersen — e também suas versões coloridas e afáveis em desenhos animados — é reimaginada através de lentes feministas e ambientada em um mundo aquático em que mulheres são silenciadas diariamente — um mundo que não difere tanto assim da sociedade em que vivemos.

No reino de ilusões comandado pelo Rei dos Mares, as sereias não recebem educação, não têm direito de fala, devem se encaixar em um padrão de beleza impossível e sempre sorrir. É neste cenário que a autora irlandesa Louise O’Neill apresenta uma história sobre empoderamento e força feminina. Com narrativa e olhar afiados, a autora ainda desenvolve aspectos do conto original que passaram batido, como o relacionamento de Gaia com as irmãs e as camadas complexas da Bruxa do Mar.

A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões, que chega ao mundo acima da superfície da água com o padrão de qualidade que virou marca registrada da DarkSide® Books, mostra como, em um reino comandado pelo patriarcado, ter uma voz é arriscado. Mas também como querer usá-la é uma atitude extremamente poderosa e valiosa. Ainda mais em tempos tão sombrios.

Se você já viu o desenho animado da Disney “A Pequena Sereia”, você já sabe como funciona a história: uma sereia que sempre teve curiosidade de conhecer o mundo humano e saber como tudo é do outro lado, fora do mar. Em “A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões”, Gaia é a filha mais nova do Rei dos Mares, um homem que cria todas elas com pulso firme (e de uma forma um tanto machista) e que não deixa que as filhas tomem as próprias decisões, não tolera atrasos e tudo, absolutamente tudo, tem que ser do jeito dele pois não aceita ser contrariado em nada.

A unica coisa que ele libera as filhas é, no dia do 15º aniversário, elas podem subir até a terra e ver com os próprios olhos como a vida lá em cima é, para que elas vejam como o mundo dentro da água é muito melhor do que fora, o que de fato aconteceu com todas as irmãs de Gaia: elas foram, olharam e decidiram que definitivamente não estavam perdendo nada ficando ali sob as asas do pai e da avó por parte de mãe que toma conta delas.

O problema começa porque o mesmo não acontece com Gaia. Todos da família sempre souberam da fascinação que a sereia tinha pelo mundo humano e por tudo que vinha de lá e, obviamente, quando ela pode contemplar pela primeira vez o que tinha lá em cima, ela ficou completamente encantada não só pelas coisas que viu, mas também por um garoto que ela viu lá, se apaixonando completamente por ele no mesmo segundo. E, no dia que ela vai, acontece uma tempestade e quando as Salkas (vou falar delas mais adiante) atacam os humanos – incluindo o garoto por quem Gaia se apaixonou, ela intervem por ele, não querendo que elas o matem também.

“- E por que não? – pergunta ela, sua língua abanando sobre os dentes. – Por que eu deveria poupar este homem?
– Eu…
– Não seja tola, pequena sereia – murmura ela. – Os homens humanos não lhe trarão nada além de dor.”

Depois desse encontro, Gaia retorna para o Reino do Mar, mas fica nítida a mudança nela, que não consegue esquecer esse garoto e quer encontrar ele novamente a todo custo. Além disso, Gaia também é noiva de um general de seu pai, que tem a idade justamente para ser o pai dela, e visita ela todas as noites, querendo fazer coisas ruins com ela, o que é mais um dos motivos – e o que eu achei completamente valido – pra ela fugir daquele lugar.

Então, uma noite, Gaia decide ir até Ceto, que é conhecida como A Bruxa do Mar e que é a líder das Salkas – que são mulheres que morreram por algum tipo de desgosto e então se tornaram sereias, mas que atacam embarcações e hipnotizam os homens com seus cantos para matarem eles – para pedir ajuda a ela para viver com os humanos, para ter pernas e poder ficar entre eles e ela concede isso, com dois preços: o primeiro é que ela tem que fazer o rapaz por quem é apaixonada, Oliver, se apaixonar por ela ou então ela não perde apenas as pernas que adquiriu, mas também a própria vida. E a segunda é a voz dela. (E, novamente, se você viu “A Pequena Sereia”, é bem similar, mas também é horrenda a forma com que a fala é tirada de Gaia).

Claro que ela aceita os termos da bruxa, mas será que ela realmente conseguirá fazer o que é necessário para se tornar realmente uma humana?

“As mulheres sempre levam a culpa. Você já notou isso? As esposas são as implicantes. A amante é uma piranha por trair a irmandade. E os homens sempre saem pela tangente. Criamos expectativas tão baixas em relação a nossos rapazes, não é mesmo, Grace?”

