11.11

O despertar de tudo propõe uma hipótese totalmente diferente para como a humanidade chegou no ponto onde está.

Segue a sinopse:
Neste clássico instantâneo e best-seller internacional, David Graeber e David Wengrow propõem uma nova versão de nossa história ― do desenvolvimento da agricultura e das cidades às origens do Estado, da democracia e da desigualdade.
Durante séculos, nossos ancestrais foram considerados primitivos e infantis, sendo divididos em duas categorias: iguais, livres e inocentes ou guerreiros e brutais. Com base no pensamento de Jean-Jacques Rousseau e de Thomas Hobbes, a ideia que perdurou ao longo dos anos foi a de que só poderíamos alcançar a civilização sacrificando essas liberdades ou domesticando nossos instintos mais básicos.
Neste livro revolucionário, o antropólogo David Graeber e o arqueólogo David Wengrow demonstram como essas teorias que emergiram no século XVIII foram uma reação à crítica feita por povos indígenas à sociedade europeia ― e por que elas estão erradas. Ao oferecer essa nova perspectiva, os autores questionam tudo o que conhecemos sobre as origens da agricultura, da propriedade, das cidades, da democracia, da escravidão e da própria civilização, iluminando outras formas de liberdade e organização social e nos convidando a imaginar qual futuro desejamos para nós mesmos.
“Um banquete intelectual. Não há um único capítulo que não questione (com bom humor) crenças intelectuais estabelecidas.” ― Nassim Nicholas Taleb
“Esta obra nos apresenta um mundo habitado por pessoas inteligentes, criativas e complexas que, por milhares de anos, inventaram quase todas as formas de organização social e buscaram liberdade, conhecimento, experimentação e felicidade muito antes do ‘iluminismo’.” ― Robin D. G. Kelley
“Um fio condutor poderoso deste livro é a retomada das perspectivas indígenas como influência fundamental no pensamento europeu, uma contribuição valiosa para a decolonização das histórias globais.” ― Rebecca Solnit
Os autores começam o livro pedindo para que o leitor abra a mente para a possível hipótese de que talvez, a desigualdade sempre tenha estado presente. Talvez não tenha sido algo criado após a revolução agrícola. Talvez sempre tenha estado lá.
O livro não é uma leitura leve, tendo em vista que possui quase 700 páginas. Mas é muito, mas MUITO interessante! Ele nos traz perspectivas sobre coisas que vivemos na atualidade e nas quais nunca paramos para pensar.

O livro não é uma história, e sim para você que deseja entender um pouco mais sobre a nossa história, sobre como vivemos, sobre como viemos parar aqui… A linguagem do livro não é difícil, pelo contrário, é bem acessível e em alguns momentos tem um ar até cômico, e dramático, também.

Tratando-se do conteúdo em si, os autores possuem uma forte ousadia, refutando ideias e teorias que foram estabelecidas há décadas, até mesmo séculos, por pessoas importantíssimas vivas e mortas… Alguns de seus apontamentos fazem, de fato, muito sentido, já outros parecem tender mais para suas crenças e observações empíricas do que de fato para algo científico que tenha fundamento.

De qualquer forma, é muito interessante observar a forma quase tendenciosa como os autores desenvolvem suas próprias hipóteses, que, caso não te convenção, irão, ao menos, te fazer parar pensar e colocar a pulguinha do “e se” atrás da sua orelha.

…há pinturas e entalhes na caverna de Altamira que foram sendo criadas ao longo de uns 10 mil anos, entre 25 000 e 15 000 a.C. aproximadamente. Julga-se que ocorreram muitos eventos dramáticos durante esse período. Não temos como saber o que foi a grande maioria deles.
Isso não tem muita importância para as pessoas em geral, porque as pessoas em geral raramente pensam sobre a magnitude da história humana. Não têm muito motivo para isso. Se e quando a questão chega a surgir, costuma ser quando a pessoa está se perguntando por que o mundo parece ser tão caótico e por que tantas vezes os seres humanos destratam uns aos outros — as razões da guerra, da ganância, da exploração, da indiferença sistemática ao sofrimento alheio. Sempre fomos assim ou, em algum momento, algo deu muito errado?

“O despertar de tudo” realmente trata de tudo: a construção da sociedade em si, a economia, nossa construção como indivíduos, a política, e, especialmente, nossa evolução.

No começo do livro, o discurso dos autores já busca desvendar se os seres humanos são inerentemente bons ou maus, analisando as duas possibilidades. A narrativa, bem como os questionamentos acerca de teorias bem estabelecidas por grandes nomes da filosofia e sociologia como Thomas Hobbes e Jean Rousseau prende o leitor de cara, fazendo com que comecemos a questionar nossas crenças, e é esse, posso dizer quase com certeza, o objetivo que os autores têm com o livro. Nos fazer questionar tudo o que sabemos ou fomos ensinados até agora, e, muitas vezes, simplesmente aceitamos como verdades absolutas.

O livro trata de temas importantes, como o papel da mulher na ciência e nas descobertas; na construção da sociedade, e, como nem sempre esse papel é reconhecido. Mas entre todos os temas debatidos a bandeira que os autores mais levantam ao longo do livro é a origem da desigualdade.

Na conclusão do livro, os autores já deixam sua vontade explícita: o livro é um apelo para que a sociedade faça perguntas melhores, ao invés de simplesmente aceitar o que nos é colocado como fato.

E posso falar para vocês que, se tratando de mim, esse objetivo foi cumprido. Para mim, não foi uma leitura rápida. Apesar de o livro ter apenas 600 páginas, levei quase um mês para concluí-lo. E não por se tratar de uma leitura difícil, que, como já o disse, não é, mas sim porque diversas vezes, ao longo do livro, apareciam frases ou colocações como “até hoje era isso que tínhamos como verdade, mas as evidências recentes nos mostram que não é mais assim, e poderia ser diferente por tal e tal motivo…”, e eu me peguei, de fato, refletindo e questionando esses ensinamentos.

Graeber, um dos autores do livro, que, infelizmente (como é nos ensinado no prólogo), faleceu antes do lançamento do livro, sempre foi um grande defensor da anarquia, ou seja, da liberdade da sociedade de pertencer a um regime de governo. Não é atoa que suas teorias, muito bem colocadas em “O despertar de tudo”, construídas por mais de uma década, fazem o leitor refletir se as coisas realmente aconteceram da forma como nos disseram, e qual é o próximo passo na história da nossa evolução.

Uma coisa é certa: para os amantes de história e antropologia, o livro com certeza irá gerar discussões e dar o que falar.

Amazon.
Submarino.
Magalu.

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