22.10


“The Book of Form and Emptiness”
Ruth Ozeki
ARC recebido em formato físico em parceria com a Penguin Random House International
Editora Faber and Faber

Data de lançamento internacional: 30 de setembro de 2021

Um ano após a morte de seu pai amado e músico, Benny Oh, de treze anos, começa a ouvir vozes. As vozes pertencem as coisas de sua casa – um tênis, um enfeite de Natal quebrado, um pedaço de alface murcha. Embora Benny não entenda o que essas coisas estão dizendo, ele pode sentir seu tom emocional; alguns são agradáveis, um murmúrio ou arrulho suave, mas outros são sarcásticos, raivosos e cheios de dor. Quando sua mãe desenvolve um problema com acumulação, as vozes se tornam mais clamorosas.

A princípio Benny tenta ignorá-los, mas logo as vozes o seguem fora de casa, na rua e na escola, o levando a finalmente buscar refúgio no silêncio de uma grande biblioteca pública, onde os objetos são bem comportados e sabem como falar em sussurros. Lá, ele se apaixona por uma hipnotizante artista de rua com um furão de estimação presunçoso, que usa a biblioteca como seu espaço de atuação. Ele conhece um poeta-filósofo sem-teto, que o incentiva a fazer perguntas importantes e encontrar sua própria voz entre as muitos.

E ele encontra seu próprio Livro – uma coisa falante – que narra a vida de Benny e o ensina a ouvir as coisas que realmente importam.

“The Book of Form and Emptiness” combina personagens inesquecíveis, um enredo fascinante e relacionamentos vibrantes com tudo, desde jazz a mudanças climáticas e nosso apego aos bens materiais. Esse é um clássico da Ruth Ozeki – ousada, humana e comovente.

Como vocês já sabem, essa resenha é em parceria com a Random House Internacional, de quem recebemos esse ARC (Advance reading copy: algo como “uma cópia de leitura avançada”, ou seja, o livro ainda pode sofrer alterações antes de ser publicado). Também lembrando que essa resenha terá um formato diferente: por ser um ARC, não haverão quotes, já como os livros podem sofrer mudanças em seu texto antes de serem comercializados. Gostaríamos de agradecer profundamente a Editora pela oportunidade de parceria.

Se eu fosse definir “The Book of Form and Emptiness” (“O Livro da Forma e do Vazio”, em tradução livre) em uma única palavra, ela seria luto. Acho que por isso que esse livro teve um efeito ainda mais melancólico em mim, e quando eu o terminei, eu só sentia um peso em meu coração. Acho que qualquer pessoa que já passou pelo luto profundo vai entender a jornada de Benny e tudo que ele passou desde começo da narrativa.

O pai de Benny, um músico de clarinete de jazz chamado Kenji, é morto em um atropelamento bastante triste, com uma descrição mais voltada para o que ele sentia e via do que realmente a colisão em si ou na dor que o homem sentiu. Annabelle, a mãe de Benny e esposa de Kenji, fica obviamente desolada de perder o marido, mas, mais do que isso, ela perde um pouco da vida, e, com isso, começa a ter dificuldade de pagar as contas, lidar com o filho que recém havia entrado na adolescência e ainda lidar com o vazio que agora sente dentro de si sendo uma viúva.

Diversas passagens do livro realmente são triste e dolorosas porque não há o que fazer com o luto além de simplesmente deixar ele se instalar e esperar que o cinza do mundo comece a ceder, o que gradualmente, com a vida, começa a acontecer – mas o processo para isto começar a acontecer é muito, muito difícil e repleto de dor.

Para o leitor, a falta que Kenji começa a fazer na família e na rotina da casa se faz presente quando Benny se lembra de quando fazia as refeições sentados na mesa, rindo e conversando, e como agora sua mãe parece começar a sumir dentro de si mesma naquele sofrimento sem fim. Quando as coisas começam a ter vozes, para o leitor parece a conclusão óbvia de que Benny está procurando uma escapatória para sua solidão e sofrimento, procurando histórias em objetos que não podem falar mas que presenciaram muito já, tudo enquanto Annabelle começa a desenvolver a Síndrome de Diógenes, popularmente conhecida como a síndrome de acumulador, o que faz com que todas aquelas coisas ali tenham algo para falar para Benny. Algumas vezes eram vozes tristes, algumas vozes solitárias, mas as piores eram definitivamente as com raiva, todas tentando se comunicar com o garoto, até que um evento na escola com uma tesoura faz com que ele exploda e conte o que está se passando com ele.

Claro e óbvio que Benny é levado a acreditar que tem algo errado com ele (esquizofrenia, no caso) e aqui entra toda parte da critica social: como o sistema de saúde dos Estados Unidos pode ser predatório, e Annabelle, prestes a se tornar desempregada, tem que praticamente implorar para o patrão a manter no lugar pelo menos mais algum tempo para que o filho possa ter a ajuda que eles acreditam ser necessária. A falta de ajuda real que tanto ela quanto o filho estão tendo chega a ser difícil de ler, mas também podemos entender: quem morreu foi Kenji, marido e pai, e o mundo lá fora continua a girar normalmente, as pessoas estão vivendo e sua grande maioria nem sequer sabiam quem o homem eram. É assim na vida real também, por mais estranho e doloroso que seja.

Temos mais de um ponto de vista na narrativa, mas temos dois principais que são o que conduzem toda narrativa: O livro da vida de Benny e do próprio garoto, que vai encontrando paz em uma biblioteca, aonde ele conhece uma pessoa que lhe apresentará toda a parte cultural que lhe faz falta – ela se chama de The Aleph. Claro que dai nasce uma amizade, que pode até mesmo ser apontada como uma pequena história de um primeiro amor. A narrativa conta o passado dos dois personagens pais de Benny também, fazendo com que o leitor tenha o ponto de vista tanto do garoto quanto do seu livro, provocado grandes momentos na leitura, que realmente me pegaram.

No entretanto, a personagem do livro, pra mim, é Annabelle. Como o nome do livro aponta, o livro também fala sobre o vazio, e aqui temos muito da personagem tentando preencher esse vazio. Me vi em diversos momentos nela e cheguei a chorar em uma passagem com a personagem.

Porém se você prestar atenção somente na nota que dei a este livro, você pensará que tem algo errado, porque venho falado como vi em personagens e como o luto não tem tempo, porque sim, já passei por ele. Então o que deu errado nessa leitura para mim? A resposta está no mesmo livro, que começa com uma carta da própria autora, Ruth Ozeki: ela fala da experiência individual que tem com cada livro, como cada um tem uma forma e uma leitura diferente porque cada um lê o livro de uma forma diferente, e aquele livro havia mudado de diversas formas para ela, enquanto o escrevia. Acho que isso aconteceu comigo. Não era o momento de ler esse livro, já como o livro justamente próximo de uma data muito forte para mim e eu precisei me afastar emocionalmente um pouco da trama, a qual, é claro, precisa se investir e se envolver. Uma pena para mim.

Mas isso não me impede de ver todas as formas como esse livro seria capaz de ajudar alguém a encontrar consolo nas coisas ao seu redor, além da escrita magnífica da autora, bastante premiada lá fora. Não deixo de recomendar a leitura para ninguém, e, em um futuro não tão distante, pretendo reler essa história para, quem sabe, sentir tudo que ela poderia me fazer sentir no meio do vazio que é perder alguém que se ama profundamente.

Thanks for the free book, Penguin Random House International.

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