18.06

“ O Dia em que o Presidente Desapareceu”
Bill Clinton e James Patterson
Record – 2018 – 504 páginas

Um dos livros mais esperados do ano, escrito pelo mestre do thriller, James Patterson, e pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.

O presidente desapareceu.

O mundo fica em estado de choque.

Mas o motivo do desaparecimento é muito pior do qualquer um pode imaginar.

Com detalhes que só um presidente poderia conhecer, e o tipo de suspense que só James Patterson é capaz de criar, surge um dos maiores thrillers dos últimos tempos.

A sinopse entrega tão pouco do livro que sinto que se qualquer coisa que eu fale vai ser um spoiler, mas fiquem tranquilos: vou tomar cuidado pra não soltar nada que realmente afete a leitura de quem só sabe sobre o livro a sinopse, até mesmo porque foi meu caso, mas sim, o Bill Clinton que consta como co-autor é o ex-presidente dos Estados Unidos da América.

O Dia em que o Presidente Desapareceu” é o típico livro de ação com uma intricada trama politica e terrorismo se passando ao fundo. A personagem principal é Jonathan Lincoln Duncan – ou melhor, Presidente Duncan – o qual é o presidente do titulo e possui grande parte do ponto de vista em 1º pessoa contando a história: depois de tomar algumas medidas bastante impopulares e “sumir”, o Presidente está a beira de sofrer um impeachment orquestrado pelo Presidente da Câmara (calma, o livro se passa nos Estados Unidos e apesar de estarmos familiarizados com essa trama, temos de focar no outro país), o qual claramente está profundamente mal intencionado e quer mesmo derrubar o pobre presidente.

Onde é que eles vão buscar essas bobagens todas? Tenho de reconhecer que é sensacional. E sensacional sempre vende mais que factual.

Duncan é um herói clássico: repleto de boas intenções e disposto a morrer por seu país, não quer colocar ninguém em risco e toma uma serie de atitudes impensadas que provoca justamente isso. Ciente de que alguém em sua equipe vazou o que é conhecido por “Idade das Trevas”, nosso herói conta o tempo para evitar que esse ataque se concretize e todos Estados Unidos da America caia de joelhos diante de Suliman Cindoruk, um terrorista que obviamente quer destruir o país dos Ianques.

Abro os olhos. Respiro fundo, esperando que meu coração se acalme. Mas isso não acontece. Ele bate ainda mais rápido.
Eu sei qual é a resposta. Sabia desde o início. O que buscava não era a resposta. Estava buscando uma justificativa.

Falando assim parece um livro bem simplório, mas na verdade a trama se complica tanto que existiram momentos que eu simplesmente embarquei e parei de tentar racionalizar demais, porque normalmente filmes de ação provocam isso no telespectador: cenas de perseguições, tiros e afins na parte de ação, enquanto a parte politica é extremamente completa e bem construída, o que me faz dar a nota que no final o livro recebeu. Na tentativa de minimizar o lado heroico (no sentido físico da coisa) de Duncan, os autores deram a ele uma doença pouco conhecida do público, mas que me fez questionar mais ainda como o homem estava tendo saúde pra enfrentar tudo aquilo. Ainda existe algo que preciso dizer que é um ponto negativo gigantesco: os capítulos do livro são curtos demais e é daquele tipo que irrita de tão curto. Não tenho problema com isso, mas, nesse caso especifico, fiquei irritada porque capítulos eram cortados no meio da frase, parecendo que estava entrando o comercial no meio de um capitulo da novela.

Não há como não entender os paralelos do livro com a vida real: co-escrito pelo ex-presidente Bill Clinton, que entende as minucias do poder norte-americano e também a forma como eles fazem sua politica, o final do livro nos leva a “receber uma dica” sobre a ultima eleição de seu país, aonde sua esposa, Hillary Clinton, perdeu sob a suspeita de interferência Russa.

Nossa democracia não sobreviverá à atual tendência ao sectarismo, ao extremismo e ao ressentimento. Atualmente, prevalece nos Estados Unidos a ideia de “nós contra eles”.

No final das contas, o livro é divertido e tem mais acertos do que erros, já como você não quer os Estados Unidos explodidos (na verdade, não, é outro tipo de ataque, mas não vou contar qual pra não tirar o suspense) e conta com o fator da não–linearidade para contar sua história em alguns trechos e que fazem com que nossa atenção seja capturada. Há algo aqui bem interessante: a gama de personagens femininas é da mais vasta, desde uma filha inteligente a uma assessora fiel que está com o Presidente mesmo com sua vida desmoronando ao redor, e uma figura que pra mim foi a melhor do livro: a vilã Bach, que foi incrível e o ponto de vista da personagem, além do seu passado, me deram uma vontade de ler um livro sobre você. Realmente um ponto positivo no meio de toda confusão e correria são os papeis de peso para as personagens femininas, que são pivotais e não somente como interesses amorosos. Se você curte um bom livro de ação que te distraia, você precisa ler “O Dia em que o Presidente Desapareceu”, mas, se você curte tramas focadas em desenvolvimentos de personagens e uma trama crível, esse livro provavelmente não é pra você.

Temos de ser melhores que isso! Nós temos divergências sinceras, reais. E precisamos de debates vigorosos. Certo ceticismo é bom. Impede que sejamos ingênuos demais ou cínicos demais. Entretanto, é impossível preservar uma democracia quando o poço da confiança está completamente seco.

O livro foi lançado simultaneamente aqui no Brasil e lá fora, onde está vendendo horrores e antes mesmo de ser publicado, seus direitos de imagem já haviam sido comprados pelo canal Showtime para a produção de uma série de TV baseada. Claro que os autores já entenderam que tem uma possível franquia nas mãos e trabalharam para deixar os caminhos abertos para uma possível continuação.

Para comprar o livro basta clicar na livraria:
Saraiva, por R$ 40,41 usando o cupom LIVRO10.
Amazon, por R$ 43,20.
Submarino, por R$ 36,45.
Livraria Cultura, por R$ 44,40.

Pra quem quiser conferir o book trailer (que também não entrega muita coisa da trama):

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