07.04

Sinopse: Nesta comédia romântica queer, uma garota especialista em relacionamentos vai ter que lidar com as reviravoltas da própria vida amorosa – que está longe de ser perfeita.

Darcy Phillips tem a solução ideal para qualquer problema de relacionamento. Pelo armário 89 do colégio, ela recebe cartas desesperadas de alunos pedindo conselhos e depois responde tudo por um e-mail anônimo – mediante pagamento. É o negócio perfeito.

Ironicamente, sua vida amorosa é um desastre: há anos, ela é apaixonada por sua melhor amiga e não tem coragem de se declarar. Mas Darcy convive bem com todos esses segredos, até que Alexander Brougham, o atleta da escola, a flagra pegando as cartas do armário e coloca tudo a perder.

Em troca de manter seu anonimato, ela concorda em ajudar Brougham a voltar com a ex-namorada. Parece uma tarefa simples: dar umas dicas para um cara gato (mas muito arrogante) a reconquistar uma garota que já foi completamente apaixonada por ele. Mas Darcy logo vai descobrir que nada é tão simples quanto parece.

Perfeita (na teoria)” nos conta a história de Darcy, a dona “não-oficial” do armário 89. O armário por si só é basicamente um personagem no livro e é por causa dele que nossa história começa. Darcy usa o armário como um meio comercial de vender conselhos amorosos, apesar de sua praticamente não existente vida amorosa, ela se baseia em canais de sucesso na internet que dão dicas de relacionamento e sempre pesquisa a fundo sobre isso: sobre como os relacionamentos são ou deveriam ser, basicamente sendo uma conselheira total apesar de não ter nenhuma formação para isso e tem quase 100% de casos que deram certo com a ajuda dela, tudo feito de forma anônima.

E tudo funciona muito bem até então: ela precisa ficar até mais tarde na escola todos os dias para esperar sua mãe, que é professora lá, e com isso ela tem tempo para ir até o armário e pegar as cartas que deixam lá, lê as cartas em casa e responde para o e-mail que as pessoas deixam em suas cartas dando conselhos e dicas. Até o dia em que Alexander Brougham a pega no flagra.


“— Qual é a dos caras que chamam as namoradas de doida e surtada? É uma epidemia.
Homens adoram inventar desculpas para fugir da responsabilidade que eles mesmos têm no comportamento que criticam — disse Ainsley.”

Alexander ficou na escola porque usa a piscina que tem lá para treinar e quando saiu da piscina, a viu mexendo no armário e pegando as cartas. Mas, ao invés de espalhar para todos quem era a responsável pelo armário, o que ele queria de Darcy era ajuda: por um determinado valor, ele queria que ela o aconselhasse e ajudasse a recuperar Winona, sua ex-namorada, que o largou sem nenhum motivo aparente.

Enquanto tenta ajudar ele com dicas, porque Alexander não é o mais fácil de se lidar, aparentemente, Darcy ainda tem que lidar com a paixão que sente por sua melhor amiga, Brooke – e com ela possivelmente se envolvendo com outra pessoa.


“— E será que você tem interesse em ser mais do que amiga dele?
Eu pagaria uma fortuna para impedir que Alexander Brougham pensasse assim.
Minha mãe riu.
Que sentimentos fortes.
Para dizer o mínimo.
Bem, vamos ver no que dá.
Ela tinha falado com um tom irritante. Aquele tom sabichão, de dona da verdade, que os adultos adotavam quando achavam que entendiam a situação muito melhor do que a gente.”

No primeiro momento que eu vi a sinopse desse livro, eu sabia que ia querer ele. Eu achei aquela capinha fofinha e a sinopse já parecia bem aquele tipo de comédia romântica adolescente e, preciso dizer, é exatamente isso que é. Não é uma história com um romance cansativo, apesar de ter várias coisas bem clichês, mas que também toca em pontos em importantes – e eu já vou falar um pouco sobre isso.

Darcy, para mim, é uma personagem meio… dúbia, por assim dizer. Eu gosto dela, gostei mesmo da personalidade dela e da história dela, mas confesso que teve algumas coisas que ela fez que me fizeram ficar meio “hmmm”. Eu entendo e imagino que o ponto da autora era mostrar que mesmo que Darcy fosse a personagem principal do livro, ela ainda era “humana” e passível de errar – porque esses dois erros dela pra mim foram bem feios mesmo, não vou mentir. Mas, no final do dia, se você ver 99% das mocinhas de comédias românticas jovens assim cometem alguns erros tão parecidos com os dela que fica fácil só deixar para lá mesmo e curtir o livro.


