28.11


“A mágica mortal: Uma aventura do Esquadrão Zero”
Raphael Montes
Ilustrações e arte de capa: Jonnifferr
Seguinte – 2023 – 272 páginas

A cada truque de mágica, um crime. Em seu primeiro livro juvenil, o mestre do suspense Raphael Montes nos apresenta ao Esquadrão Zero ― um grupo de jovens detetives que vai encarar uma investigação repleta de perigos e reviravoltas.

No mundo da mágica, nem tudo é o que parece. Pedro sabe disso muito bem, afinal, sempre foi fascinado por ilusionismo. Só não imaginava que ia entrar para valer nesse universo por causa de um crime terrível. Depois que seu melhor amigo é vítima de um mágico sinistro, Pedro decide encontrar o culpado a qualquer custo. Assim, o garoto reúne Pipa, Analu e Miloca, seus amigos de escola, para formar o Esquadrão Zero ― e juntos desvendarem o caso.

Não demora para o criminoso fazer novas vítimas, sempre utilizando números de mágica famosos. Em uma corrida contra o tempo, os quatro jovens investigadores terão de cruzar a cidade numa aventura que envolve ilusionistas excêntricos, livros eletrizantes e um castelo imponente. Será que o grupo conseguirá descobrir quem é o  mágico assustador antes que ele realize seu próximo truque?

Sempre que vou ler algo, procuro adequar minhas expectativas para o tipo de leitura que farei, afinal, se vou ler um romance, tenho que pensar se o romance entre as personagens entregam o que a trama promete. Seria injusto esperar drama em um livro de comédia e vocês já entenderam o que estou tentando dizer: Temos aqui “A Mágica Mortal”, o primeiro livro juvenil do reconhecido autor Raphael Montes, que escreveu títulos como “Bom dia, Verônica” (em coautoria com Ilana Casoy e ainda criou o seriado para Netflix inspirado na obra), “Uma mulher no escuro”, “Dias Perfeitos” e “Suicidas”, entre outros títulos que aposto que você já ouviu falar. A diferença é clara: Raphael está se apresentando para um novo público, escrevendo uma trama que obrigatoriamente não tocará em nenhum dos temas que seus livros adultos aborda. Sou bastante entusiasta de suas tramas e estava bastante curiosa como o autor iria se sair em uma trama que não poderia pesar na mão. E olha que já adianto que ele acertou, e muito, em trama de um grupo de amigos jovens que se une para desvendar um crime.

Antes de começar a falar diretamente da trama, quero falar que o prefácio deixou meu coração quentinho ao ler Pedro Bandeira apresentando a trama. Pedro é o autor de “A marca de uma lágrima” e muitos, muitos outros títulos, tanto que vou me apegar só ao citado porque marcou a pequena garota romântica que existia em mim durante a minha adolescência. Sempre tive acesso a livros de faixa etária bem acima da minha porque sou a irmã mais nova, mas, no meio de minhas leituras adultas, li esse livro e meu coração bateu mais forte a ponto de sair lendo tudo que o autor escrevia. Pedro é um autor que marcou muitas outras pessoas aí fora e, como confessa na introdução, eu também não acertei quem era o assassino desta trama, Pedro, e que bom que você incentivou o Raphael a escrever este livro – e obrigada também por me ensinar a não emprestar meus livros porque perdi meu exemplar de “A marca de uma lágrima”. Quem nunca emprestou um livro e nunca recebeu de volta, não é? Mas agora vamos falar da magia que há neste livro!

José não podia imaginar a tragedia que estava prestes a acontecer. Naquele momento, sua animação era maior do que tudo: ele estava no Geraldino’s Park, o famoso parque de diversões, que havia acabado de chegar à cidade Monte Azul! José queria muito ir aos brinquedos com seu grupo de amigos – Pedro, Pipa e as gêmeas Analu e Miloca. Eles eram inseparáveis. Costumavam se encontrar na casa de um ou de outro aos domingos, para ver filmes ou jogar videogame e jogos de tabuleiro. Na escola, conversavam o tempo inteiro durante o recreio (e, às vezes, durante as aulas).

Se você pensou que por ser um livro juvenil (indicado para maiores de 10/12 anos) o Raphael iria pegar completamente leve, preciso dizer que não – a narrativa começa com José, o Zé Roberto, mais conheço como Zero, indo para a noite de estreia do parque de diversões que chegou à sua cidade, Monte Azul. Ele foi sozinho, já como seus inseparáveis amigos Pedro, Pipa, Analu e Miloca não foram – os dois primeiros para estudarem para a prova de matemática do dia seguinte e as duas garotas, irmãs gêmeas, não podiam sair durante dias de semana. Chegando lá, um mágico com seus cabelos compridos, bigode e barba brancos e seus distintos olhos verdes se aproximou para fazer um truque de magia que culmina com a morte do jovem. Sim, nós estamos no ponto de vista quando ele morre, mas não temos nada violento demais ou sangrento. Claro que ai já entendemos que este é o ato desencadeador da trama.

