21.03

Sinopse: Uma história divertida e inspiradora sobre duas adolescentes que descobrem o poder da amizade, do feminismo e de defender aquilo em que se acredita.

Malena Rosario está em uma fase pra lá de difícil. Tudo começou com o furacão que destruiu sua casa em Porto Rico, fazendo com que ela e sua mãe ficassem presas na Flórida. Agora, sem perspectivas de quando poderá voltar para a ilha, Malena tem que se acostumar a uma nova escola. Mas a garota jamais imaginaria que em meio a tudo isso ainda seria humilhada – e punida! – pela coordenação escolar depois de precisar ir sem sutiã para a aula por causa de uma grave queimadura de sol.

Ruby McAllister presencia a injustiça sofrida por Malena e não consegue ficar indiferente. Afinal, ela é conhecida na escola por ser a feminista rebelde que não tem medo de dizer o que pensa e sabe que precisa ajudar a garota nova. Até porque Ruby quer provar para si mesma que consegue enfrentar um desafio sem a ajuda da irmã mais velha…

De líderes de uma rebelião contra o código de vestimenta da escola a amigas improváveis, Malena e Ruby vão ter que encarar juntas suas próprias inseguranças, preconceitos e privilégios se quiserem garantir que seus ideais – e sua amizade – resistam a qualquer custo.

Malena não está tendo um bom dia – ou um bom tempo num geral faz algum tempo já. Depois de passar um dia no jardim e pegar sol, acabando com uma queimadura grande nas costas, ela fica sem ter como usar sutiã e vai assim mesmo para a escola. Durante quase todo o horário escolar, ela passa sem mais problemas, até ser chamada na direção. E lá ela fica surpresa de descobrir que está sendo chamada justamente por isso: por estar sem sutiã por baixo da blusa. A diretora indica que ela vá até a enfermaria cobrir os seios dela com absorvente e fita adesiva. E é lá na enfermaria que ela conhece Ruby.

Ruby, que estava lá para pegar um absorvente – e usar do modo que absorventes devem ser usados, vê quando Malena é basicamente humilhada com duas mulheres olhando e analisando os seios dela sobre como seria melhor para cobrir eles e depois encontra a garota chorando no banheiro, tentando fazer exatamente o que foi dito.


“Minha cabeça gira em um vórtex de vergonha e raiva. Por que mami não me deixou ficar em casa? Por que a porcaria dos meus peitos são tão grandes? Por que essa mulher está me pedindo para cobrir meus mamilos com absorventes diários, pelo amor de Deus? Será que minha situação pode ficar ainda mais humilhante?”

Ela não aceita muito bem a humilhação pela qual a colega está passando e por isso garante a Malena que não, ela não precisa ir de sutiã para o colégio porque não tem absolutamente nada no codigo de vestimenta do colégio que afirme que isso é uma regra a ser seguia. E Malena, acreditando nela (que ela não mentiu, aliás), segue o que a colega falou e apenas solta os cabelos para cobrir a frente do corpo.

Porém, ao verem que ela não fez o que foi mandado, Malena é chamada novamente na diretoria e com isso consegue uma detenção de castigo. Por isso, no dia seguinte, Ruby faz exatamente a mesma coisa: vai para o colégio sem sutiã nenhum por baixo da blusa e absolutamente ninguém se incomoda com isso pelo simples fato de Ruby não ter os seios avantajados como Malena.


“Não consigo evitar sussurrar:
Se os homens usassem absorventes, sra. Markowitz, tenho certeza de que estariam disponíveis nos banheiros das escolas públicas de todo o país.
Isso a faz sorrir.”

Para provar seu ponto, ela arruma uma briga enorme com a diretora e com isso acaba na detenção também e é lá que ela e Malena começam a conversar mais e resolvem que não está nada bem o colégio ficar coordenando as roupas que elas usam com a desculpa de que “querem proteger elas” (as punindo) porque os rapazes não “tem nenhum controle”, rs.

Assim elas se juntam e começam a criar todo um plano para conseguir mudanças nas regras de roupas do colégio – e juntam todo um grande grupo para conseguir isso, tentando fazer uma revolução enorme no colégio.


