23.08

Autora: Elizabeth Gilbert
Ano de lançamento: 25/06/2019
Páginas: 424
Editora: Grupo Companhia das Letras (Selo Alfaguara)
Sinopse: Elizabeth Gilbert retorna para o texto ficcional com uma inesquecível história de amor na Nova York dos anos 1940. Narrado a partir da perspectiva de uma mulher que olha para o passado com felicidade, Cidade das garotas explora a ideia de sexualidade, bem como as idiossincrasias do amor.
Em 1940, Vivian Morris tem 19 anos e acabou de ser expulsa da faculdade. Seus pais, ricos e influentes, a enviam para Manhattan, onde mora sua tia Peg, dona de um teatro chamado Lily Playhouse. No teatro, Vivian passa a se relacionar com um grupo de personagens pouco convencionais, mas extremamente carismáticos: grandes atrizes, galãs, escritoras e produtores. 
Mas quando Vivian comete um erro profissional que resulta em um escândalo, ela passa a ver aquele mundo com outros olhos. No fim, é essa jornada que a ajudará a descobrir o que ela realmente deseja — e qual tipo de vida ela precisa levar para que isso aconteça. É nessa jornada que Vivian também encontra o amor de sua vida, uma pessoa que se destaca de todo o restante.

Um pequeno resumo para explicar melhor a Sinopse: Vivian, nossa personagem principal do livro, é uma jovem adulta de 19 anos que se muda do subúrbio onde vivia, para a INCRÍVEL NOVA YORK DOS ANOS 30/40. Em um instante, Vivi passa de uma garota sem nada emocionante a contar, à alguém com um mundo todo de possibilidades. Em NY, ela vai morar no velho teatro de sua tia Peg, e lá faz diversas amizades, como Celia e outras dançarinas do teatro, que apresentam o mundo do sexo, das bebidas e da aventura para Vivian.

Essa é uma resenha que eu estava especialmente ansiosa para postar. Não vou mentir para vocês, não estava esperando muito de Cidade das Garotas. Achava que talvez não fosse meu tipo de livro. E que bom que eu não esperava muito, porque esse livro simplesmente me arrebatou. Até agora, é a melhor leitura que eu já fiz esse ano sem nenhuma dúvida. Dei uma pesquisada em algumas resenhas americanas e enquanto algumas diziam que o livro é excelente, outras o criticaram imensamente. E não quero ser rude nem parecer superior ou algo assim, mas para mim, depois de fazer a leitura de Cidade das Garotas, ficou bem óbvio que se uma pessoa não gostou desse livro, é porque ela claramente não o entendeu ou a mensagem que ele quis passar. É simplesmente impossível não gostar de Cidade das Garotas uma vez que você compreende a estória.  

Esse livro é incrivelmente deslumbrante em muitos sentidos, e não só por causa da estória em si. Deixem-me explicar: sabe aquele livro que você lê e tem dificuldade de imaginar o que está acontecendo? Isso é ruim, não é? Mas sabe aquele outro tipo de livro que quando você lê, você consegue literalmente ENXERGAR a cena acontecendo? Foi assim comigo e Cidade das Garotas. Enquanto eu lia (e, acreditem, eu não consegui parar de ler até chegar ao final), era como se toda a estória estivesse acontecendo ao meu redor, e eu estivesse bem ali, plantada no meio das cenas. Eu enxergava o teatro, o quarto de Viv e Celia, as calçadas de Nova York, a loja de roupas de Marjorie e o ateliê de vestidos de noiva.

Elizabeth, a autora, nos presenteia com tamanha riqueza de detalhes que torna-se impossível não se sentir familiarizada com a estória ou completamente apaixonada pela Nova York dos anos 40 e o Lily Play House (teatro da tia Peg). É claramente visível que ela pesquisou todos os aspectos da cidade na década de 40 (e nas posteriores que também fazem parte do livro) para tornar sua estória consistente. E ela faz isso com sucesso. O clube Stork, por exemplo, onde Vivian passa boa parte de suas noites com Celia, realmente existiu. Assim como várias outras lojas e lanchonetes e pontos turísticos e atrativos apresentados por Vivian ao leitor ao longo de Cidade das Garotas. E eu adoro esse tipo de coisa. Adoro ler e saber que tudo aquilo realmente esteve lá, e, até onde eu sei, todo o plot do livro realmente poderia ter acontecido, talvez até tenha, vai saber?

Elizabeth descreve com tanto entusiasmo cada cenário e personagem, som e aroma do livro, que realmente faz você se encantar. Diversas vezes ao longo da leitura, me peguei imaginando como seria viver na Nova York dos anos 40, como seriam os carros, e as roupas, como seria andar na rua, e os sons, e os sabores. Tudo isso por causa de elementos que a autora introduziu, de maneira muito inteligente, na estória.

“Foi uma aventura. Você precisa aprender a encarar as coisas com mais leveza, minha querida. O mundo está sempre mudando. Aprenda a levar isso em consideração. Alguém faz uma promessa e depois quebra. Uma peça recebe críticas boas e depois se encerra. Um casamento parece ser forte e então vem o divórcio. Por um tempo não há guerra e depois há outra. Se você se chatear demais com isso tudo, vai se tornar uma pessoa infeliz, cansativa. E que bem isso tráz?”

