20.07

Sinopse: A chegada da adolescência vem sempre acompanhada de momentos que podem marcar nossas vidas para sempre. Afinal, é nessa época que começamos a pensar em quem somos e o que queremos para o futuro, além de nos darmos conta de que, às vezes, a vida simplesmente foge do controle.

Nesta antologia, Camila Fremder, Clara Alves, Iris Figueiredo, Jim Anotsu, Julie Dorrico, Keka Reis, Luly Trigo, Olívia Pilar, Socorro Acioli e Vitor Martins narram com honestidade experiências típicas do início da adolescência ― a mudança de escola, a separação dos pais, o despertar de um sentimento inesperado, o amadurecimento às vezes precoce… O resultado são contos diversos, que emocionam, fazem rir e promovem a reflexão ao mostrarem que, mesmo que a adolescência venha de repente, a gente sempre acaba se encontrando no meio do caminho.

De repente adolescente” é uma antologia de contos pela editora seguinte com participação de muitos autores nacionais que tem voz ativa no editorial jovem adulto atualmente e eu preciso dizer que fiquei surpresa com o quanto eu achei a leitura uma coisa tão gostosa e boa de acompanhar (considerando que eu não sou realmente publico alvo do livro, sdds adolescência – mas nem tanto assim).

Todos os contos tem algo bem especial sobre eles: tem contos que falam sobre a descoberta da sexualidade, sobre as experiencias da adolescência – entre elas a primeira menstruação, tem conto que fala sobre primeiro amor e também sobre a dor de ter uma família separada seja por coisas que não puderam ser previstas como a morte ou pela separação dos pais, sobre se sentir invisível e muito mais, tudo escrito com o máximo de delicadeza e de uma forma tão bonita que era algo que eu gostaria de ter lido enquanto tinha a idade certa pra isso, que faria toda a diferença.


“A história que contei já aconteceu antes, mas vai acontecer de novo amanhã. Vai acontecer daqui uns annos também. Vai acontecer em mim ou numa das minhas irmãs. O Aarão Reis vai ser outro, mas vai estar lá. Assim como o delegado. Elles sempre estarão lá, hum ao lado do outro. Quando huma menina estiver voltando da escola e for baleada, quando hum homem não conseguir respirar, quando hum carro levar oitenta ou cento e onze tiros, quando hum menino estiver com seu uniforme escolar e perguntar pra mãe por que o homem atirou nele. Aarão Reis e o delegado estarão lá.
Sempre estiveram.”

São ao todo dez contos, mas eu queria usar esse espaço aqui para comentar aqueles que mais tocaram no meu coração:

“Eu estou aqui” de Clara Alves, que conta sobre uma garota que perdeu sua voz quando se viu sozinha com a mãe depois que o irmão dela virou as costas para as duas e não sabia como fazer mais para falar e para ser ouvida – e mais ainda, para mostrar que, apesar do irmão ter ido embora, ela ainda estava ali e ainda precisava ser amada e cuidada. Eu achei tão lindo e tão bem feito e me deixou em lágrimas em várias vezes, porque isso é realmente algo que acontece com muitos adolescentes, de não conseguirem achar sua própria voz.


“O que você nunca me disse é que o silêncio também fere. E a ponta dele às vezes é mais afiada que a da agulha. O silêncio desespera. Ele penetra na veia, invade a corrente sanguínea e preenche seu corpo todo de dúvidas.
O que aconteceu?
O que eu fiz de errado?
Por que eu sou assim?
Pra que estou aqui?
Por que todos me abandonam?”

Eu também gostei muito de “Entre algodões-doces e montanhas-russas” de Olivia Pilar que fala sobre Duda, que no parque de diversões, comemorando o aniversário de um de seus amigos mais antigos, ela começa a se questionar sobre como ela vê o mundo e sobre sua própria sexualidade. O conto é escrito de uma forma tão rica em delicadeza que eu fiquei bem emocionada e achei bem lindo, eu certamente adoraria ler um livro inteirinho sobre Duda e Lara e PH.

“A maior artista de Maranguape” de Socorro Acioli me fez rir DEMAIS. Eu achei muito divertida a história de Rayllane (não Rosélia Regina!) e de como ela tinha certeza absoluta de como estava destinada a ser uma grande estrela que levaria orgulho para a cidade dela. Não teve absolutamente nenhuma parte nesse conto que não me arrancou risadas, fosse de toda essa convicção de que ela nasceu para brilhar quanto as mini-confusões que ela se meteu até chegar onde chegou. É um conto muito divertido e gostoso de ler – e eu também iria amar ter um livro inteirinho dela pra me deliciar com essa personalidade maravilhosa que ela tem.


“No silêncio da biblioteca, é fácil lembrar que algumas pessoas duvidam da minha capacidade só porque eu me locomovo de um jeito diferente. E às vezes é difícil não me deixar abalar por conta disso.”

Mas “A batalha das mamonas verdes” de Jim Anotsu foi o conto que partiu meu coração – e também o ganhou. Eu demorei alguns minutos no inicio da leitura dele para entender que se tratava de ninguém menos que a terra narrando aquele conto sobre Luzia, seus amigos, sua mãe e seu cachorro e sobre uma batalha de mamonas que na verdade não eram sobre mamonas e sim algo muito mais sério e certeiro e que devia ser muito mais falado do que é. Eu chorei bastante enquanto lia, foi o conto que mais tocou meu coração de longe e que eu acho que todas as pessoas no mundo tinham que ler, mesmo que não queiram ler o livro todo, esse é o conto que precisa ser lido. A interrogação final feita pela terra nesse conto é algo que me assombra bastante, porque nós realmente parecemos viver em um mundo que esquece suas vitimas e dá mais foco aqueles que não mereciam ter foco nenhum. Eu nem tenho palavras pra descrever a perfeição que achei nesse conto, sinceramente. Leiam ele.


“O Brasil tem mania de recitar nomes que deveriam ser esquecidos e honrar os menos ilustres. Mas eu, ao contrário delle, faço o meu trabalho. Eu me lembro dos esquecidos.
E você?”

Com tudo isso, eu queria parabenizar a editora Seguinte por ter feito um trabalho tão bonito ao unir assim tantos autores tão bons e muito mais ainda a esses autores por tratarem com tanto cuidado e tanto carinho assuntos que mexem com muitos adolescentes. Eu tenho certeza que esse livro fará a diferença na vida de muitos deles, que é algo que é bem necessário sim pra quem está passando por essa fase que muitas vezes parece tão solitária, que na verdade eles não estão sozinhos.

Todos os contos merecem um carinho especial, mesmo os que eu não mencionei aqui (apenas para não prolongar ainda mais a minha resenha), mas todos, todos mesmo dão aquela aquecidinha gostosa no coração quando a gente termina de ler algo tão reconfortante.


“Seu primeiro impulso era sempre dizer que sim. Está tudo bem. Era o que as pessoas esperavam quando faziam essa pergunta, não era?”

Eu espero que, se você não é o publico alvo como eu, ainda assim dê uma chance para esse livro. E mesmo se você não quiser, indique ele para algum adolescente que você conhece e que possa estar precisando de um alento no meio dessa transição da infância pra vida adulta. Eu tenho certeza que eles vão amar.

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Magazine Luiza.
Travessa.

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