“Os ansiosos e evitativos muitas vezes se encontravam. Talvez porque os altos e baixos dessem a sensação de amor. E talvez porque as pessoas amassem o que lhes era familiar, e encontrar alguém inerentemente inadequado para elas reforçava todas as impressões negativas sobre relacionamentos a que já estavam habituadas e que lhes traziam conforto: que se sentiriam sufocadas e sem independência, ou machucadas e sozinhas.”

Alexander eu também colocaria numa área meio cinzenta, mas por motivos diferentes dos dela. Eu consegui entender bem a personalidade dele em um certo ponto do livro e, a partir dali, ficou fácil entender as escolhas que ele fazia e porque ele as fazia – e nenhuma delas foi tão séria realmente. Pode até parecer que estou fazendo o que tanto critico, que é julgar mais a mocinha do que o mocinho, mas não é isso não. É que é mais fácil entender quando as escolhas que um personagem faz afetam apenas a eles mesmos e não quando machucam outras pessoas.

Dito isso não posso dizer mais nada sem entregar do que estou falando 😛


“Na minha cabeça, eu era a heroína, uma boa pessoa. Sempre tinha sido. Eu era legal (não era?) e me esforçava para fazer a coisa certa (normalmente). Mas para ser uma boa pessoa não bastava só querer. Era preciso fazer coisas boas. E eu tinha feito umas coisas muito, muito ruins com quem eu mais deveria amar.”

Eu acho muito interessante o desenvolvimento que o livro num geral tem. Apesar de ter algumas coisas que eu considero clichê, teve outros clichês que foram bem apagados e eu gostei bastante disso. E nisso vem o ponto que eu falei ali em cima: é importantíssimo frisar que Darcy é uma personagem bissexual. Ela se identifica como tal e nada das escolhas dela muda o fato de que ela é sim.

E isso é algo que, para mim, ficou muito bem colocado no livro. Uma das cenas em que eu mais gostei, inclusive, é quando é falado sobre isso, sobre o fato de que pessoas bissexuais tem sua sexualidade apagada dependendo de com quem ela está. Se está com o outro gênero = é hétero, se está com o mesmo gênero = é gay/lésbica. E isso acontece muito, em todos lugares. E isso é muito, muito bem colocado no livro, a explicação de que ser bissexual não muda dependendo de com quem a pessoa bissexual está. Ela ainda é bissexual. E eu adorei a forma com que isso foi abordado ali, de verdade.


“Pela primeira vez, a primeiríssima vez, eu acreditei neles de verdade. Que meus relacionamentos não mudavam quem eu era. E que, mesmo se outras pessoas não concordassem, todo mundo naquela sala me apoiaria sem pensar duas vezes. Eu estava com eles, eles estavam comigo, e estávamos todos juntos. Uma comunidade dentro de uma comunidade dentro de uma comunidade. Sem perguntas. Sem provas. Sem documentos comprovatórios.”

Além dos dois e de Brooke, a melhor amiga de Darcy por quem ela é apaixonada, tem vários outros personagens presentes no livro, entre os amigos deles e muitos deles tem bastante representatividade, isso também é algo muito importante de deixar claro.

O desenvolvimento do relacionamento é uma das coisas mais gostosas de se ver. Fazia bastante tempo desde a última vez em que uma comédia romântica adolescente me fazia ficar tão presa assim, porque a forma com que tudo se desenvolve e se transforma, me deixaram com o coração bem quentinho.

“Perfeita (na teoria)”, é um livro tão bem escrito e de uma forma que te prende tanto, que ensina também tanto sobre alguns relacionamentos e sobre as formas das pessoas se apaixonarem, que só me deixa com vontade de panfletar esse livro pra todo mundo. Romance bom é assim, no meu ponto de vista: não precisa de grandes dramas ou de tramas enormes e intrínsecas, basta um pouco de humor e personagens que façam você gostar deles, por mais falhos que sejam e torcer para que eles tenham um final feliz, porque, acredite, você vai torcer para eles terem um final feliz sim.

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