09.08

Sinopse: Dez anos atrás, Suzanne, uma garota de 14 anos, simplesmente desapareceu sem deixar qualquer vestígio. Filha do então senador Benjamin Lombard, agora poderoso vice-presidente dos EUA, o caso continua sem solução e se transformou numa obsessão nacional.

Para Gibson Vaughn, renomado hacker e mariner, trata-se de uma perda pessoal. Suzanne era como uma irmã para ele. No décimo aniversário do desaparecimento da garota, o ex-chefe de segurança de Benjamin Lombard pede a ajuda de Gibson para realizar uma investigação secreta e entrega a ele novas pistas.

Assombrado por memórias trágicas daqueles dias, Gibson acredita ter agora a chance de descobrir o que realmente aconteceu. Utilizando as suas habilidades, já em suas primeiras pesquisas descobre uma rede de múltiplas conspirações em torno da família Lombard e se depara com adversários poderosos – e perigosos – que farão qualquer coisa para silenciá-lo. Ao mexer no vespeiro, novas informações e personagens vêm à tona, a identidade de Gibson é revelada, tornando-o igualmente vulnerável.

E enquanto navega por essa teia perigosa de fatos, ele precisa estar sempre um passo à frente se quiser descobrir a verdade… e se manter vivo.

Quando eu li a sinopse desse livro, minha primeira reação foi: “ok, eu preciso ler ele”, simplesmente porque pensei que ele seria um bom livro de suspense, mas confesso que não esperava chegar ao ponto de ficar tão desconfiada de todo mundo que, enquanto eu lia, desconfiava até que meu próprio cachorro pudesse estar por trás do sequestro de Suzanne. Ok, vamos começar do começo: como a sinopse sugere, a história em si se dá pelo fato de que Suzanne, uma garota meiga de 14 anos, filha do então Senador Benjamin Lombard, foi sequestrada 10 anos atrás e absolutamente nada foi encontrado sobre ela desde então. Os sequestradores em questão nunca entraram em contato e a unica prova que tinham da garota em algum lugar, foi uma imagem de uma câmera de segurança de uma lojinha de conveniência de um posto de gasolina e nada mais. Todas as pistas morreram aí e nenhuma busca levou a lugar nenhum.

10 anos se passam sem absolutamente nenhuma alteração, até o dia que Gibson Vaugh é encontrado pela equipe de George Abe, antigo chefe de segurança de Benjamin Lombard, que era chefe de segurança na época que a garota foi sequestrada – e quando o próprio Gibson estava preso, incapaz de fazer qualquer coisa para salvar a vida da garota que ele considerava uma irmã, porque tinha hackeado justamente Lombard, afim de comprovar que na verdade ele era um homem corrupto – e tinha tudo virado contra ele. Lombard agora está na corrida para a presidência e Abe não trabalha mais para ele, então quando o homem recebe uma mensagem do suposto sequestrador de Suzanne, é atrás de Vaugh que ele vai, apesar de Gibson nem ao menos esperar ver novamente aquele homem, que junto com Lombard fez de tudo para destruir a vida dele completamente por causa das coisas que ele descobriu.

“A primeira lição era que homens jamais se adaptavam a mulheres. Era um clube só para meninos: você precisava se tornar um dos meninos ou acabaria se tornando uma pessoa indesejável. Tudo que fosse considerado delicado era ligado ao universo feminino. As mulheres que tinham sucesso nesse mundo masculino eram as que xingavam em voz alta, falavam mais besteira e não davam sinal de fraqueza. Depois de algum tempo, você ganhava a fama de “filha da mãe durona” e passava a ser tratada com uma tolerância relutante.”

Claro que, a principio, Gibson tem um certo receio em se juntar ao homem, afinal, porque diabos tinha procurado por ele? Por culpa? Por uma chance de reparar o erro que tinha feito quando o outro não passava de um adolescente lutando para mostrar uma verdade que o mundo não queria acreditar? É difícil de entender, até certo ponto, qual a verdadeira motivação de Abe em querer encontrar Suzanne. Até mesmo Gibson questiona ele em certa parte, querendo saber se o outro está fazendo isso para cair nas graças de Lombard novamente.

Porém, o amor que sentia por Suzanne e a curiosidade em entender a mente da pessoa por trás do sequestro que nunca foi solucionado por ninguém, é o bastante para fazer com que Gibson acabe aceitando o trabalho e se envolvendo naquela trama toda, procurando em cada pequeno pedacinho de informação (e deixando o próprio leitor neurótico enquanto faz isso, acredite, eu fiquei!) alguma prova, algo que mostre qual o paradeiro da menina e se é que ela está viva ainda depois de todos esses anos.

“Mas a vida é assim mesmo, não é? Você pensa que um lugar pertence a você, mas não pertence. A gente só ocupa espaço. Um dia alguém vai chegar e empacotar as suas coisas também, como se você nunca tivesse existido.”

