Data de lançamento 24 de novembro de 2016 (1h 56min)

Direção: Dennis Villeneuve
Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker
Gênero Ficção Científica
Nacionalidade EUA
Sinopse: Quando seres interplanetários deixam marcas na Terra, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista especialista no assunto, é procurada por militares para traduzir os sinais e desvendar se os alienígenas representam uma ameaça ou não. No entanto, a resposta para todas as perguntas e mistérios pode ameaçar a vida de Louise e a existência de toda a humanidade.

 

 

‘A Chegada’ não é o tipo de filme que podemos simplesmente estabelecer que fala sobre isso ou aborda aquele assunto.  A ficção científica, como o gênero se consagrou com ‘2001 – Uma Odisseia o Espaço’ expõe situações e propõe debates sobre diversos temas contemporâneos mas, mesmo estabelecendo certas direções, deixa o expectador livre para tirar suas próprias conclusões.

Mais ainda assim o filme tem um enredo, claro.  Sem nenhum aviso, doze grandes ‘conchas’ extraterrestres aparecem na Terra em pontos distintos do globo e.. ficam. A grande pergunta que norteia a história é: o que eles querem? Pra ajudar a responder essa pergunta (e quem sabe outras, é chamada a brilhante Dra. Louise Banks, uma linguista interpretada por Amy Adams. Para ajudá-la temos Jeremy Renner no papel do físico Dr. Ian Donelly e o Coronel Weber, encarnado por Forest Whitaker.

A maior missão desse grupo ( e de outros onze com especialistas variados nos outros pontos de aterrissagem das Conchas) é estabelecer comunicação e tentar descobrir o propósito desses seres no nosso planetinha azul. Quase imediatamente, a Dra Banks estabelece um primeiro entendimento e o enredo se desenvolve daí.

E que desenvolvimento! O filme, adaptado de um conto de Ted Chiang (autor estadunidense de ficção científica), é sensível, profundo, complexo e filosófico ao colocar a Comunicação (falada e escrita, suas nuances e interpretações) no centro das maiores questões humanas desde o Amor, a Maternidade, o Futuro, a Guerra até a Morte. A direção impecável de Dennis Villeneuve é sutil, mas mantém um constante ritmo de tensão e importância sem apelar para clichês sobre invasões ou raios azuis disparados do céu.

De fato, o diretor consciente e genialmente opta pelo total oposto. Os personagens falam sempre em voz baixa, reverentes ao momento que estão vivendo, e a câmera – em sua grande parte subjetiva, seguindo o ponto de vista da Dra. Banks – deixa que o espectador capte, com calma, o ambiente e as descobertas feitas a cada momento. Honrando o gênero, o filme também investe na Ciência como solução para os problemas apresentados mas mostra como o instinto humano pode se voltar para o medo e a violência ao enfrentar o Desconhecido.

Poderíamos passar horas falando sobre esse filme – e com certeza há diversas críticas e textos analisando as diversas questões levantadas, a Filosofia e as teorias linguísticas utilizadas no longa ou a metalinguagem da construção temporal do filme  – mas eu vou apenas utilizar mais esse parágrafo para elogiar a atuação brilhante de Amy Adams e dizer que, pra tentar ao menos começar a captar a essência dessa obra, é necessário assisti-la. Portanto, o façam. (Ou refaçam, em caso de já terem assistido).

No fim, um texto curto, somente para cumprir a necessidade dessa crítica de fazer mais um pouquinho de barulho sobre essa obra tão bonita -no sentindo mais puro que a palavra possa evocar.

 

 

Para conhecer mais da obra de Ted Chiang, que inspirou essa obra cinematográfica, vale comprar seu livro de contos ‘História da Sua Vida e Outros Contos’, por R$31,90 na Amazon, por R$28,71 (USE O CUPOM LIVRO 10) na Saraiva, sai a R$31,90 na Submarino e a R$44, 91 na Livraria Cultura