02.04

“O Som do Rugido da Onça”
Micheliny Verunschk
Companhia das Letras – 2021 – 168 páginas

Neste romance embebido de lirismo, Micheliny Verunschk joga luz sobre a história de duas crianças indígenas raptadas no Brasil do século XIX.

Em 1817, Spix e Martius desembarcaram no Brasil com a missão de registrar suas impressões sobre o país. Três anos e 10 mil quilômetros depois, os exploradores voltaram a Munique trazendo consigo não apenas um extenso relato da viagem, mas também um menino e uma menina indígenas, que morreriam pouco tempo depois de chegar em solo europeu.

Em seu quinto romance, Micheliny Verunschk constrói uma poderosa narrativa que deixa de lado a historiografia hegemônica para dar protagonismo às crianças – batizadas aqui de Iñe-e e Juri – arrancadas de sua terra natal. Entrelaçando a trama do século XIX ao Brasil contemporâneo, somos apresentados também a Josefa, jovem que reconhece as lacunas de seu passado ao ver a imagem de Iñe-e em uma exposição.

Com uma prosa embebida de lirismo, este é um livro sem paralelos na literatura brasileira ao tratar de temas como memória, colonialismo e pertencimento.

Um romance que expande as fronteiras da arte literária ao trazer memória, argumentos antropológicos e o melhor que a ficção pode nos oferecer.
– Itamar Vieira Junior

Estamos participando do Desafio Literário da Companhia das Letras: 5 livros nacionais em 5 dias. Durante toda essa semana, postaremos nossas impressões dos livros aqui no site em nosso Instagram, Convidamos todos a participarem conosco – para todas as dúvidas, basta ler nosso post completo sobre o desafio clicando AQUI.

Eu gostaria de começar essa resenha falando sobre o quanto esse livro me surpreendeu. Claro que eu já imaginava, pela sinopse, que se tratava de um livro muito bem escrito, mas nunca imaginei ficar por diversas passagens com um pequeno caroço em minha garganta ao pensar sobre a vida tão curta de Iñe-e e Juri.

Esse livro me impactou de diversas formas e em diversos momentos, me fazendo terminar de ler ele com um sentimento bem conflituoso dentro de mim, porque ao mesmo tempo em que achei o final ter sido feito de uma forma poética assim, algo genial, parte de mim queria algo maior para aqueles que fizeram tanto mal a duas crianças da forma como esses dois homens fizeram.

O mais interessante sobre isso tudo é que eram pessoas reais nas páginas do livro: pessoas que existiram e que por um breve momento acharam que estavam fazendo algo certo, apesar de eu não conseguir acreditar completamente nessa narrativa. Eu fiquei me perguntando se “será que eles acreditam mesmo nisso ou será que a mente dele estava tentando mostrar como aquilo estava tão errado (vide que o próprio cientista tentou mudar e reescrever como se tivesse sido um grande salvador e não um homem que tirou uma criança de sua família e de toda a vida que ela teria pela frente)?”

O que mais me dói nisso tudo é saber quantas Iñe-e existiram (não só tiradas daqui do Brasil, mas algumas tiradas de outras partes do mundo) e que muitas delas ainda existem e estão por aí a mercê de pessoas que só olham para o próprio umbigo – e que não entendem o próprio privilégio, achando que por ter um privilégio assim, deviam chegar em suas casas e em suas famílias e fazer com que elas mudem totalmente o seu modo de pensar, de agir, seus nomes como se fossem grandes salvadores, ao invés de simplesmente deixarem as pessoas serem o que são.

Acho que vai passar muito e muito tempo antes de eu conseguir deixar de pensar nesse livro. E eu só tenho a agradecer a Micheliny, por ter escrito esse livro tão bom e tão bem estudado e detalhado e a Companhia das Letras pela publicação e por ter feito esse livro chegar dessa forma até a mim.

“Por que Iñe-e, que era livre, agora tinha donos?”

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