25.05

Sinopse: O romance mais pessoal da autora de Por Lugares Incríveis.

Passar o verão numa ilha remota não era o plano de Claudine Henry. Ela deveria estar viajando de carro com sua melhor amiga, aproveitando cada minuto antes de ir para a faculdade. Mas depois que seus pais anunciam o divórcio, o mundo dela vira de cabeça para baixo — e Claude vai parar nesse destino improvável, acompanhando a mãe que tenta se reconstruir depois da separação.

Ali, a garota não tem internet, sinal de celular ou amigos. Até que conhece Jeremiah. Com o espírito livre e um passado misterioso, a química entre os dois é imediata e irresistível. Enquanto vivem aventuras pelas praias, dunas e florestas, Claude e Miah tentam não se apaixonar — afinal, esse relacionamento tem os dias contados. Mas talvez viver esse romance seja exatamente do que Claude precisa para começar a escrever sua própria história.

Hoje minha resenha vai ser um pouco diferente de todas as resenhas que eu já fiz até aqui. Eu provavelmente nunca fiz e nunca vou fazer novamente uma resenha tão honesta e tão pessoal quanto a que estou escrevendo agora porque eu acho que, no final das contas, isso é o mínimo que eu posso fazer já como a própria Jennifer falou que esse é o livro mais pessoal dela. Então, para honrar isso, eu vou começar falando sobre como esse livro me toca, o assunto que é muito pessoal e que continua comigo mesmo tanto tempo depois.


“— Clew — ele repete. — Não é que eu não me importe com você.
Mesmo agora, neste instante, enquanto o piso do meu quarto desaparece, enquanto eu olho para baixo, para além dos meus pés, e me pergunto como vou ficar em pé de novo, ele não consegue dizer amo. Como em
Não é que eu não te ame.
Então ele diz:
Eu só não posso ter uma família neste momento.

Quando eu tinha 11 anos, meus pais se separaram. Simples assim. E assim como foi com Claude, eu não vi isso vindo num total: claro, existiam brigas, mas era algo normal. E então, lá estava eu, tentando entender o que eu tinha perdido no meio daquele acontecimento, porque um dia meu pai estava ali em casa nos fazendo companhia e no outro dia ele estava levando as coisas dele embora, porque ele e minha mãe não se amavam mais.

E, assim como foi com Claude também, um tempo depois eu descobri que tinha mais naquela história do que o que foi dito e isso foi o mais difícil. Não foi a separação, foi a mentira contada que deteriorou um relacionamento de 11 anos que eu tinha com meu pai e quando você descobre uma mentira, fica muito fácil de se questionar sobre todo o resto, se tudo que foi falado e tudo que foi vivido por vocês também foi uma grande mentira.


“É uma dessas tragédias às quais minha mãe, a escritora, se refere como um momento definidor: aquele momento em que a vida muda de repente e você tem que juntar os pedaços. Ela diz que é como você junta os pedaços que define quem você é.”

Claude, que até então tinha a vida perfeita, com pais que se amavam, se vê tendo que ir embora da casa na qual cresceu para passar um verão com sua mãe em uma ilha – onde a mãe tem um trabalho para fazer para um novo livro e assim ela é obrigada a deixar tudo para trás: a melhor amiga com quem tinha planos para o último verão que passariam juntas antes de irem para a faculdade, sem nem poder ter contado a amiga sobre a separação dos pais porque pediram a ela que não falasse nada e também deixando o carinha por quem ela era apaixonada.

Assim que chega na ilha, ela precisa aprender a lidar com as coisas na cabeça dela: com a separação dos pais, com o fato de não ver mais nenhum dos dois como via antes e com todo um tempo livre sem ter exatamente o que fazer naquela ilha. É então que ela conhece Jeremiah ou Miah para os íntimos – mas nunca J. Crew, como deixam bem claro no livro.


“Porque os sentimentos podem mudar da noite para o dia, pelo jeito. E talvez o problema seja eu. Talvez eu seja demais. Ou talvez não seja o bastante.”

O garoto consegue ver que ela está sendo consumida pela dor e pelo silêncio e decide ajudar ela a se ocupar com outras coisas pelo tempo que ela vai ficar ali – e ele também, porque é apenas um visitante anual, não é o lugar onde ele mora. E o próprio Miah já passou por coisas na vida, que o levaram para aquela ilha em primeiro lugar, quando esteve lá a primeira vez, que são exploradas conforme o livro vai passando.

Assim os dois começam a desenvolver um relacionamento em que eles tentam ter, acima de tudo, sinceridade entre eles – e apesar de ter uns trancos e barrancos no caminho, é um relacionamento tão bonito e que faz tão bem um para o outro enquanto lutam com seus próprios demônios, que é lindo de se acompanhar pelas páginas do livro.


“A vida é um acúmulo de dores. Elas nos preenchem e nos tiram o ar e achamos que nunca mais vamos conseguir respirar. Mas antes de nos darmos conta, somos apenas palavras em um papel, silenciados e adormecidos até que alguém encontre essas palavras e as leia.”

Mas resumir esse livro a um romance de verão é muito pouco. Ele é um livro bem mais profundo, que mostra duas pessoas com suas próprias feridas, aprendendo e se curando, se ajudando. Mas também mostra como, às vezes, o tempo realmente ajuda você a seguir em frente, mesmo quando você acha que não conseguirá mais.

Eu queria aproveitar esse espaço aqui para falar que nunca na vida eu li um livro que entrasse tão profundamente em mim sobre esse assunto, sobre envolve uma separação. Parece que, tudo que passa na cabeça de Claude, foram coisas que passaram na minha cabeça durante todos esses anos. Era como se Jennifer tivesse adentrado na minha mente e roubado meus pensamentos de mim. Então esse livro tem um peso pra mim que pode não ter pra muita gente. Eu sei que muitas pessoas também só vão focar no romance que tem nele e eu acho que está tudo bem também. Assim como vários livros não funcionaram pra mim, eu sei que muitas coisas que eu li também não funcionaram para outras pessoas, mas eu espero apenas que quem pegar esse livro, o pegue com a mente e o coração abertos, porque essa história é MUITO mais do que um romance.


“E isso, eu sei, faz parte de amadurecer. A parte que não te falam. Que você pode de repente estar em outro quarto, que não se parece em nada com aquele com que está acostumada, e não há como voltar — por mais que você queira —, porque de agora em diante só existe este lugar, e a única coisa a fazer é se acomodar e tentar encontrar sentido nisso e dizer a si mesma que esta é a sua vida agora. Vai ser assim. E você vai ficar bem. Você vai conseguir. Porque não tem escolha.”

Existem livros que a gente lê que nos marca bastante e nisso eu posso citar “Fangirl” de Rainbow Rowell ou “Garotas de Vidro” de Laurie Halse Anderson, mas eu acho que nenhum livro vai ficar comigo, dentro de mim, tanto quanto “Sem Ar”. Tudo que eu posso fazer, no final, é agradecer a Jennifer Niven por ter escrito esse livro e por ter compartilhado com todos nós e também a editora Seguinte por ter publicado ele aqui. Foi um livro que me fez chorar bastante, que abriu feridas que eu pensava que estavam fechadas já ao mesmo tempo que me confortava ao fazer isso, e que também vai ficar gravado na minha mente o resto da vida como um dos melhores livros que eu já li e que me tocou de um jeito que eu nunca fui tocada antes.

Para comprar “Sem Ar” basta clicar no nome da livraria:

Amazon, com brindes.
Amazon, sem brindes.
Magazine Luiza.
Submarino.
Travessa.

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