Além de me apaixonar por todos os locais e cenários onde a narrativa acontece, me apaixonei também pelos personagens! Não somente pela Vivian, que tornou muito gostoso acompanhar sua descoberta de todas as coisas emocionantes da vida, como sexo e álcool e amores e amizades, mas também por Celia Ray (e quem não se apaixonaria depois da descrição dada pela autora), por tia Peg, com seu jeito permissivo, e principalmente, por Edna Parker, uma personagem atriz importantíssima na estória, de extrema influência para Vivian e que foi inspirada em uma atriz que realmente existiu (Katharine Cornell). Vivian, que é apaixonada por costura, acaba conhecendo uma atriz britânica realmente famosa da época, e se encanta com o seu estilo. E eu também me encantei! Consegui imaginar cada um dos chapéus, lenços, terninhos e calças de Edna (e as melhores citações do livro, aliás, são dela)

“Ai meu Deus. Acabei de lembrar que perdi tudo o que tinha em casa. É minha contribuição para o esforço da guerra, imagino. É óbvio que o sr Goering* tinha que destruir a coleção de figurinos que cultivo a mais de três décadas como parte de seu plano para tornar o mundo seguro para a raça ariana.”

O livro também tem outros pontos importantíssimos. Primeiro, fala muito sobre diversidade, sobre a luta das mulheres mesmo naquela época e sobre como muitas vezes apesarem de serem talentosas, elas não conseguiam se destacar pelo simples fato de serem mulheres naquela época. Introduz personagens de outras culturas e LGBT, desmistifica todo aquele papo de que antigamente as mulheres deveriam ser recatadas e bla-bla-blá.

“De qualquer modo, a certa altura da vida de uma mulher, ela se cansa de sentir vergonha o tempo inteiro. E então está livre para se tornar quem é de verdade.”

 Outro fator importante apresentado no livro, é Segunda Guerra. Você vê, nada do que eu escreva aqui, vai conseguir refletir a sutil maneira como Elizabeth conseguiu pegar um assunto tão complexo e doloroso como a Segunda Guerra e ir introduzindo de maneira delicada e lenta no contexto de sua estória até que, de repente, a Segunda Guerra Mundial passou de algo de um simples acontecimento da década de quarenta e que não tinha nenhuma e qualquer relação com a estória, a ser um fator extremamente influenciador nela. E para isso, ela também introduziu diversos acontecimentos que são, de fato, reais, em seu livro. Como por exemplo, Pearl Harbor
e o ataque ao navio USS Franklin.

“Nossa missão era divertir aqueles trabalhadores esgotados enquanto comiam. Mas não éramos apenas animadores: éramos responsáveis pela propaganda. A Marinha transmitia informações e inspiração através de nós. Tínhamos que conservar todo mundo, e todos estavam com raiva, exaltados contra Hitler e Hirohito o tempo inteiro (matamos Hitler tantas vezes, em diferentes esquetes, que nem acredito que o sujeito não tivesse pesadelos conosco lá na Alemanha).”

Elizabeth Gilbert, você é um gênio

Outra manobra inteligente da autora, foi pegar personagens não tão relevantes apresentados no começo da estória, de repente torna-los essenciais. Adorei ver como as pessoas que se tornaram tão importantes para Vivian mais para o final de tudo, já estavam presentes de maneira sutil desde o começo.

O livro todo, aliás, é uma carta para uma “velha amiga” de Vivian, Angela. Que só descobrimos quem é perto do fim do livro. Então ele é meio escrito em segunda pessoa. O que eu achei sensacional!

“Quando jovens, Angela, podemos nos tornar vítimas do mito de que o tempo cura todas as feridas e que uma hora tudo acaba se resolvendo. Mas, à medida que envelhecemos, aprendemos a triste verdade: certas coisas jamais podem ser consertadas. Certos erros jamais podem ser remediados, nela pela passagem do tempo nem pelos nossos desejos mais fervorosos. Na minha experiência, essa é lição mais dura de todas. Após certa idade, estamos todos passeando por este mundo em corpos feitos de segredos, vergonha, tristeza e feridas antigas não curadas. Nossos corações ficam inflamados e disformes em torno de toda essa dor – porém, sabe-se lá como, seguimos em frente.”

Como sinto que já me alonguei demais, vou ficando por aqui. Mas eu poderia passar horas e horas falando sobre esse livro que, honestamente, ganhou meu coração todinho. E sobre os personagens por quem me apaixonei e com quem me decepcionei tantas vezes ao longo de suas quase 500 páginas. Para encerrar, recomendo muito, mas MUITO, a leitura desse livro que não pode ser chamado de outra coisa a não ser uma OBRA-PRIMA, de Elizabeth Gilbert, e fico aqui pensando se eu mesmo não vou recomeçar a leitura imediatamente após a postagem dessa resenha.

LEIAM CIDADE DAS GAROTAS, VOCÊS NÃO VÃO SE ARREPENDER, EU PROMETO!!!

* Sr Goering: importante militar alemão aliado de Hitler.

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