Resenha: Orgulho e Preconceito – Jane Austen

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Quando se ouve que um livro é considerado um clássico da literatura, muita gente já perde a vontade de ler na hora. Na maioria dos casos, o vocabulário antigo, as formas de se expressar da época e os longos parágrafos descritivos são grandes obstáculos para o leitor moderno. Mas é válido lembrar que nem todos os clássicos são difíceis de ler. Existem vários que são fáceis e maravilhosos! Um grande exemplo deles é Orgulho e Preconceito, da Jane Austen.

Orgulho e Preconceito conta a história de Elizabeth Bennet (Lizzy) e Fitzwilliam Darcy (Mr. Darcy), duas pessoas de classes sociais muito diferentes vivendo na Inglaterra do século XVIII.

Orgulho e Preconceito
Jane Austen
Editora Martin Claret

“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro,  possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de uma esposa.” É nesta realidade inglesa que vivem Elizabeth e suas quatro irmãs. O maior sonho de sua mãe, que é extremamente espalhafatosa e sem modos, é casar bem todas as filhas, assim garantindo a elas um bom futuro, visto que as mulheres da época não tinham direito à herança de seus pais, que iam para o parente masculino mais próximo.

Certo dia, chegam a Hertfordshire, no interior do país, dois belos jovens muito ricos. Charles Bingley aluga a mansão mais bonita e cara da região, acompanhado por sua irmã (Miss Bingley) e por seu melhor amigo (Mr. Darcy).

A mais velha das Bennet, Jane, logo chama a atenção de Mr. Bingley, que conquista a todos com seu jeito gentil, mas Mr. Darcy é considerado por todos um sujeito orgulhoso e desagradável. Desprezado por Lizzy, que não aprova suas maneiras frias e que também ouviu terríveis histórias a seu respeito, Mr. Darcy se descobre atraído pela jovem, por conta de seu forte caráter e inteligência.

Num mundo de aparências e desprezo social, Lizzy e Mr. Darcy vão descobrir que o orgulho e os julgamentos precipitados podem ser grandes inimigos do amor e da felicidade.

Jane Austen, considerada uma das maiores escritoras inglesas de todos os tempos, abre as portas da vida doméstica da Inglaterra do final do século XVIII para seus leitores, expondo seus costumes, suas relações familiares, o desejo pela ascensão social, os arranjos feitos ao redor de noivados e casamentos, os jogos de aparências e os hábitos ridículos de nobres e burgueses, separados pelo preconceito de classes.

Mesmo escrevendo sobre assuntos tão complexos, Austen é conhecida por não desperdiçar o tempo e a paciência do leitor com longas e desnecessárias descrições de personagens e cenários — fato que proporciona uma maior liberdade a quem lê para imaginar e construir a aparência dos personagens.

Sua linguagem também era muito simples para a época, o que torna suas obras muito mais fáceis de se entender e faz com que a leitura seja muito mais fluida. Não é à toa que suas obras foram diversas vezes adaptadas para o cinema. Os diálogos entre seus personagens, por serem rápidos e diretos, por si só já eram praticamente roteiros prontos.

Em Orgulho e Preconceito, Jane Austen chegou ao auge de sua conhecida habilidade de explorar as características psicológicas de seus personagens, através daquele que é um dos personagens mais amados da literatura: Mr. Darcy. Os personagens dela sempre têm algo em comum: a luta pelo amor em meio a regras sociais e casamentos arranjados. Mas, mesmo tratando desses temas, aqui vai uma boa coisa para quem não é lá muito fã do romantismo: Austen é uma autora super avessa ao tom meloso das histórias de amor! Em suas narrativas, ela trata tudo sempre com muita objetividade e uma ironia muito refinada.

Mas, além de tudo isso, o que mais me encanta nessa obra é que não se trata de uma história sobre heróis perfeitos e exemplares, e sim de personagens verossímeis, que são maravilhosos por lutar pelo que querem contra todas as convenções da época e contra seus próprios defeitos.