14.08

Sinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.

[Aviso: livro com gatilho para depressão e suicidio]

Todo mundo que convive com algum tipo de problema com a saúde mental, seja própria ou de alguma pessoa próxima, sabe que sempre tem um limite onde se chega que é ali que a pessoa realmente perde tudo aquilo que está segurando por bastante tempo, que faz a crise se intensificar e vir mais forte, o tão falado “gatilho”.

E em “Perdão, Leonard Peacock” é justamente isso que nós vemos acontecer. Leonard seria um adolescente como qualquer outro: não é o aluno mais brilhante, também não é o mais popular, muito pelo contrario, ele é absolutamente normal. Não fosse o fato de ter experiencias em sua vida que o fazem se questionar constantemente se vale a pena ainda continuar a viver.

“Mas, falando sério, porque algumas pessoas postam na internet o jeito correto de cometer suicídio? Será que querem que gente estranha e triste como eu se vá para sempre? Será que acham que é uma boa ideia algumas pessoas darem um fim a si mesmas?”

O livro se passa basicamente em 24 horas: nesse tempo nós vemos a vida através dos olhos de Leonard e todas as nuances e momentos que o levaram para o exato momento em que ele está: é o dia do seu aniversário (que absolutamente ninguém lembrou) e ele não está apenas decidido a acabar com a própria vida, mas também levar junto com ele o seu algoz: Asher, que um dia foi seu melhor amigo e hoje é a pessoa que mais causou mal a Leonard.

Durante o dia, Leonard vai lembrando as coisas e explicando aos poucos, sem nenhuma romantização dos fatos, tudo que aconteceu enquanto ele procura as pessoas que ele ama para se despedir e deixar lembranças para que saibam que ele se importava com elas, apesar de escolher aquele final tão infeliz para si próprio, mas ao mesmo tempo tão libertador.

A grande pergunta é: Leonard conseguirá alguma ajuda para sair do buraco de dor onde se encontra e talvez assim resolver seguir sua vida ou realmente ninguém se importa com ele ao ponto de não se darem conta do que o garoto pretender fazer?

“Eu sei que você só quer que tudo acabe, que não consegue ver nada de bom em seu futuro, que o mundo parece escuro e terrível, e talvez você tenha razão, o mundo pode ser, definitivamente, um lugar apavorante.
Eu sei que você mal está suportando.
Mas, por favor, aguente mais um pouco.
Por nós.
Por si mesmo.”

A Virna tinha me indicado esse livro um bom tempo atrás e como boa procrastinadora que sou, sempre acabei me enrolando e arrumando outras coisas para ler e passando na frente dele, até que durante essa semana eu enfim segurei ele e o li: e não só li como chorei e sofri junto com Leonard durante aquelas páginas, porque como eu mencionei acima, nada é romantizado nesse livro.

Nós vemos um garoto sofrendo por tudo que aconteceu no passado e o que acontece ainda no presente (como o fato da mãe dele ser completamente relapsa ao que acontece com ele) e ao mesmo tempo temos um vislumbre do que ele poderia ser no futuro, se ele se permitisse viver: e isso é uma tarefa do colégio, o professor favorito dele fez com que todos os alunos escrevessem cartas para eles mesmos como se fossem personagens de um futuro, pessoas que eles ainda encontrariam na vida e que fariam toda a diferença quando a escola acabasse e tudo aquilo ali ficasse para trás.

“Eu a ouvi falando ao telefone com o namorado francês, dizendo: “Eu não vou deixar que um terapeuta qualquer me culpe pelos problemas do Leo.”
E foi então que percebi que eu estava por minha conta, que não podia contar com Linda para me salvar.”

Esse livro me tocou de uma maneira maravilhosa e triste. Eu não me identifiquei com tudo que Leonard passou, longe disso, mas por um bom tempo eu também sentia como se não houvesse esperança nenhuma pra mim no futuro (e ás vezes ainda sinto, creio que quem tem depressão entende o que é isso, tem dias que você simplesmente… existe), mas enfim, isso já é bastante informação.

Se tem uma coisa que me incomodou um pouco no livro, que me fez não dar 5 estrelas completas, foi apenas o final. Eu não vou explicar o porque, já como isso seria dar spoiler demais do que acontece ou deixa de acontecer, mas eu não pude deixar passar a sensação de que ficou faltando um algo a mais, sabe? Fora isso, o livro é absolutamente perfeito – e mesmo assim eu entendo que não são muitas pessoas que irão se agradar dele.

“Sua vida ficará muito melhor. Eu lhe prometo isso. Apenas aguente como puder e acredite no futuro. Confie em mim. Esta é apenas uma pequena parte de sua vida.”

Se você gosta de livros que tem como temática saúde mental, eu tenho certeza que você, assim como eu, irá adorar. Mas eu não recomendo essa leitura quando estiver passando por uma fase ruim, porque como eu anunciei ali em cima, esse livro tem bastante gatilho pra depressão e pra suicídio, e nesses momentos que estamos nos sentindo assim, todo cuidado é pouco.

E, como sempre gosto de lembrar: você não está sozinhx! Se está passando por um momento ruim e acha que não tem com quem conversar e desabafar, procure ajuda, não tenha medo ou vergonha de procurar alguém que te ajude a sair dessa situação:

Centro de Valorização da Vida

Para comprar “Perdão, Leonard Peacock” basta clicar no nome da livraria:

Amazon.
Cultura.

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