08.05

Sinopse: “O que poucas pessoas têm em mente é que Cultura, no sentido mais amplo da palavra, não se restringe apenas ao entretenimento. O objetivo maior e primeiro da Cultura é nos transformar em pessoas melhores, agregando novos conhecimentos e percepções sobre nós mesmos, os outros e o entorno em que vivemos – é isso que A Contrapartida faz. A sua leitura nos proporciona uma série de profundas e valiosas reflexões sem, contudo, deixar o entretenimento e o suspense de lado. Com relação ao suspense, gostaria de fazer uma breve analogia com o mundo do cinema para ser mais claro em minha exposição. Um bom thriller é aquele que nos causa ansiedade para ver a próxima cena e nele os acontecimentos não são óbvios e declarados. Enfim, é o que aconteceu comigo quando li A Contrapartida – eu queria saber o que estava para acontecer na próxima página, de modo a poder ligar os fatos apresentados no livro e ter as respostas às perguntas que a leitura indiretamente me fazia. Inevitavelmente, a leitura do livro me remeteu à Hollywood. Quando nos referimos a thrillers, logo vem à mente o nome de Alfred Hitchcock, cuja genialidade se encontrava em entender profundamente a psiquê do ser humano e em criar um estado emocional tão intenso no público, que seus filmes se transformavam imediatamente em sucesso. Essa mesma genialidade foi reproduzida aqui neste livro. O autor conseguiu criar caminhos mentais de condução de nós, leitores, em um mundo imaginativo de suspense e mistério dignos de um grande blockbuster.” Lion Andreassa – produtor e diretor de cinema da Lumix Art Films

Dr. Octavio Albuquerque Júnior perdeu o pai quando ele tinha 4 anos de idade em um assalto que deu errado. Desde então o garoto foi criado pela mãe, Cristina, e pela governanta, Iaúna, uma índia que foi trazida ainda jovem pela sua mãe para a casa dos avós dele quando a mãe dele era mais moça.

Tavinho, como os amigos e familiares o chamam, não tinha muita sorte no colégio: ele simplesmente não conseguia aprender. Nada do que era dito nas matérias ficava gravado na mente dele e isso o fazia se sentir muito mal porque tudo que ele mais queria no mundo era dar orgulho para a mãe, assim como imaginar que o pai, estivesse onde estivesse, sentiria orgulho dele por ser um rapaz tão inteligente e estudioso.

“Ela não é só bonita… é muito inteligente!”, diziam os colegas machistas, e contavam a famosa piada: “Deus, quando faz uma mulher, pergunta a ela: você quer ser bonita ou fazer engenharia?’

Então, em um dia quando estava no ensino médio, se sentindo humilhado já porque não conseguia aprender, o garoto chegou em casa aos prantos, com raiva e foi aí que Iaúna disse para ele que teria uma forma de resolver os problemas dele: ela poderia fazer um ritual indígena que conhecia desde muito moça, mas só contaria para ele os ingredientes desse ritual depois que tivesse feito – e acima de tudo, o garoto devia manter esse segredo só entre eles, ninguém podia saber: nem sua mãe, nem os poucos amigos do colégio, nem ninguém.

Octavio, avido para deixar de ser “burro” como ele se denominava, aceitou a proposta de Iaúna e foi até a casa dela na hora em que ela combinou com ele, participando do ritual que consistia nele tomar um elixir e então ficar lá enquanto ficava em transe, até que o transe passasse e ele acordasse – e daí, garantia Iaúna, ele já estaria inteligente.

“Nunca mais na vida eu quero ser humilhado e passar o que passei hoje nas provas e ontem na partida de xadrez. Nunca mais…”

O ritual funcionou, como era de se esperar e o garoto ficou MUITO inteligente, sentindo tudo muito vividamente e foi apenas aí que Iaúna contou para ele o ingrediente que era usado naquele ritual antigo e sagrado que fez a tribo dela sobreviver por muitos anos: consistia em beber esse elixir que era produzido com o coração e o cerebro de uma pessoa morta. Tavinho, é claro, ficou horrorizado com isso e disse que guardaria o segredo dela, mas que nunca mais participaria disso.

