26.10

“Um cara qualquer”
Amber Tamblyn
Narração: Rodrigo Dorado
Duração: 04h49m55s
Tamanho: 67.82 MB
Produção: Tocalivros Studios
Editora: Primavera Editorial
Material de Apoio: Não
Data de Lançamento: 29/05/2020
Disponível: Compra, Clube do Audiolivro e Assinatura Ilimitada

Neste romance de estreia eletrizante e provocativo, Tamblyn combina gêneros de poesia, prosa e elementos de suspense para dar forma às narrativas chocantes das vítimas de violência sexual, mapeando as formas destrutivas pelas quais nossa sociedade perpetua a cultura do estupro. O extraordinário é como, com o passar dos anos, essas pessoas aprendem a se curar, unindo-se e encontrando um espaço para levantar suas vozes. Dito em pontos de vista alternados, com uma assinatura para cada voz e experiência da vítima, essas páginas crepitam de emoção que vão do horror à empatia de tirar o fôlego. Por mais ousado que seja, Um cara qualquer pinta um retrato marcante da sobrevivência e é um tributo àqueles que viveram o pesadelo da agressão sexual.

Eu sinto que preciso começar falar sobre o audiolivro. Quem conhece e acompanha o site, sabe que eu tive uma experiência com audiolivro esse ano, e aqui estou em mais uma experiência de leitura diferente do que sempre fiz a vida toda até esse ano. É quase como quando eu comprei meu primeiro e-reader (um Kobo) e me adaptei definitivamente a leitura de eBooks – eu jurava que nunca, absolutamente nunca, iria preferia um livro em um aparelhinho do que o livro em si. Quase 6 anos depois, eu não vivo sem meu Kindle. Saia de casa com ele para todos lugares, sempre. Adapto a luz de acordo com a claridade de onde estou. Aumento fonte. Diminuo fonte. Levo 50 livros em um aparelho pequeno. Enfim, livros físicos sempre serão livros físicos e sempre serão os favoritos absolutos, mas, assim como abri espaço em minha vida para um novo formato, senti que esse ano eu precisava me render e tentar o audiolivro. E gostei bastante também.

Posso me mover pela casa. Posso fazer serviços domésticos ou arrumar meu quarto enquanto estou ouvindo o livro escolhido, com fones de ouvido (ou não, fica a minha escolha). Posso até pintar as unhas ou até mesmo posso seguir ouvindo no carro enquanto espero alguém ou algo, tudo ao mesmo tempo que vou prestando atenção na história que vai me sendo contada, tudo também na maior praticidade do mundo. Não entendo porque os audiolivros ainda não se tornaram mais populares no mercado nacional, sinceramente, principalmente para quem passa muito tempo no serviço publico de transporte ou no trânsito: seria seu jeito de ir conhecendo novos mundos enquanto se otimiza o tempo.

Depois dessa conclusão, me permita falar um pouco especificamente sobre a Tocalivros, que se tornou nossa parceria esse mês. A Tocalivros oferece um plano de assinatura por R$ 19,90 e você pode ouvir qualquer livro de todo acervo de audiolivros da plataforma – e são mais de 4 mil títulos. Mas sabe o melhor? Você pode testar completamente grátis por 15 dias criando sua conta clicando AQUI e preenchendo o formulário. E ah, você pode ouvir offline, ou seja, sem gastar seus dados se estiver no 3G, algo que também é ótimo.

A plataforma é simples, intuitiva e muito, muito fácil: não tive qualquer problema em acessar o site, criar minha conta e acessar o audiolivro de minha escolha. Depois disso, baixei o aplicativo no meu celular e tudo continuou bastante simples. O livro ficou na minha biblioteca e o player é muito simples, além de colocar a disposição outras velocidades: a velocidade normal (1x) até 3x. No navegador em seu notebook, o player aparece do lado esquerdo, enquanto que no celular, é centralizado. Você ainda pode retroceder com facilidade 30 segundos, bem simples mesmo, com um toque em um botão. E Ah, se você escuta no navegador e depois volta para o celular ou o inverso, o audiolivro para exatamente aonde você o deixou, o que é ótimo e muito prático (me preocupei se conseguiria isso, sinceramente). A facilidade do site me ganhou bastante, sendo sincera.

