08.07


“A pena mágica de Gwendy”
Richard Chizmar
‎Suma – 2022 – 352 páginas
Tradução: Regiane Winarski
Ilustradores: Ben Baldwin e Keith Minnion
Prefácio por: Stephen King

Na emocionante sequência de A pequena caixa de Gwendy, best-seller do New York Times escrito por Stephen King e Richard Chizmar, Gwendy é convocada de volta a Castle Rock após o misterioso reaparecimento da caixa de botões. A pacata cidadezinha que esconde segredos obscuros e macabros está prestes a despertar outra vez.

Algo maligno invadiu a pequena cidade de Castle Rock, no Maine, durante a última tempestade de inverno. Agora, o xerife Norris Ridgewick e sua equipe estão em uma busca incansável por duas garotas desaparecidas.

Aos trinta e sete anos e morando em Washington, DC, Gwendy Peterson não se assemelha nem um pouco à adolescente insegura que costumava ser quando passou o verão se exercitando na Escadaria Suicida de Castle Rock. Naquele verão, ela foi incumbida ― há quem diga amaldiçoada ― de cuidar de uma caixa de botões bastante peculiar, entregue a ela por um desconhecido de terno preto.

Gwendy nunca falou para ninguém sobre a caixa ― nem mesmo para o marido ―, até que, um dia, ela ressurge. Motivada pela inusitada reaparição do objeto e pelos desaparecimentos preocupantes em sua cidade natal, Gwendy retorna a Castle Rock, onde tentará resgatar as garotas desaparecidas antes que algo horrível aconteça com elas.

Com uma prosa lírica de tirar o fôlego, o livro nos leva a pensar: nossas vidas são controladas pelo destino ou pelas escolhas que fazemos?

Como é bom voltar a personagens que já conhecemos e vermos outra fase de suas vidas! É exatamente o que “A pena mágica de Gwendy” nos proporciona: agora com 37 e congressista dos Estados Unidos, Gwendy deixou de ser a garotinha que aprendemos a amar e temer pelas escolhas no livro “A pequena caixa de Gwendy” (o qual resenhei sem spoilers e você pode ler clicando AQUI). Confesso que a vida de Gwendy tomou um rumo que não esperava, mas ai está a beleza do destino, certo?

Mas, pegando do começo, enquanto o 1º livro, “A pequena caixa de Gwendy”, foi escrito por Chizmar e Stephen King, esse 2º volume conta somente com a autoria de Chizmar – Stephen King explica todo processo criativo, tanto do livro anterior, quanto a sua decisão de não voltar para este segundo volume no prefácio escrito por ele, e confesso que cheguei em um nível de stan do King que até ler o prefácio dele me deixou feliz. Mas se você pensa que o livro perde tendo só um autor em seu comando, você está completamente enganado – e vou te explicar os motivos.

Depois de se formar na Brown na primavera de 1984, Gwendy passa o verão trabalhando em meio expediente em Castle Rock antes de começar a frequentar a Oficina de Escritores de Iowa no início de setembro. Nos três meses seguintes, ela se concentra nos estudos e começa a escrever os capítulos iniciais do que virá a ser seu primeiro livro, um drama familiar multigeracional que se passa em Bangor.
Quando a oficina termina, ela volta para casa em Castle Rock para passar as festas de fim de ano, faz a tatuagem de uma pena pequena ao lado da cicatriz no pé direito (falaremos mais sobre essa pena adiante) e começa a procurar emprego em tempo integral. Recebe uma série de propostas interessantes e logo escolhe uma firma de propaganda e relações públicas em ascensão na próxima Portland.

Em “A pequena caixa de Gwendy” temos o dilema moral sobre o que faríamos se tivéssemos o poder de mudar o curso de nosso destino – e também de milhares de pessoas. Para quem não está familiarizado com a trama, Gwendy é uma garotinha que está fazendo bastante exercícios físicos porque sofre bullying no colégio por sua forma física. Um dia, correndo por uma escadaria em sua cidade, ela é parada pelo Senhor Farris, com o qual inicia uma conversa e que termina lhe presenteando com uma caixa com 8 botões e uma gavetinha que aparece um delicioso chocolate. É a partir dai, de começar a comer esses chocolates e ficar sem fome, alterando seus relacionamentos, que Gwendy começa a entender que aquela caixa é realmente magica e pode gerar o bem e o mal.

O dilema moral é justamente esse: o que você faria se tivesse o poder de destruir o mundo? Parece louco e utópico, mas o livro leva o leitor a realmente se questionar o que faria no lugar da garotinha, com todas aquelas escolhas à sua mão no formato de uma caixa estranha de madeira com aqueles botões. Agora, no segundo volume, o que temos é a questão que a protagonista se questiona por grande parte da narrativa: O que eu me tornei foram minhas escolhas ou consequências da caixa? – e confesso que tem muito, muito fundamento essa pergunta porque Gwendy sabe que a vida dela mudou drasticamente naquele verão há 25 anos na narrativa.