O único problema é que o ritual não fazia isso durar para sempre: conforme o tempo fosse passando, Octavio voltaria a deixar de aprender e não conseguir se concentrar e não conseguir decorar matérias, justamente como era antes quando era constantemente humilhado e ridicularizado por seus colegas – e até por alguns professores. Essa é a proposta de “A Contrapartida”: até onde você é capaz de ir para conseguir aquilo que você quer muito? Você é capaz de ignorar que pessoas tem que morrer? Você faria diferente?

“Tavinho, adora lembre-se de algo que você está sempre falando. Você usará a sua inteligência para o bem. Sempre para o bem. Jamais para o mal. Jamais, certo? Isso é o que vale, e foi por isso que lhe revelei o segredo. Pelo seu bom coração, desde muito pequeno, por esse seu maravilhoso sorriso que você nunca deverá perder. Ele cura. Nunca se esqueça disso.”

O livro tem uma historia muito complexa, toda envolta com rituais indígenas e manipulações e traições, tanto de Tavinho como de Iaúna e até mesmo a namorada de Tavinho, da época do colégio, chega em um ponto onde ela é cruelmente manipulada e com isso comete erros que destroem o relacionamento dos dois que, até então, era completamente respeitoso e cheio de afeto. E provavelmente isso foi o que mais me interessou no livro todo, querer saber quais seriam as escolhas que os personagens tomariam, quais eram as reações que essas escolhas causariam e isso me segurou até o final.

Nós somos apresentados ainda a mais uma gama de personagens além de Octavio, a mãe e a Iaúna. Como eu mencionei ali em cima, nós também conhecemos a Martha, namorada dele e Oswaldo, Renato, Silvia e Fernanda que são amigos de Octavio da época do colégio e tem algumas partes importantes no meio da história dele e onde ela culmina, terminando de uma forma que ao mesmo tempo chocante, faz a gente ficar pensativo.

“Com certeza, o episódio faria com que Tavinho se transformasse, e para pior. Ele se tornaria um predador, deixaria de exerciitar seu lado dele, harmônico, flexível e doce.”

O que me incomodou um pouco foi o começo do livro em que, isso pode ser algo só meu, é claro, mas teve muito detalhamento com um capitulo separado para apresentar cada um dos personagens e coisas que sinceramente não fariam falta se não tivessem sido colocadas ali. Eu imagino que o autor tentou fazer com que entrássemos mais na mente do personagem – de todos eles, na verdade, mas principalmente na de Tavinho, nos fazendo conhecer os amigos dele e a família dele da mesma forma com a qual ele conhecia, para que ficássemos na situação de estarmos na pele dele conforme ele tomava certas decisões, mas como eu disse: pra mim foi algo que não era tão necessário assim, apesar de eu ter entendido o que eu imagino que foi a motivação.

Como eu falei acima, o livro termina de uma forma chocante, que nos deixa completamente sem folego. Eu fiquei parada, olhando em choque para a ultima pagina do livro com aquele “FIM” bem grande estampado ali porque não queria acreditar que tinha acabado daquela forma. Eu não canso de dizer que adoro plots que envolvem essa aura de mistério e que fazem a gente ficar curioso, tentando adivinhar o que virá a seguir, e confesso que nem em um milhão de anos eu imaginei que terminaria assim.

Se você, como eu, gosta de livros de mistério e com esse tom meio de thriller (confesso também que eu conseguia ver nitidamente um filme se passando na minha cabeça enquanto lia as páginas do livro), esse é o livro certo pra você. Nada como livros de mistério na nossa literatura brasileira <3 Todo livro assim devia ser devidamente exaltado!

Para comprar “A Contrapartida” basta clicar no nome da livraria:

Amazon.
Submarino.
Travessa.
Cultura.

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