Agora chega de introdução e vamos falar diretamente do livro e da narração.

Deixe-me voltar um pouco. Para o início do meio. Eu sinto que não consigo justificar o fim do meio, e certamente nem o início do fim, a menos que eu conte sobre o início do meio primeiro.

Um cara qualquer” é um livro difícil, muito difícil. Eu o escolhi justamente pelo seu tema, agressão sexual e a forma como se pode curar de algo tão hediondo assim. Sendo mulher, eu obviamente conheço alguém que já sofreu algum tipo de agressão sexual. Mas, aqui, temos uma mudança de cenário: temos uma mulher agressora e um livro que começa com um homem sofrendo uma violência absolutamente grande.

Confesso que no começo foi difícil cair de cabeça na proposta do livro porque estamos sempre acostumadas a ter medo de um homem andando sozinha pela noite deserta, então conhecer um homem tão fragilizado assim, sofrendo algo que acreditamos ser insuperável é chocante e demora para que conseguimos reconfigurar essa imagem mental desse crime. Acho que é tão difícil que até mesmo quase não encontrei ninguém falando sobre o livro aqui no Brasil. Mas, voltando ao personagem Donald Ellis, que logo o conhecemos depois de sofrer esse ataque tão brutal, vamos entrando em sua confusão e lembranças para reconstruir tudo que aconteceu com ele, a violência, a dor, o desespero, os pensamentos cortados, tudo isso sintomas do trauma que estava passando por. É angustiante e um tanto quanto sufocante ler as passagens do personagem tentando se firmar novamente como Donald, enquanto sua identidade foi arrancada dele – e é algo que quem passou por uma violência sexual pode atravessar.

Mas não para ai: Donald não é a única vítima dessa mulher que está atacando de forma física e violenta. Há mais, e há muito mais para se entender nessa história e sobre essa mulher. A medida enquanto a história vai acontecendo, somos jogados em uma espécie de conspiração aonde entendemos o que acontecia com a personagem feminina principal e o que a motivava. Sei que parece loucura falar assim, mas há um motivo e há um por quê alguém se torna tão ferida e tão física a ponto de querer sair mutilando e atacando homens por ai. Claro que nada disso é certo, mas a ideia do livro é fazer subverter a ordem e procurar dar sentido a coisas que não fazem sentido de forma nenhuma, e talvez ai o livro tenha um perdido um pouco.

Sobre a narração em si, não há grandes problemas nela: o narrador faz seu trabalho com eficacia, mas, talvez, falte um pouco de emoção em alguns momentos. Sei que isso é um audiolivro, não uma peça de teatro gravada, mas a trama narrada é sim, muito tensa, muito densa, muito intensa e acredito que requeria mais dor e firmeza em alguns momentos, mas isso pode ser algo só para mim, e para você, a placidez da narração justamente funcione para pacificar os momentos intensos de narração.

O audiolivro/livro é curto, não há capítulos longos e nem partes. Ele é dividido em 10 partes e usa de pensamentos, momentos figurativos e até mesmo prosa para levar o leitor a uma jornada de dor, desespero e trauma. Atual, definitivamente eu não vou esquecer a trama que me foi apresentada tão cedo e acho que nenhum de vocês, se forem ouvir, esquecerão também porque há uma marca neste livro, há algo visceral que não deixa o ouvinte perder aquelas palavras e a forma como penetra em nosso consciente. No final, o que eu quero assinalar é que “Um cara qualquer” definitivamente não é uma história qualquer.

Para ouvir “Um cara qualquer” basta vir na Tocalivros, ele está disponível com exclusividade.

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