26.01


“The Mysterious Disappearance of Aidan S. (as told to his brother)”
David Levithan
ARC recebido em formato de eARC em parceria com a Penguin Random House International
Data de lançamento internacional: 02 de fevereiro de 2021

Aidan desapareceu por seis dias. Seis agonizantes dias de buscas e polícia e perguntas e vigílias constantes. Então, tão repentinamente quanto desapareceu, Aidan reaparece. Onde ele esteve? A história que ele conta é simplesmente… impossível. Mas é a história que Aidan afirma.

Seu irmão, Lucas, quer acreditar nele. Mas Lucas está ciente do que outras pessoas, incluindo seus pais, estão dizendo que Aidan está inventando tudo para disfarçar o fato de que fugiu.

Quando as crianças na escola ouvem a história de Aidan, elas zombam dele. Mesmo assim, Aidan se apega à história dele. E à medida que ele se torna mais um tipo de pária, Lucas fica cada vez mais preocupado. Estar do lado de Aidan significaria acreditar no impossível. Mas como você pode acreditar no impossível quando tudo e todos estão dizendo para você não acreditar?

Como vocês já sabem, essa resenha é em parceria com a Random House Internacional, de quem recebemos esse eARC (Advance reading copy: algo como “uma cópia de leitura avançada, ou seja, o livro ainda pode sofrer alterações antes de ser publicado). Também lembrando que essa resenha terá um formato diferente: por ser um ARC, não haverão quotes, já como os livros podem sofrer mudanças em seu texto antes de serem comercializados. Gostaríamos de agradecer profundamente a Editora pela oportunidade de parceria.

Escolhi esse livro de cara pelo autor David Levithan, que já escreveu coisas que eu amo e sempre me tocam (“Todo dia”, “Invisível” e outros), então foi fácil querer ler o mais novo livro dele. Li a sinopse e não me atentei a classificação etária, e confesso que ainda bem que não fiz isso. Não fiz porque este livro é o clássico exemplo de livro bom não tem idade, mas eu teria incorrido no erro de pensar que é um livro “para crianças” e não deveria ler. Que bobagem! Realmente acredito que livro bom não tem idade e ainda bem que li “The Mysterious Disappearance of Aidan S.”.

O livro começa com Aidan já sumido e tudo que Lucas estava passando, de interrogatórios com a polícia ao medo de ver os pais naquele estado de aflição por terem um filho desaparecido. Lucas tem 11 anos, e eu sei que você pode pensar que tendo um ponto de vista narrativo com tão pouca idade, a estrutura literária seria infantilizada – e não, não tem (alias, se um livro tem um único defeito, eu diria que justamente é o fato de Lucas ser tão maduro assim para sua pouca idade. Eu sei que eu, aos 11 anos, não era nada madura assim e não teria as atitudes calma e tranquilas que Lucas teve). Lucas é um garoto que só quer ter sua família de volta e seu melhor amigo, seu irmão um ano mais velho, Aidan. O estado da família já está entrando no desespero, ainda mais com a polícia começando a mudar o tom do “vamos ter esperanças” para o “talvez o pior tenha acontecido”, afinal, um garoto de 12 anos desaparecido por 6 dias, não é algo tão simples. Sendo formada em documentários de crimes reais, sei que as primeiras 72 horas são as críticas para a procura por desaparecidos serem recuperados com vida e Aidan já estava desaparecido pelo dobro de horas.

Deitado em sua cama, Lucas se lembra da noite que Aidan desapareceu. Ele dormiu, o irmão estava lá. Ele acordou e Aidan não estava mais lá. Então Lucas escuta passos no sótão, enquanto os pais e outras pessoas estão no andar térreo, ainda desesperados com tudo que estava acontecendo. Lucas sobe até o lugar e encontra o irmão velho lá, com os pés sujos e parecendo bem, mas mudado. Não demora para Lucas chamar os adultos e assim Aidan é levado até lá embaixo, esperando dizer o que realmente aconteceu. E ele fala primeiro para o irmão: estava em Aveinieu.

Aidan conta que entrou por um velho guarda-roupas que estava no sótão e saiu nesse lugar tão melhor do que temos aqui: não porque há castelos ou um universo maravilhoso, mas simplesmente porque as pessoas se respeitam, respeitam os animais e respeitam o mundo aonde vivem porque o adoram. Aidan parece profundamente abalado com a volta, e claro que os pais, assim como todos adultos, acreditam que foi o trauma que ele passou que está afetando a personalidade do irmão, que sempre foi tido como o “estável”.

Lucas faz o que precisa ser feito e conta aos adultos o que ouviu do irmão. Logo começa o grande interrogatório com Aidan, que realmente confirma e continua com sua história: ele estava em outro lugar bem melhor chamado Aveinieu. Lucas, por ser tão próximo de Aidan, dá a ele sua total confiança e acredita na palavra do irmão, por mais que parecesse impossível.

Outra coisa que também me causou diversos pensamentos conflitantes enquanto lia foi o simples fato de que as pessoas que ficam enquanto uma viagem fantástica se inicia… elas ficam para trás. Parece algo tão obvio, mas que quando embarcamos nas histórias que amamos, não pensamos sobre o que são deixados para trás. E mais ainda – as pessoas que ficam próximas daquelas que estão sofrendo, aqui especificamente os pais de Aidan, como elas reagiriam se acreditassem que “perderam seu tempo” porque não havia acontecido uma coisa ruim. As pessoas esperam o ruim, mas nunca, absolutamente nunca, o extraordinário.

O livro é inteiro no ponto de vista de Lucas e por diversas vezes, eu me peguei pensando em como há uma ironia aqui: somos tão ligados em fantasia, conquistar outros mundos, salvar o nosso mundo – mas, se alguém chegasse perto de nós contando algo assim, principalmente uma criança, nós iriamos acreditar? Eu tenho quase certeza que não. E é aqui que temos o maior triunfo de “The Mysterious Disappearance of Aidan S.”: ele nos faz novamente querer acreditar. Que horas que crescemos tanto que passamos a nos tornos tão descrentes de tudo? Por que podemos aceitar a maldade e a crueldade, mas não o fantástico? Claro que essas perguntas são hipotéticas e cabem dentro da trama, mas são perguntas válidas em nossa vida no dia a dia.

Indico o livro para você, que quer ler uma história fantástica e ficar com o coração quentinho. Um livro curto e rápido, com um inglês bem básico e que é realmente capaz de te fazer querer chorar, mas não do tipo ruim, por raiva de um personagem morrer ou por uma injustiça, mas chorar por se sentir um pouco crédulo novamente. Por se sentir criança mais uma vez – e de um jeito bom.

Se eu fosse resumir o livro, eu diria que você pode entender que temos aqui a resposta para: “O que acontece depois da fantasia?”. O mundo comum continua no mesmo lugar, mas você viveu uma aventura, você conheceu outros mundos, você se tornou outra pessoa que não cabe mais no mundo ordinário. E as pessoas que você ama? Elas vão acreditar em você? Elas vão acompanhar o seu novo eu?

No final das contas, o que temos aqui é uma história sobre acreditar. Sobre fé, sobre amor, sobre perda e sobre cura – tudo isso junto, porque desaparecer em outros mundos pode parecer fácil, mas nem sempre o retorno será fácil.

Thanks for the free book, Penguin Random House International.

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