10.01

Sinopse: (tradução livre)

Oliver Marks acabou de cumprir dez anos na prisão – por um assassinato que ele pode, ou não, ter cometido. No dia de sua soltura, ele é saudade pelo homem que o colocou na cadeia. Detetive Colborne está se aposentando, mas antes de o fazer, ele quer saber o que realmente aconteceu há dez anos.
Como um dos sete jovens atores estudantes de Shakespeare em um colégio de artes elitista, Oliver e seus amigos atuam os mesmos papéis dentro e fora do palco: Herói, vilão, tirano, sedutora, ingênua, coadjuvante. Mas quando o elenco muda, e estrelas secundárias usurpam o palco, a peça gira perigosamente para a vida, e um deles é encontrado morto. O resto encara seu maior desafio até então: convencer a polícia e a si mesmos, de sua inocência.

Minha primeira resenha de 2021, cuja leitura foi baseada quase que puramente pelo julgamento da Capa. Pois “não julgue um livro pela capa” nunca me fez muito sentido.

Eu achei o livro fascinante por muitos motivos, e vou tentar colocá-los abaixo. O livro começa com a sinopse (para aqueles que a leem) que eu achei intrigante. O ar clássico envolto no teatro Shakespeariano de primeira me seduziu, e a autora soube colocar o leitor realmente à par de toda a tragédia que é a vida e o comprometimento dos atores com o teatro clássico.

O livro tem uma narrativa não linear, sendo ela quebrada com algumas interrupções feitas pelo Oliver do presente na história que ele conta sobre o que aconteceu 10 anos atrás – fazendo com que nós, pobres leitores, suponhamos e tentemos adivinhar e acertar o desenrolar dos acontecimentos, baseados nas falas e comportamentos do narrador. Ele opina livremente na história, e nós somos guiados pelo olhar que invariavelmente se mistura entre personagem narrador e personagem narrado.

Ao mesmo tempo que acompanhamos Oliver contando o que aconteceu, e reagindo aos acontecimentos; vemos ele sofrendo os acontecimentos. E isso é um trunfo para que nós nos apeguemos muito a ele. Somos guiados pelas opiniões e olhares dele, até enganados pelo que ele não vê ou não da importância (nestas ocasiões me senti lendo um thriller de suspense, tentando focar em cada detalhes atrás de uma pista para o crime que viria a acontecer e precisaria ser solucionado – Agatha Christie alô!).

Mas não é só de suspense, mistério e crime que o livro é feito. Logo no começo percebemos que a quantidade de material de referência foi grande. Os alunos atuam peças ao longo do ano letivo, sendo divididos pela evolução da graduação. Os alunos do quarto ano são colocados como estrelas (e quase como heróis, por terem durado tanto na escola) e os trechos de peças são apresentados a nós de forma até que muito pesada, devo admitir.

Como não sou imerso no mundo do teatro, precisei pausar a leitura algumas diversas vezes para entender todas as nuances dos significados dos personagens atuados nas peças. Macbeth, Cesar, Romeu e Julieta entre outras, são peças cujos personagens atores absorvem dentro de suas próprias personagens – Pode parecer confuso, mas pense:

Um personagem no livro atua um personagem de alguma peça. Ele usa das palavras do personagem shakespereano para falar coisas de sua própria história.

E eu achei incrível como a autora (ela mesma uma atriz de teatro) conseguiu transpor tanta profundidade em algumas situações, principalmente no fim, em que os personagens do livro atuam a peça de Shakespeare chamada KING LEAR.

Eu, muitíssimo fan de Shakespeare, não conhecia essa peça e obviamente fui procurar a respeito para entender melhor o que os personagens da L.M. estavam passando. E oque eu encontrei foram diversas análises cobre como a tragédia de Shakespeare é conhecida por sua natureza investigativa sobre a natureza do sofrimento humano, mais especificamente sobre o sofrimento humano enraizado em afinidades pessoais. E É EXATAMENTE SOBRE ISSO que os personagens gritam durante todo o livro.

ahh, o drama.

Outra coisa que me interessou nesta leitura, foi o (aparente) surgimento de uma estética chamada DARK ACADEMIA, que foca no ambiente escolar de ensino superior dos anos 1970-1980 e tudo o que você pode imageticamente imaginar que englobe os assuntos de arte e arquitetura clássica em meio a livros surrados, uniformes de colégio interno, e aquele teor gótico do romantismo gótico. (Sério, procurem sobre Dark Academia, é interessantíssimo)

O livro, apesar de todos os pontos positivos, tende a ser um pouco previsível. Não sei se pelo guia ser ingênuo, ou a construção de todas as personagens entregarem facilmente o plot. Isso em parte é o que tirou algumas estrelas da nota final. Mas a torcida que o leitor constrói com a descoberta dos acontecimentos é genuína. Eu tive minhas esperanças e minhas desesperanças enquanto lia. E não posso deixar de afirmar: O MELHOR ESTÁ NO ÚLTIMO ATO. Quando muitas coisas são reveladas, para aqueles que ainda não suspeitavam.

O fatídico fim do livro é o mais interessante. Ele resume e destrói parte do sofrimento que o leitor acumula ao decorrer da leitura e abre possibilidades para a imaginação. Eu, particularmente, achei que o fim trouxe a cereja shakespereana que o livro precisava por direito.

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