18.04

Sinopse: Um garoto conhece outro garoto. Os dois fazem amizade e acabam se apaixonando. O meigo Charlie e o fã de rúgbi Nick se conhecem no colégio. Mas logo essa amizade improvável começa a se transformar em romance. Agora, Charlie, Nick e seu círculo de amigos precisam encarar essa jornada de autodescoberta e aceitação, apoiando uns aos outros e aprendendo a ser eles mesmos.


Virna: Vamos do começo e vamos falar sobre as graphic novels nas quais “Heartstopper” são inspiradas: começaram a serem publicadas em inglês em 2020 e será uma série com 5 exemplares no seu total, sendo que o 5º e último volume será publicado esse ano ainda, sem data. Aqui no Brasil a publicação fica a cargo da maravilhosa Editora Seguinte, que já publicou os volumes, em ordem: “Dois garotos, um encontro”, “Minha pessoa favorita” e “Um passo adiante”, já tendo anunciado que o 4º volume, “De mãos dadas”, será publicado em Junho. Como curiosidade, deixo para vocês que alguns personagens que aparecem nelas também aparecem em outros livros da autora, mas que se você gostar do seriado (e você vai!), você precisa ler as Graphic Novels também porque elas se tornarão caras para você. Você pode ler nossas resenhas delas SEM SPOILERS clicando AQUI.

Ju: Como a Vi começou falando sobre as graphic novels, eu não posso deixar de falar sobre elas também. Eu conheci “Heartstopper” quando elas chegaram no Brasil pela Seguinte e eu nunca tinha ouvido falar nelas antes, mas logo descobri que ela tem uma fã base muito grande e, sinceramente, isso não me surpreende. Eu li apenas os volumes 1 e 2 até agora, já estou próxima de começar o terceiro volume e não posso dizer que não me apaixonei desde os primeiros minutos de leitura – o que vocês podem ver nas resenhas no link acima. Charlie e Nick facilmente entraram pra minha lista de personagens que eu protegeria a todo e qualquer custo, dito isso: vamos falar sobre a a adaptação.

Virna: E agora vamos ao que importa e novamente SEM SPOILERS: o seriado. O que tenho para falar em uma frase é que: Vencemos, bookstans. Vencemos. É assim que me sinto depois de assistir os 8 episódios de “Heartstopper”, quase igual ao que senti ao assistir a 1º temporada de “Sombra e Ossos”: é uma adaptação tão boa, tão boa, que dá orgulho de assistir. Claro que muito está ligado ao fato de que a autora das HQs, Alice Oseman, está escrevendo os roteiros dos 8 episódios, somado ao fato de que os episódios têm somente 30 minutos, sem espaço para criar tantas tramas secundárias que em nada acrescentariam a história a não ser aumentar a duração dos episódios. O seriado foca em Charlie e Nick na medida certa, além de apresentar mais momentos de seus amigos (que não se desenrolam nas páginas, mas que são mencionados), tudo na medida perfeita de como prender o espectador de uma forma que você precisa ver logo o episódio na sequência.

Falando diretamente da trama, temos o básico de toda comédia romântica: um belo dia, chegando na escola, Charlie Spring (levado as telas pelo talentoso ator Joe Locke) vê que agora terá de sentar ao lado de Nick Nelson (interpretado pelo fofíssimo e competente ator Kit Connor), estrela do time de Rugbi (a trama se passa na Inglaterra). Sabemos que Charlie é gay assumido e não porque assim desejou, mas sim porque foi exposto para a escola – aqui a trama não entra em detalhes nisso, somente dando a informação para o expectador. Charlie logo descobre que Nick é sim, popular, bonito e muito gente boa, tão gente boa que foge (e muito) do esteriótipo de “hétero top” e o que começa como uma amizade simples na sala de aula vai escalando de forma orgânica, fazendo com que acompanhemos como os sentimentos de ambos vão se transformando. E preciso acrescentar que a edição deste seriado, com pequenas animações nos momentos certos, torna tudo mais perfeito ainda. Sério mesmo, eu tô tão apaixonada que afirmo que esse seriado beira a perfeição.

Ju: Eu sou uma pessoa que tem o pé atrás com adaptações. Depois de tantas sacanagens que passamos, umas mais recentes que outras, sempre fico com medo quando uma história que é tão gravada no meu coração será levada para as telas. Então, quando vi o elenco, já fiquei meio apaixonada, porque eles são bem parecidos – mas a gente sabe bem que nem sempre isso significa qualidade, né.

Porém em “Heartstopper” isso significa sim. Depois de uma onda de adaptações que foram, no minimo, decepcionantes, essa série veio como uma lufada de ar refrescante. É simplesmente impossível encontrar algo sobre a adaptação em si que se tenha para reclamar. A história mostrada em 8 episódios cobre o 1º e o 2º volume com perfeição, porque mesmo com detalhes mínimos de mudanças (e sobre isso vou comentar logo em seguida) você vê as páginas das GN literalmente reproduzidas nas telas. Muitas, mas MUITAS mesmo das cenas foram feitas a perfeição: o momento, as falas, está tudo lá. A essência dos personagens é a mesma que levou todas as pessoas a amarem tanto assim a HQ.