Eu preciso ser sincera e dizer que “A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões” não funcionou pra mim. Eu não sei dizer se é porque eu criei uma expectativa enorme em torno desse livro ou se porque a protagonista era tão novinha, eu não conseguia me conectar com ela e achava absurda a forma de pensar dela.

Eu entendo que o livro não era para ser uma protagonista que era “desconstruidona” desde o inicio até porque quem realmente é assim, não é? Todo mundo passa pela adolescência (e eu acho lindo de verdade ver adolescentes que hoje em dia tem uma mentalidade muito mais avançada do que a que eu tinha nessa fase da vida, mas nem todo mundo é assim) e todo mundo precisa se desconstruir e aprender coisas novas e o fato de Gaia ter sido criada a vida inteira para ser submissa obviamente ajudou ela a ser como era o livro inteiro basicamente, mas eu não consegui impedir ficar com uma certa birra dela.

“Alguns homens têm muito medo de mulheres, minha criança. E esses homens são os que mais nos desejam, e são os mais perigosos quando não conseguem o que almejam. (…) E então eles nos culpam, do jeito que os homens sempre culparam as mulheres, por lhes incitar a luxúria, por alimentar sua ganância insaciável por algo que não podem possuir.”

Claro que era uma jornada, uma que levaria a ver a vida de outra forma, mas isso não acontece no livro TODO. Ela passa o livro todo com os mesmos pensamentos, com a mesma ideia, com a mesma forma de agir. Só meio que no ultimo capitulo, quando a vida dá uma porrada na cara dela, que ela enfim entende que não tem que ser tudo como era pra ser. (E bem, eu entendo MESMO que é pra ser uma jornada, mas é difícil ficar seguindo essa jornada quando não tem nenhuma evolução de pensamento até acabar).

Além desse problema obvio de falta de evolução por parte da Gaia, que só no ultimo capitulo REALMENTE tem um desenvolvimento, me incomoda que tem muitas coisas que estão obvias, na cara dela e ela parece não querer ver. É aquele ditado “o pior cego é aquele que não quer ver” que é muito bem aplicado aí. Ela tem uma noção de certas coisas, tem coisas que acontecem que incomodam ela, mas ela prefere fazer a Sandra Bullock em “Bird Box” e tapar os olhos pra fingir que nada disso está acontecendo.

“É o seu pai que tem insistido em me chamar de ‘bruxa’. Este é simplesmente um termo que os homens dão às mulheres que não têm medo deles, às mulheres que se recusam à submissão.”

Tirando todo meu problema com a personagem principal, uma personagem que eu gostei muito, mas que não aparece tanto quanto eu queria, é Ceto, a bruxa do mar. Ela é uma personagem muito interessante, além de ser absurdamente inteligente com as coisas que faz e que fala. Tudo que ela tenta ajudar Gaia a abrir os olhos tanto no inicio do livro quanto no final, me fizeram ficar muito interessada nela.

E também toda a mitologia do livro, as ideias completamente diferentes de sereias e de como elas são vistas e por trás disso toda a critica que tem ao nosso mundo realmente que prefere que as mulheres fiquem caladas e não se rebelem, foram coisas que fizeram a pena ter lido o livro. Eu me encantei muito com toda a historia por trás das Salkas, de como elas são criadas e como elas, no final das contas, são frutos de um mundo machista que apenas maltrata as mulheres, é muito fascinante.

”- Eu moro na escuridão porque lá posso ser genuína, e viver genuinamente é a coisa mais importante que qualquer mulher pode fazer. – Ela inclina a cabeça para o lado – Mas exige coragem, e não somos ensinadas a sermos corajosas, somos? As mulheres são ensinadas a obedecer às regras.”

Outra coisa que eu também gostei bastante foi o final do livro, a forma como tudo foi resolvida, eu achei bem satisfatória e realmente não via acontecendo de nenhum jeito diferente. Além de, é claro, a edição da Darkside ser absolutamente maravilhosa e feita com bastante capricho, como sempre fazem.

Minha conclusão é que: eu acho que é tudo uma questão de gosto. Eu vi muitas pessoas que gostaram bastante do livro, vi muitas pessoas que também não gostaram bastante assim como eu, então não funcionou pra mim, mas certamente pode funcionar para outra pessoa e podem gostar bastante e se você acha que é um livro que vai te interessar, vá em frente e leia! (E depois venha conversar comigo, gostando ou não, pra gente debater esse livro!)

Para comprar “A Pequena Sereia e O Reino das Ilusões”, basta clicar no nome da livraria:

Amazon, por R$ 52,10.
Submarino, por R$ 54,90.
Martins Fontes, por R$ 54,90.

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