30.03


“Apague a luz se for chorar”
Fabiane Guimarãesm
Alfaguara – 2021 – 160 páginas

Cecília não sabe muito bem o que fazer com a própria vida. Depois de mudar de Brasília para o Rio de Janeiro, a jovem ainda não conseguiu encontrar um emprego nem organizar seu futuro.

João, pai solteiro de uma criança com paralisia cerebral, tenta levar a vida em Brasília como pode. Trabalha como veterinário na capital federal durante o dia e procura formas de ganhar mais dinheiro à noite — o objetivo é juntar quantia suficiente para bancar um tratamento experimental para o filho.

Quando os pais de Cecília morrem, ela é forçada a voltar para a pequena cidade de sua infância, onde eles ainda moravam. Mas uma dúvida começa a atormentá-la: a possibilidade de que eles foram assassinados. E João, desesperado por mais recursos, começa a se aventurar por trabalhos pouco recomendáveis.

Ao cruzar suas histórias, Fabiane Guimarães cria um suspense impactante sobre o que significa ser parte de uma família, e os limites que estamos dispostos a ultrapassar para mantê-la.

Estamos participando do Desafio Literário da Companhia das Letras: 5 livros nacionais em 5 dias. Durante toda essa semana, postaremos nossas impressões dos livros aqui no site em nosso Instagram, Convidamos todos a participarem conosco – para todas as duvidas, basta ler nosso post completo sobre o desafio clicando AQUI.

Eu precisava de mais tempo para digerir esse livro. É isso que eu sinto, acima de todas as outras emoções que senti.

O que temos aqui é uma trama narrada por dois pontos de vistas: Cecília e João, que são veterinários e possuem vidas bastante diferentes. João é um personagem que confesso que não senti muita empatia por ele, mesmo ele cuidando sozinho do filho com paralisia, já como a esposa o abandonou, morando em Brasília. Cecília, na outra mão, em uma personagem que te provoca muitos sentimentos confusos porque ela é confusa: em um lugar negro de sua vida, ela está desempregada, separada e morando sozinha no Rio de Janeiro, onde recebe a notícia da morte dos seus pais. Com isso, ela muda para Pirenópolis, no interior do Goiás.

A autora tenta enganar os leitores (e confesso que me enganou por uma parte do livro) tentando mostrar o papel de Cecilia e João um na vida do outro, porque é claro que as narrativas deles irão se colidir em algum ponto, se não, não teríamos as narrações de ambos. A trama do livro é muito, muito rápida e bastante resumida (algumas vezes até demais para mim), e muitos elementos que remetem aos bons e velhos segredos familiares. Seriam Raul e Margarete, os pais de Cecília, tão boas pessoas assim? Seria a moral de João sobrepujada pelo amor que ele sente por seu filho com paralisia cerebral a ponto de tomar decisões erradas para juntar dinheiro e levar seu filho para fazer um tratamento experimental na China? O que segredos são capazes de fazer?

Não quero falar mais do que isso porque se eu mencionar qualquer coisa além, vou entregar spoilers, mas eu errei logo no começo ao tentar imaginar o papel de Cecilia na vida de João. Quando enfim entendi o papel de João na vida de Cecilia, veio de uma pequena passagem que me fez parar a leitura por alguns minutos porque eu precisava digerir aquela informação. A revelação primeira chega nas entrelinhas, e, depois, escancarada, deixando a gente com um rombo no peito e a sensação de se questionar o que faríamos naquele lugar.

Não sei te responder.

Não sei dizer o que devo pensar. Não sei se chamo alguns personagens de egoístas ou se entendo e aceito suas decisões. Não sei se devia chorar ou ficar com raiva ao terminar o livro. Não sei se passei a gostar mais ou menos de Cecilia. Não sei bem se preciso dizer que este livro tem gatilhos porque não entendo muito bem se existiram realmente. O que eu sei é que, com toda certeza do mundo, eu indico esse livro para quem gosta de um livro que é capaz de te fazer ficar sentade no escuro. Chorando ou não.

Queria poder dizer que fui uma filha amável e dedicada a poucos meses da notícia mais cruel da minha vida. Mas, como costuma acontecer, eu era só um ser humano exausto procurando me encaixar no mundo enquanto a existência deles estava prestes a se encerrar.

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Travessa.
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