No dia seguinte, na escola, depois da prova, os amigos de José recebem a notícia e ficam, obviamente, consternados. Pedro tem a ração de procurar a delegada Letícia, mãe de Stella, sua colega (e dona do seu coração) da turma no de colégio, para tentar ajudar na investigação, o que é obviamente rejeitado. Conversando com Marcos (nome real de Pipa), Ana Emília (Miloca) e Ana Lúcia (Analu), os 4 decidem fundar o Esquadrão Zero em homenagem ao José Roberto, que tinha este apelido – Ze + Ro. Isso tudo se desenrola rapidamente, tudo como uma leitura de aventura juvenil deve ser, tudo envolvido em bastante sentimentos desenfreados equivalentes ao começo da adolescência, idade dos personagens.

Pipa parou no meio do caminho. Então suspirou e chutou o ar, indignado.
Pra que precisam de mim? Por que não ficam só vocês? Tipo os Três Mosqueteiros.
Os Três Mosqueteiros eram quatro! – Analu comentou. – Você não sabia?
Eram?! – Pipa se espantou. – Droga!

A busca do esquadrão começa justamente pelo parque onde Zero foi morto e é lá que terminam falando com Geraldino, o dono do parque, que conta aos garotos que havia convidado um mágico para a noite de abertura do parque e que o homem não havia ido, sendo o tal mágico que matou Zero que havia aparecido no parque. Lá também um dos membros do Esquadrão sofre um ataque e encontram um lenço grafado com um nome: Luciano Alonzo. Claro que isso não impede nossos jovens heróis e Pedro vai até o mágico que deveria ter trabalhado na festa no dia seguinte, determinado a descobrir quem matou o seu melhor amigo. O homem, que se chama Nicolau Solano, é bastante peculiar e sua casa é mais ainda, tendo um orangotango domesticado morando com ele – e diversos outros animais também.

Nicolau termina falando sobre o clube O Mestre dos Mágicos. Fundada por Cássio de Mortesgom em 1970 na cidade, o lugar tem por sócios diversos mágicos e está prestes a realizar um evento anual de concurso de mágica entre seus seus pares. Enquanto somos apresentados a uma imensa categoria de personagens secundários que são carismáticos, vamos simplesmente embarcando nas aventuras que são altamente mirabolantes, próprias para prender o público-alvo com direito a uma cena, em determinada altura da trama, que tem o pezinho no terror – juvenil, claro.

Na segunda-feira, as aulas voltaram na Escola Prêmio, mas havia um clima estranho no ar. Era impossível fingir que tudo estava normal quando um assassino continuava à solta, impune. A carteira onde Zero costuma ficar, a última da fileira mais perto das janelas, permanecia desocupada como se lembrasse a todos, o tempo inteiro, a ausência brutal do amigo.

Ainda fica muito para mostrar ao leitor sobre os personagens principais: mais sobre a família de Pedro, com sua mãe aparecendo muito brevemente; mais informações sobre Pipa e os gostos peculiares de sua mãe, Dona Mercedes, na culinária; mais sobre os pais das gêmeas que são casados com outro casal de gêmeos. Essa falta de informação sobre o presente dos personagens é algo que senti falta, mas até mesmo para tornar a trama mais crível não podemos ter pais tão presentes assim, afinal, temos os recém-adolescentes em passeios perigosos, filando aula e momentos nesta linha, mas já comentei sobre essa falta de pais até mesmo em tramas mais adultas – sim, estou olhando para você, Karen M. McManus. Também não temos uma data determinada sobre quando a trama se desenrola (apesar de ser atual, com celulares fazendo vídeos), deixando algumas lacunas para o leitor simplesmente embarcar na trama e seguir aproveitando.

Preciso ainda falar sobre a edição que está incrível: além da apresentação de Pedro bandeira, temos uma entrevista com o próprio Raphael no final, uma parte mostrando a magia através do tempo, como os mágicos evoluíram e se tornaram os ilusionistas atuais, e ainda termina literalmente com truques de magia ensinados pela dupla Henry e Klaus. E ainda temos ilustrações de Jonnifferr por todo livro, como vocês podem ver nesta resenha – somente algumas, é claro, não quero dar spoiler para ninguém!

Conforme Pedro havia estudado, assassinos em serie tem um modus operandi, ou seja, um modo de operação. Além disso, deixavam uma assinatura, algo que identificava seus crimes.
O modus operandi é a magica. A cada crime, um truque de magica.
E a assinatura é a carta de baralho. – Stella emendou.

Como estamos chegando perto do Natal, se você tem alguma criança que já está descobrindo o prazer da leitura e dentro da idade indicada, ou ainda tem um adolescente por perto que deseja uma nova aventura e descobrir os prazeres que só os livros nos proporcionam, fica aqui minha dica para você.

O livro tem um clima tão bom, tão alto-astral, tão aventura de criança/adolescente, que me lembra um episódio de Scooby-Doo ou ainda do filme “Os Goonies”, sem contar que eu realmente não adivinhei quem estava por trás de toda trama rocambolesca e divertida que temos aqui. Em uma narrativa direta, ágil, envolvente, Raphael fez sua estreia no gênero juvenil e não poderia ter sido melhor porque foi repleta de mágica – não mortal, mas viciante.

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Magalu.

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