30.11

Sinopse: Especialmente para os fãs de John Green e Rainbow Rowell, apresentamos uma destemida heroína e sua inesquecível história sobre empoderamento feminino, bullying, relação mãe e filha, e a busca da autoaceitação. Sob um céu estrelado e ao som de Dolly Parton, questões como o primeiro beijo, a melhor amiga, a perda de alguém que amamos demais e “estou acima do peso e ninguém tem nada com isso” fazem de Dumplin’ um sucesso que mexerá com o seu coração. Para sempre. Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin’ pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo… até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular… e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leva um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca. Ao contrário do que se imaginava – a relação com Bo aumentaria ainda mais a sua autoestima –, Will começa a duvidar de si mesma e temer a reação dos colegas da escola. É então que decide recuperar a autoconfiança fazendo a coisa mais surreal que consegue imaginar: inscreve-se no Concurso Miss Jovem Flor do Texas – junto com três amigas totalmente fora do padrão –, para mostrar ao mundo que merece pisar naquele palco tanto quanto qualquer magricela.

Muitas vezes, quando um livro ganha adaptação, a gente vai ler o livro para ver a adaptação depois, esse geralmente é o normal. Mas com “Dumplin’” eu fiz o contrário: logo que o filme foi lançado na Netflix, eu o assisti e eu adorei cada segundo dele. Então agora eu tive a oportunidade de ler o livro e preciso dizer (algo que todos nós sabemos que acontece muito no meio das adaptações): o livro é INFINITAMENTE melhor do que o filme.

Em “Dumplin’” nós conhecemos Willowdean, uma garota do ensino médio que mora com sua mãe, trabalha em uma lanchonete e gosta de passar o tempo livre com sua melhor amiga, além de nutrir uma pequena crush pelo seu colega de trabalho. Não tem absolutamente nada de extraordinário sobre ela, tirando seu amor supremo por Dolly Parton e a vida dela é a mais tranquila possível. Até que as coisas começam a mudar conforme se aproxima o concurso de misses que tem em sua cidade – e do qual sua mãe é chefe do comitê por ter ganhado alguns anos atrás.


“Porque a palavra gorda deixa as pessoas constrangidas. Mas, quando alguém me vê, a primeira coisa que nota é o meu corpo. E o meu corpo é de uma gorda. Por exemplo, eu posso notar que algumas garotas têm peitos grandes, cabelos oleosos ou joelhos ossudos. São coisas que é permitido dizer sem rodeios. Mas a palavra gorda, que é a que melhor me descreve, deixa as pessoas desconfortáveis.”

Então sua amizade com Ellen começa a estremecer por fatores externos e seu status de relacionamento com Bo passa de um crush não correspondido para trocas de beijos escondidas (e isso não é exatamente um spoiler, porque é logo no início do livro que acontece), o que faz a aparente confiança de Willow – que nunca parecia ligar para como as pessoas olhavam para seu corpo – começar a desabar aos poucos.

Quando isso acontece, ela vai atrás de algo que a conforte e é em meio aos pertences de sua tia que faleceu alguns meses atrás que ela encontra algo que faz a diferença na vida dela: um papel do concurso de miss, não completamente preenchido, bem antigo, de quando sua tia era mais nova. E é aí que ela decide entrar no concurso em busca de quem ela é de verdade e de uma aceitação própria.


“Sinto vontade de soltar um suspiro, mas me contenho porque ela vai ouvir. Por mais alto que esteja o volume da tevê. Mesmo que já se houvesse passado dois anos e eu já estivesse na faculdade ou morando em outra cidade, a centenas de quilômetros de distância, minha mãe me ouviria suspirar e me telefonaria para dizer: “Dumplin’, você sabe que eu detesto esses suspiros. Não há nada mais desinteressante do que uma jovem reclamona.
Na minha opinião, essa tese está furada sob vários aspectos.”

Como eu disse acima, eu vi o filme muito, muito antes de colocar as mãos no livro e “Dumplin’” virou facilmente um dos meus filmes favoritos no momento que eu o vi, porque eu gostava bastante de como tudo era abordado. Mas ter o livro me fez sentir que eu fui absurdamente roubada pela adaptação, porque a adaptação falhou em muitas, muitas coisas.

Por exemplo, no livro, nós temos uma visão mais profunda sobre Willow. Enquanto no filme fica meio dúbio do porque ela começa a se sentir mal quando sempre aparentou ter uma confiança nela mesma que nada seria capaz de abalar, no livro nós vemos em primeira mão os pensamentos de Willow e sabemos exatamente o que ela pensa, o que ela sente e o quanto os acontecimentos de tudo a afetam.


“A vida inteira tive um corpo digno de comentários, e se há uma coisa que viver na minha pele me ensinou foi que, se o corpo não é seu, você não tem direito de dizer nada. Seja a pessoa gorda, magra, alta ou baixa, não interessa.”

O relacionamento de Willow com Ellen também é muito diferente no livro e no filme. Enquanto no filme parece que Willow surta com a melhor amiga sem motivo aparente, no livro nós podemos ver todas as nuances e todas as coisas que levam ela a explodir. Inclusive vou guardar muito dos meus pensamentos sobre a amizade delas para não dar nenhum spoiler aqui porque não tem como falar o que eu acho sem dar spoilers profundos da história.

O que me leva a uma das coisas que mais me incomodou sobre o filme: tudo sobre o romance no filme. Enquanto no filme nós não temos nem um terço de desenvolvimento de relacionamento, no livro Willow não tem só um interesse amoroso, mas tem dois – e os dois têm um bom desenvolvimento, apesar de claramente só um ter dado certo.


“Sei lá, acho que você deve ser quem quiser ser, até sentir que é a pessoa que está tentando se tornar, seja lá quem for. Às vezes, fingir que a gente é capaz de fazer uma coisa é meio caminho andado.”

Então não é surpresa nenhuma que se os “principais” relacionamentos de Willow tanto com Ellen quanto com Bo são mais explorados no livro do que no filme, que os outros relacionamentos dela: com a mãe, com as amigas que ela faz por conta do concurso, até o luto que ela está sentindo por ter perdido a tia são apenas um traço no filme do que realmente importa e é no livro. Enfim, acho que já deu pra entender porque eu me senti tão roubada assim.

De toda forma, se você já assistiu “Dumplin’”, mas ainda não leu o livro, faça um favor a si mesmo e leia o livro. Sério. O livro é UM MILHÃO DE VEZES melhor que o filme, apesar de o filme ser um bom filme, nunca será uma adaptação digna de tudo que Willow merecia que fosse.

“Dumplin’” é um livro muito bem escrito e muito delicado em todos os temas que ele trata, desde aceitação própria quanto sobre amizade e todo mundo deveria ler ele.

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