“Resignación.
Perdi a conta de quantas vezes ouvi essa palavra nas últimas seis semanas. É uma dessas palavras que têm tantos significados em espanhol que fica até difícil traduzir perfeitamente para o inglês. Algumas pessoas dizem que significa “aceitar”, tipo “precisamos aceitar o que não podemos mudar”. Algo nela me faz querer gritar com quem a diga. Porque ela esconde a verdade: toda a nossa frustração, toda a dor sem solução, toda a ansiedade. Resignación não é uma palavra pacífica. É rara e insincera. É como desistir.”

Na primeira vez que vi a capa desse livro, eu preciso falar que eu pensei que se tratava meio que um livro de auto ajuda tanto pela capa quanto pelo nome, porém quando li a sinopse, eu me interessei por ele no mesmo minuto. Eu sempre falo quando leio livros que falam sobre os poderes das garotas que eu gostaria de ter livros mais assim quando eu era mais nova: sobre garotas que lutam pelos seus direitos e não tem medo ou pavor da palavra “feminista”.

Malena desde o inicio fala que sente como se tivesse perdido a propria voz: tendo que se mudar para um lugar longe de seus amigos, de seu pai, sem as suas coisas por causa de um furacão, ela que costumava ser mais ativa na antiga escola, se vê com medo de se abrir e se expor ali, principalmente por ser latina.

E Ruby está querendo descobrir quem ela realmente é. Depois de ter passado anos na sombra da irmã mais velha que é aparentemente perfeita e que faz tudo certo e recebe todos os prêmios possíveis por participar de causas sociais, ela não sabe como atingir o nível que os pais esperam dela, sempre sentindo como se estivesse decepcionando todos eles.


“Penso em como me senti sozinha na cabine do banheiro, com a camiseta erguida, tentando me cobrir com absorventes. Quero fazer essa pergunta à dra. Hardaway. A Doris, a secretária. À enfermeira Hopkins. E a todas as mulheres que já me fizeram sentir que tinha algo de errado comigo por causa do meu corpo. Nós deveríamos estar do mesmo lado.”

Lógico que a amizade delas é bem questionada no inicio porque Malena é uma garota latina e pobre e Ruby é uma garota branca rica, com seus vários privilégios, mas a luta das duas para conseguirem o reconhecimento de suas causas é mais forte do que qualquer duvida que possa surgir.

Uma coisa que eu gostei bastante durante o livro é o desenvolvimento que vai surgindo conforme as paginas passam em um ponto que nenhuma das duas, quando chega o final do livro, é da mesma forma que era quando o livro começou.


“- A mãe da Lucinda disse que você fez bem em me mandar pra escola – conto. – E que a diretora-assistente fez mal ao dizer que eu era uma distração. – Olho para a tela do celular e leio: – “Essa mentalidade só evita o diálogo quanto ao que seria um comportamento mutuamente respeitoso entre meninos e meninas. Perpetua a crença de que o corpo feminino é perigoso e de que o assédio é inevitável. Culpabiliza a vítima.”

Além das pautas importantes sobre feminismo, o livro também levanta pautas bem importantes sobre racismo, sobre privilégios e sobre como reconhecer e admitir seus próprios privilégios não te faz uma pessoa ruim: te faz uma pessoa consciente e que pode assim aprender e melhorar.

Eu gostei muito de como tudo foi abordado, não somente os assuntos sérios, mas também a amizade delas e os pontos de diferenças e até mesmo o romance que é desenvolvido no livro (não entre as duas), que eu achei que ficou MEGA fofinho.


“- Tenho lido sobre slut-shaming e misoginia internalizada. E vi uma TED talk que abriu minha cabeça. Uma menina que foi mandada pra casa só porque estava de regata disse que regras de vestuário são só outra maneira de culpar a vítima. (…) Ela disse que somos primeiro desumanizadas, depois objetificadas. Eu nunca tinha pensado nesse sentido. É a mais pura verdade.

Uma coisa que me incomodava de tempos em tempos eram algumas atitudes que as personagens tinham, mas vale lembrar que elas são adolescentes e numa fase de descoberta, então eu entendia o ponto de que não podia cobrar uma certa coerência que nem eu tinha na idade delas ali no livro. Sei que muitas pessoas hateiam os livros porque não entendem que personagens jovens vão ter atitudes de jovens, mas eu entendia sim.

E isso, como eu falei acima, fica num ponto positivo: elas tem um desenvolvimento e amadurecimento conforme o livro passa, elas entendem os erros que acontecem e quando chega no final do livro, o que sobra é aquela sensação de coração quentinho de ter acabado de ler uma história tão boa e tão completa, que tudo que você quer é um pouco mais.

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