08.11

Sinopse: Jeff Zentner, autor de Dias de Despedida, traz outra história comovente sobre família, amizade e amor, com uma visão emocionante e ao mesmo tempo bem-humorada sobre a dura realidade de crescer em um ambiente conservador.

Dill não é um garoto popular na escola — e não é culpa dele. Depois de seu pai se envolver em um escândalo, o garoto se tornou alvo de piadas dos colegas e passou a ser evitado pela maioria das pessoas na cidadezinha onde mora. Felizmente, ele pode contar com seus melhores amigos, Travis e Lydia, que se sentem tão excluídos ali quanto ele. Assim que os três começam o último ano do ensino médio, mudar de vida parece um sonho cada vez mais distante para Dill. Enquanto Travis está feliz em continuar no interior e Lydia pretende fazer faculdade em uma cidade grande, Dill carrega o peso das dívidas que seu pai deixou para trás. Só que o futuro nem sempre segue nossos planos — e a vida de Dill, Travis e Lydia está prestes a mudar para sempre.

Dill, Travis e Lydia são melhores amigos e também são as pessoas mais desprezadas no colégio pelos considerados populares, cada um por seu motivo diferente. Dill é filho de um pastor que comandava um verdadeiro culto, porque não sei se aquilo poderia ser realmente chamado de Igreja ou até mesmo religião, mas ele fazia as pessoas acreditarem que Deus estava testando a fé delas pela coragem delas de encostar em uma cobra que ele mantinha em todos os encontros dessa chamada Igreja. Até o dia que o homem foi preso e, obviamente, sendo uma cidade pequena, todos ficaram sabendo do grande escândalo do pastor envolvido com pornografia infantil. Não bastasse Dill ter que aguentar carregar o peso de ter um pai preso por algo tão grave, ele também divide o nome com o homem, fazendo aquilo impossível de ser esquecido porque qualquer um ligaria ele ao pai dele e lembrariam eternamente daquilo.

Travis é maltratado simplesmente por ser nerd. Grande e forte, o garoto poderia ser facilmente um jogador de futebol, como o pai dele tanto queria que ele fosse, mas ele prefere ficar em volta do livro de fantasia favorito dele, conversando e criando teorias sobre com outros fãs em fóruns sobre o assunto (bem gente como a gente <3). E, claro, por ele não seguir o que o pai esperava para ele, Travis sofre bastante com isso também em casa, tendo uma relação muito conturbada com o homem.

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“- Você ainda acredita em Deus?
Ele ficou mexendo na manga da camisa antes de responder.
– Sim. Mas acho que talvez ele tenha ficado meio sobrecarregado depois de ter feito tudo isso. Como se não conseguisse dar conta de todas as coisas ruins que acontecem ou impedir essas coisas de acontecer.”

E então nós temos Lydia, que as pessoas no colégio a detestam simplesmente por ela ter um blog de moda que faz muito sucesso mesmo fora da cidade e graças a isso, ela deu uma entrevista onde ela fala sobre querer sair daquela cidade e como ela considera aquelas pessoas que moram ali como meio que “cabeças pequenas” que não tem o menor senso de moda ou a menor ambição. Confesso que eu me incomodei um pouco com a Lydia em várias passagens porque ela de longe é a que mais tem privilégios entre os três (ela tem uma família que a ama e apoia, tem dinheiro e pode facilmente sair dali para uma grande universidade, como ela quer fazer), e o próprio pai dela em um ponto do livro conversa com ela sobre isso e faz ela abrir os olhos sobre a forma com a qual ela age com os amigos dela, por vezes esquecendo do próprio privilegio e falando como se eles vivessem uma vida tão “confortável” como a dela.

Mas os três, apesar das diferenças, encontram um no outro um apoio e um amor imensurável. Travis e Dill se conheceram na Igreja que Dill passou a frequentar depois de seu pai ter sido preso e algum tempo depois Lydia se juntou a eles nessa amizade e desde então eles são inseparáveis. O livro começa um dia antes do inicio do ultimo ano escolar dos três, com Lydia levando os dois garotos (muito mais Dill do que Travis que está muito satisfeito com sua coleção de roupas pretas) para comprarem roupas novas para o ano letivo. E é a partir daí que ele segue.