Gwendy abre a gaveta de cima do arquivo. Está cheia de pastas e papéis variados. Ela a fecha. Faz o mesmo com a segunda gaveta: abre-a, olha rapidamente, fecha. Prendendo o ar, ela se apoia em um joelho e abre a gaveta de baixo.
E lá está: a caixa de botões.
É de um mogno lindo, madeira que brilha em um marrom tão intenso que ela consegue ver pontinhos avermelhados no acabamento. Tem uns quarenta centímetros de comprimento, talvez uns trinta de largura, e metade disso de profundidade. Há uma série de botõezinhos no alto da caixa, seis em fileiras de dois, e um solitário em cada ponta. Oito no total. Os pares são verde-claro e verde-escuro, amarelo e laranja, azul e violeta. Um dos botões das pontas é vermelho. O outro é preto. Há também uma pequena alavanca nas laterais da caixa, e o que parece um buraco no meio.

Ver quem Gwendy se tornou, a adulta bem sucedida, casada com o amor de sua vida – Ryan – e feliz, é gratificante para o leitor, mas claro que esse não seria um motivo que levaria a ter um livro escrito só para nos mostrar a vida caseira que os personagens levam, mesmo sendo uma congressista morando na capital norte-americana. Aqui temos uma Gwedy lidando com a mãe que está convalescente de um câncer, enquanto seu marido, Ryan, um renomado fotografo, está do outro lado do mundo fazendo seu trabalho e que mal entra em contato, além de lidar com um Presidente bastante cretino (usando uma palavra bastante delicada) que está basicamente levando o país para uma possível guerra – e, somando a tudo isso, 2 garotas adolescentes sumiram em Castle Rock, sua cidade (sim, A Castle Rock) e a mãe de uma delas não está aceitando a falta de respostas da policia local e que em certa altura da narrativa cobra Gwendy com uma ferocidade gigantesca (o que faz todo sentido, afinal Gwendy é a representante do condado e é pra isso que foi eleita – e sim, devemos cobrar os políticos). Preciso também apontar que o livro é repleto, mas repleto mesmo, de referências ao Kingverso, coisa que eu simplesmente amo – sempre que vejo uma menção a um cachorro que matou pessoas ou a um certo psicopata de Castle Rock, dou uma risadinha de reconhecimento imediato.

Então, um dia que parecia nada diferente de que qualquer outro, Gwendy reencontra a caixa em seu escritório. Por um segundo, ela acredita que está imaginando coisas, mas não, não está. Obviamente tudo parece fora do lugar, a incerteza do que poderia fazer com aquela caixa que ela sabe que tem tanto poder voltando a aparecer. Voltando para Castle Rock, as coisas parecem se fechar mais em seu entorno, a levando a usar os poderes da caixa novamente – mas não da forma como você pode acreditar primeiramente.

Aconteceu muita coisa estranha em Rock ao longo dos anos, você sabe. O Grande Incêndio em 91, o bicho-papão Frank Dodd que matou aquela gente, o xerife Bannerman e os outros homens que foram mortos por aquele são-bernardo raivoso, porra, até mesmo a Escadaria Suicida. Se você acredita que foi um terremoto que a derrubou, eu tenho uma ponte pra te vender.

Um dos grandes trunfos do livro é que ele não tenta explicar tudo em pormenores detalhados e não perde tempo e nem páginas nesse excesso de explicações. Você está lendo um livro de fantasia adulto, você precisa embarcar que algumas coisas simplesmente são (sem ultrapassar o limite de abusar desse recuso, se não se tornaria praticamente impossível acreditar em qualquer trama se simplesmente jogassem informações e mandassem o leitor acreditar porque… sim. Enfim, acho que vocês entenderam meu ponto!). Gwendy se tornou uma mulher forte, inteligente, dona de si e consciente do papel que desempenha e do cargo que ocupa, coisa que me deixou bastante orgulhosa (porque a sensação que tinha com a personagem era de voltar a ver uma prima que eu só encontrei criança e agora a encontrava adulta), e todas as suas decisões são bem claras e coerentes, assim como a trama, que é enxuta e não enrola a ir direto ao ponto. É se você tem medo de ser assustador demais, pode ir sem medo porque não, a trama não vai te deixar apavorado de jeito nenhum, já como o sobrenatural aqui funciona para o bem – e isto é a única coisa que vou falar sobre.

Em uma edição capa dura com qualidade Suma e com ilustrações que acompanham a narrativa, poderia dizer que fiquei surpresa como o livro foi fácil de ler e agradável, mas seria repetir a mesma coisa que falei do primeiro, então o que eu falarei para você, que me lê, é que se há realmente magia ai fora, seja na forma de objeto que acreditávamos ser magico quando éramos crianças, seja uma caixa que nos foi dada por um estranho, talvez seja para nos ajudar a viver em um mundo melhor e mais seguro – e salvar quem amamos.

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