Conforme o livro vai passando, nós vamos vendo que tem muito mais acontecendo ali, uma trama muito mais arquitetada e feita de questões politicas e familiares do que a gente imagina quando começa a ler o livro. É aquela coisa que você começa a ler bem despretensiosamente, quando chega em um ponto você não consegue mais largar e começa a sentir a tensão de cada nova coisa que é explicada e tudo isso vai se unindo cada vez mais para chegar ao final da história, com a resolução toda, naquele apice que te prende a respiração a cada pagina virada.

Uma das coisas mais importantes que é bom frisar sobre esse livro, é que ele pode ter certos gatilhos. Apesar de não ter nada completamente explicito, tem menções a suicídios e até mesmo a estupro, e os dois são meio tensos e, um deles, quando mencionado – que foi uma das coisas do plot que eu adivinhei, mas ao mesmo tempo não queria acreditar -, chegou a me dar um certo embrulho no estomago.

“Uma pessoa nunca pensa que ela própria seja ruim. Essa é uma eterna verdade da condição humana. Por mais repreensíveis que sejam seus atos, as pessoas sempre se convencem que podem justificá-los.”

O livro se divide em quatro pontos de vista: Nós temos o ponto de vista de Gibson, obviamente, o que é bem interessante, porque nós ficamos muito dentro da cabeça dele também, passamos a entender a forma como ele vê as coisas e como ele tenta, apesar de com muita dificuldade, superar todo seu passado: o suicídio do próprio pai deixou uma marca muito grande no garoto e foi o que o levou a procurar provas que mostrassem que Lombard não era o bom homem que dizia ser. E então os anos no exercito e o fato de ter traído a esposa e perdido ela, mantendo assim uma relação distante com a filha – que o faz lembrar muito de Suzanne.

Temos o ponto de vista de Jenn Charles, uma ex agente da cia que agora trabalha para George Abe na agencia de investigação que o homem abriu. Enquanto Gibson é muito da parte tecnológica, Jenn é praticamente uma arma letal, assim como Dan Hendricks, que é um ex policial e parceiro de Jenn nessa empreitada e os dois, junto com Gibson, são as pessoas que ficam completamente responsáveis pelo caso e por encontrar as pistas que o sequestrador de Suzanne está deixando para eles. Confesso que tinha um pouco de pé atrás com eles, mas não posso negar que a interação entre os três é a minha favorita no livro todo. Apesar das desconfianças que podem ou não ser infundadas (deixo para vocês decidirem!), eles tem uma boa dinâmica e trabalham muito bem juntos.

“A esperança é um câncer. Ou você nunca descobre a verdade, ou descobre e acaba atravessando o para-brisa a noventa por hora, porque a esperança lhe garantiu que você podia dirigir sem o cinto de segurança.”

Os outros dois povs, que são em menor quantidade, mas não menos importantes, são os do assassino profissional que tem no livro. E isso é tudo que eu posso falar sobre ele sem dar spoilers gigantescos. Tudo em torno dele é um grande mistério que vai sendo solucionado aos poucos: quem o contratou, de quem ele está atrás, qual a motivação dele. Isso tudo é respondido conforme o livro passa entre uma página e outra dos pensamentos sociopatas dele – e, acredite, eu adoro o jeito como o pov dele funciona. É muito perfeito e trás o nível certo de tensão.

E também o pov do próprio Benjamin Lombard, esse sendo ainda menor que o do sociopata, aparecendo bem poucas vezes e em momentos chave, Lombard é um personagem daquele tipo que a gente ama odiar. Você pode ver que ele é uma pessoa imprestável, mesmo não tendo certeza absoluta de nada sobre ele nem sobre o passado, nem sobre o presente, só o que ele quer é ser presidente, mas aí fica a pergunta: até onde ele iria para conseguir isso?

Parando pra pensar e refrescar a memoria um pouco, eu acho que temos alguns outros povs perdidos no meio, mas não são muito frequentes, é muito mais cheio de povs de Gibson e Jenn do que de qualquer outro personagem.

“A triste verdade era que Gibson havia acreditado em Duke cegamente e desde então sua vida entrara em queda livre. Era uma sensação terrível e ele queria que tivesse fim. Isso lembrava aquele antigo gracejo: O que mata é o impacto, não a queda.”

O plot do livro em um todo é fascinante. Ele te prende de uma forma, que como eu mencionei mais acima, te deixa desconfiada até da sua própria sombra, porque mesmo quando você está no pov de um personagem, você não consegue ver com muita clareza se o que eles falam é a verdade num total, tirando Gibson. Acho que ele foi o único em quem eu confiei do inicio ao fim, porque ele literalmente é um livro muito mais aberto do que os outros a sua volta. E, como eu disse, também pode ter um certo gatilho para suicídios e estupros, mas não é nada tão detalhado: são pequenas coisas subentendidas que fazem você ficar abismado quando compreende o que está acontecendo/o que já aconteceu.

Quando eu terminei de ler, descobri que o autor, Matthew Fitzsimmons, escreveu uma saga sobre o hacker investigador Gibson Vaugh, tendo “Morte Lenta” como seu primeiro livro. Então vocês podem ter certeza que eu pretendo ler os outros assim que possível, porque uma história boa assim, merece mesmo ser celebrada. Se você gosta de livros de suspense, dê uma lida nesse livro, eu garanto que vai ser uma excelente leitura!

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