06.12

Sinopse: Em um vilarejo assolado pela fome numa planície amarelada e poeirenta, duas crianças recebem dois destinos. O garoto recebe a grandeza. A garota, o nada…

Em 1345, a China sofre sob o domínio mongol. Para os camponeses esfomeados das Planícies Centrais, a grandeza é algo que só se encontra em histórias. Quando Zhu Chongba, o oitavo filho da família Zhu, recebe um destino de grandeza, todos ficam intrigados; como acontecerá? O destino vazio recebido pela sagaz e habilidosa segunda filha, por outro lado, é o que já esperavam.

Quando o vilarejo é atacado por bandidos e as duas crianças se tornam órfãs, é Zhu Chongba quem sucumbe à dor e morre. Desesperada para escapar da própria morte predestinada, a garota usa a identidade do irmão para viver num monastério como um jovem noviço. Lá, impulsionada pelo desejo ardente de sobreviver, Zhu aprende que é capaz de fazer o que for preciso, não importa o quanto seja cruel, para continuar escondida de seu destino.

Depois que o monastério é destruído por apoiar a revolta contra o domínio mongol, Zhu aproveita a oportunidade para conquistar um outro futuro completamente diferente: a grandeza abandonada pelo irmão.

Zhu fará o que for preciso para possuir o Mandato do Céu.

Eu poderia começar essa resenha falando que se eu fosse comparar “Ela se tornou o sol” com algum meme seria com qualquer um que fosse relacionado a desgraçar a minha cabeça porque foi exatamente o que esse livro fez comigo. Claro que eu já esperava que esse livro fosse ser bom pelo tanto que falam bem dele e pelo fato de ter sido indicado para quem gosta de Mulan – porque ela é minha princesa favorita da Disney, mas eu não esperava que ele fosse ser TÃO bom assim.

O livro começa no aniversário do irmão da personagem principal, Zhu Chongba, e por conta de ser aniversário dele, ela, o irmão e o pai vão até um homem que vê a sorte futura das pessoas e lá o homem diz que o garoto terá um destino grandioso. E quando a nossa mocinha pergunta sobre o destino dela, o homem apenas fala que o destino dela é o “nada”.


“Tal como ocorre com quaisquer duas coisas semelhantes conectadas por um fio de Qi, através do qual as ações de uma influenciam a outra, ainda que à distância, também o valor de um imperador determina o destino da terra que ele governa.”

Porém, quando eles voltam para casa – onde eles tem os alimentos quase escassos e moram apenas com o pai, a casa deles é invadida por bandidos e, o pai em uma tentativa de sobreviver e do filho sobreviver também, a oferece para os bandidos, dizendo que podiam levá-la, e foi quando ela entendeu que realmente não tinha importância nenhuma para o pai.

Mas os bandidos não aceitam a troca e matam o pai dos dois a pancadas, deixando o corpo dele lá e as duas crianças órfãs, sem ter para onde ir e o que fazer. É então que a garota toma as rédeas de tudo e faz um buraco para enterrar o corpo do pai, enquanto o irmão fica apenas paralisado de choque, sem sequer comer ou beber nada que é oferecido a ele e pouco tempo depois ele acaba morrendo também, fazendo com que ela sinta mais raiva ainda do irmão porque ele teria um futuro grandioso e desiste da vida de uma forma tão simples.


“O rosto do irmão nadou diante de seus olhos, majestoso de arrogância. Garota inútil.
Uma nova dureza dentro dela respondeu: serei melhor em ser você do que você jamais foi.

E é quando ela decide, ao enterrar o irmão junto do pai, que vai roubar o destino do irmão pra ela – e com essa ideia em mente, se vestindo com as roupas do irmão, parte para o monastério porque lá eles tem alimentos e é um lugar seguro para que ela possa sobreviver até decidir o que fará da própria vida.

Com muita insistência, depois de passar 5 dias na frente do portão do lugar, esperando que abram as portas para que Zhu entre lá, os monges finalmente a deixam entrar e a aceitam como se ela fosse Zhu Chongba – o que já mostra logo de cara como ela é capaz de tudo para ter o futuro brilhante que ela deseja.


