21.04


“Um lugar só nosso”
Maurene Goo
Seguinte– 2020 – 336 páginas

Durante um fim de semana em que fingem ser outras pessoas, Lucky e Jack vão viver um romance digno de uma canção de sucesso.

Lucky ingressou muito cedo no universo do K-pop. Aos dezessete anos, ela é uma febre na Ásia e a grande aposta de sua gravadora para conquistar o Ocidente ― mas ainda tem dúvidas de que essa é a vida que realmente deseja. Por isso, em uma noite pouco antes de viajar para os Estados Unidos, ela resolve sair disfarçada de um hotel em Hong Kong para fazer tudo o que quiser.

É então que Lucky encontra Jack, um jovem paparazzo. Sem saber que está ao lado de uma das maiores celebridades do momento, ele acompanha a garota pela cidade e os dois desenvolvem uma conexão especial, mas Jack logo se vê num dilema quando percebe que tem o maior furo de sua carreira bem à sua frente.

Em um fim de semana repleto de música e reviravoltas, os dois se aproximam e aprendem muito um com o outro ― mas as mentiras entre eles podem colocar tudo a perder.

Eu sei, eu sei que sempre falo que não gosto de livros de romance e essa não é uma mentira, mas, nos tempos difíceis que estamos enfrentando, todos nós precisamos de algo leve e que nos dê esperanças no amanhã. Escolhi justamente “Um lugar só nosso” porque não conheço absolutamente nada da cultura Coreana e achei que seria bom começar por esse livro que iria unir duas coisas em uma, e devo confessar que, nesse aspecto, o livro não me decepcionou.

A trama é uma comédia romântica bem adocicada, sem nenhuma trama oculta que vá impedir os protagonistas de se amarem ou sequer um segredo oculto no armário que faça uma revelação profunda: o que separa os dois personagens são suas esoclhas de vida, já como Lucky treinou a vida inteira para ser uma grande cantora de sucesso de K-pop e Jack quer fugir da vida que seus pais traçaram para ele. Enquanto um quer correr da vida repleta de regras, a outra entrou porque assim o desejou – mas agora, em um dia repleto de sentimentos e descobertas, os dois talvez entendam que precisem chegar no meio para serem felizes.

Eu era a estrela. Lucky, que não tinha sobrenome. Lucky, cuja voz angelical tinha feito os olhos de Joseph se encherem de lágrimas no teste. Lucky, com seu rostinho “natural” e seus olhos grandes que promoviam milhares de produtos de beleza. Lucky, que tinha sido abençoada com uma altura que a destacava entre as outras garotas do grupo. Lucky, com seus passos de dança sempre precisos e femininos. Lucky, com seu inglês impecável.
Eu estava pronta para o sucesso, e o selo depositava em mim todos os seus sonhos e esperanças de popularidade nos Estados Unidos.
Sem nenhuma pressão.

Mas, como sempre, vamos do começo, então vamos falar sobre Lucky antes de tudo. Norte-americana, Lucky (esse é seu nome artistico e o nome dela se torna uma especie de “segredo” no livro) descendentes de coreanos que desde sempre soube que queria ser uma artista porque era ciente do seu dom musical. Ela lutou por isso: aprendeu a dançar, abriu mãos de muitas coisas e lutou bastante determinada, até que um dia fez o teste em uma gravadora que tinha um escritório em Los Angeles, sua cidade natal, e isso tudo aos 13 anos. Logo ela passou a fazer parte do grupo feminino Hard Candy, e depois de 3 anos, passou para o próximo passo, a carreira solo. Agora ela está prestes a fazer sua grande estreia em solo norte americano, porque mesmo tendo nascido lá, sua carreira foi toda construída na Coreia do Sul. Essa sua estreia seria uma apresentação em um famoso talk show, e ela está nervosa ao entender que sua vida vai mudar, seja para melhor, seja para pior, já como se ela bombar e se tornar um fenômeno nos Estados Unidos, tudo será mais rigido ainda – e se a apresentação for um fracasso, ela provavelmente perderá o interesse de sua gravadora e seus patrocinadores.

Enquanto isso, também temos Jack, o nosso protagonista masculino: filho de um executivo que trabalha em um banco mas que era Coreano de nascimento, assim como sua mãe, Jack teve seu destino traçado pelos pais (quem não, gente?). Sendo o mais velho, sempre sentiu que sua vida estava sendo ditada por coisas que ele nem ao menos tinha interesse, já como seu verdadeiro amor era a fotografia, mas entendendo que os pais queriam que ele fosse fazer uma faculdade mais “real”. E foi assim que ele conseguiu ficar um ano “sabático” antes de ingressar em qualquer curso em uma faculdade. O que os pais de Jack não sabem é que ele continua cultivando seu amor pela fotografia e está fazendo bicos como fotógrafo de celebridades, os conhecidos e famigerados “paparazzi”.

