Data de lançamento no Brasil: 22/03/2018.

Elenco: Nick Robinson, Katherine Langford, Miles Heizer, Keynan Lonsdale, Josh Duhamel, Jennifer Garner.

Sinopse: Aos 17 anos, Simon Spier aparenta levar uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: não revelou ser gay para sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de classe, anônimo, na internet.

Duração: 109 min

 

 

 

Desde a primeira vez que ouvi falar de “Com amor, Simon”, fiquei interessada no filme justamente por ele abordar um tema que precisa continuar sendo discutido cada vez mais nos dias atuais: o espaço e respeito com as minorias LGBT (ainda mais em um país como o Brasil, que é quem mais mata LGBTs no mundo).

“Com amor, Simon”, conta a história de um adolescente de 17 anos interpretado por Nick Robinson (A Quinta Onda e Tudo e Todas as Coisas), que leva uma vida aparentemente normal. Ele vai a escola, tem amigos, uma boa relação com a família e gosta de todas as coisas que qualquer adolescente gosta. Sua vida seria extremamente comum e pacata se não fosse pelo fato de ele ser gay e esconder sua sexualidade de todas as pessoas ao seu redor.

Quando um dos colegas de classe de Simon descobre seu segredo (não vou dizer como, mas, poxa vida, Simon, você é muito boca aberta), ele ameaça o garoto de publicar a verdade em um blog onde conta as fofocas de toda a escola. Para manter o segredo de Simon guardado, o colega pede que em troca, ele o ajude a conquistar uma das melhores amigas de Simon, Abby. O problema é que Abby já está interessada em outro amigo de Simon, Nick. Daí você já pode ter uma ideia da confusão, né? Mesmo assim, Simon concorda em fazer todas as pontes entre os dois para manter seu segredo (cachorrada, né, Simon?). E é aí que a confusão começa a ficar feia.

Ao mesmo tempo, um outro aluno da escola onde eles estudam resolve publicar uma confissão no blog de fofocas, onde conta ser gay. O menino, que se chama pelo apelido de Blue, e Simon, que se chama por Jacques, começam a trocar e-mails, e Simon se apaixona pelo garoto.

A partir desse ponto a história fica realmente interessante e engraçada, porque Simon começa a olhar para todos os colegas ao redor se perguntando quem poderia ser o tal do Blue, e nós, telespectadores, que também não sabemos quem ele é, nos perguntamos a mesma coisa. O filme nos apresenta várias opções, e já posso dizer que a pessoa que descobrimos ser Blue não é a pessoa por quem eu estava torcendo, mas gostei bastante de quem o filme revelou ser também, até porque eles aprenderam muito sobre si mesmos um com o outro, e ambos se incentivaram e deram coragem um ao outro para se assumir (e a cena final deles é MARAVILHOSA E EU QUERIA MUITO FALAR DELA MAS NÃO POSSO).

Deixando de lado a história (antes que eu acabe dando algum spoiler), vamos falar sobre o filme em si e o impacto que um filme desses pode causar. Você já deve estar imaginando que é claro que em algum momento do filme o segredo de Simon vem à tona (o que é péssimo, porque como ele mesmo diz no filme, isso é algo inteiramente dele, que deveria ser respeitado e ele deveria poder contar quando quisesse), e o filme nos dá todos os elementos com que teríamos que lidar em uma situação dessas na vida real: pessoas que estariam ao seu lado, pessoas que não estariam ao seu lado, pessoas que fariam bullying com você, pessoas que te apoiam e o medo gigantesco de contar para família e os amigos. Super admirei a coragem que Simon teve para lidar com toda a situação, como ele encarou de frente, teve medo e superou seus medos, como ele contou para todas as pessoas e como se defendeu em uma situação de bullying.

O filme nos dá algumas cenas interessantes que nos fazem refletir bastante (e acho que esse é justamente um dos objetivos), por exemplo, uma situação hipotética onde o mundo seria diferente e as pessoas teriam que contar aos seus pais que são héteros e não gays. É realmente algo que nos faz pensar: mas se eu não tenho que contar que sou heterossexual, porque tenho que dizer que sou gay? Se o mundo não se choca de saber isso, porque se choca de saber aquilo? Onde isso começou? Qual é a diferença? Porque um é realmente tão diferente do outro?

Acho que a proposta do filme é também motivar as pessoas que se encontram no lugar de Simon, ainda mais em um ambiente tão selvagem e radical e intenso como o ensino médio (onde os adolescentes estão começando a explorar sua sexualidade), a terem coragem de ser quem são. Preciso dizer, entretanto, que para a maioria das pessoas (especialmente no Brasil), as coisas nem sempre são fáceis ou dão certo como aconteceram no filme (e esse foi meu ÚNICO PONTO NEGATIVO do filme porque todo o resto para mim foi impecável).

Sua família nem sempre vai te abraçar e dizer que está tudo bem, que não tem problema nenhum, e que o mundo vai continuar sendo maravilhoso e bonzinho com você. Talvez nem todos os seus amigos façam isso, e não vai ser tão simples principalmente com o resto da sociedade. Mas a mensagem que o filme quer transmitir é clara: você pode ser quem quiser, amar quem quiser, e inclusive ser um ser humano tão cheio de amor que é capaz de se apaixonar por qualquer pessoa independente do sexo que ela tenha. Tenha coragem de ser quem você é, porque as consequências não podem ser piores do que o fato de você anular suas vontades e verdades só para fazer a sociedade feliz. Seus amigos com certeza continuarão sendo seus amigos (se não continuarem, me desculpe, mas nunca foram seus amigos). Sua família vai continuar sendo sua família, mesmo que precisem de um tempo para processar a informação. O maior medo dos seus pais provavelmente vai ser todas as coisas que o mundo pode fazer para você a partir do momento em que você não se esconder mais. E tudo bem, porque o mundo vai mesmo. Mas não vai ser muito mais difícil do que os problemas que o mundo já põe no seu caminho quando se é heterossexual. Você não pode fugir dos problemas, precisa apenas decidir quais são aqueles que fazem a luta valer a pena, e ACREDITE: sua liberdade é um deles.

“Com amor, Simon”, nos mostra também o processo de transformação de uma pessoa que vive com uma parte imensa de quem é escondida por tanto tempo, e de repente passa a ter liberdade para ser inteiramente quem é. Como isso pode libertar alguém, como pode transformar. A sensação incrível de tirar um peso enorme das costas. A sensação de finalmente estar fazendo a coisa certa, e de ser preenchido(a) por uma felicidade sem comparação.

Deixo vocês com essa quote da mãe de Simon que pode até ser um spoiler (então se não quiser saber pare de ler AQUI), mas é absolutamente maravilhosa e uma indicação ENORME: assistam esse filme, mostrem para suas mães, pais, gatos, passarinhos e amigos. Passem a mensagem adiante!

“Ser gay é algo seu. Há partes disso que você tem que enfrentar sozinho. Eu odeio isso. Assim que você se assumiu, me disse ‘Mãe, eu ainda sou eu’. Preciso que você escute isso: você ainda é você, Simon. Você ainda é o mesmo filho com quem eu amo implicar, e seu pai depende de você para quase tudo. E você ainda é o mesmo irmão que sempre elogia sua irmã pela comida dela, mesmo quando está horrível. Mas você precisa soltar o ar agora, Simon. Você pode ser mais você mesmo do que tem sido em muito tempo. Você merece tudo que quer ter.”

 

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