20.06

Sinopse: Em Chuva de papel, acompanhamos a trajetória de um repórter policial decadente que precisa encontrar forças para lidar com o dia a dia depois de uma situação inesperada. Nesse percurso, ele descobrirá uma história memorável que o fará escrever novamente. Terceiro livro da autora de A vida invisível de Eurídice Gusmão, este é um romance tragicômico, intenso e sensível.

Joel Nascimento é repórter, arquivo vivo das transformações do Rio de Janeiro. Ele passou meio século nas redações noticiando o lado B da Cidade Maravilhosa, e agora enfrenta dificuldades financeiras, problemas familiares e alcoolismo. Após uma peculiar tentativa de suicídio, sua vida toma um rumo inesperado quando ele é obrigado a morar de favor com a tia de um amigo. Glória é uma senhora energética, que exige mais interações e boas maneiras do que ele está disposto a dar. A esse arranjo junta-se a falante vizinha Aracy e seus dois chiuauas grisalhos.

Da convivência inesperada e pontuada por atritos corriqueiros emerge um companheirismo que preencherá o vagar das horas. À medida que Joel se ambienta à nova rotina, ele se verá diante de uma última história formidável, e sabe que deve contá-la. Passado e presente se alternam neste romance entremeado da crueza da vida marginal e de dissabores afetivos.

Joel é um jornalista que já está aposentado e que, por sentir que não tem mais lugar pra ele no mundo, ele decide que não quer mais continuar vivendo. É por isso que ele prepara todas as coisas certinhas apenas para poder terminar logo com isso.

Porém o seu plano de tirar a própria vida não dá certo e ele acaba preso em uma vida que ele não queria mais e parece que tudo que podia piorar, piorou: não tem mais onde morar, tem a ex-esposa que fica cobrando que ele dê coisas ao filho e mais o dono da kombi onde ele caiu de onde ele se jogou na janela cobrando que ele pague o conserto do carro.


“Quando Joel caminha por Copacabana, tem o hábito de olhar para cima avaliando de onde poderia se jogar.”

Então um antigo estagiário dele resolve ajudar e oferece pra ele um quarto na casa da tia que mora sozinha, assim ele pode ficar lá até se recuperar e poder tirar o gesso da perna e então se reestabelecer na vida.

E desde o princípio, ao chegar lá, Joel não gosta de Glória nenhum pouco e nem de sua vizinha, Aracy, que está sempre lá no apartamento da velha senhora porque “a tv funciona melhor ali”.


“O companheiro de quarto está em silêncio e Joel se considera sozinho, de novo e como sempre. Ele deveria estar tomado por alguma forma de tristeza, mas o que sente é um cansaço imenso. Que não deixa de ser uma forma de tristeza.”

Mas, ao contrário do que podem pensar pelo meu pequeno resumo, esse livro não é uma comédia romântica enemies-to-lovers: ele é muito mais um estilo de livro que mostra a vida de forma real, e nos já podemos ver isso logo que a trama também aborda a pandemia de covid e como os três lidam com a situação de ficarem em confinamento.

Esse livro, num todo, é dividido em duas partes que estão marcadas como “parte 1” e “parte 2”, mas poderia muito bem ser chamada de “antes” e “depois” porque as coisas mudam de uma certa forma depois que um certo fato ocorre, e que eu não posso mencionar aqui porque daria spoiler da maior volta do livro.


“Joel nunca se aproveitou de um homem em agonia. Nunca usou o poder da palavra final para descrever o súbito arrependimento de um fora da lei no fim da vida.”

Joel é um personagem bem complexo. Imagino que por ele ser bem mais velho e por ser daquela geração que não aceita tão bem assim tantas mudanças, as vezes você ama ele e sente muito por tudo que ele passou e as vezes você sente vontade de esganar ele. Tipo um parente mais velho que você sabe que no fundo não é uma má pessoa, mas que ainda carrega da geração que o ensinou alguns preconceitos e frases que te fazem ter vontade de arrancar os cabelos, mas ainda assim você sente aquele carinho por ele.


“É assim que se conta uma história: escolhendo as peças que se complementam, não com a rigidez de um quebra-cabeça mas com as possibilidades das peças de Lego. A gente liga uma a outra peça, e faz algo maior, original.”

Eu gostei tanto tanto tanto da Glória. Eu adoro que ela sempre tem uma respostinha na ponta da língua pra qualquer babaquice que Joel jogue na direção dela e Aracy também é bem assim.

O livro foi feito com uma escrita tão leve e divertida que você pega ele pra ler e parece que nem vê as horas passando. Você só quer saber mais sobre os casos que Joel investigou e fez reportagens e sobre a vida de Glória e sobre tudo que eles passaram durante a vida, porque eles carregam bem essa aura de pessoa mais idosa que tudo que quer é um par de ouvidos bem atentos que escutem o que eles tem pra contar (e, cara, a saudade que me deu do meu avô com isso…)


“Era a ralé, que em vez de ser entendida como sintoma de uma cidade doente, cidade precisando de remédio e tratamento, foi vista como sujeira a ser limpa.”

Uma das partes do livro que eu mais amei é a parte super linda e delicada que justifica o título ser “chuva de papel”. Cheguei a ficar com os olhos marejados, porque essa é a verdade: as vezes só o que a gente pode e deve fazer é deixar o passado para trás e nos fixarmos no presente.

Obrigada Companhia das Letras pelo presente que foi poder ler esse livro e muito obrigada Martha Batalha por ter escrito ele. Esse livro vai ficar guardado dentro do meu coração pra sempre.

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