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“Se perguntou por que parecia que Deus o havia abandonado. Não havia resposta. Deus prestaria atenção suficiente para se sentir ofendido pelo que ele estava pensando em fazer? Ele não ligava.”

Nós passamos por um numero de coisas conforme o livro vai passando: nós descobrimos mais sobre a vida de cada um, com o livro sendo separado no ponto de vista dos três, sobre as coisas que Travis passa em casa, sobre os pais de Dill culparem ele pelo homem ter sido preso (sim, a mãe dele acha que ele poderia ter dito que as coisas pornográficas eram DELE e não do pai, para ele ser absolvido, rs). Nós vemos a própria Lydia se dando conta mais e mais de que ela não pode governar a vida de todo mundo e nem todo mundo pode seguir pela cartilha dela, que, como eu mencionei, tem uma vida bem confortável e fica frustada porque os meninos que não tem, não querem seguir o mesmo caminho dela: sair daquela cidade pequena e infernal para uma cidade grande longe dos olhos acusadores de todos. E vemos também como o próprio Dill se incomoda e se ressente um pouco com as coisas serem tão fáceis para a garota (além da pequena paixãozinha que ele conserva por ela.

Eu queria falar aqui de forma especifica sobre uma cena lindinha em que Lydia, com a ajuda das coisas que ela consegue para o blog dela, consegue com que Travis conheça o autor dos livros de fantasia favoritos dele. É muito lindo e magico e tenho certeza que todo mundo que adora livros tanto assim quanto a gente, vai se identificar com a felicidade dele.

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“- Nada para depois que a gente morre. As estações não param. Esse rio não para de correr. Os abutres vão continuar voando em círculos. A vida das pessoas não vai parar. O tempo continua passando. As histórias continuam sendo escritas.”

Mas acho que, assim como “Quem é você, Alasca?”, o livro poderia ser dividido facilmente entre um antes e um depois. E foi justamente isso que me pegou.

Quando eu comecei a ler “Juntos Somos Eternos”, eu estava esperando um livro levinho sobre a amizade, sobre as coisas que eles iriam enfrentar juntos naquele que seria o ultimo ano deles juntos antes de cada um seguir o seu rumo na vida, então eu não vi o nocaute até a hora que ele me atingiu e me deixou chocada e chorando (Juro pra você, Jeff, eu nunca vou te perdoar por isso. Você partiu meu coração em um milhão de pedacinhos e até agora, dias depois de ter lido, enquanto faço essa resenha, eu ainda estou tentando processar o que aconteceu). Eu não vou dar nenhum spoiler do que acontece porque acredite, é melhor ser pego de surpresa por isso, ainda que seja mais sofrido. Mas acreditem em mim que a sinopse desse livro realmente não diz nem metade do que ele é.

Todo desenvolvimento que vem depois do acontecimento é magnífico. Nós vemos os personagens crescerem e entenderem mais sobre a vida deles e sobre o que significa estar aqui nesse mundo agora, sobre quem eles realmente são e sobre o que importa de verdade. Nós vemos os personagens aprenderem que não são as famílias que vão ditar quem eles são ou podem ser, mas sim que eles devem acreditar no próprio potencial deles. (E eu não vou dar nomes sobre quem aprende o que, porque isso seria muito, muito spoiler).

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“Guarde este momento. Para sempre. Até o próximo apito de trem ao longe quebrar esse silêncio.”

Juntos Somos Eternos” é sim, um livro sobre amizade, sobre como as pessoas que conhecemos e amamos podem nos ajudar a nos moldar e nos transformar em pessoas melhores. Mas também é um livro sobre a dor da perda e sobre como isso também nos molda e o quanto nós aprendemos ela.

Esse facilmente entrou na minha lista de livros favoritos desse ano, então eu indico ele pra todo mundo ler realmente. Eu tenho certeza que vocês não vão se arrepender!

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Martins Fontes, por R$ 44,90.

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