— Bom, esse é um sentimento latente em todos os jovens coreanos. Culpa é a nossa principal motivação.
Jack sorriu.
— Verdade. Sempre me sinto… culpado por querer o que eu quero.
— E o que você quer? — perguntei, olhando para ele com interesse. Estava curiosa, porque às vezes a culpa de querer me livrar de minhas obrigações ligadas ao K-pop eram tão intensas que parecia que eu nem conseguia respirar.
— Quero… Não sei. — Sua voz saiu baixa, e Jack olhou para baixo.
— Pode falar, anda — eu disse, batendo meu quadril de leve contra o dele.
Jack não respondeu na hora.
— Não quero o que meus pais querem pra mim. Fora isso… Não tenho certeza ainda.

O livro se passa em Hong Kong e não na Coreia, já como Lucky está lá, encerrando sua vitoriosa turnê e é aonde Jack mora com sua família. O destino se encarrega de juntar os dois, já como Jack parte em uma pequena missão de fotografar um casal famoso que está tendo um encontro furtivo em um hotel no qual ele está em uma reunião do Banco aonde está trabalhando com o pai e é o mesmo aonde Lucky está hospedada. Nervosa e sobrecarregada com tantos sentimentos, ela toma remédios para dormir e controlar a ansiedade – e então decide que quer um hamburger, praticamente fugindo do hotel para conseguir o que quer. O que ela consegue é alguém que ela nem ao menos sabia que precisava.

Ainda bastante chapada pela mistura dos remédios, Lucky é basicamente resgatada por Jack, que a leva para seu apartamento. E é bem assim que as poucas horas deles juntos se inicia, com uma Luckey decidida a dar 24 horas de folga para si mesma e comer, brincar e ser ela mesma sem a sua característica peruca rosa e suas botas imensas que machucam seus pés. Ela acredita que está se dando uma folga, uma pequena férias, tudo antes de sua vida mudar pela apresentação, e sim, a vida dela vai mudar muito. Bastante mesmo e o leitor pode imaginar que o motivo.

Uma garota deve ser, acima de tudo, bonita, minha avó costumava dizer, com toda a tranquilidade. Na Coreia, completos desconhecidos se sentiam à vontade comentando minha aparência. “Você é tão alta!”, diziam, ou até “Você precisa usar mais hidratante”. Nos Estados Unidos, a coisa era muito mais disfarçada, mas estava lá. Em todo lugar, mulheres e meninas tinham de atender a diferentes padrões.
Então era mesmo surpreendente que quando se chegasse a determinado nível de estrelato na Coreia esperassem que você fosse a versão mais perfeita de si mesma possível? Não havia como esconder aquilo.

Como comecei falando nessa resenha, eu não conheço basicamente nada do universo K-pop, então foi bom ler e entender que é uma indústria bastante forte e dinâmica: quem entra, sabe que vai ter que devotar sua vida a ser um bom astro e cuidar também de sua imagem, algo bastante importante para eles, que realmente tomam conta de todos detalhes dos seus astros. Lucky amava a música, mas parte dela foi se perdendo com tanta disciplina, e eu me perguntei se isso realmente aconteceu com mais outros astros da vida real, mas, deixo bastante claro que não posso falar nada sobre porque não conheço realmente a cultura e nem mesmo o suficiente das músicas para dar qualquer opinião.

O livro tem tanto estrutura de comédia romântica que basicamente não conhecemos ninguém fora Lucky e Jack, e todos os outros personagens (as irmãs mais novas de ambos, os pais, Trevor, o amigo que Jack divide seu minúsculo apartamento e até mesmo o chefe sem carácter de Jack) só basicamente recursos na narrativa para aparecerem em momentos que se precisam de uma ajuda ou de um motivador. O desenvolvimento fica por conta dos dois personagens e de suas jornadas para seu próprio conhecimento e amadurecimento.

— Minha vida não é minha vida. — Aquela frase era perfeita para uma música. A expressão de Lucky pareceu endurecer. — Ela é planejada minuto a minuto. Tem sido assim desde que eu era pequena. Porque era o que eu queria fazer, ficava feliz em deixar de lado as coisas que as crianças normais faziam. Mas eu achava que em algum momento teria uma folga. Sempre pensava: Quando conseguir isso ou aquilo, quando chegar a determinado lugar, vou ser livre. Mas isso nunca aconteceu. E estou morrendo de medo de que nunca aconteça.

No saldo final, o que eu preciso deixar claro é que “Um lugar só nosso” não vai mudar sua vida em absolutamente nada você o lendo porque é um livro que entrega claramente o que ele se propõe: uma comédia romântica sobre dois adolescentes que precisavam de coragem para tomarem o rumo de suas vidas em suas mãos. A leitura correu rápida e fácil justamente pela temática, então a dica está mais do que dada: se você quer se divertir e embarcar em uma leitura leve e repleta de aventuras com uma pitada de esperança, você encontrou seu lugar – ou melhor, livro.

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