E nisso eu gostaria de comentar sobre as mudanças: não são coisas absurdas. Conforme eu ia assistindo, eu tinha certeza que já tinha visto várias daquelas cenas nas GN’s e que algumas eu nunca vi (como eu disse, eu só li até o volume 2, então pode ser que tenham cenas que já estão nos outros volumes, apesar de eu acreditar que não), mas mesmo essas cenas “extras” são importantes pra história porque mostra um desenvolvimento maior, não apenas de Charlie e Nick, mas também de seus amigos, aos quais quase não temos acesso durante os dois primeiros volumes.

Virna: Mas, claro, há outros personagens que preciso apontar: a maravilhosa Elle Argent (interpretada pela atriz Yasmin Finnley), que estudava com Charlie no colégio para meninos Truham e agora se transferiu para o Colégio Higgs para garotas. Como vocês já entenderam, Elle é uma garota trans, além de linda, ótima amiga e que se preocupa com seu amigo Charlie profundamente. Elle está ainda fazendo amigas em sua nova escola e depois de um tempo preocupada com a rejeição que poderia sofrer, ela enfim cria laços com Tara Jones e Darcy Olsson, que também se tornarão amigas de Charlie. Completando o grupo original de amigos de Charlie, além de Elle havia Isaac (personagem original da série do streaming, interpretado por Tobie Donovan) e, por fim, Tao Xu, o amigo mega super protetor que passa um pouquinho dos limites tentando fazer com que Charlie não sofra podando o poder de escolha do amigo (o novato ator William Gao o interpretou brilhantemente, tanto que me fazia querer bater nele). Como vocês podem ver pelos meus comentários, eu simplesmente não consigo encontrar defeitos em nenhuma escalação, nem do casal principal, nem dos seus amigos e ainda preciso destacar a química entre os atores principais, que é perfeita, mas perfeita mesmo, chegando até mesmo a fazer você parar de prestar atenção no que esta acontecendo ao redor de ambos somente para prestar atenção em como eles se olham e as nuances de um quase toque. E eu estou falando seríssimo.

Ju: O que a Vi pontuou ali sobre Tao, é realmente uma das únicas coisas que… bem, não me fez odiar e nem nada, longe disso, eu entendi que foi uma escolha criativa, mas me “incomodou” um pouco, porque vemos um lado do Tao bem diferente do que o jeito dele na GN. Enquanto na GN você entende que ele está preocupado por Charlie ter passado por coisas ruins no passado, no seriado realmente parece mais um ciume de amigo, não uma preocupação tão séria.

E, como a Vi mencionou, eles criaram o personagem Isaac pra série (não entendi porque criaram esse personagem), mas também criaram uma personagem chamada Imogen (que é interpretada por Rhea Norwood) e tem uma leve participação na historia que, bem, não tem nas GNs porque lá ela não existe.

Virna: Mas, apesar de toda essa fofura, “Hearstopper” não se exime de abordar assuntos importantes, como a descoberta da sexualidade e a homofobia, sem privar quem assiste o seriado de pensar sobre esse assuntos, levantando diversas questões que já passaram da hora de serem conversadas e tratadas sobre, como, por exemplo, entender o tempo de cada pessoa para assumir seus sentimentos por quem quer que seja. Há ainda uma cena de extrema delicadeza e importância quando um dos personagens conversa com sua mãe sobre o que sente pelo outro personagem, e se você não sentir bastante neste momento, você está morto por dentro – sem brincadeira.

Ju: Eu não tenho absolutamente nenhuma reclamação para fazer sobre essa série. Tanto como uma adaptação como uma série feita para quem nunca ouviu falar sobre as GN’s nas quais são inspiradas, é uma série que dá um quentinho no coração e uma pequena esperança: que talvez nem todas adaptações sejam ruins, mas acima de tudo, ela mostra uma coisa: é isso que acontece quando uma história é FIEL ao material de origem. Mesmo que tenham algumas mudanças, você não vai se sentir enganado, não vai sentir dor em ver os personagens que você tanto ama transformados em algo que não são. Eles estão lá, a história deles que você tanto ama está lá e tudo que veio junto foi só para acrescentar e não para estragar esse mundo que faz você suspirar.

Virna:Heartstopper” é uma vitória. É uma vitória para os bookstans, que gostam de adaptações de qualidade e é uma vitória maior ainda para a comunidade LGBTQIA+. Com leveza e carinho, podemos ver que a série traz em seus 8 episódios tudo que uma comédia romântica envolta em descobrimento precisa ter: desencontros, descobertas, cenas fofas, uma pitadinha de sofrimento e um casal que deixa nosso coração quentinho. Eu espero que todos vocês assistam esse seriado que vai sim, mudar a forma como os casais principais precisam ser retratados e, principalmente, que há necessidade de levarmos todos os amores para todos. O mundo agradece esse afago em um momento tão difícil da humanidade e eu prometo, prometo mesmo, que seu coração vai dar pulinhos por Charlie e Nick.

Agradecemos a Netflix pela disponibilidade de nos liberar “Hearstopper” para esta review. O seriado, com seus 8 episódios de sua 1º temporada, chegará na plataforma de streaming às 4 horas da manhã na sexta-feira, dia 22 de abril.

Você já pode colocar “Hearstopper” em sua lista indo na página do seriado na Netflix.

E, para ver o trailer completo, basta apertar o play aqui:

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