“Amargo, ele questionou:
E você me entende?
Ao que o Senhor Wang respondeu:
Sei como é ser humilhado.
Era característico da inveja: só se pode senti-la por pessoas iguais a você. Para o general, invejar Esen era como invejar o Sol. Mas Ouyang e o Senhor Wang eram iguais. Por um momento, deixaram-se lá, com um reconhecimento amargo, sentindo aquela semelhança vibrar no espaço entre eles. Um desprezado por não ser homem; o outro, por não agir como um.”

Os anos vão se passando enquanto Zhu cria uma amizade profunda com Xu Da – até o dia em que o monastério é atacado por conta da guerra que está acontecendo entre os Turbantes Vermelhos (que são os rebeldes) e os mongóis e, como o abade dos monges se nega a tomar partido, o general do príncipe dos mongóis, Ouyang, ateia fogo no lugar.

E a partir desse ponto nós começamos a ter o ponto de vista dele no livro também e assim nós vemos, com o passar do livro e dos anos entre eles, todas as vezes que Zhu e Ouyang se cruzam até o derradeiro fim.


“Por que culparia Esen por ser incapaz de ler sua mente e enxergar a dor e a raiva dentro dela? No entanto, a verdade era que de fato culpava Esen. Culpava-o ainda mais do que culparia um estranho, porque o fato de alguém tão querido não enxergar a verdade sobre ele doía mais. E ele se culpava e se odiava por esconder aquela verdade.”

Uma das coisas que eu achei mais interessante nesse livro e eu não acho que seja um spoiler, por isso é bom pontuar, é o fato dos dois personagens principais não serem o interesse romântico um do outro. Zhu conhece uma pessoa de quem ela gosta e por quem ela se apaixona e até se casa, mesmo tendo esse segredo de ser uma mulher – e que ela fala abertamente para essa pessoa quando a hora chega e tudo que encontra no lugar de pânico, é carinho e compreensão.

E Ouyang também tem uma pessoa que ele ama e que deseja, mas devido a acontecimentos anteriores ao livro, que isso sim não falarei porque é spoiler, é um amor não só não correspondido da forma que ele deseja, como também é impossível ter um final feliz – e acreditem, o final de Ouyang foi o que mais desgraçou a minha cabeça por vários motivos.


“Embora já soubesse que ele desejaria vingança, ainda não havia entendido a profundidade de sua dor. A verdade vibrava na conexão entre eles. Ele sofria, e era motivado por isso; a dor era a razão por trás de tudo o que fazia, e a razão de sua existência. Ele é assombrado por ela.

E, ao mesmo tempo em que eles não têm esse interesse romântico um no outro, eles tem uma ligação absurda, porque tudo em torno do livro serve pra mostrar como eles são duas faces de uma mesma moeda: enquanto Zhu é capaz de tudo para atingir o futuro grandioso que acredita que cabe a ela, Ouyang é capaz de tudo também pela vingança que ele deseja levar adiante.

Vale mencionar aqui que eu achei maravilhoso o desenvolvimento do casal da personagem principal. Eu confesso que tinha minhas dúvidas se iria acontecer mesmo, mas quando aconteceu eu achei muito lindo. E nisso vale pontuar a diversidade que a autora fez com os personagens e como tem coisas que são levadas de forma natural como deve ser – ao mesmo tempo que tem outras que chega a doer na pele a forma com a qual os personagens são tratados.


“A conexão entre eles se aprofundou. Como é o caso de quaisquer duas substâncias similares que se tocam, ela e o general estavam entrelaçados — e, por mais que se afastassem, ela sabia que o mundo estaria sempre tentando aproximá-los novamente. Iguais se pertencem.

Esse livro definitivamente entrou para o meu top 5 de livros do ano, porque assim que eu comecei a ler, eu simplesmente não queria parar. E, teve coisas no livro que eu achei tão pontuais que resolvi procurar no Google para ver se algo assim tinha sequer acontecido e sim, Zhu é uma personagem que existiu, apesar de ser escrita de forma diferente no livro (até porque a história retrata ela como uma mulher e na vida real, aparentemente, ele era um homem).

Se você tem alguma dúvida ainda se deve ou não ler esse livro, vai por mim e leia e depois vem me agradecer, porque “Ela se tornou o sol” não só é um livro muito bem escrito, como também é um livro que vai ficar na sua cabeça.

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