08.02

Jojo Rabbit (2019)

Direção: Taika Waititi

Gênero: Guerra,Drama, Comédia

Elenco: Roman Griffin Davis, Thomasin McKenzie, Scarlett Johansson

Sinopse: Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Jojo (Roman Griffin Davis) é um jovem nazista de 10 anos, que trata Adolf Hitler (Taika Waititi) como um amigo próximo, em sua imaginação. Seu maior sonho é participar da Juventude Hitlerista, um grupo pró-nazista composto por outras pessoas que concordam com os seus ideais. Um dia, Jojo descobre que sua mãe (Scarlett Johansson) está escondendo uma judia (Thomasin McKenzie) no sótão de casa. Depois de várias tentativas frustradas para expulsá-la, o jovem rebelde começa a desenvolver empatia pela nova hóspede.
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‘Jojo Rabbit’ é uma filme muito bonito. Fala de amor, de empatia, de se colocar no lugar do outro e usa a Alemanha Nazista como pano de fundo pra isso. O protagonista é o Jojo que é um garoto criado dentro da ideologia nazista, tem Hitler como ídolo mas a narrativa se foca bastante na relação dele com a mãe e de como essa mãe consegue cuidar do filho no meio do alvoroço que é o final de 2ª Guerra Mundial, num momento em que os Aliados já estão avançando suas tropas para Berlim, onde eventualmente derrotarão o exército alemão, e ainda com o desafio de no deixar ninguém descobrir que ela esconde uma judia, amiga de sua filha falecida. Nesse ínterim, é possível como a mãe do Jojo, esse apaixonado pelo regime nazista, talvez não concorde tento assim com os ideais do filho e do governo.

O filme busca inspiração no diretor Wes Anderson. Uma cena que se passa na floresta remete claramente a Moonrise Kingdon com tema nazista que é usar de crianças passando por situações absurdas com intenção falar de algo bem real. Aqui é como discursos extremistas podem gerar uma série de problemas futuros e afetam especialmente aqueles que não tem como entender tais consequências e acabam sofrendo no processo mostrando crianças envolvidas em política e guerra – algo que infelizmente nem é tão absurdo se repararmos o quanto isso acontece na vida real. A narrativa entretanto, escolhe abordar de forma bem irônica e num brilhantismo inegável, transporta o olhar da criança pra tela ao, por exemplo, apresentar uma menina judia como um filmes de terror apresentam monstros. Mas que sabemos que ela não é, é apenas mais uma vítima da situação.

Um ponto sensível no filme é uma talvez suavização do Nazismo e daqueles que fizeram parte atuante nesse momento tão cruel. A humanização de certos personagens – necessária para gerar uma empatia do público com eles – pode gerar um discurso interno de “eles não eram tão ruins assim”. Particularmente, não entendo como ponto negativo, pois é claro que o filme retrata a visão do menino, porém não poderia deixar de ser citado. O maior exemplo é o personagem do Sam Rockwell, que representa uma figura paterna para o Jojo onde é um dos maiores defensores do Nazismo ao mesmo tempo que é um homem sensível ao sofrimento dos que o cercam e é de fato um herói que salva a vida do menino em determinado momento do filme. É conflitante pro público absorver essa aparente contrariedade mas também o que torna a narrativa inicialmente absurda e inusitada em algo que o espectador consegue se relacionar.

E por falar em personagens dúbios, Taika Waititi, que também é o diretor do longa, interpreta Adolf Hitler de forma brilhantemente debochada, em que o próprio Nazismo e seus valores viram piadas. Infelizmente, por mais que a crítica o reconheça, isso jamais se reverterá em prêmios pelo personagem em si. Mas o mérito está lá.

E, bom, não é possível fala desse filme sem mencionar Scarlett Johanson. È gratificante assistir a doçura com que sua personagem trata o filho ao mesmo tempo em que é extremamente resiliente ao lidar com toda a situação em que se encontra. O roteiro mantém sua personagem sempre em conflito, com o próprio filho que por vezes, a enxerga como traidora por não acreditar na vitória alemão contra os Aliados e consigo mesma, ao tentar ser pai e mãe para o Jojo.

Mesclando um seriedade com comédia e provando que nem todo filme de guerra precisa ser sem cor e sem humor, Jojo Rabbit retrata um momento absurdo de nossa História pelo olhar de uma criança e só torna a experiência ainda mais crível e real com um alerta claro: isso nunca mais deve se repetir.

 

 

 

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